Nova “vacina” contra o câncer da próstata

Uma nova pequena pesquisa reacende a esperança de aumentar o arsenal à nossa disposição para enfrentar o câncer da próstata. Porém, não será em breve.

É uma “vacina” nova. Visa fortalecer e direcionar melhor a resposta do nosso sistema imune contra as células cancerosas.

A vacina conteve o avanço do tumor em 77% dos pacientes (três em cada quatro). Do total, 45% tiveram uma redução do tumor.

Porém, a amostra é muito pequena: 22 pacientes.

No fim do experimento, 17 dos 22 pacientes conseguiram estabilizar o câncer. Três em quatro, repetindo.

Muitos medicamentos são propostos, um número menor chega a ser testado e um número bem menor é aprovado e chega ao mercado, e quando chega, uma década ou mais se passou.

Beneficiará outros companheiros. É o que esperamos.

Gláucio Soares

IESP-UERJ

Anúncios

CUIDADO COM O PSA DURANTE O TRATAMENTO COM ENZALUTAMIDA

Um dado recente preocupa os pacientes com câncer da próstata que tomam enzalutamida (Xtandi). Esse medicamento tem sido usado em pacientes que desenvolveram resistência ao tratamento hormonal com medicamentos “tradicionais”, que estão no mercado há duas, três décadas ou mais.

Qual o dado?

Encontraram um número surpreendentemente grande de pacientes usando enzalutamida que, a despeito de terem um PSA estável, ou até em declínio, que apresentavam avanço da doença de acordo com os exames radiológicos.

O PSA começou a ser usado na triagem de casos com suspeita de câncer da próstata em 1987; a FDA aprovou o PSA no sangue como teste sete anos depois, em 1994.

É um teste de fácil obtenção e relativamente barato e nesse quarto de século se tornou o indicador mais usado na triagem. A confirmação mais usada durante esse período requeria biópsia.

Vários indicadores foram desenvolvidos com base no PSA, como o tempo que ele leva para dobrar (o PSADT), o nível mais baixo que ele atingiu (que é chamado de nadir), o tempo até que o PSA volta a ser detectado após não poder ser detectado depois de uma cirurgia e muito mais. É o indicador mais usado na prevenção, detecção, diagnóstico e acompanhamento, embora sempre abrigando controvérsias.

Isso significa que, para um grupo de pacientes com câncer avançado da próstata, que estão sendo tratados com enzalutamida, que o PSA estável ou em declínio tem menor utilidade como indicador de que o câncer não está avançando.

Ruim para todos nós.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Nova vacina contra o câncer da próstata

Uma empresa, a Madison Vaccines Incorporated (MVI), apresentou os primeiros resultados de uma vacina experimental, chamada MVI-816, em combinação com pembrolizumab. Usado sozinho, esse último medicamento tem dado bons resultados com vários tipos de câncer, mas não com o da próstata. Agora está sendo usado junto com a vacina. O que ele faz é deixar as células cancerosas com menos defesas contra o sistema imune.

Quais foram esses resultados preliminares? Declínio no nível do PSA, o marcador mais usado para este câncer, regressão observável do tumor em alguns pacientes, aumento nas células T que atacam o câncer. Não houve efeitos colaterais graves.

Na minha leitura, mais uma esperança.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Comparando a enzalutamida e a bicalutamida

Um estudo de Penson e sua equipe mostra os progressos no tratamento do câncer da próstata avançado.[i] Bicalutamida foi aprovada pela FDA em 1995, há mais de vinte anos. Enzalutamida foi aprovada há menos de três anos, em 2013.

A enzalutamida aumenta a sobrevivência de pacientes com cânceres com metástases. O objetivo do artigo era comparar a enzalutamida com o padrão usado durante anos, a bicalutamida.

O estudo incluiu tanto pacientes com metástases quanto sem metástases. Foram divididos aleatoriamente em grupos. Todos continuaram com o tratamento hormonal de privação de andrógenos. O objetivo era ver que tratamento permitia um período maior durante o qual o câncer não avançou.

A primeira pergunta é: parou o avanço do câncer? A resposta é positiva em 76% em comparação com a bicalutamida: razão de risco 0,24. Na mediana, os pacientes que foram tratados com enzalutamida tiveram 19,4 meses até a retomada do avanço, ao passo que os tratados com bicalutamida ganharam 5,7 meses. Arredondando, um ano e meio com enzalutamida e seis meses com bicalutamida.

Há perguntas secundarias: começando pelo tempo até o PSA voltar a subir: a razão de risco foi de 0,19, uma vantagem grande.

Continuando com a indagação sobre a percentagem dos pacientes nos que o PSA baixou em 50% ou mais: (81% v 31%; P< 0,001).

Ha diferença no tempo até o crescimento das metástases aparecer nas radiografias? Sim, e significativo: razão de risco de 0,32.

As vantagens da enzalutamida foram observadas tanto entre os pacientes com metástases quanto entre os sem metástases.

Há efeitos colaterais, que estão disponíveis em vários artigos na literatura especializada.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP/UERJ


[i] David F Penson, Andrew J Armstrong, Raoul Concepcion, Neeraj Agarwal, Carl Olsson, Lawrence Karsh, Curtis Dunshee, Fong Wang, Kenneth Wu, Andrew Krivoshik, De Phung, Celestia S Higano, Enzalutamide Versus Bicalutamide in Castration-Resistant Prostate Cancer: The STRIVE Trial. Em Journal of clinical oncology. [Epub ahead of print, em 25 de janeiro de 2016]

A resposta do PSA à abiraterona é muito importante

Uma informação que pode ser útil para pacientes que não respondem ao tratamento anti-hormonal e que apresentam metástases.

