UM TESTE PARA IDENTIFICAR PACIENTES QUE NÃO RESPONDEM AO TRATAMENTO CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

A revista GenomeWeb Daily acaba de publicar um artigo no qual anuncia que a empresa farmacêutica Tokai pesquisa, juntamente com a Johns Hopkins University, um teste para diagnosticar os casos em que seu produto em desenvolvimento, Galeterona, que se aplica a um subconjunto de pacientes – os que já não respondem aos tratamentos hormonais E que expressam uma versão danificada do receptor andrógeno AR-V7. Esses pacientes não respondem aos tratamentos de eficiência comprovada, Zytiga (acetato de abiraterona) e Xtandi (enzalutamida). Devido ao grande número de pacientes desse câncer, esse é um grupo numericamente importante de pacientes com câncer avançado, uma importante consideração para uma empresa. O mesmo dado alimenta considerações humanitárias, porque focam uma população com poucas esperanças porque dois dos tratamentos recentes mais badalados não funcionam nelas.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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Outro teste do câncer da próstata que promete reduzir os erros

É possível que tenhamos um teste não invasivo que possa separar cânceres agressivos de cânceres indolentes. Ironicamente, graças a estudante de graduação, Casey Burton, que estuda Química, na Missouri University of Science and Technology. O teste detecta metabolitos na urina dos cancerosos. O teste de PSA não consegue separar os cânceres pelo seu grau de periculosidade. Na minha visão, caso se demonstre que esse teste adiciona informações para melhorar os diagnósticos (aos obtidos com os testes de PSA e de toque retal), poderemos tratar adequadamente (e quanto mais cedo melhor) os cânceres agressivos e acompanhar os indolentes, reduzindo o número de mortes, assim como os custos e o sofrimento imposto pelos tratamentos desnecessários. 
GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Testes melhores para o câncer da próstata

Os testes atuais para detectar o câncer da próstata são bons, mas podem ser muito melhores. O melhor que se usa é o PSA. Porém, o PSA produz aproximadamente quinze por cento de falsos negativos. O que é isso? O teste é interpretado como negativo, ou seja, o paciente não tem câncer, mas de fato tem. Os erros são maiores do lado positivo: há falsos positivos cerca de 50% até 75% dos casos, dependendo da definição. Falso positivo? O teste indica câncer, o paciente é diagnosticado como tal, mas não tem câncer.

Não é “só” um erro. O diagnóstico de câncer é uma porrada. Muitos pacientes perdem o controle emocional, ficam traumatizados. Esses pacientes pagam um alto preço pela imperfeição do teste.

Está sendo testado um teste que usa a urina em dois hospitais de Cleveland e um de Boston. É chamado de PSA/SIA. O atual teste de PSA nos diz quanto PSA circula no sangue do paciente. O PSA/SAI informa a respeito de muitas mudanças na proteína que chamamos de PSA. Ele consegue diferenciar a estrutura molecular de um PSA canceroso daquela de um PSA normal, saudável. Além de informar se o paciente está no nível em que o câncer é provável, informa também se ele é agressivo. São informações importantes para recomendar um tratamento ou outro. Nos diz qual o nível do câncer. Se for um nível alto, a despeito de uma quantidade ainda moderada sendo produzida, pode ser aconselhável fazer logo uma cirurgia.

Um primeiro teste com 222 homens produziu uma sensitividade de cem por cento (não há falsos negativos – se o resultado for negativo, o paciente não tem câncer e pronto).

E a especificidade? Esse teste permite quantos falsos positivos? Comparativamente poucos: vinte por cento de falsos positivos, muito menos do que o teste de PSA.

Esse teste não deve eliminar o de PSA, nem o toque retal. O uso de vários testes reduz os erros.

Você pode obter muitas informações em vídeos da equipe dirigida pelo Dr. David Samadi:

New Study On Prostate Cancer Screening Effectiveness http://www.youtube.com/watch?v=KFH1XFgoziQ

Comparing Prostate Cancer Treatment Options – Robotic Surgery Vs. Watchful Waiting

http://www.youtube.com/watch?v=9dC4T9JAJss

Outro Link: Smart-Surgery.com

FONTE: RoboticOncology.com

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


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Basta 1 grama de extrato de romã para aumentar o PSADT

A fruta, romã, voltou aos congressos sobre câncer da próstata. O que faz?

