Câncer da próstata: estamos sobrevivendo mais tempo

 

Uma mensagem otimista: o Professor Gerard Evan prevê que em trinta anos o câncer estará domado, conquistado. Haverá cura. Na Irlanda de hoje, o câncer é a segunda causa de morte, depois das doenças cardiovasculares: mata nove mil irlandeses por ano.

Ele se baseia na generalização a partir da história da medicina. Há setenta anos, a tuberculose era a grande assassina, uma doença que também causava vergonha em vários países. São muitos os casos.

E o câncer da próstata, o mais comum entre os homens? No fim da década de 90, 69% dos diagnosticados na Irlanda não chegavam a viver cinco anos; hoje, a percentagem baixou para 7%.

Não se trata, apenas, de melhoria na medicina, no tratamento, mas o fato de que a Irlanda melhorou dramaticamente o seu sistema de saúde pública.

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Não obstante, é uma esperança para os brasileiros também porque podemos melhor muito através da evolução da Saúde Pública, que ainda é muito ineficiente.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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Avanços na sobrevivência de cânceres

As notícias vindas do Reino Unido são boas, mas não ótimas. Houve um avanço considerável na sobrevivência (dez anos depois do diagnóstico) dos adultos em alguns cânceres nos quarenta anos de 1971-2 a 2010-11, melhorias em outros e quase estagnação em alguns nos quais a ciência ainda não encontrou o caminho, particularmente os do pulmão e do pâncreas. Houve pouco progresso no tratamento de cânceres do esôfago, do estomago e do cérebro. Do lado bom da escala, a sobrevivência do câncer dos testículos está próxima de cem por cento (98%), um avanço bem-vindo desde os 69% de quatro décadas atrás. O temível melanoma está sendo domado: a sobrevivência aos dez anos deu um salto, de 46% para 89%.

No conjunto, metade dos cancerosos sobrevive dez anos ou mais. Dez anos depois do diagnóstico, metade está viva. É um avanço: na média, entre os que foram diagnosticados no início da década de 70, somente um quarto estava viva depois. Um câncer que obteve um aumento substancial na sobrevivência foi o de mama, graças em parte considerável à mobilização e à politização das mulheres: de 40% para 78%. Aliás, as mulheres se beneficiaram mais das melhorias do que os homens: das diagnosticadas (de todos os cânceres) recentemente, 54% devem sobreviver, pelo menos, dez anos, bem mais do que os 46% dos homens. Parte da diferença se explica pelo fato de que os homens continuam a fumar e beber mais do que as mulheres. Em 1974, 51% dos homens adultos britânicos fumavam, dez por cento a mais do que as mulheres adultas. Em 2012, essas percentagens eram de 22 e 19, respectivamente (Fonte: http://www.ash.org.uk). Não tenho dúvidas de que a redução no fumo contribuiu muito para a redução da mortalidade por câncer. Infelizmente, o quadro do consumo de bebidas alcoólicas não é positivo: aumentou de 1974 a 2013, a despeito de uma redução a partir de 2004. Tomando a Inglaterra em separado, pesquisa feita em 2011 revelou que 39% dos homens e 28% das mulheres tinham bebido mais do que o nível máximo recomendado. Esse nível é mais alto no caso dos homens, o que significa que as diferenças absolutas no consumo de álcool entre os sexos é ainda maior. Há vários cânceres com relações com o consumo excessivo de álcool.

E o câncer da próstata? Os dados mostram que 94% estavam vivos um ano depois do diagnóstico, 85% cinco anos depois e 84% dez anos depois. Avançou muito em relação a outros cânceres: entre os diagnosticados no início da década de setenta, havia seis cânceres com melhor sobrevivência (entre os individualizados no gráfico abaixo), mas a projeção a respeito dos diagnosticados quarenta anos depois é que somente os diagnosticados com câncer testicular e com melanoma terão sobrevivência maior aos dez anos.
Esses são os dados britânicos. A sobrevivência é mais alta nos Estados Unidos e deve
[i] ser muito mais baixa no Brasil. Nossa saúde pública deixa muitíssimo a desejar.

