Descobrindo o câncer escondido

Um paciente de câncer da próstata, chamado Geoffrey Southall está convencido de que ele foi salvo da morte por ser diabético. Geoffrey sofre de diabetes, tipo II (o que é adquirido por maus hábitos alimentares). Sendo diabético, ele deve fazer exames periódicos de sangue. Num desses exames, verificaram, também o PSA, que estava muito alto. Mais alguns exames e Geoffrey descobriu que tinha um câncer da próstata agressivo, a despeito de não ter os sintomas usuais. Graçaas a essa providencial descoberta, em poucas semanas estava sendo tratado com radioterapia no Cardiff’s Velindre Hospital. Sua reação foi excelente, e os marcadores desapareceram, o que é um indicador de uma sobrevivência maior.

Não era a primeira experiência dele com câncer: a irmã morreu devido a um câncer do pulmão que foi descoberto tardiamente.

A mulher de Geoffrey, Enid, diz que o cachorro da casa também contribuiu: Billy Boy, o cachorro, tem cinco anos e se deu conta de que o dono estava preocupado e triste. Aproximou-se do dono e passou a ficar no seu colo, enquanto Geoffrey o mima e acaricia por horas. A paz e a tranquilidade, elementos que parecem ser importantes para a cura, são visíveis quando Geoffrey está com o cachorro.

É mais uma estória pessoal que coloca em dúvida a política contrária aos testes sistemáticos de PSA e confirma a importância de ter seres queridos em casa – e não apenas os humanos.

GLÁUCIO SOARES – IESP-UERJ

Postado há 3 minutes ago por Glaucio Soares

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Câncer da próstata: efeitos colaterais da radiação

Uma pesquisa com um número pequeno (40) de pacientes participou de uma pesquisa sobre os efeitos de um derivado do curcumã, chamado BCM-95 Curcumin, sobre o tratamento radioativo do câncer da próstata, em particular sobre um grupo de seus efeitos colaterais, os problemas do canal urinário.

Como sempre, dois grupos e os pacientes foram incluidos num ou noutro de maneira aleatória. O grupo experimental tomou 3 g/d curcumin (6 × 500 mg cápsulas de BCM-95), e o placebo não tomou curcumin.

Turmeric yesterday we have seen that market has moved -2.6% on lackluster demand from exporters who...

O BCM-95 Curcumin é uma forma do curcumã que tem sido clinicamente estudada: os autores afirmam que há catorze estudos clínicos do curcumã, nove dos quais com homens. O curcumã não é facilmente absorvido. A maioria do que é ingerido não fica no corpo humano. O BCM-95 Curcumin foi desenvolvido para lidar com esse problema. Duas dessas pesquisas lidam com a absorção e mostram que esses ingredientes são melhor absorvidos, de sete a dez vezes mais do que o curcumã comum. O BCM-95 inclui óleos essenciais do turmeric para aumentar a absorção.

No início, os dois grupos, devidamente randomizados, não apresentarm diferenças. Porém, após três meses, os dois grupos foram comparados usando um instrumento padrão chamado de EORTC QLQ – PR25. Esse instrumento mede a frequência urinária (de dia e de noite), o sentimento de emergência (de que tem que urinar logo), o déficit de sono, atribuível à frequente micção noturna, a necessidade de manter uma distância máxima de um banheiro (no Brasil, poderíamos agregar “de um banheiro decente), a presença de dor quando urina e as limitações de atividades diárias deidas à micção frequente. Esse conjunto mede satisfatoriamente os problemas causados pela micção anormal. É uma escala preocupada com o bem-estar dos pacientes.

Qual o efeito do BCM-95 Curcumin?

O grupo experimental teve reduções significativas nesses sintomas: metade da frequência urinária durante o dia e 40% de redução das limitações impostas pelos problemas urinários.

Há preocupações com o uso de antioxidantes durante a radioterapia. Alguns sugerem que pode reduzir a eficácia da radioterapia. Os dados apresentados pelos pesquisadores eliminam essa possibilidade. Os indicadores usuais, medidos pelo PSA e pelas imagens obtidas com MRI/MRS não diferiam significativamente entre os dois grupos três meses após o início do experimento.

Assim, o curcumã ajuda a controlar os efeitos colaterais urinários do tratamento sem reduzir sua eficácia. Os próprios autores, como seria de esperar, uma pesquisa com mais pacientes e maior duração é o próximo passo.

