Câncer avançado: terapias combinadas?

Nicholas J. Vogelzang, em artigo recente, trata de casos de câncer da próstata que são diagnosticados quando o câncer já está adiantado, apresentado metástases. Segundo Vogelzang, esses casos correspondem a 3% do total de diagnosticados nos Estados Unidos. Desde a revolução do PSA foi possível identificar canceres assintomáticos e começar tratamentos meses, até mesmo anos, antes do primeiro sintoma percebido como tal pelo paciente.

Até poucos anos atrás, esses pacientes adiantados recebiam tratamento hormonal. A químio só começava quando o tratamento hormonal já não impedia o avanço do câncer.

As coisas começaram a mudar com uma pesquisa chamada CHAARTED (E3805) que mostrou que a sobrevivência total (incluído todas as causas de morte) podia ser aumentada de 13,6 meses, na mediana, se a químio (docetaxel) fosse adicionada ao tratamento hormonal (ADT).

Voskoboynik e outros pesquisadores lembram que um ganho de dois ou três meses na sobrevivência era considerado o bastante para mudar de um tratamento padrão para outro.

Agora é diferente, melhor. Há mais opções e os ganhos são maiores.

Outra pesquisa, chamada STAMPEDE, demonstrou um ganho de 15 meses na sobrevivência de vida (incluindo todas as causas de morte) se homens que ainda respondiam ao tratamento hormonal recebessem também docetaxel (químio).

Claro, uma das preocupações de médicos e pacientes informados era com os efeitos colaterais dos dois medicamentos.

Este ano, na reunião anual da ASCO, foram apresentados mais dados da pesquisa/experimento chamada LATITUDE, que mostraram que o ADT MAIS acetato de abiraterona, (nome comercial Zytiga), medicamento mais recente, parecia dar melhores resultados do que a combinação ADT+Docetaxel. Reduzia o risco de morte em 37% e cortava pela metade o risco de complicações serias nos ossos. Muito importante, aumentava bastante o tempo até o novo avanço do câncer. Isso no caso de pacientes recém-diagnosticados com canceres locais avançados ou já com metástases.

A abiraterona não está sozinha nesse espaço terapêutico. Ela tem competidoras como a enzalutamida, (nome comercial Xtandi), cujos fabricantes não ficaram atrás e já apresentaram dados mostrando que o tratamento combinado ADT+Xtandi também produz benefícios consideráveis.

São boas notícias e muitos médicos já estão mudando suas recomendações.

Converse com seu oncologista. Lembre-se de que esse é um site de/por/para pacientes e nada mais. Não tome nenhuma decisão sem consultar pessoalmente o seu médico.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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Nova “vacina” contra o câncer da próstata

Uma nova pequena pesquisa reacende a esperança de aumentar o arsenal à nossa disposição para enfrentar o câncer da próstata. Porém, não será em breve.

É uma “vacina” nova. Visa fortalecer e direcionar melhor a resposta do nosso sistema imune contra as células cancerosas.

A vacina conteve o avanço do tumor em 77% dos pacientes (três em cada quatro). Do total, 45% tiveram uma redução do tumor.

Porém, a amostra é muito pequena: 22 pacientes.

No fim do experimento, 17 dos 22 pacientes conseguiram estabilizar o câncer. Três em quatro, repetindo.

Muitos medicamentos são propostos, um número menor chega a ser testado e um número bem menor é aprovado e chega ao mercado, e quando chega, uma década ou mais se passou.

Beneficiará outros companheiros. É o que esperamos.

Gláucio Soares

IESP-UERJ

Terapia Hormonal e Osteoporose

Uma pesquisa modesta, feita na Espanha, traz algum alento aos que fazem terapia hormonal: Ojeda e colaboradores descobriram que é modesta a perda de massa óssea e relativamente baixo o risco de fraturas.

Examinaram 150 pacientes com a idade média de 67 anos e cujas terapias duraram, na média, 24 meses. Coletaram dados demográficos e examinaram a densidade mineral óssea e fraturas clinicas antes da terapia e até um ano após a terapia.