O objetivo de todo departamento da ciência médica é, claro, a cura. Até agora, temos tido avanços graduais e cumulativos, como é o caso do câncer da próstata, ou grandes avanços devido a inovações no tratamento.

 

 

 

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Ver: Adult 10-year net survival, England & Wales Credit: Cancer Research UK


[i] Os dados brasileiros são pouco confiáveis.

Cresce o uso de Xofigo

Xofigo é marca registrada, baseada em rádio (radium 223 dichloride). Passou a ser usado em mais um centro de tratamento, a Holy Name Medical Center’s Cancer Center. Em maio de 2013 esse tratamento foi aprovado pela FDA. A FDA não aprova tratamentos para todos os pacientes, mas apenas para alguns subtipos, nos quais o tratamento foi testado – e deu bons resultados – e que seja recomendado por especialistas.

Os pacientes com câncer da próstata são subdivididos em grupos (como os que ainda não fizeram quimioterapia, os que fizeram tratamento hormonal e já não respondem a esse tratamento, e assim por diante). O que é aconselhável num grupo pode não sê-lo em outro. Xofigo se aplica ao grupo de pacientes com metástase óssea (usualmente muito dolorosas) que já não respondem bem ao tratamento hormonal, quando o câncer é chamado de resistente à castração (no caso, castração química). Nesse grupo, o prognóstico se associa com vários fatores, como a existência de dores ósseas, o grau de danos visíveis nas imagens ósseas, e o nível de fosfatase alcalina no sangue.  

Mais cedo ou mais tarde, as metástases ósseas afligem aproximadamente noventa por cento dos pacientes dos pacientes que já não respondem ao tratamento hormonal. Provocam dores, fraturas patológicas, comprimem a coluna vertebral e afetam a medula óssea, vulgarmente chamada de tutano dos ossos. Por isso, é muito importante combater o estrago causado pelo câncer nos ossos.

Xofigo é aplicado através de seis injeções endovenosas, um por mês. Emite baixos níveis de radiação de partículas alfa.

O que é que Xofigo faz? Melhora a qualidade da vida (muito, em alguns casos), reduz a dor, aumenta a sobrevivência e tem a virtude de produzir efeitos colaterais toleráveis em pacientes que já não respondem ao tratamento hormonal. Em vários outros tipos de pacientes o uso de Xofigo não faz sentido.

O ganho em sobrevivência é limitado: numa pesquisa com 921 homens a sobrevivência média foi de 14,9 meses no grupo Xofigo e 11,3 meses no grupo controle. O principal benefício de Xofigo não é o aumento na sobrevivência, mas a melhoria na qualidade da vida. É importante ter em mente que esses pacientes estão com canceres muito avançados e que muitos são idosos.  

Saiba mais: http://www.digitaljournal.com/pr/1504034#ixzz2gqzsTa1y

GLÁUCIO SOARES                   IESP/UERJ

E VOCÊ, QUE ACHAVA QUE IRIA MORRER DE CÂNCER….

Um grupo do Departamento de Urologia, da Vita Salute University, em Milão, comparou as taxas de mortalidade específica, geral e de sobrevivência de pacientes de alto risco que passaram por uma prostatectomia radical, que incluiu a dissecção do nódulo linfático pélvico.

  • Quais eram as características desses pacientes?

Foram 3,828 pacientes com pelo menos um de três fatores de risco: Gleason altíssimo (escore de 8 a 10), PSA >20 ng/ml, estágio clínico ≥T3.  

  • O que aconteceu com eles, dez anos depois?  

Primeiro, 229 pacientes, ou 6%, morreram de câncer da próstata durante os dez anos. Esse dado deveria servir para acalmar  muitas pessoas recém-diagnosticadas com canceres avançados. Porém, 14% morreram de outras causas. Somando e simplificando, um em  quatro morreu no período de dez anos e mais de dois terços dos que morreram, foram vitimados por outras causas.