As mudanças no PSA no inicio do tratamento com abiraterona indica quão exitoso o tratamento será. É uma indicação meramente probabilística. Nada nessa área é inevitável.

O que foi apresentado num pôster na ASCO 2016 se refere a um estudo com 87 pacientes com as características acima.

A primeira pergunta que fizeram foi: como reagiram ao tratamento aos 15 dias, aos 90 dias e mês a mês?

Trabalharam com um modelo complexo, multivariado que controlou variáveis clínicas e da patologia.

O PSA baixou em 79% dos pacientes. Houve resposta rápida em 56%, sendo que em 23% o declínio em 15 dias foi >50%, mais da metade do valor anterior. Os que responderam logo apresentaram uma vantagem clara na sobrevivência específica (não morreram do câncer) – depois de um ano, o risco relativo foi de 0,28 – e de sobrevivência geral foi de 0,22.

Nesse grupo que respondeu bem e rapidamente outras variáveis pesaram: se usaram abiraterona por mais tempo (mais de sete meses); se tinham feito terapia hormonal (mais de 2,5 meses) e resultados contraditórios com a químio (melhor se receberam mais de duas rodadas, pior se receberam mais de 675 mg/m2 de docetaxel.

Sabemos um pouco mais, mas falta muito, muito.

GLÁUCIO SOARES ISP/UERJ

Novos dados europeus sobre o Degarelix

Há dados novos sobre o uso do Degarelix no tratamento do câncer da próstata. Foi feito na Alemanha. Os dados se referem a mais de mil pacientes tratados em 138 clinicas diferentes na Alemanha entre 2009 e 2013.

Foram divididos em dois grupos, os que já haviam sido tratados com terapia hormonal e os que ainda não haviam sido tratados com terapia hormonal.

O feito do Degarelix sobre o PSA foi claro: em um ano, 65% conseguiram uma redução a ≤4 ng/ml (igual ou menor do que 4), percentagem que aumentou para 71% com 24 meses de tratamento. Os resultados de pacientes com metástases foram bons, ainda que mais baixos: 41% reduziram a 4 ou menos em um ano e 63% em dois anos. Em pacientes cujo PSA tinha atingido 20 ou mais os resultados também foram bons, ainda que piores: 41% e 44%, respectivamente. Essa categoria (igual ou maior do que 20 é muito ampla, pois havia pacientes com PSA muito alto, inclusive um com mais de seis mil!

Quem já tinha feito outro tipo de tratamento hormonal e passou para o Degarelix teve resultados piores do que os que começaram com ele, como esperado: afinal, estavam há mais tempo com um tratamento de câncer avançado e possivelmente muitos trocaram porque os resultados já não eram satisfatórios.

O tempo de acompanhamento foi curto, de tal maneira que a mediana de sobrevivência não havia sido ultrapassada: mais da metade estava viva.

Como foi a resposta dos tumores ao Degarelix? Depois de um ano, um em cinco tinha uma remissão completa, total; outro tinha uma remissão parcial; 28% tinham estabilizado e, em pouco mais de um em dez, o tumor avançou. Com dois anos de tratamento, os resultados também foram semelhantes.

O tempo de acompanhamento foi relativamente curto, não sendo possível saber quais os efeitos do tratamento a longo prazo, digamos, dez anos ou mais.

Ver Götz Geiges, Thomas Harms, Gerald Rodemer, Ralf Eckert, Frank König, Rolf Eichenauer, Jörg Schroder, em BMC urology. 2015 Dec 16 (eletrônica). Essa revista é aberta e você pode ler seus artigos sem pagar.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

NOVO TESTE DESCOBRE CANCERES AGRESSIVOS MAIS CEDO!

Quando há sintomas que podem ser de câncer da próstata, com frequência o médico sugere mais exames. O PSA é um deles e o toque retal é outros. O PSA é um exame simples, com tendência a baratear. Tem falsos positivos (indica câncer quando não há) e falsos negativos (não indica câncer quando há). O toque retal diminui esses erros. Esses são os dois exames padronizados, testados e os mais usados, mas ainda com uma desconfortável margem de erros.

Há canceres agressivos que só são detectados após algum tempo, reduzindo as chances de cura.

Há novidade nessa área, vinda da Suécia.

Um novo teste, chamado STHLM3, foi testado em quase 59 mil homens. Apareceram canceres letais que poderiam passar desapercebidos em outros testes.

O pesquisador Henrik Gronberg, do Karolinska Institute, afirmou: o PSA não separa os canceres agressivos dos indolentes.

Muitos homens com o PSA considerado normal, abaixo de 4 nanogramas por mililitro de sangue são portadores de canceres agressivos, letais. Poder-se-ia, claro, baixar a fronteria para 3 ng/ml, ou menos, o que reduziria os falsos negativos, mas aumentaria muito os falsos positivos, o que implicaria em mais exames, inclusive em dolorosas e custosas biópsias.

Como é esse teste e o que faz?

Analisa uma combinação de seis proteínas que são marcadoras do câncer e nada menos do que duzentos marcadores genéticos ligados ao câncer. Além disso, leva em consideração outros fatores como a idade do paciente e o histórico familiar. Pouquíssimos canceres agressivos escapam a esse teste que reduziu também o número de biópsias em 30%.

Não é um exame barato nem se encontra no mercado, mas como reduz muito a margem de erro, é possível que seja amplamente usado em alguns anos.

GLÁUCIO SOARES