Saiba mais: J Hejazi, R Rastmanesh, F Taleban, S Molana and G Ehtejab. A Pilot Clinical Trial of Radioprotective Effects of Curcumin Supplementation in Patients with Prostate Cancer. J Cancer Sci Ther. 2013, 5.10. Em www.omicsonline.org/a-pilot-clinical-trial-of-radioprotective-effects-of-curcumin-supplementation-in-patients-with-prostate-cancer-1948-5956.1000222.php?aid=19259.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

 

Genética e câncer da próstata

 

Uma das revistas eletrônicas que subscrevo, a Johns Hopkins Health Alert, levanta a questão: até que ponto o câncer da próstata é transmitido geneticamente?

O problema não pode ser entendido de maneira simples: é/não é geneticamente determinado. Há muitas causas possíveis que interagem durante muito tempo para provocar um câncer da próstata.

Não obstante, há dados que mostram que o risco de desenvolver esse câncer dobra se o pai ou irmão tiver (ou tiver tido e curado) esse câncer. Se o parente canceroso for mais distante, tio ou avô, há um aumento menor no risco. Muito do que se sabe nessa área deriva da comparação entre irmãos univitelinos e bivitelinos. A herança genética conta, mas não é decisiva por si só. A chance de que univitelinos tenham o câncer é mais alta, mas coincidem em apenas 27% das observações.

Observamos um claro avanço do conhecimento sobre a genética humana a partir do mega-estudo chamado de human genome. Há muita contribuição de fatores genéticos, mas o estilo de vida também pesa e pesa muito.

Ter um parente próximo com essa doença faz com que os órgãos da saúde recomendem exames periódicos do PSA: uns recomendam anuais depois dos 40; outros de dois em dois anos depois dos 50. Não há uniformidade. Acompanhar o PSA, para ver suas alterações, é uma das recomendações para quem tem parentes próximos com câncer da próstata.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP/UERJ

 

 

PEQUENAS DOSES DE ASPIRINA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Uma pesquisa confirma resultados anteriores: uma pequena dose de aspirina regularmente aumenta a sobrevivência de homens que fizeram cirurgia e/ou radiação para o câncer da próstata. Kevin Choe, em trabalho publicado no Journal of Clinical Oncology, revela que uma análise de seis mil pacientes que os subdividiu em dois grupos, os que tomavam regularmente um dos anticoagulantes comuns, encontrou diferenças significativas depois de dez anos: 3% no grupo que tomava anticoagulantes regularmente por prescrição médica, e 8% entre os que não tomavam. A diferença é estatisticamente significativa. O risco de “volta” do câncer e de metástase também era significativamente mais baixo. Esse benefício se deveu, principalmente, às pequenas doses de aspirina. Como a aspirina é anticoagulante e idosos frequentemente tomam outros anticoagulantes, como warfarina, a dose tem que ser calculada para não provocar hemorragia.

 

 

    GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ    

Reduzindo os erros no diagnóstico do câncer da próstata

Novas pesquisas feitas em duas instituições, NewYork-Presbyterian Hospital/Weill Cornell Medical Center, mostram que é possível melhorar os testes de PSA, reduzindo os seus erros, através da combinação com um medicamento. O que a combinação permite é reduzir os falsos negativos, identificando cânceres que antes escapavam à detecção. O Pesquisador Responsável, Dr. Steven A. Kaplan, afirma que é possível melhorar os testes usando-os em  conjunção com outras drogas. Essa combinação é útil especialmente nos casos em que o PSA é elevado, mas foram feitas biópsias sem encontrar o câncer. A biópsia permite falsos negativos porque não recolhe amostras de tecido de certas áreas “ocultas”. Ou seja, o câncer existe, mas a biópsia não traz tecido canceroso para o microscópio. Eu, pessoalmente, fiz duas baterias – uma com quatro agulhas e outra com seis que não revelaram câncer, mas havia câncer. A prática, usada posteriormente, de fazer biópsias “de saturação”, com muitas agulhas e guiadas por instrumentos visuais como o ultra-som, reduziu muito os falsos negativos, mas não os eliminou. 

Além disso, há conclusões baseadas em PSAs elevados que são falsas – falsos positivos – porque o PSA aumenta com outras doenças, como inflamação e/ou aumento do tamanho da próstata. É preciso controlar a inflamação e diminuir o tamanho da próstata para obter melhores resultados. Os pesquisadores concluíram que analisar os níveis de PSA depois de usar dois medicamentos que inibem 5-alfa-reductase (finasterida and dutasterida), que reduzem o tamanho da próstata produziam melhores resultados: se o PSA permanecia igual ou aumentava depois que a próstata encolhia, o risco de que houvesse câncer era grande. 

Que pacientes foram estudados? Um total de 276 homens, com PSA acima de 4, mas com toque retal normal, e duas ou mais biópsias negativas. 

Eliminar falsos positivos significa reduzir sofrimento, possibilidade de infecções e mais, causadas por biópsias, além de reduzir os custos; reduzir os falsos negativos, potencialmente, salva vidas.

