Resultados de exames e decisoes difíceis

Este ano, no dia 13 de agosto, completarei 14 anos do diagnóstico de câncer da próstata. Era avançado, Gleason 7 (4+3, que é bem pior do que 3+4) e uma perfuraçao da cápsula, mas nao era desesperador. Quatorze anos depois estou aqui, escrevendo para vocês. Como meu conhecimento era quase zero tomei algumas decisoes erradas e tive medos e receios desnecessários. Muitas ansiedades que poderiam ser evitadas com uma conversa mais demorada com o médico ou através de leitura. Por isso, passei a ler e muito sobre essa doença. Senti, em conversa com outros pacientes que sabiam pouco, tinham muitas dúvidas e, o que é pior, a comunicacao com o médico era péssima! Quem vive nos Estados Unidos tem muitas facilidades para localizar, ingressar e participar de redes de apoio, mas no nosso Brasil, na minha opiniao, fomos treinados a depender muito do estado e pouco de nós mesmos.  Com isso, somos vítimas fáceis de autoritarismos, inclusive de médicos. Por isso, criei esse blog, inspirado em outro, criado pela esposa de um paciente (depois viúva dele) de câncer avançado, chamado PSA Rising.

Cinco anos depois da prostatectomia seguida de radioterapia neo-adjuvante (logo depois), o PSA voltou. Eu nao estava curado! Entrei em nova etapa e fui aprendendo que o PSADT (o tempo que o PSA leva para dobrar) era um indicador muito importante de se e quando haveria metástase e de se (e quando) eu morrería da doença. Meu PSA dobrava cada onze meses. Mudei a dieta e o estilo de vida e o tempo foi aumentando, o que é bom. Em duas crises pessoais, o PSADT baixou, o que é ruim. Hummmmm. Ninguém me convence de que nao há relaçao entre crises existenciais, baixas no sistema imune e aumento no risco de desenvolver um câncer.

No meu nível de tratamento, os pacientes se dividem em dois grandes grupos: os que querem fazer logo a terapia hormonal e os que nao querem porque nao gostam nada dos efeitos colaterais e nao estao convencidos dos benefícios de começá-la cedo. Infelizmente, há um terceiro grupo, o maior de todos, que faz o que aquele médico manda e nao participa de decisoes que afetam sua vida e sua qualidade de vida.

O meu PSADT andou baixando nos últimos dois/três anos, o que nao é bom. Andou em mais de dois anos acima de 24 meses e baixou para 15-16 meses, mas os resultados mais recentes colocam o meu PSADT em 19 meses. Esses foram ganhos muito recentes, a partir de uma experiência linda com uma novena a Santa Terezinha do Menino Jesus. Recebi um bouquet de rosas de pessoa que trabalha em casa no meio da novena….e o PSADT que estava baixando aumentou, para 23 meses. Está em 1,9, numa série mais longa.

Decidi esperar mais antes de iniciar a terapia hormonal. Há outras razoes, sendo uma a de que tenho outros problemas de saúde, inclusive uma fibrilaçao atrial muito pesada. Talvez tenha que fazer uma ablaçao cardíaca. O tratamento hormonal äs vezes piora os problemas circulatórios. Saberei se convém ou nao fazer a ablaçao em uma semana.

É isso. Tudo o que pretendo é retomar minha vida, voltar a escrever meus artigos, fazer minhas pesquisas (uma cachaça!), orientar meus pobres alunos,  e fazer o bem e a vontade de Deus.

Esse blog é consultado por pouco mais de 300 pessoas diariamente. Atingiu mais de 500 quando surgiram as notícias sobre a abiraterona. A todas, peço uma oraçao.

um abraço

Gláucio

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Terapia hormonal antes da braquiterapia para câncer de próstata pode encurtar a vida em homens acima de 70 anos

Recebi, da Dr. Sonia Ferraz de Andrade, a notícia abaixo:

Terapia hormonal antes da braquiterapia para câncer de próstata pode encurtar a vida em homens acima de 70 anos

Autor: Nick Mulcahy
Publicado em 24/09/2008

De acordo com um recente estudo apresentado no 50º Encontro Anual da American Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ASTRO), em Boston, Massachusetts, homens com mais de 70 anos com câncer de próstata em estágio precoce podem ter mortalidade 20% maior quando tratados com terapia hormonal antes da braquiterapia do que quando tratados somente com implantes de sementes radioativas. “Este é um achado potencialmente modificador da prática”, disse Dr. Louis Harrison, presidente do departamento de rádio-oncologia no Beth Israel Medical Center, na cidade de Nova York, Nova York, e presidente do conselho de administração da ASTRO. Ao falar na conferência de imprensa da ASTRO, na qual o estudo foi destacado, ele disse: “Os resultados desafiam o paradigma do tratamento atual e pode fazer com que os médicos pensem duas vezes”. 

