Um choque no coração que não aconteceu

Na terça feira, tinha que fazer uma cardioversão, um procedimento hospitalar que hoje é para outpatients. Chegas, te examinam, te espetam, te ligam a diversos aparelhos, te anestesiam, te dão um choque elétrico, esperam que acordes meio bobo e, se tudo estiver bem, alguém te leva para casa. É um procedimento que já fiz, há uns vinte anos.

Dormi pouco, até as duas, pensando em coisas práticas. Acordei e peguei uma carona com uma das senhoras que me acolheram durante uns dias, fiz a burocracia do check in, fui para o pré-operatório, me espetaram, coletaram sangue e me ligaram a monitores. Pressão alta. Perguntei se eu estava fibrilando, responderam que sim, perguntei se era a-fib ou a-flutter; responderam “os dois”.

Aparece uma senhora, de um grupo chamado Angels of Mercy, da igreja católica na qual fui à missa no domingo anterior, mobilizada pelo Padre Gillespie e outros amigos da igreja. Era enfermeira aposentada. Ficamos conversando, enquanto eu esperava ….fibrilando… para ir à sala de operações. Com fibrilação, a respiração fica difícil, o cansaço é claro e a visão um pouco turva.

Um intervalo nas preparações, e ela me perguntou se eu não gostaria de rezar. Rezamos um Pai Nosso, uma Ave Maria, e um Glória.

Me levaram para a sala de operações. Me deram oxigênio e começaram a injetar o anestésico. Colocaram os monitores em funcionamento. Alguém olhou para os monitores e disse: “ele está com o sinus normal”. Esperaram uns minutos e começaram a retirar tudo. E me mandaram para casa. O procedimento que não aconteceu, a cardioversão através de um choque no coração, era para restaurar o sinus normal…

Fui tomar um brunch. Era depois das onze. À tarde aproveitei para andar vinte minutos no Westside Park, onde corri (e depois andei) durante tantos anos.

No dia seguinte, entrei no Kia emprestado pelo meu amigo,o Pastor Earl Lawson e dirigi duas horas e pouco até Lake Mary. Com mais energia, com visão clara e pensamento lúcido – como não tinha há vários anos.

E agora?

Vai saber…

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MAIS FATOS SOBRE FIBRILAÇÃO ATRIAL (AFIB) E DERRAMES

O que aumenta o risco de fibrilação e de derrames? Várias condições: algumas você pode mudar; outras não.

Gênero. Mais homens do que mulheres recebem um diagnóstico de AFib. Não obstante, as mulheres têm um risco mais alto de morrer de um derrame. É o que afirma Hugh Calkins, o diretor do Clinical Electrophysiology Laboratory and Arrhythmia Service na Johns Hopkins.

Porém, é preciso pesquisar mais para separar fatores culturais (as diferenças entre o que homens e mulheres fazem ou deixam de fazer) das biológicas.

A idade conta. Quanto mais velho ou velha, mais elevado o risco de derrame. O risco aumenta sensivelmente depois dos 65 e aumenta muito depois dos 75. Podemos melhorar o risco com mudanças no estilo de vida, mas entre os/as que têm estilos de vida semelhante o risco aumenta muito com a idade avançada. O uso regular de anticoagulantes reduz, mas não elimina, o aumento do risco devido à idade.

O colesterol: colesterol alto significa risco mais elevado de constringir os canais sanguíneos, aumentando o risco de formar coágulos de sangue. São esses coágulos que podem acabar entupindo e parando o fluxo de sangue no cérebro, provocando um derrame. Se derem sorte (ironia), como eu, os coágulos são parados no pulmão, provocando embolias pulmonares.

Gente querida, mudando o estilo de vida todos nós podemos baixar muito o colesterol. Não há desculpas. Podemos e devemos ajudar esse processo com medicamentos.

Diabetes. Essa praga usualmente vai junto com excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e excessiva, pressão alta, colesterol alto etc. Formam parte da síndrome metabólica. Podemos fazer MUITO para reduzir esse risco. Não há desculpa. Empurrar o que deve ser feito com a barriga (mudar o estilo de vida) e sacrificar essa benção que Deus lhe deu, a vida, é vexame. Comece hoje, devagar, seus exercícios, sua dieta, sua vida nova. Garanto que vai se sentir muito melhor em pouco tempo.