São boas notícias para as pessoas que estão passando pela provação dos primeiros exames necessários para o diagnóstico.

 

Leia mais: http://medicalxpress.com/news/2012-08-doctors-hard-to-diagnose-prostate-cancer.html#jCp  e

http://www.dnainfo.com/new-york/20120809/upper-east-side/weill-cornell-researchers-develop-new-prostate-cancer-screening-method#ixzz23BQOgw1p

 

Gláucio Soares                                                    IESP-UERJ

 

 

PSA: testar ou não testar?

O debate continua intenso a respeito das vantagens e desvantagens de testar o PSA de homens de maneira rotineira. Claro que são homens sem sintomas, sem casos de câncer da próstata na família. Como a incidência e a prevalência desse câncer é substancialmente mais elevada entre negros do que entre brancos e asiáticos, ser negro torna recomendável o teste sistemático de PSA. 
Um grupo de estudos, o U.S. Preventive Services Task Force, não recomenda o uso de rotina desse teste a partir de certa idade. Por quê? A resposta é complicada: o teste salvaria poucas vidas e provocaria tratamentos desnecessários, porque um PSA elevado está longe de significar a morte do paciente. Os tratamentos desnecessários têm efeitos colaterais que podem ser pesados, como impotência, incontinência, ataques do coração e até morte com tratamentos que poderiam ser evitados porque a chance de morrer do câncer, na grande maioria dos casos, seria mínima.
Repetindo: homens negros, homens com sintomas do câncer e homens com parentes que têm ou tiveram esse câncer devem ser testados de maneira sistemática. 
O teste de PSA continuará a ser coberto pelo seguro médico público chamado Medicare.
O problema deriva do número de falsos positivos e falsos negativos. As margens de erro que antes eram consideradas aceitáveis, hoje não o são. Testes que reduzam o erro e que permitam separar quem tem alta chance de morrer do câncer dos demais homens resolveriam o problema. Não se trata mais de um teste que indique quem tem o câncer: o PSA em conjunção com o toque retal faz isso com margem aceitável de erro. Porém, a descoberta de que muitos pacientes não morreriam do câncer sem qualquer tratamento requer outro poder, o de separar os casos perigosos dos que podem ser simplesmente acompanhados. Trata-se de isolar os cânceres perigosos, que podem matar o paciente. Há muitas células que podem produzir o câncer da próstata, o que leva a muitos tipos diferentes, alguns letais e muitos indolentes, que crescem devagar e só matariam se os pacientes vivessem bem mais de cem anos. 
Não obstante, um em cada seis homens americanos terá esse câncer. E este câncer, por ser tão comum, é o segundo que mais mata, atrás apenas do câncer do pulmão. Duas pesquisas, uma na Europa e outra nos Estados Unidos chegaram à conclusão de que cinco em cada mil homens morrem deste câncer no prazo de dez anos. Minha crítica a esse raciocínio é que estamos vivendo mais e a taxa nunca chega a zero: ao contrário, parece aumentar depois de quinze ou vinte anos do diagnóstico. A pesquisa europeia concluiu que os testes sistemáticos, rotineiros, salvariam um desses cinco homens.     
O argumento contra se baseia nos erros e efeitos colaterais dos tratamentos. Dois de cada mil homens testados morrerão de um ataque do coração ou de um derrame provocado pelo tratamento, particularmente o hormonal. Além disso, 30 a 40 ficarão temporária ou permanentemente impotentes ou incontinentes em função do tratamento. De cada três mil, um morrerá de complicações durante a cirurgia. 
O debate continua…

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ

NOVO MEDICAMENTO SERÁ TESTADO CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Há algum tempo houve esperança entre pacientes, amigos e familiares com os testes de uma nova droga contra o câncer da próstata chamada Capesaris. Capesaris estava sendo testada pela GTx como uma droga para o tratamento primário deste câncer. O teste foi parado porque havia um número inaceitável de pessoas com efeitos colaterais – embolias e semelhantes.
Agora a GTx anunciou que testará o medicamento em doses mais baixas – como tratamento de segunda linha, quando o tratamento anti(hormonal) não está mais parando o câncer. Essa retomada está prevista para o terceiro trimestre deste ano. A previsão é de que testarão três doses e usarão 75 pacientes, creio que 25 para cada dose. 
Testes anteriores estavam dando certo, mas os efeitos colaterais foram considerados inaceitáveis. Doses mais baixas devem minorar os efeitos colaterais, mas isso precisa ser demonstrado. Além disso, resta saber se em doses menores e – oxalá! – seguras, o medicamento ainda surte efeito sobre o câncer. 
Os investidores americanos e seus consultores parecem crer que sim: as ações da GTx subiram no mercado no dia em que o novo teste foi anunciado.
GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