Aumenta o PSADT, o que quer dizer que desacelera o avanço do câncer.

Como foi feito? Através de pesquisa dirigida por Michael A. Carducci, MD, do Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center na Johns Hopkins University em Baltimore.

Usaram um extrato chamado de POMx e o uso está associado com um aumento maior do que seis meses no PSADT. Esses resultados, de uma pesquisa Fase II, confirma pequenos estudos anteriores que demonstraram que romã tem um efeito sobre os tumores.

Quantos pacientes? Noventa e dois. Um grupo domou uma capsula diária de POMx, com uma grama do extrato, mais duas capsulas com placebo; o segundo grupo tomou três capsulas com um total de três gramas.

A duração do tratamento foi de 18 meses ou até que o câncer avançasse. 92% dos pacientes foram tratados por até seis meses; 70% até 12 e 36% até 18 meses.

E o PSADT? Era de 11,9 meses antes do tratamento e de 18,5 meses depois. O que é interessante é que o efeito foi parecido entre os que tomaram 3 gramas e os que tomaram apenas 1 grama. Conclusão: 1 grama basta. Em treze pacientes, ou 14%, o PSA chegou a diminuir.

A testosterona não mudou e os efeitos colaterais se limitaram a diarréia em 8% dos pacientes.

O próprio Carducci notou a ausência de um grupo inteiramente de controle, sem nada de romã.

Afinal, quanto tempo de vida você tem?

Uma pesquisa levantou a esperança de vida dos pacientes de câncer da próstata. Ela varia com o tratamento e com o tempo.

A prostatectomia (cirurgia) e a radiação são os dois tratamentos iniciais mais comuns. Raramente se opera o paciente quando há evidência de metástase: retirar a próstata não tem como curar um câncer que já espalhou, que já está em outros lugares. Mas não é fácil saber onde está o câncer, se já se metastizou ou não. Na dúvida, usam cirurgia. Muitas vezes combinam o cirurgia e a radiação.

O primeiro grande marcador negativo, de que a coisa não está bem, é a “volta do PSA”, quando o PSA reaparece no sangue. Isso significa que há células cancerosas vivas. O câncer não foi curado e, agora, é incurável. O que não quer dizer que o paciente morrerá dele: a maioria não morre deste câncer mesmo depois do fracasso bioquímico (a volta do PSA). Depende de quê? De várias coisas, entre as quais o tempo e o tipo de tratamento – isso entre as que sofreram a volta do PSA. As outras estão livres, curadas. Quando morrerem não será de câncer da próstata. Uma pesquisa com mais de 600 veteranos de guerra mostra quais as probabilidades, quais os riscos.

A volta do PSA – o temido fracasso bioquímico – ocorreu em 34% a 48% dos pacientes, dependendo do tempo e do tratamento. Uma percentagem maior dos submetidos a radiação (onde havia mais casos avançados) teve o desprazer de lidar com a volta do PSA no sangue.

A tabela abaixo mostra os vários riscos por tempo e por tipo de tratamento:

Fracasso bioquímico e morte devida ao câncer da próstata aos 5-, 10- e 15- anos depois do tratamento inicial.

Tempo

% acumulada em que o PSA voltou depois da cirurgia

Mortalidade por câncer depois da volta do PSA entre os que fizeram cirurgia

% acumulada em que o PSA voltou depois da radiação

Mortalidade por câncer depois da volta do PSA entre os que fizeram radiação

5 anos

34%

3%

35%

11%

10 anos

37%

11%

46%

20%

15anos

37%

21%

48%

42%

Dados tirados dos Archives of Internal Medicine.

O que esses dados nos dizem? Que 5 anos depois da cirurgia, 34% dos operados sofrem o fracasso bioquímico, a volta do PSA nos exames de sangue. Cinco anos depois (dez depois da cirurgia) a percentagem sobe um pouco, para 37%. E parece que não aumenta a partir daí. Olhando a terceira coluna vemos os dados relativos aos que fizeram radiação. São mais altos, ainda que não muito mais altos. Aos cinco anos, 35% (praticamente o mesmo que a cirurgia) sofrem o fracasso bioquímico; dez anos depois da radiação, a percentagem aumenta significativamente, para 46% e quinze anos depois parece estabilizar, com 48%, quase a metade.