Há vários outros problemas cardíacos que aumentam o risco de derrame. Entupimento da carótida; doenças coronárias, problemas na válvula, defeitos congênitos e outros mais. Todos são tratáveis e você pode alterar o risco de derrame tratando seriamente esses problemas.

Fumar. A relação entre fumar e derrame (e um monte de outros problemas de saúde física e mental) é tão intima que, para mim, é uma forma de suicídio lento.

Os TIAs. São ataques isquêmicos temporários. Muita, muita gente os tem. São sinais, sinais de perigo. Podem ser evitados e podem ser tratados por você.

O estilo de vida é fundamental. Vida sedentária aumenta muito todos os riscos acima.

E, claro, consumo excessivo de álcool e consumo de drogas ilegais. Aumentam a pressão sanguínea e o risco de derrame.

Conte quantos fatores de risco você tem. Se tiver dois ou mais, a sua barra está pesada e pode cair. Depende de você.

Para que morrer antes do seu tempo?

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

MAIS FATOS SOBRE FIBRILAÇÃO ATRIAL (AFIB) E DERRAMES

O que aumenta o risco de fibrilação e de derrames? Várias condições: algumas você pode mudar; outras não.

Gênero. Mais homens do que mulheres recebem um diagnóstico de AFib. Não obstante, as mulheres têm um risco mais alto de morrer de um derrame. É o que afirma Hugh Calkins, o diretor do Clinical Electrophysiology Laboratory and Arrhythmia Service na Johns Hopkins.

Porém, é preciso pesquisar mais para separar fatores culturais (as diferenças entre o que homens e mulheres fazem ou deixam de fazer) das biológicas.

A idade conta. Quanto mais velho ou velha, mais elevado o risco de derrame. O risco aumenta sensivelmente depois dos 65 e aumenta muito depois dos 75. Podemos melhorar o risco com mudanças no estilo de vida, mas entre os/as que têm estilos de vida semelhante o risco aumenta muito com a idade avançada. O uso regular de anticoagulantes reduz, mas não elimina, o aumento do risco devido à idade.

O colesterol: colesterol alto significa risco mais elevado de constringir os canais sanguíneos, aumentando o risco de formar coágulos de sangue. São esses coágulos que podem acabar entupindo e parando o fluxo de sangue no cérebro, provocando um derrame. Se derem sorte (ironia), como eu, os coágulos são parados no pulmão, provocando embolias pulmonares.

Gente querida, mudando o estilo de vida todos nós podemos baixar muito o colesterol. Não há desculpas. Podemos e devemos ajudar esse processo com medicamentos.

Diabetes. Essa praga usualmente vai junto com excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e excessiva, pressão alta, colesterol alto etc. Formam parte da síndrome metabólica. Podemos fazer MUITO para reduzir esse risco. Não há desculpa. Empurrar o que deve ser feito com a barriga (mudar o estilo de vida) e sacrificar essa benção que Deus lhe deu, a vida, é vexame. Comece hoje, devagar, seus exercícios, sua dieta, sua vida nova. Garanto que vai se sentir muito melhor em pouco tempo.

Há vários outros problemas cardíacos que aumentam o risco de derrame. Entupimento da carótida; doenças coronárias, problemas na válvula, defeitos congênitos e outros mais. Todos são tratáveis e você pode alterar o risco de derrame tratando seriamente esses problemas.

Fumar. A relação entre fumar e derrame (e um monte de outros problemas de saúde física e mental) é tão intima que, para mim, é uma forma de suicídio lento.

Os TIAs. São ataques isquêmicos temporários. Muita, muita gente os tem. São sinais, sinais de perigo. Podem ser evitados e podem ser tratados por você.

O estilo de vida é fundamental. Vida sedentária aumenta muito todos os riscos acima.

E, claro, consumo excessivo de álcool e consumo de drogas ilegais. Aumentam a pressão sanguínea e o risco de derrame.

