EXERCÍCIOS CONTRA A ESQUIZOFRENIA

Mais uma virtude dos exercícios aeróbicos. Pode ajudar pacientes na difícil convivência com a esquizofrenia.

O que li me diz que essa desordem mental pode distorcer a percepção da realidade, incluindo alucinações, e fugas da realidade.

Há tempos que diferentes medicamentos são usados no tratamento da esquizofrenia; eles ajudam muito no tratamento das alucinações e das distorções da realidade, mas são menos eficientes no tratamento dos frequentes problemas de memória e de concentração. São um tipo de disfunção difícil de tratar.

Foi nesse ponto que pesquisadores da Universidade de Manchester entraram em cena e analisaram dados de dez pesquisas clínicas, concluindo que doze semanas de exercícios aeróbicos melhoravam o funcionamento dos cérebros dos pacientes.

Como descobriram isso?

Mostraram que tratamentos aeróbicos, usando esteiras e bicicletas estacionarias melhoravam o funcionamento do cérebro além das contribuições dos medicamentos. Medicamentos mais exercícios produzem melhores resultados do que medicamentos sem exercícios.

O exercício melhora o quê, exatamente?

A atenção, a habilidade de perceber bem os outros e se relacionar com eles, e sua memória funcional.

Memória funcional? É. Com quantas coisas eles conseguem lidar ao mesmo tempo.

A reposta depende do esforço: quanto mais longo e intenso o exercício, maior o benefício (dentro de limites, claro).

A pesquisa foi publicada em Schizophrenia Bulletin.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Homens negros devem tomar mais cuidado com a terapia hormonal

A terapia hormonal (ADT) que aumenta sobrevivência, associada com a braquiterapia do câncer da próstata, pode aumentar o risco de morte entre homens negros, em comparação com homens brancos.

Uma pesquisa acompanhou 7.252 homens que fizeram braquiterapia com ou sem tratamento hormonal neoadjuvante. Eram pacientes com baixo risco de morte. A ADT, também chamada de terapia hormonal, reduz muito os níveis de andrógenos no corpo humano por vários caminhos, como a redução dos sinais para a sua produção. Esses pacientes receberam ADT para encolher a próstata, facilitando a braquiterapia.

Qual o problema?

Entre os negros que receberam ADT houve um aumento de 77% no risco de morte por toda e qualquer causa, e um aumento de 86% no risco de morte por outras causas, ou seja, causas diferentes do câncer da próstata.

A pesquisa foi dirigida por Konstantin A. Kovtun, do Brigham and Women’s Hospital-Dana-Farber Cancer Institute em Boston, e foi publicado pela revista Cancer, versão eletrônica.

Não encontraram diferenças entre brancos e negros em relação às mortes por câncer da próstata, nem encontraram diferenças entre as raças entre pacientes que não fizeram o tratamento hormonal.

Há algum tempo que várias pesquisas revelaram que a terapia hormonal reduz a qualidade da vida e aumenta a mortalidade por outras causas. Não obstante, a redução na mortalidade pelo câncer da próstata, segundo alguns (inclusive eu) mais do que compensa o aumento nas mortes. Além disso, pode ser uma troca que alguns fazem conscientemente: não morrer devido ao câncer da próstata (muitas mortes são por metástases ósseas, longas e dolorosas) e morrer “do coração”.

Os pacientes deste câncer, particularmente os negros, devem discutir suas opções de tratamento com os médicos. Peçam detalhes, informações sobre ganhos e perdas, custos e benefícios. Esse pedido é dirigido também a parentes e amigos porque os homens apresentam muita resistência a falar sobre esse tipo de câncer. Ajude as pessoas com câncer buscando informações confiáveis, consultando oncologistas. Você  poderá salvar uma vida; você poderá evitar muito sofrimentos dessas pessoas.

 

GLÁUCIO SOARES

IESP-UERJ

Um set pode decidir que continua e quem fica de fora

Tenho dois receios: o primeiro, de que a equipe italiana poupe alguns dos seus principais jogadores contra o Canadá. É legitimo. Muitos países já usaram essa estratégia e seus técnicos focam no que é mais útil para seu país. O Brasil já fez isso.

O outro receio é que um set, apenas um set, venha a eliminar o Brasil. Claro que se isso acontecer, podemos escolher qualquer set. Mas eu escolho o set que perdemos bobamente para o México, uma equipe que veio do nível III e que perdeu por 3×0. Lembro que o set average decide se terminarem empatados e que cada set vale por dois, o que se deixa de ganhar e sai da lista dos ganhos e que se perde e aumenta a lista dos perdidos. Até agora, ninguém perdeu um só set contra o México: somente o Brasil e duvido que os Estados Unidos percam também.

Aliás, há uma ironia: muitos viram na derrota dos


Estados Unidos por 3×0 para o Canadá um possível caminho para facilitar a chegada do Brasil (e de outros times) ao pódio. Erro de cálculo. Os Estados Unidos são um time tecnicamente muito, muito bom e raçudo. Longe de tirar os Estados Unidos da competição, colocou o Canadá nela.

