TRATAMENTO COMBINADO VS ADT EM METÁSTASES AVANÇADAS

 

Comecemos com pacientes com câncer da próstata que descobrem que já têm metástases extensas.

Como definiram metástases extensas? Quem são esses pacientes?

São aqueles nos que o câncer já invadiu órgãos importantes, como o fígado, e/ou apresentam quatro ou mais lesões ósseas. É importante lembrar que os ossos são o lugar preferido para a invasão do câncer da próstata quando se metastizar.

Como tratar esse grupo? Para responder a essa importante – vital mesmo – pergunta, a pesquisa (chamada E3805) dividiu 790 homens com canceres nesse nível em dois grupos. O recrutamento começou em 2006. Um grupo recebeu terapia antihormonal (ADT) e outro recebeu terapia antihormonal mais quimioterapia (docetaxel) que foi aplicada cada três semanas durante 18 semanas.

Qual o resultado? Houve diferenças entre os dois grupos? Aos três anos depois do tratamento, 69% do grupo com docetaxel estava vivo, em comparação com 52,5% do grupo que só recebeu ADT.

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Examinando mais os dados, concluíram que a terapia combinada era tanto mais eficiente quanto mais avançado estivesse o câncer. Entre os pacientes com metástases extensas, os que fizeram o tratamento combinado tinham uma sobrevivência de 63% contra 44% dos que só receberam ADT.

Acompanharam esses grupos durante dois anos – na mediana – o que significa que metade foi acompanhada mais de dois anos e metade menos.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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Cresce o uso de Xofigo

Xofigo é marca registrada, baseada em rádio (radium 223 dichloride). Passou a ser usado em mais um centro de tratamento, a Holy Name Medical Center’s Cancer Center. Em maio de 2013 esse tratamento foi aprovado pela FDA. A FDA não aprova tratamentos para todos os pacientes, mas apenas para alguns subtipos, nos quais o tratamento foi testado – e deu bons resultados – e que seja recomendado por especialistas.

Os pacientes com câncer da próstata são subdivididos em grupos (como os que ainda não fizeram quimioterapia, os que fizeram tratamento hormonal e já não respondem a esse tratamento, e assim por diante). O que é aconselhável num grupo pode não sê-lo em outro. Xofigo se aplica ao grupo de pacientes com metástase óssea (usualmente muito dolorosas) que já não respondem bem ao tratamento hormonal, quando o câncer é chamado de resistente à castração (no caso, castração química). Nesse grupo, o prognóstico se associa com vários fatores, como a existência de dores ósseas, o grau de danos visíveis nas imagens ósseas, e o nível de fosfatase alcalina no sangue.  

Mais cedo ou mais tarde, as metástases ósseas afligem aproximadamente noventa por cento dos pacientes dos pacientes que já não respondem ao tratamento hormonal. Provocam dores, fraturas patológicas, comprimem a coluna vertebral e afetam a medula óssea, vulgarmente chamada de tutano dos ossos. Por isso, é muito importante combater o estrago causado pelo câncer nos ossos.

Xofigo é aplicado através de seis injeções endovenosas, um por mês. Emite baixos níveis de radiação de partículas alfa.

O que é que Xofigo faz? Melhora a qualidade da vida (muito, em alguns casos), reduz a dor, aumenta a sobrevivência e tem a virtude de produzir efeitos colaterais toleráveis em pacientes que já não respondem ao tratamento hormonal. Em vários outros tipos de pacientes o uso de Xofigo não faz sentido.

O ganho em sobrevivência é limitado: numa pesquisa com 921 homens a sobrevivência média foi de 14,9 meses no grupo Xofigo e 11,3 meses no grupo controle. O principal benefício de Xofigo não é o aumento na sobrevivência, mas a melhoria na qualidade da vida. É importante ter em mente que esses pacientes estão com canceres muito avançados e que muitos são idosos.  

Saiba mais: http://www.digitaljournal.com/pr/1504034#ixzz2gqzsTa1y

GLÁUCIO SOARES                   IESP/UERJ

CONFIRMADO: MDV3100 AUMENTA A ESPERANÇA DE VIDA EM 37%

Nova pesquisa confirma os benefícios da enzalutamida. Até agora, ela tem sido usada depois que os demais tratamentos deixam de funcionar. Não obstante, eventualmente poderá ser usada em outros estágios da doença, o que também requer aprovação da FDA. Um conhecido pesquisador, Howard Scher, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center dirigiu a pesquisa, que coletou dados de quase mil e duzentos pacientes em vários países.

Quais os resultados?

Em comparação com o Grupo Controle, que não tomou medicamento, os que tomaram a enzalutamida – na média – viveram 37% mais tempo. O Grupo Controle viveu, na média, 13,6 meses e o que tomou o medicamento viveu 18,4 meses, um ganho de quase cinco meses. Nessa idade, viver um ano e meio não é tão pouco quanto parece; nesse estágio avançado do câncer, é lucro e lucro considerável.

Mais boas notícias?

Há. Os efeitos colaterais são limitados.

Algo negativo? Há: o custo. A empresa, Medivation, quer recuperar rápido o que investiu nas pesquisas que já duram vários anos e mensalmente custará seis mil dólares. Para ganhar os quatro meses de vida teremos que pagar mais de cento e dez mil dólares. Claro, a exclusividade da fabricação e renda dura um tempo e depois aparecem – legalmente – os genéricos de qualidade semelhante. Porém, até lá muitos dos que se beneficiariam desse medicamento HOJE já não estarão vivos.