Conte quantos fatores de risco você tem. Se tiver dois ou mais, a sua barra está pesada e vai cair. Depende de você.

Para que morrer antes do seu tempo?

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

FIBRILAÇÃO ATRIAL E DERRAME

Há uns trinta anos lido com a fibrilação atrial. Lembro-me de sentir que ia desmaiar duas vezes num intervalo pequeno, quando nos reuníamos para decidir o programa acadêmico do semestre seguinte. Comecei e me sentir mal e levantei-me para sair, mas não deu para abrir a porta. Tive que me sentar onde desse. Os colegas fizeram as observações de praxe, caucionando-me, perguntando se necessitava de ajuda.

Em outro momento, ou estava no Yucatán ou ia para lá, com dois filhos. Foi rápido e intenso e tive que me sentar no estribo da porta do carro. Meu filho Andrei ficou preocupado.

Algumas vezes, quando exercitava, particularmente levantando peso, o coração batia forte e a mente ficava algo anuviada.

Após lidar – mal – com a fibrilação atrial durante vinte anos ou mais, chegou o momento em que descobri que havia tido embolias pulmonares múltiplas. Aí começou o chatíssimo Coumadin, que começou a sua vida como veneno de rato, cuja função era evitar a trombose em veias profundas. Depois de algum tempo, foi substituído pelo Xarelto que continuo a tomar, religiosamente. Depois de duas cardioversões, que meu colega Charles Wood chamou de rebooting, chegou ao meu conhecimento a possibilidade de ablação cardíaca. Realize a ablação há vários anos no mesmo Shands Hospital da Universidade da Flórida. É um procedimento através do qual inserem um cabo flexível em algum lugar do sistema sanguíneo (a localização da entrada no meu caso foi a virilha) e avançam, lentamente, até chegarem a uma localização no coração quando, segundo meu entendimento, cauterizam uma parte do mesmo, responsável pela geração OU transmissão de impulsos elétricos.

Avalio que deu certo. Por que escrevo isso? Porque acabo de ler um trabalho de Beth W. Orenstein, onde concluiu que o risco de derrame cresce muito com a fibrilação atrial.

Os dados metem medo. Uma publicação da National Stroke Association nos informa que ter fibrilação atrial multiplica por cinco o risco de ter um derrame! Multiplica por cinco!

Nada menos do que 15% de quem tem/teve um derrame também tem fibrilação. Ter fibrilação e um derrame é um passaporte para o além: mais de setenta por cento de quem tem fibrilação e um derrame morrem devido ao derrame.

Também não é garantia de morte. Sei que, financeiramente, ablação cardíaca é para poucos no Brasil, mas os números apavorantes mencionados acima podem ser reduzidos através de medicamentos adequados, tomados sistematicamente – religiosamente.

Não brinque com a fibrilação, nem com o risco de derrame. Hoje a grande maioria dos brasileiros pode ter acesso a um cardiologista, ainda que em circunstancias frequentemente abaixo das desejadas e a formação dos cardiologistas com frequência deixa a desejar.

Diante de tantos fatores po0ssivelmente adversos, os únicos que você pode controlar são a dieta e o peso, a atividade física, inclusive os exercícios, tomar os seus remédios quando deve e nas condições em que deve. Não aumente, por sua ação ou omissão, o risco de ter um derrame.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

FIBRILAÇÃO ATRIAL E DERRAME

Há uns trinta anos lido com a fibrilação atrial. Lembro-me de sentir que ia desmaiar duas vezes num intervalo pequeno, quando nos reuníamos para decidir o programa acadêmico do semestre seguinte. Comecei e me sentir mal e levantei-me para sair, mas não deu para abrir a porta. Tive que me sentar onde desse. Os colegas fizeram as observações de praxe, caucionando-me, perguntando se necessitava de ajuda.

Em outro momento, ou estava no Yucatán ou ia para lá, com dois filhos. Foi rápido e intenso e tive que me sentar no estribo da porta do carro. Meu filho Andrei ficou preocupado.

Algumas vezes, quando exercitava, particularmente levantando peso, o coração batia forte e a mente ficava algo anuviada.