Antes do tratamento, 41% dos pacientes já tinham osteoporose ou massa óssea insuficiente.

Um ano depois de iniciado o tratamento, a densidade mineral óssea diminuiu 3,7% na espinha lombar e 2,1% no pescoço do fêmur.

Porém – e essa é a boa notícia – durante o segundo e o terceiro ano a taxa de perda foi menor. No total, somente 2,7% dos pacientes sofreram uma fratura. Os pesquisadores entrevistaram, telefonicamente, oitenta pacientes numa etapa seguinte da pesquisa e somente um paciente teve algum tipo de fratura. Não sei qual a incidência de fraturas entre não pacientes da mesma idade, mas é em comparação com idosos da mesma idade que não fazem terapia hormonal que esses dados devem ser avaliados.

Bem melhor do que eu pensava….

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

Saiba mais:  Ojeda S., Lloret M., Naranjo A., Déniz F., Chesa N., Domínguez C. e Lara P.C., Androgen deprivation in prostate cancer and the long-term risk of fracture, em Actas Urol Esp. 2017 Mar 1. pii: S0210-4806(17)30012-8. doi: 10.1016/j.acuro.2017.01.005.

A terapia hormonal melhora os resultados depois da radioterapia

Em um em cada três pacientes tratados com cirurgia para o câncer da próstata o câncer volta de maneira detectável. A detecção usualmente é feita com o exame de PSA. Alguns médicos aguardam antes de recomendar um segundo tratamento, a radiação. Tomam essa decisão ou não, dependendo da velocidade com que o PSA cresce (a velocidade do PSA e o tempo que leva para dobrar são os indicadores tradicionais) e outros fatores, como o escore Gleason. Outros médicos jogam no mais seguro e recomendam a radioterapia, ponto.

A despeito dessa segunda linha de combate (a radioterapia), o câncer reaparece em vários pacientes (é o meu caso) e progride a uma velocidade que varia muito de paciente para paciente. Dependendo da agressividade, o câncer pode progredir até a metástase (nesse câncer, três em quatro são nos ossos, o que, usualmente, é muito doloroso) e, finalmente, alguns pacientes morrem devido ao câncer.

A pergunta que muitos se faziam é se era possível melhorar os resultados da segunda linha de combate. Uma pesquisa publicada recentemente no New England Journal of Medicine mostra que sim.

Examinaram 760 pacientes que haviam feito a cirurgia e o câncer reapareceu. Todos receberam a radiação. Metade deles recebeu, também, um tratamento hormonal, com a bicalutamida (Casodex), nos dois anos seguintes. A outra metade representa o tradicional grupo controle.

Não é um medicamento recente: foi patenteado em 1982 e aprovado para uso médico em 1995. Tem menos efeitos colaterais do que outros medicamentos hormonais e, atualmente, é um dos mais baratos. O preço das doses nos Estados Unidos é cerca de dez dólares por mês. Há outros que custam mais de mil dólares ou mais por injeção depósito de seis meses.

Quais foram os resultados?

Houve diferenças entre os dois grupos?

Houve. Doze anos depois da radiação, três em cada vinte dos pacientes que receberam o tratamento hormonal tiveram metástases, em comparação com cinco em cada vinte dos que estavam no grupo controle.

E a sobrevivência?

Também houve diferenças no que concerne a sobrevivência: 76,3% dos pacientes do grupo que tomou bicalutamida continuavam vivos, cinco por cento a mais do que os que não tomaram (71,3% estavam vivos).

Não são diferenças gigantescas, mas, para muitos, toda melhoria, ainda que pequena, conta…

Comunique os resultados dessa pesquisa a pacientes de câncer da próstata e/ou seus familiares e amigos para que a discuta com seu médico. Pode ajudá-los.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

TRATAMENTO CONTRA A MALÁRIA AJUDA A COMBATER O CÂNCER DA PRÓSTATA?