Não obstante, nem todos os que enfrentam o fracasso bioquímico morrem do câncer. Em verdade, a maioria morre de outra coisa. Comparem a segunda e a quarta colunas. Cinco anos depois da volta do PSA, somente 3% dos que fizeram cirurgia morreram do câncer. Mais cinco anos e a percentagem aumenta para 11%. Mais cinco anos e a percentagem dobra para 21%. Ou seja, quinze anos depois da volta do PSA entre os que fizeram cirurgia, um em cada cinco morreu do câncer.

Tudo indica que essa percentagem continua crescendo depois dos 15 anos, mas as mortes por outras causas também passam a crescer mais rapidamente em função da idade. Lembrem-se de que falamos de 15 anos depois da volta do PSA, do fracasso bioquímico, e não da cirurgia. A maioria está com 80 ou mais.

No grupo que fez radiação os dados são piores – em parte porque muitos fizeram radiação porque havia evidência de metástase e de que a cirurgia não poderia curá-los. As percentagens dos que morrem da doença – depois da volta do PSA – parece dobrar cada cinco anos: 11%, 20% e 42%.

As pesquisas têm se concentrado nesse grupo mais doente, com doença mais avançada. E terapia hormonal, usualmente seguida de quimio e, mais recentemente, da caríssima vacina Provenge e, em final de desenvolvimento, da abiraterona, vão aumentando a sobrevivência específica do câncer da próstata (mas não de outras mortes): uns estimam em 14 a 18 meses o efeito da terapia hormonal (mais há casos de muitos anos em que o efeito funciona – cinco e mais anos), quatro meses de vida na mediana agregados pela quimio; outros quatro pela Provenge e um tempo mais variável, que pode chegar a mais de oito meses com a abiraterona. E haja dinheiro…

Poucos morrem aos cinco anos. A barra começa a ficar mais pesada aos dez e, principalmente, aos quinze e mais anos, depois da volta do PSA.

Fonte: Uchio EM, Aslan M, Wells CK, Calderone J, John Concato. “Impact of Biochemical Recurrence in Prostate Cancer Among US Veterans.” Archives of Internal Medicine. 2010;170:1390-1395.

Resumo por Gláucio Soares de fontes publicadas na internet.


Novo teste facilita a detecção do câncer

Pesquisadores no Reino Unido desenvolveram um novo teste, um exame da urina, que é mais adequado e exato do que os usados atualmente, que é o PSA. Suponho, como quase sempre acontece, que adicionar esse teste aos outros dois já estabelecidos, o PSA e o toque retal, tornará os erros pouco frequentes, evitando biópsias desnecessárias e ajudando a separar os cânceres agressivos dos não agressivos.

O teste mede os níveis de uma proteína, MSMB, que é alterada por mudancas genéticas. A deteccão fica fácil e sem dor.

O pesquisador responsável é o Dr. Hayley Whitaker.Pesquisadores no Reino Unido desenvolveram um novo teste, um exame da urina, que é mais adequado e exato do que os usados atualmente, que é o PSA. Suponho, como quase sempre acontece, que adicionar esse teste aos outros dois já estabelecidos, o PSA e o toque retal, tornará os erros pouco frequentes, evitando biópsias desnecessárias e ajudando a separar os cânceres agressivos dos não agressivos.
O teste mede os níveis de uma proteína, MSMB, que é alterada por mudanças genéticas. A detecção fica fácil e sem dor.
O pesquisador responsável é o Dr. Hayley Whitaker.

O entusiasmo dos desesperados

Como é do conhecimento de todos os que são pacientes informados, Provenge, a vacina fabricada pela Dendreon está no mercado. Na mediana, aumenta a vida em quatro meses. Metade dos que a tomam aumenta mais de quatro meses e metade aumenta menos.

Há 15 anos que a Dendreon vinha lutando para obter permissão da FDA para fabricar e vender a vacina, que retira anticorpos de cada paciente, os treina fora do corpo a identificar o câncer da próstata como um inimigo e os injeta de volta no paciente. A aprovação mobilizou milhares de pacientes, que mandaram e-mail, enviaram cartas, fizeram reuniões e muito mais.

Não sai barato. A estimativa anda em 94 mil dólares, 783 dólares por dia de vida que adiciona.

Uma grande virtude da Dendreon consiste em ter insistido quando a competição fazia um boicote pesado e a outra por ser a primeira. Outras virão. Mas os limites são claros: não falamos de cura, nem de uma ampliação de vários anos da vida: quatro meses, apenas.