Vidas desiguais, mortes desiguais

Durante os “bons anos” pós Estatuto e durante a era Beltrame houve uma redução na taxa de mortes por homicídios no Estado do Rio de Janeiro tanto entre brancos quanto entre negros. Se quiserem dar-nos a honra de uma leitura, Sandra Andrade e eu analisamos séries temporais que mostram que persistiram diferenças absolutas entre a vitimização dos negros e a dos brancos. O artigo se chama “Vidas Desiguais, Mortes Desiguais” e está disponível em

opiniaopublica.ufmg.br

http://opiniaopublica.ufmg.br/site/files/artigo/7-vidas-glaucio1.pdf

Menos mortes violentas em São Paulo e no Rio de Janeiro

 

Nesses dias de tempestade política, quando vejo amigos brigando com amigos, eu criava um cantinho de felicidade, porque, pela primeira vez em muito, muito tempo, a taxa de homicídios em São Paulo baixou de dez por 100 mil hbs. Essa taxa não é mágica, mas é simbólica.  Ela é usada, arbitrariamente, como a fronteira que define a violência epidêmica. Esqueçam partidos e políticos: isso significa menos brasileiros morrendo brutalmente.

Também havia boas notícias sobre o Estado do Rio de Janeiro:  houve uma redução de 4,7% nos homicídios dolosos, de 464 em 2014 para 442 em 2015.  Os latrocínios (roubo seguido de morte), que causam medo, mas são estatisticamente muito menos importantes do que os homicídios dolosos, baixaram de 15 para 11.  Temos que chorar o aumento nos homicídios decorrentes de intervenção policial ( os chamados autos de resistências): 14 a mais, reduzindo os ganhos no período. A letalidade violenta baixou de 532 para 519: morreram, no total, 14 brasileiros a menos no nosso estado.

Talvez a notícia mais importante tenha sido a expulsão de 43 policiais da PMRJ, acusados de cobrar propina de comerciantes em Bangu e Honório Gurgel. Sim, é verdade que as investigações foram lentas (desde 2012), mas mostram uma determinação de retirar os bandidos da tropa.

Mas o meu cantinho foi enlameado por um juiz dirigindo, em flagrante violação da lei, um Porsche apreendido do Eike Batista. Quem julga os juízes? Agua gelada e suja no meu cantinho, onde germinava uma esperança. Precisamos multiplicar os cantinhos da decência nesse país dominado pela lei de Gerson.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP/UERJ