Experimentos que estão em fase inicial, ainda com camundongos, sugerem que um medicamento comumente usado para tratar a malária talvez seja útil no tratamento do câncer da próstata. É uma esperança para pacientes iniciais porque experimentos em fase inicial usualmente requerem muitos anos até estarem disponíveis para tratamento. E poucos chegam até lá…

O medicamento tem um componente chamado Ailanthone (AIL) que torpedeia o suprimento de hormônios masculinos que alimentam o câncer da próstata. Faz algo parecido com outros tratamentos em uso, bloqueia os receptores. Porém, mais cedo ou mais tarde, o câncer da próstata desenvolve resistência a esse tratamento e volta a avançar mesmo com o tratamento.

É mais uma esperança, mas falta muito, inclusive saber se funciona melhor do que os tratamentos já existentes ou se tem menos efeitos colaterais ou, ainda, se seus efeitos adicionam sobrevivência aos pacientes que usam os tratamentos que existem agora.

É torcer pelo futuro.

GLÁUCIO SOARES

TERAPIA HORMONAL E DEMÊNCIA

Uma notícia adiciona mais uma preocupação às dezenas já codificadas pelos pacientes de câncer da próstata que se tratam com o tratamento hormonal (Androgen deprivation therapy – ADT) acaba de ser publicada na revista JAMA Oncology.

Do lado muito positivo, a terapia hormonal aplicada às pessoas certas no momento certo aumenta consideravelmente a sobrevivência. Mas traz consigo um elenco indesejável de efeitos colaterais (o que eu mais sinto é a fadiga que às vezes parece exaustão e que me impede de fazer muitas coisas).

Como chegaram a essa conclusão?

Analisaram dados relativos a 9.272 homens com câncer da próstata tratados em um centro universitário de 1994 a 2013. Quando foram diagnosticados não tinham nenhum sinal de demência. Os que tinham, não foram incluídos no estudo. Desses 9.272, 1.826 receberam algum tipo de tratamento hormonal como parte do combate ao câncer.

Acompanharam esses pacientes, na mediana, durante 3,4 anos, período durante o qual 314 foram diagnosticados com demência. Lembrem que essa é uma população onde predominam os idosos e que a taxa de demência, incluindo Alzheimer, aumenta rapidamente com a velhice.

Não obstante, tanto os que receberam o tratamento hormonal, quanto os que não o receberam, eram, predominantemente idosos.

Os pesquisadores compararam os dois grupos e descobriram uma associação estatisticamente significativa entre o uso de ADT e o risco de demência. A razão de risco era de 2,17 P < 0,001). Ou seja, mais do dobro.

A mediana do tempo até o diagnóstico foi de quatro anos (mediana: metade antes de quatro anos; metade depois).

Podemos e devemos perguntar: OK, um risco é maior do que o outro, mas qual o risco? Entre os que usaram ADT, o risco era de 7,9%; entre os que não usaram, o risco era menor: 3,5%.

Isso significa que, entre os que fizeram o tratamento hormonal, um em cada treze desenvolveu a demência no prazo de cinco anos.

Ainda não se sabe muito sobre demência e Alzheimer, mas o conhecimento cresce rapidamente e já permite saber que é possível postergar o início desses males e reduzir a sua gravidade.

Xxxx

A evidência sugere que o tratamento hormonal aumenta o risco de demência e de Alzheimer, mas é, mais uma vez, um caso de contrapor efeitos colaterais e benefícios.

GLÁUCIO SOARES     IESP-UERJ

Nova vacina contra o câncer da próstata

Uma empresa, a Madison Vaccines Incorporated (MVI), apresentou os primeiros resultados de uma vacina experimental, chamada MVI-816, em combinação com pembrolizumab. Usado sozinho, esse último medicamento tem dado bons resultados com vários tipos de câncer, mas não com o da próstata. Agora está sendo usado junto com a vacina. O que ele faz é deixar as células cancerosas com menos defesas contra o sistema imune.

Quais foram esses resultados preliminares? Declínio no nível do PSA, o marcador mais usado para este câncer, regressão observável do tumor em alguns pacientes, aumento nas células T que atacam o câncer. Não houve efeitos colaterais graves.

Na minha leitura, mais uma esperança.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