Vale a pena. Como política pública, certamente não. Com esses recursos salvaremos mais vidas com outras aplicações. Porém, como diz o Scher, se se trata da sua vida, certamente vale a pena.

GLÁUCIO SOARES                                           IESP/UERJ

Quanto avançamos depois do teste de PSA?

Nossas melhorias foram várias, mas pequenas: três meses a mais de vida com esse medicamento, cinco com aquele, etc. E não é tão simples como somar os benefícios e concluir que adicionamos vários anos à sobrevivência mediana.

Não obstante, se olharmos a evolução hoje em relação a que existia antes do uso generalizado do PSA, vemos que a sobrevivência hoje é ao redor de 97% dez anos depois do diagnóstico; quando eu fui diagnosticado, a meados da década de noventa, a percentagem semelhante era 50%.
Ser diagnosticado mais cedo na evolução da doença tem salvado muitas vidas e somado muitos, muitos anos de vida à maioria.
É preciso melhorar os testes, mas não podemos abolir o de PSA enquanto outros, muito melhores, não o substituírem.
GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ

Mais três meses de vida com o radium-223

Quando o câncer da próstata está avançado, as opções para tratamento vão ficando reduzidas. Porém, esse é o grupo mais estudado e, em tempos recentes, o que tem recebido melhores notícias, com tratamentos que aumentam a esperança de vida, seja 3-4 meses aqui, 2-3 anos acolá.
Um desses tratamentos é radioativo (radiação alfa) usando radium-223. Os dados mostram que ele destrói lugares onde o câncer vicejava. Embora falemos de pacientes idosos e com cânceres muito avançados, há um aumento de três meses na esperança de vida. Valerie Lewington, do King’s College, apresentou dados de um clinical trialFase III (o mais completo e exigente) com 922 pacientes, 307 dos quais receberam o tratamento com radium-223.



No grupo controle, a sobrevivência média foi de 11,2 meses e no grupo que fez o tratamento, foi de 14 meses. Parece pouco, mas devemos levar em consideração que se trata de um grupo de idade média avançada e com um câncer muito avançado. É um aumento de 25%.
GLÁUCIO SOARES
IESP/UERJ

O RISCO DE NAO ESTAR CURADO DIMINUI SEMPRE MAS NUNCA CHEGA A ZERO

Em muitos cânceres, o consenso é que, após cinco anos sem sintomas nem qualquer indicador, inclusive nos exames, o paciente é considerado curado. Infelizmente, não é o caso do câncer da próstata.

A pesquisa foi realizada em Viena e incluiu quase seis mil pacientes que foram tratados com a prostatectomia radical entre 1985 e 2010. Desses, 728 foram acompanhados por mais de dez anos.

Aos 10 e 15 anos após a prostatectomia, 61% e 52% não tinham tido o fracasso bioquímico, a ”volta” do PSA. Isso significa que 9% receberam a desagradável notícia de que não estavam curados depois de dez anos de exames que resultaram em PSA’s não detectáveis. Esse grupo representava, aproximadamente, a mesma percentagem em cada grupo de risco – baixo, intermediário ou alto – contrariando a hipótese intuitiva de que eram ”restos” de cânceres pouco agressivos que, dado o longo tempo transcorrido, apareceram nos exames de PSA.

Em síntese, como bem disse meu urológo há 16 anos, o tempo transcorrido reduz o risco que nunca atinge zero.

GLÁUCIO SOARES

Controlar uma proteína nos dará mais tempo

Na busca da cura do câncer da próstata ou de mecanismos que reduzam significativamente seu crescimento tem seguido vários caminhos. Há dois dados ruins para nós, pacientes:

  1. São centenas de “descobertas” que, promissoras inicialmente, não chegam à Fase III (com muitos pacientes e grupo controle) por cada uma que chega e é aprovada pela FDA;
  2. Usualmente, a pesquisa percorre um caminho longo e leva tempo, usualmente dez anos ou mais, até virar remédio e começar a ajudar pacientes.

Do lado positivo, há, cada vez mais, colaboração entre pesquisadores de disciplinas e especialidades diferentes, gerando um caminhão de possibilidades.

Uma dessas possibilidades se refere a uma proteína, que regula a reprodução de células cancerosas e joga importante papel na transformação de células sãs em células cancerosas. Ela se chama Bmi-1 e, se tudo der certo, jogará um papel importante no controle do avanço do câncer. Essas pesquisas estão sendo feitas na UCLA.

Anteriormente havia sido demonstrado que essa proteína estava associada com cânceres agressivos e com resultados ruins – a morte dos pacientes. A associação estava demonstrada, mas os mecanismos não. Estudando animais ficou claro que a Bmi-1 regula a reprodução das células da próstata “maduras” e em importante função no provocar o câncer e no seu avanço.

Qual a descoberta, afinal de contas? Que inibindo essa proteína se reduz a velocidade do crescimento do câncer, dando tempo a que outros tratamentos façam efeito e, idealmente, que novas e cruciais descobertas sejam feitas. Ganhamos tempo.

Fonte: (online) Dec. 2 in Cell Stem Cell.

Gláucio Soares