Uma empresa checa entra na busca de como melhor usar o sistema imune contra o câncer

Os checos entraram na pesquisa contra o câncer da próstata. Uma empresa checa de biotecnologia começou a última etapa de um tratamento baseado no sistema imune. O porta voz da empresa, Richard Kapsa, afirmou que a Sotio é a única empresa na Europa Central e Oriental que chegou a pesquisas clinicas Fase III. Vão estudar 1.170 pacientes em vários países. O tratamento, chamado de DCVAC/PCa, estimula o sistema imune a reconhecer e atacar células cancerosas. O conhecimento que orienta essa pesquisa foi adquirido através de anos de observação e experimentação em hospitais em Praga. A empresa também está testando tratamentos para outros canceres – dos ovários e do pulmão.

Essa etapa final deve durar quatro anos. Se os resultados forem bons, a Sotio vai entrar no mercado dos tratamentos de canceres.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

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A DIETA ERRADA É DAS MAIORES CAUSAS DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Há fatores óbvios, como o fumo, momentos da vida com baixa do sistema imune etc., mas dados epidemiológicos confirmam a importância extraordinária da dieta na incidência e na prevalência do câncer da próstata. Os fatores genéticos pesam muito – depois do diagnostico, os negros têm probabilidade mais alta de morrer do que as dos brancos, mas não é fácil separar os fatores socioeconômicos dos raciais. A genética também conta: um câncer na família dobra a chance dos demais homens na família de ter este câncer. E, claro, a idade pesa muito: o câncer da próstata afeta, sobretudo, idosos.

Do lado positivo, sabemos que exercitar afasta muitos cânceres e que contribui para combater os que aparecem.

Mas o crescimento do conhecimento nos revelou que a dieta é crucial. O excesso de peso por si só aumenta o risco de ter o câncer e de morrer dele. Mas a epidemiologia aponta diferenças gigantescas: há, na China, 1,1 casos por cem mil homens, uma taxa ínfima se comparada com os avassaladores 92,4 casos nos Estados Unidos. Sabemos que as estatísticas americanas – nessa área – são melhores, mas a diferença é gigantesca!

Por que há diferenças tão grandes entre os países?


A dieta é responsável por boa parte delas. Quem quiser reduzir o risco de que alguém na família tenha câncer da próstata, deve fundamentar a dieta nos vegetais e frutas. São fontes importantes de antioxidantes e ajudam a impedir danos às células que podem provocar o câncer. Há muitos condimentos que também ajudam nessa tarefa, como uma dose moderadissima de pimenta vermelha e de pimenta preta. Vegetais com cores vermelha e preta usualmente são boa fontes de licopeno e de alfa e beta carotenos e de antrocrianinas. Berries (morango, amora etc.), mangas, batatas doce, romã, os vegetais cruciformes (brócoli, couve flor, repolho) pak choi, cebolas, alho, cogumelos brancos ou shitake, soja, chá verde e muitos são parte do arsenal preventivo que determinará se sua chance de ter câncer da próstata ficará perto da chinesa ou da americana.

GLÁUCIO SOARES

(inspirado por artigo em Diet.co.uk e baseado em centenas de pesquisas.


Como o câncer se esconde do sistema imune

Uma descoberta com grande potencial curativo: como as células cancerosas passam desapercebidas pelo sistema imune. Mesmo quando células cancerosas eram implantadas em camundongos, o sistema imune não as atacava, levando à conclusão que algo dentro do tumor impedia o reconhecimento. As células cancerosas se localizam em um tecido conectivo chamado de stroma, que não é canceroso. As células do stroma não são todas iguais. Umas expressam uma proteína fibroblast activation protein (FAP+). Qual o problema? Células com essa mesma característica se encontram no útero, em áreas inflamadas, nas que o nosso corpo tenta “parar” o sistema imune.
Os pesquisadores “fabricaram” camundongos transgênicos nos que injetaram células cancerosas, mas com uma mutação que matava as células que expressavam a FAP (a proteína); matavam essas células com uma toxina diftérica. Dois dias após eliminadas as células FAP+, o sistema imune destruiu entre 80 e 90% das células cancerosas.

Foto por Susan Arnold

Mas foi mesmo o sistema imune? Para garantir que foi, fizeram o mesmo procedimento  em camundongos transgênicos sem um sistema imune. Retirar as células FAP+ não alterou nada, demonstrando que a combinação entre a eliminação das células FAP+ e o sistema imune dos camundongos é que provoca a mortalidade nas células cancerosas.
Fonte: Kraman, M. et al., “Suppression of Antitumor Immunity by Stromal Cells Expressing Fibroblast Activation Protein-alpha,” Science, 330:827-30, 2010.