Desculpem pela incursão olímpica

 


GLÁUCIO SOARES

Quando apareceu o câncer?

Quando apareceu o câncer?

Quando apareceu o câncer da próstata?

Imhotep foi um médico egípcio que viveu cerca de dois mil e seiscentos anos antes de Cristo. Ele escrevia suas notas médicas. Numa delas, ele descreveu uma “massa na mama”. O exame de algumas múmias ou de cadáveres mumificados nos informa que o câncer da próstata já existia há vários milhares de anos.

Milhares de anos… Uma estimativa propunha que essa doença maldita poderia estar presente há 120 mil anos.

Porém, essa praga está conosco há muito, muito mais tempo. Um exame de hominídeos, publicado no South African Journal of Science, revelou a existência de tumores no pé e na espinha. A doença maldita já estava no planeta há um milhão e setecentos mil anos atrás…

Todo esse tempo, e a espécie humana não conseguiu curar essa praga.

A mesma espécie que manda uma sonda a Júpiter.

A mesma espécie que matou centenas de milhões em guerras.

Que vergonha…

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

TESTOSTERONA, GLYCANS E O AVANÇO DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, vem uma pesquisa promissora: eles identificaram um grupo de moléculas que, eventualmente, poderá ser um caminho para reduzir a velocidade de avanço do câncer da próstata.

Primeiro: sabem que a testosterona afeta centenas, talvez muito mais, de genes. Um conjunto grande deles, adicionam açúcares, chamados de glycans, à “pele” das células cancerosas.

E aí?

Descobriram que a testosterona transforma os glycans de tal maneira que eles ajudam as células cancerosas a crescer, a sobreviver e a se espalhar por outras partes do corpo – as metástases – que é o que mata os pacientes do câncer da próstata. Então é possível diminuir o avanço do câncer através dos glycans.

Esse é, apenas, o início de uma possibilidade terapêutica. Se der certo, serão muitos anos até que chegue a ser usada para tratar o câncer.

Não obstante, há uma possibilidade de que o tempo seja menor. Porque já existem tratamentos de outros tipos de câncer, como o câncer da mama, que focam nos glycans. Talvez algum deles ajude a tratar o câncer da próstata.

Vejamos…

 

GLÁUCIO SOARES   IESP/UERJ

Racismo pela internet

Preta Gil foi alvo do racismo. O Globo de hoje (27/07/2016) lista vários casos de racismo contra mulheres negras que se destacaram em seus trabalhos e são conhecidas. Há poucos anos, Rafaela Silva, judoca brasileira, foi agredida pela internet. Tinha sido desclassificada nas Olimpíadas de Londres por usar uma técnica que já era usada no judô quando eu o praticava, que caracterizava sobretudo o judô de alguns países do ex-bloco soviético. O excelente Flavio Canto teria sido desclassificado muitas vezes por usar técnicas do mesmo tipo, que passaram a ser proibidas numa mudança das regras claramente política, feita sob medida, para proteger um tipo de judô. Os racistas não viam em Rafaela o símbolo positivo que ela representa: mulher favelada, negra, que venceu na vida através do esporte “contra viento y marea“. Rafaela reagiu às críticas ganhando o ouro no campeonato mundial seguinte.

Quantas agressões racistas são cometidas diariamente contra brasileiras comuns? Elas não são notícia, não chegam à mídia.

No Brasil, comportamentos racistas são crime desde 3 de julho de 1951 quando foi promulgada a Lei Afonso Arinos (Lei 1390/51), mas não a levamos em sério, nem os crimes pela internet. Não é difícil distinguir o que seriam crimes de opinião, inadmissíveis numa democracia, de expressões públicas que incluem calúnias, injúrias e difamações, que são crimes e constam do Código Penal, artigos 138, 139 e 140.

Umberto Eco, em entrevista à revista Época em 30/12/2011 sintetizou o pior que a internet pode representar: um perigo. “A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso”. Nas últimas eleições (e depois) vimos como ela pode ser usada como instrumento do ódio. Várias das ofensas elencadas pelo O Globo contra mulheres negras foram feitas através da internet.

Ou levamos esses crimes em sério, ou a internet será, cada vez mais, o esgoto das ideias putrefatas.

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

Uma esperança a menos

Há um preço a ser pago pelas empresas farmacêuticas que falham na tentativa de produzir novos medicamentos eficientes. A Tokai Pharmaceuticals Inc. parou uma pesquisa que testava um novo tratamento para o câncer da próstata. Um comitê independente afirma que as indicações são no sentido de que o medicamento não aumentará o período durante o qual o câncer não avança. As pesquisas nesse nível são muito caras. O resultado é que as ações da empresa despencaram, perdendo cerca de 70% do seu valor antes mesmo da bolsa abrir.

Há dúvidas sobre se a Tokai vai sobreviver ou não.

 

Gláucio Soares     IESP-UERJ