“Eu deveria ter uma razão muito forte para desviar desses achados”, ele disse a Medscape Oncology. “Os resultados do estudo são um aviso global para se ter cautela com a terapia hormonal. Por exemplo, como você procederia com um paciente de 60 anos? A prática diz que você tem que ter cuidado”, ele advertiu. 

Os achados vêm de um estudo de 1.709 homens com câncer de próstata localizado que tinham pelo menos 70 anos (idade média, 75). Esses achados foram apresentados no encontro pela Dra. Amy Dosoretz, autora principal do estudo e residente de rádio-oncologia no Harvard Radiation Oncology Program, em Boston. 

Dr. Dosoretz explicou que a terapia hormonal é usada antes da braquiterapia para diminuir o tamanho da próstata, além de fazer com que o processo de implante de sementes radioativas fique tecnicamente mais fácil. O uso de braquiterapia foi significativamente aumentado nas décadas passadas, especialmente em pacientes de baixo risco, mas uma pesquisa recente indicou que existem mais riscos envolvidos com a terapia hormonal neo-adjuvante “do que se sabia anteriormente”, ela comentou.

Terapia hormonal neo-adjuvante: bem intencionada, mas arriscada

Estudos prévios menores sobre o impacto da terapia hormonal neo-adjuvante na mortalidade por todas as causas em homens submetidos à braquiterapia para câncer de próstata localizado têm sido contraditórios. Em um estudo, foi encontrado um aumento do risco de mortalidade em homens com idade média de 73 anos; no segundo estudo, homens com idade de 67 anos não apresentavam risco aumentado.

O recente estudo contribui para a percepção do risco e é o maior estudo coorte do tipo até hoje. Os pacientes foram tratados com (n = 786) ou sem (n = 916) terapia de privação de androgênio e braquiterapia entre 1991 e 2005 em centros com o consórcio 21st Century Oncology. Nenhum dos pacientes recebeu terapia com radiação externa suplementar.

Após um período de acompanhamento médio de 4,8 anos e ajuste para fatores prognósticos de câncer de próstata conhecidos e idade, observou-se que o tratamento com terapia hormonal foi significativamente associado a um aumento do risco de mortalidade por todas as causas (razão de risco ajustada [RRA], 1,2; p = 0,04). Aumento da idade (RRA, 1,1; p < 0,001) e um escore de Gleason de 7 ou mais (RRA, 1,2 [Intervalo de confiança de 95%, 1,0 – 1,5]; p = 0,05) também foram significativamente associados ao risco aumentado de mortalidade.

Doença de risco baixo, intermediário e alto estava presente em 61%, 25% e 14% dos homens, respectivamente. A causa da morte dos homens não está detalhada no estudo ainda. 

Dra. Dosoretz comenta que “a mensagem é que, em pacientes idosos, é muito importante pesar os riscos e os benefícios do tratamento hormonal ao desenhar um programa de tratamento para esses pacientes”. 

Dr. Harrison acrescenta que a terapia hormonal é uma “área controversa” e que os oncologistas estão ainda aprendendo quais pacientes se beneficiam e quais não. Ele declarou que a terapia hormonal neo-adjuvante foi bem intencionada. “Ao diminuir o tamanho da próstata, você está apto a administrar uma dose menor de radiação”, ele observa. 

Quando abdicar da terapia hormonal 

Outra apresentação no mesmo encontro forneceu evidências de quando usar e quando abdicar a terapia hormonal em homens com câncer de próstata em estágio inicial tratados com radiação. 

Em homens que foram tratados com terapia radioativa, a terapia hormonal deve começar imediatamente se o antígeno prostático específico (PSA) aumentar rapidamente e duplicar em 6 meses a qualquer momento após o tratamento. Se o PSA não aumentar tão rápido, esses homens devem abrir mão dos hormônios, de acordo com os pesquisadores da Fox Chase Cancer Center, na Filadélfia, Pensilvânia. 

“Nós temos usado o tempo de duplicação do PSA para ajudar a guiar nossa decisão sobre quando começar a terapia hormonal, mas esse estudo nos dá uma informação nova e crítica que sugere que nós devemos começar o tratamento mais cedo do que se era pensando anteriormente para alguns pacientes e mais tarde para outros”, explicou o Dr. Eric Horwitz, presidente atuante e diretor clínico do departamento de rádio-oncologia no Fox Chase Cancer Center, que conduziu o estudo.