Após lidar – mal – com a fibrilação atrial durante vinte anos ou mais, chegou o momento em que descobri que havia tido embolias pulmonares múltiplas. Aí começou o chatíssimo Coumadin, que começou a sua vida como veneno de rato, cuja função era evitar a trombose em veias profundas. Depois de algum tempo, foi substituído pelo Xarelto que continuo a tomar, religiosamente. Depois de duas cardioversões, que meu colega Charles Wood chamou de rebooting, chegou ao meu conhecimento a possibilidade de ablação cardíaca. Realize a ablação há vários anos no mesmo Shands Hospital da Universidade da Flórida. É um procedimento através do qual inserem um cabo flexível em algum lugar do sistema sanguíneo (a localização da entrada no meu caso foi a virilha) e avançam, lentamente, até chegarem a uma localização no coração quando, segundo meu entendimento, cauterizam uma parte do mesmo, responsável pela geração OU transmissão de impulsos elétricos.

Avalio que deu certo. Por que escrevo isso? Porque acabo de ler um trabalho de Beth W. Orenstein, onde concluir que o risco de derrame cresce muito com a fibrilação atrial.

Os dados metem medo. Uma publicação da National Stroke Association nos informa que ter fibrilação atrial multiplica por cinco o risco de ter um derrame! Multiplica por cinco!

Nada menos do que 15% de quem tem/teve um derrame também tem fibrilação. Ter fibrilação e um derrame é um passaporte para o além: mais de setenta por cento de quem tem fibrilação e um derrame morrem devido ao derrame.

Também não é garantia de morte. Sei que, financeiramente, ablação cardíaca é para poucos no Brasil, mas os números apavorantes mencionados acima podem ser reduzidos através de medicamentos adequados, tomados sistematicamente – religiosamente.

Não brinque com a fibrilação, nem com o risco de derrame. Hoje a grande maioria dos brasileiros pode ter acesso a um cardiologista, ainda que em circunstancias frequentemente abaixo das desejadas e a formação dos cardiologistas com frequência deixa a desejar.

Diante de tantos fatores po0ssivelmente adversos, os únicos que você pode controlar são a dieta e o peso, a atividade física, inclusive os exercícios, tomar os seus remédios quando deve e nas condições em que deve. Não aumente, por sua ação ou omissão, o risco de ter um derrame.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

REVERTENDO A FIBRILAÇÃO ATRIAL (A-Fib)

 

Eu estava pesquisando a respeito de problemas cardíacos em interesse próprio quando encontrei dados a respeito da relação entre estar em forma física e a fibrilação atrial (A-Fib). Tenho problemas com a fibrilação atrial há, pelo menos, três décadas. Há 6-7 anos fiz uma cirurgia chamada de ablação cardíaca. Deu certo. Os eletros, desde então, não acusam a fibrilação. Não obstante, continuo com medicamentos (amiodarona, ANCORON) para evitar esse tipo de problemas. “Meu” cardiologista me informou que esse medicamento pode contribuir para a neuropatia periférica e tem interações perigosas com outros medicamentos.

Continuei buscando.

O que descobri? Que melhorias relativamente pequenas na forma física cardiovascular produzem resultados significativos nos sintomas de A-Fib.

Jared Bunch é um cardiologista que dirige o programa de pesquisas sobre os ritmos cardíacos no Intermountain Medical Center Heart Institute em Murray, Utah. Ele queria saber se é possível reverter problemas cardíacos com mudanças no estilo de vida, o que usualmente significa exercício, dieta e perda de peso. A resposta, felizmente, é positiva. Oitenta por cento das pessoas acima do peso, inclusive obesas, que sofriam com A-Fib, que melhoram sua condição física cardíaca, não tinham mais sintomas quatro anos depois. Essa melhoria inclui as que continuaram com excesso de peso (suponho que substituíram parte da banha por músculo).

De outra fonte, soube que os trinta minutos podem ser substituídos por dois de quinze.

É isso. Boas notícias. Vamos andar um pouco?

GLÁUCIO SOARES IESP UERJ