Há uma escala que mede a comorbidade – ter outras doenças e problemas, além do câncer. Se chama Charlson Comorbidity Index (CCI). Dividiram os pacientes em dois grupos, de acordo com o número de fatores de risco (os com apenas um formavam um grupo e os com mais de um formavam outro). Essa simples divisão provou ser importante na determinação de quem morreria e de quem viveria: a idade e o CCI (ver acima) foram os principais determinantes da mortalidade por outras causas, mas seu impacto na mortalidade por câncer foi pequeno.

Os pacientes mais velhos e mais doentes, com mais comorbidades, não tinham taxas muito altas de morte específica pelo câncer, em grande parte porque tinham taxas muito altas de morte por outras causas. Morriam antes do “tempo” até que o câncer deveria provocar sua morte. 

  • Se a sobrevivência for um objetivo dos pacientes, mesmo dos pacientes com canceres avançados, é muito importante que cuidem da saúde em geral e que cuidem de outros problemas e de outras doenças, porque o risco de morrer delas é o dobro do risco de morrer devido ao câncer.

 

GLÁUCIO SOARES           IESP-UERJ

E VOCÊ, QUE ACHAVA QUE IRIA MORRER DE CÂNCER….

Um grupo do Departamento de Urologia, da Vita Salute University, em Milão, comparou as taxas de mortalidade específica, geral e de sobrevivência de pacientes de alto risco que passaram por uma prostatectomia radical, que incluiu a dissecção do nódulo linfático pélvico.

  • Quais eram as características desses pacientes?

Foram 3,828 pacientes com pelo menos um de três fatores de risco: Gleason altíssimo (escore de 8 a 10), PSA >20 ng/ml, estágio clínico ≥T3.  

  • O que aconteceu com eles, dez anos depois?  

Primeiro, 229 pacientes, ou 6%, morreram de câncer da próstata durante os dez anos. Esse dado deveria servir para acalmar  muitas pessoas recém-diagnosticadas com canceres avançados. Porém, 14% morreram de outras causas. Somando e simplificando, um em  quatro morreu no período de dez anos e mais de dois terços dos que morreram, foram vitimados por outras causas.

Há uma escala que mede a comorbidade – ter outras doenças e problemas, além do câncer. Se chama Charlson Comorbidity Index (CCI). Dividiram os pacientes em dois grupos, de acordo com o número de fatores de risco (os com apenas um formavam um grupo e os com mais de um formavam outro). Essa simples divisão provou ser importante na determinação de quem morreria e de quem viveria: a idade e o CCI (ver acima) foram os principais determinantes da mortalidade por outras causas, mas seu impacto na mortalidade por câncer foi pequeno.

Os pacientes mais velhos e mais doentes, com mais comorbidades, não tinham taxas muito altas de morte específica pelo câncer, em grande parte porque tinham taxas muito altas de morte por outras causas. Morriam antes do “tempo” até que o câncer deveria provocar sua morte. 

  • Se a sobrevivência for um objetivo dos pacientes, mesmo dos pacientes com canceres avançados, é muito importante que cuidem da saúde em geral e que cuidem de outros problemas e de outras doenças, porque o risco de morrer delas é o dobro do risco de morrer devido ao câncer.

 

GLÁUCIO SOARES           IESP-UERJ

E VOCÊ, QUE ACHAVA QUE IRIA MORRER DE CÂNCER….

Um grupo do Departamento de Urologia, da Vita Salute University, em Milão, comparou as taxas de mortalidade específica, geral e de sobrevivência de pacientes de alto risco que passaram por uma prostatectomia radical, que incluiu a dissecção do nódulo linfático pélvico.

  • Quais eram as características desses pacientes?

Foram 3,828 pacientes com pelo menos um de três fatores de risco: Gleason altíssimo (escore de 8 a 10), PSA >20 ng/ml, estágio clínico ≥T3.  

  • O que aconteceu com eles, dez anos depois?  

Primeiro, 229 pacientes, ou 6%, morreram de câncer da próstata durante os dez anos. Esse dado deveria servir para acalmar  muitas pessoas recém-diagnosticadas com canceres avançados. Porém, 14% morreram de outras causas. Somando e simplificando, um em  quatro morreu no período de dez anos e mais de dois terços dos que morreram, foram vitimados por outras causas.