“Enquanto a terapia hormonal pode ter efeitos colaterais, tais como ondas de calor, libido diminuída e osteoporose, pode, por sua vez, ajudar a prevenir que o câncer se espalhe para os ossos, causando dor e levando a uma morte mais precoce pela doença”, Dr. Horwitz informou aos repórteres. 

De acordo com os pesquisadores, estudos prévios têm indicado que se o tempo de duplicação do PSA ocorrer em 12 meses, existe uma probabilidade maior de que o câncer de próstata se espalhe e de que a terapia hormonal forneça um benefício potencial se começada neste ponto. 

“O que nós sabemos é que quando o PSA aumenta e duplica em 6 meses (versus 12 meses), nós precisamos agir”, declara o Dr. Horwitz. “Nosso estudo sugere que esses são os homens que mais se beneficiarão da terapia hormonal”. 

Dr. Horwitz também disse que o estudo ajuda a identificar quem tem menor probabilidade de se beneficiar da terapia hormonal, o que pode indicar uma mudança necessária na prática atual. 

O pesquisador afirma que: “homens cujo PSA aumenta, durante um período mais longo de tempo, podem se beneficiar dos hormônios”.

50º Encontro Anual da American Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ASTRO): Abstracts 84 e 1050. Apresentado em 23 de setembro de 2008.

Informação sobre o autor: Nick Mulcahy é um jornalista veterano do Medscape Hematology-Oncology. Antes de fazer parte da equipe do Medscape, Nick foi escritor freelancer de notícias médicas por 15 anos, trabalhando para empresas como International Medical News Group, MedPage Today, HealthDay, McMahon Publishing e Advanstar.

Terapia hormonal antes da braquiterapia para câncer de próstata pode encurtar a vida em homens acima de 70 anos

Recebi, da Dr. Sonia Ferraz de Andrade, a notícia abaixo:

Terapia hormonal antes da braquiterapia para câncer de próstata pode encurtar a vida em homens acima de 70 anos

Autor: Nick Mulcahy
Publicado em 24/09/2008

De acordo com um recente estudo apresentado no 50º Encontro Anual da American Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ASTRO), em Boston, Massachusetts, homens com mais de 70 anos com câncer de próstata em estágio precoce podem ter mortalidade 20% maior quando tratados com terapia hormonal antes da braquiterapia do que quando tratados somente com implantes de sementes radioativas. “Este é um achado potencialmente modificador da prática”, disse Dr. Louis Harrison, presidente do departamento de rádio-oncologia no Beth Israel Medical Center, na cidade de Nova York, Nova York, e presidente do conselho de administração da ASTRO. Ao falar na conferência de imprensa da ASTRO, na qual o estudo foi destacado, ele disse: “Os resultados desafiam o paradigma do tratamento atual e pode fazer com que os médicos pensem duas vezes”. 

“Eu deveria ter uma razão muito forte para desviar desses achados”, ele disse a Medscape Oncology. “Os resultados do estudo são um aviso global para se ter cautela com a terapia hormonal. Por exemplo, como você procederia com um paciente de 60 anos? A prática diz que você tem que ter cuidado”, ele advertiu. 

Os achados vêm de um estudo de 1.709 homens com câncer de próstata localizado que tinham pelo menos 70 anos (idade média, 75). Esses achados foram apresentados no encontro pela Dra. Amy Dosoretz, autora principal do estudo e residente de rádio-oncologia no Harvard Radiation Oncology Program, em Boston. 

Dr. Dosoretz explicou que a terapia hormonal é usada antes da braquiterapia para diminuir o tamanho da próstata, além de fazer com que o processo de implante de sementes radioativas fique tecnicamente mais fácil. O uso de braquiterapia foi significativamente aumentado nas décadas passadas, especialmente em pacientes de baixo risco, mas uma pesquisa recente indicou que existem mais riscos envolvidos com a terapia hormonal neo-adjuvante “do que se sabia anteriormente”, ela comentou.

Terapia hormonal neo-adjuvante: bem intencionada, mas arriscada

Estudos prévios menores sobre o impacto da terapia hormonal neo-adjuvante na mortalidade por todas as causas em homens submetidos à braquiterapia para câncer de próstata localizado têm sido contraditórios. Em um estudo, foi encontrado um aumento do risco de mortalidade em homens com idade média de 73 anos; no segundo estudo, homens com idade de 67 anos não apresentavam risco aumentado.