Resultados de exames e decisoes difíceis

Este ano, no dia 13 de agosto, completarei 14 anos do diagnóstico de câncer da próstata. Era avançado, Gleason 7 (4+3, que é bem pior do que 3+4) e uma perfuraçao da cápsula, mas nao era desesperador. Quatorze anos depois estou aqui, escrevendo para vocês. Como meu conhecimento era quase zero tomei algumas decisoes erradas e tive medos e receios desnecessários. Muitas ansiedades que poderiam ser evitadas com uma conversa mais demorada com o médico ou através de leitura. Por isso, passei a ler e muito sobre essa doença. Senti, em conversa com outros pacientes que sabiam pouco, tinham muitas dúvidas e, o que é pior, a comunicacao com o médico era péssima! Quem vive nos Estados Unidos tem muitas facilidades para localizar, ingressar e participar de redes de apoio, mas no nosso Brasil, na minha opiniao, fomos treinados a depender muito do estado e pouco de nós mesmos.  Com isso, somos vítimas fáceis de autoritarismos, inclusive de médicos. Por isso, criei esse blog, inspirado em outro, criado pela esposa de um paciente (depois viúva dele) de câncer avançado, chamado PSA Rising.

Cinco anos depois da prostatectomia seguida de radioterapia neo-adjuvante (logo depois), o PSA voltou. Eu nao estava curado! Entrei em nova etapa e fui aprendendo que o PSADT (o tempo que o PSA leva para dobrar) era um indicador muito importante de se e quando haveria metástase e de se (e quando) eu morrería da doença. Meu PSA dobrava cada onze meses. Mudei a dieta e o estilo de vida e o tempo foi aumentando, o que é bom. Em duas crises pessoais, o PSADT baixou, o que é ruim. Hummmmm. Ninguém me convence de que nao há relaçao entre crises existenciais, baixas no sistema imune e aumento no risco de desenvolver um câncer.

No meu nível de tratamento, os pacientes se dividem em dois grandes grupos: os que querem fazer logo a terapia hormonal e os que nao querem porque nao gostam nada dos efeitos colaterais e nao estao convencidos dos benefícios de começá-la cedo. Infelizmente, há um terceiro grupo, o maior de todos, que faz o que aquele médico manda e nao participa de decisoes que afetam sua vida e sua qualidade de vida.

O meu PSADT andou baixando nos últimos dois/três anos, o que nao é bom. Andou em mais de dois anos acima de 24 meses e baixou para 15-16 meses, mas os resultados mais recentes colocam o meu PSADT em 19 meses. Esses foram ganhos muito recentes, a partir de uma experiência linda com uma novena a Santa Terezinha do Menino Jesus. Recebi um bouquet de rosas de pessoa que trabalha em casa no meio da novena….e o PSADT que estava baixando aumentou, para 23 meses. Está em 1,9, numa série mais longa.

Decidi esperar mais antes de iniciar a terapia hormonal. Há outras razoes, sendo uma a de que tenho outros problemas de saúde, inclusive uma fibrilaçao atrial muito pesada. Talvez tenha que fazer uma ablaçao cardíaca. O tratamento hormonal äs vezes piora os problemas circulatórios. Saberei se convém ou nao fazer a ablaçao em uma semana.

É isso. Tudo o que pretendo é retomar minha vida, voltar a escrever meus artigos, fazer minhas pesquisas (uma cachaça!), orientar meus pobres alunos,  e fazer o bem e a vontade de Deus.

Esse blog é consultado por pouco mais de 300 pessoas diariamente. Atingiu mais de 500 quando surgiram as notícias sobre a abiraterona. A todas, peço uma oraçao.

um abraço

Gláucio

Célula branca e célula de câncer da próstata PC3 sendo destruída


Desta vez, é só uma imagem. Uma célula PC3, de câncer de próstata, em destruição ao lado de uma célula branca, parte de nosso sistema imune

As células cancerosas PC3 são muito freqüentes e sua destruição é parte da cura ou contenção do câncer. Uma das maneiras de fazê-lo é através do nosso sistema imune que, não obstante, com freqüência não identifica as células cancerosas como invasoras ou inimigas. Quando o fazem, as destroem.