Há uma escala que mede a comorbidade – ter outras doenças e problemas, além do câncer. Se chama Charlson Comorbidity Index (CCI). Dividiram os pacientes em dois grupos, de acordo com o número de fatores de risco (os com apenas um formavam um grupo e os com mais de um formavam outro). Essa simples divisão provou ser importante na determinação de quem morreria e de quem viveria: a idade e o CCI (ver acima) foram os principais determinantes da mortalidade por outras causas, mas seu impacto na mortalidade por câncer foi pequeno.

Os pacientes mais velhos e mais doentes, com mais comorbidades, não tinham taxas muito altas de morte específica pelo câncer, em grande parte porque tinham taxas muito altas de morte por outras causas. Morriam antes do “tempo” até que o câncer deveria provocar sua morte. 

  • Se a sobrevivência for um objetivo dos pacientes, mesmo dos pacientes com canceres avançados, é muito importante que cuidem da saúde em geral e que cuidem de outros problemas e de outras doenças, porque o risco de morrer delas é o dobro do risco de morrer devido ao câncer.

 

GLÁUCIO SOARES           IESP-UERJ

A SOBREVIVÊNCIA ESTÁ AUMENTANDO!!!

Dados recentes mostram que a sobrevivência a partir do diagnóstico de câncer aumentou desde que o teste do PSA foi adotado nos Estados Unidos.
Há teorias que competem para explicar essa bem-vinda mudança. Por um lado, o aumento da sobrevivência se nota em muitos outros cânceres. Na média, cada ano, aproximadamente 1% a mais dos diagnosticados chegam vivos a marcadores temporais: cinco anos, dez anos etc. É instintiva a hipótese de que essa melhoria se deve a melhorias no sistema, incluindo melhorias nos medicamentos e novos tratamentos, melhorias nos hospitais, inclusive nos diagnósticos, e ampliação dos serviços médicos a grupos previamente excluídos, o que aumenta muito a sobrevivência desses grupos e um pouco a sobrevivência média de todos os cancerosos.
Assim, a entrada do PSA no arsenal do diagnóstico do câncer da próstata se faz num mundo médico-hospitalar em mudança, e não num mundo estático.
É igualmente esperado, com base na experiência do tratamento de, praticamente, todos os cânceres, que diagnosticar cedo – qualquer que seja o câncer – aumenta as chances de cura. Sabemos que, desde a introdução do PSA, aumentaram os casos diagnosticados e aumentou a sobrevivência pós-diagnóstico. Esses dados se encaixam bem na hipótese de que muitos dos cânceres detectados cedo seriam detectados tarde, quando já estivessem avançados. Consequentemente, a sobrevivência seria menor. Os dados mais recentes foram publicados online há dias no Journal of Urology. Um dos dados socialmente mais significativos é que a sobrevivência pós-diagnóstico dos negros atualmente é semelhante à dos brancos.       
Uma notícia muito boa para nós é o aumento da sobrevivência mediana mesmo nos casos  avançados: em um estudo feito em 1985-86, a sobrevivência mediana de pacientes depois da terapia anti-hormonal era de 30 meses (dois anos e meio); melhorou para 33 meses em outra pesquisa com pacientes nessa condição alguns anos mais tarde (1989 a 1994), atingindo 48 meses (quatro anos) em outro trial feito com pacientes que atingiram esse estágio de 1995 a 2009. Um ano e meio a mais de vida com um câncer num estágio considerado avançado.
Importa saber de onde veio esse benefício? Importa. Se está ligado a efeitos mais distantes do diagnóstico precoce, é um fortíssimo argumento em defesa do teste regular do PSA.
Tudo isso remete à questão: testar ou não testar? A American Society of Clinical Oncology recomenda que pessoas com uma expectativa de vida de dez anos ou mais não descartem o teste de PSA e conversem com um urólogo sobre isso. A expectativa é uma estimativa, apenas, baseada na idade do paciente e na sua condição física e de saúde.
Uma controvérsia, uma boa notícia.
GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