O recente estudo contribui para a percepção do risco e é o maior estudo coorte do tipo até hoje. Os pacientes foram tratados com (n = 786) ou sem (n = 916) terapia de privação de androgênio e braquiterapia entre 1991 e 2005 em centros com o consórcio 21st Century Oncology. Nenhum dos pacientes recebeu terapia com radiação externa suplementar.

Após um período de acompanhamento médio de 4,8 anos e ajuste para fatores prognósticos de câncer de próstata conhecidos e idade, observou-se que o tratamento com terapia hormonal foi significativamente associado a um aumento do risco de mortalidade por todas as causas (razão de risco ajustada [RRA], 1,2; p = 0,04). Aumento da idade (RRA, 1,1; p < 0,001) e um escore de Gleason de 7 ou mais (RRA, 1,2 [Intervalo de confiança de 95%, 1,0 – 1,5]; p = 0,05) também foram significativamente associados ao risco aumentado de mortalidade.

Doença de risco baixo, intermediário e alto estava presente em 61%, 25% e 14% dos homens, respectivamente. A causa da morte dos homens não está detalhada no estudo ainda. 

Dra. Dosoretz comenta que “a mensagem é que, em pacientes idosos, é muito importante pesar os riscos e os benefícios do tratamento hormonal ao desenhar um programa de tratamento para esses pacientes”. 

Dr. Harrison acrescenta que a terapia hormonal é uma “área controversa” e que os oncologistas estão ainda aprendendo quais pacientes se beneficiam e quais não. Ele declarou que a terapia hormonal neo-adjuvante foi bem intencionada. “Ao diminuir o tamanho da próstata, você está apto a administrar uma dose menor de radiação”, ele observa. 

Quando abdicar da terapia hormonal 

Outra apresentação no mesmo encontro forneceu evidências de quando usar e quando abdicar a terapia hormonal em homens com câncer de próstata em estágio inicial tratados com radiação. 

Em homens que foram tratados com terapia radioativa, a terapia hormonal deve começar imediatamente se o antígeno prostático específico (PSA) aumentar rapidamente e duplicar em 6 meses a qualquer momento após o tratamento. Se o PSA não aumentar tão rápido, esses homens devem abrir mão dos hormônios, de acordo com os pesquisadores da Fox Chase Cancer Center, na Filadélfia, Pensilvânia. 

“Nós temos usado o tempo de duplicação do PSA para ajudar a guiar nossa decisão sobre quando começar a terapia hormonal, mas esse estudo nos dá uma informação nova e crítica que sugere que nós devemos começar o tratamento mais cedo do que se era pensando anteriormente para alguns pacientes e mais tarde para outros”, explicou o Dr. Eric Horwitz, presidente atuante e diretor clínico do departamento de rádio-oncologia no Fox Chase Cancer Center, que conduziu o estudo.

“Enquanto a terapia hormonal pode ter efeitos colaterais, tais como ondas de calor, libido diminuída e osteoporose, pode, por sua vez, ajudar a prevenir que o câncer se espalhe para os ossos, causando dor e levando a uma morte mais precoce pela doença”, Dr. Horwitz informou aos repórteres. 

De acordo com os pesquisadores, estudos prévios têm indicado que se o tempo de duplicação do PSA ocorrer em 12 meses, existe uma probabilidade maior de que o câncer de próstata se espalhe e de que a terapia hormonal forneça um benefício potencial se começada neste ponto. 

“O que nós sabemos é que quando o PSA aumenta e duplica em 6 meses (versus 12 meses), nós precisamos agir”, declara o Dr. Horwitz. “Nosso estudo sugere que esses são os homens que mais se beneficiarão da terapia hormonal”. 

Dr. Horwitz também disse que o estudo ajuda a identificar quem tem menor probabilidade de se beneficiar da terapia hormonal, o que pode indicar uma mudança necessária na prática atual. 

O pesquisador afirma que: “homens cujo PSA aumenta, durante um período mais longo de tempo, podem se beneficiar dos hormônios”.

50º Encontro Anual da American Society for Therapeutic Radiology and Oncology (ASTRO): Abstracts 84 e 1050. Apresentado em 23 de setembro de 2008.

Informação sobre o autor: Nick Mulcahy é um jornalista veterano do Medscape Hematology-Oncology. Antes de fazer parte da equipe do Medscape, Nick foi escritor freelancer de notícias médicas por 15 anos, trabalhando para empresas como International Medical News Group, MedPage Today, HealthDay, McMahon Publishing e Advanstar.