A TRAJETÓRIA DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO EM CINCO IDIOMAS: ASCENSÃO RÁPIDA E QUEDA LENTA

O que virá após a crise política? Possivelmente o modelo econômico mais adequado para o Brasil voltará à pauta. A discussão não será só política, no Congresso, nos partidos: será acadêmica também. Com o intuito de informar qual foi a trajetória de alguns dos conceitos centrais das teorias que, subjacentes às políticas, se enfrentam no mundo acadêmico, coletei informações sobre seu uso, crescimento e desuso nos livros, nos milhões de livros que foram xerocados pela Google, publicando os resultados na coluna “Pesquisando”, disponível na revista Em Debate clicando em

http://opiniaopublica.ufmg.br/…/…/edicao/5-pesquisando13.pdf

 

Agradeço aos que quiserem dar a mim a honra de uma leitura.

Vidas desiguais, mortes desiguais

Durante os “bons anos” pós Estatuto e durante a era Beltrame houve uma redução na taxa de mortes por homicídios no Estado do Rio de Janeiro tanto entre brancos quanto entre negros. Se quiserem dar-nos a honra de uma leitura, Sandra Andrade e eu analisamos séries temporais que mostram que persistiram diferenças absolutas entre a vitimização dos negros e a dos brancos. O artigo se chama “Vidas Desiguais, Mortes Desiguais” e está disponível em

opiniaopublica.ufmg.br

http://opiniaopublica.ufmg.br/site/files/artigo/7-vidas-glaucio1.pdf

Triste segunda feira

Triste segunda feira

Ler o artigo de Ligia Bahia n’O GLOBO de hoje, segunda feira, 8 de maio de 2017, em outras circunstâncias, provocaria um sorriso, uma alegria. Afinal, é um artigo que mostra o quanto uma autora pode fazer nas poucas linhas disponíveis para quem escreve para a seção de Opinião. Um artigo escrito por uma doutora em Saúde Pública que pode ser compreendido pelo leitor comum; um artigo que trata de tema relevante para o país. Um excelente artigo.

A relevância e o conteúdo do tema, que recomendam a autora, entristecem o leitor. Mostram que o governo Temer está disposto a sacrificar a saúde dos brasileiros para aumentar a probabilidade de aprovar as mudanças econômicas que muitos julgam indispensáveis para que o país saia do fundo do poço.

O artigo de Ligia Bahia vai além de suas palavras: provoca reflexões nos leitores, que enchem a cidadania de apreensões e tristezas.

A cultura política corrupta e apodrecida, da qual Temer é parte e símbolo, cobra muito caro a sua anuência. O preço pago por Temer pelos votos de apoio de um partido mediano é a exclusão da competência do Ministério da Saúde. Não esqueçamos que um ministro não é, apenas, UM ministro. Cada ministro deste tipo traz consigo toda uma velharia incompetente e carcomida que ocupa cargos onde decisões importantes são tomadas. Decisões que afetam milhões de brasileiros, das quais a formação, a informação atualizada e a competência foram excluídas. Decisões que variam com os ventos do mercado político, de votos e apoios e não com a necessidade da população.

E mais brasileiros adoecem e não são tratados.

Muitos, demasiados, morrem.

Triste segunda feira.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Um choque no coração que não aconteceu

Na terça feira, tinha que fazer uma cardioversão, um procedimento hospitalar que hoje é para outpatients. Chegas, te examinam, te espetam, te ligam a diversos aparelhos, te anestesiam, te dão um choque elétrico, esperam que acordes meio bobo e, se tudo estiver bem, alguém te leva para casa. É um procedimento que já fiz, há uns vinte anos.

Dormi pouco, até as duas, pensando em coisas práticas. Acordei e peguei uma carona com uma das senhoras que me acolheram durante uns dias, fiz a burocracia do check in, fui para o pré-operatório, me espetaram, coletaram sangue e me ligaram a monitores. Pressão alta. Perguntei se eu estava fibrilando, responderam que sim, perguntei se era a-fib ou a-flutter; responderam “os dois”.

Aparece uma senhora, de um grupo chamado Angels of Mercy, da igreja católica na qual fui à missa no domingo anterior, mobilizada pelo Padre Gillespie e outros amigos da igreja. Era enfermeira aposentada. Ficamos conversando, enquanto eu esperava ….fibrilando… para ir à sala de operações. Com fibrilação, a respiração fica difícil, o cansaço é claro e a visão um pouco turva.

Um intervalo nas preparações, e ela me perguntou se eu não gostaria de rezar. Rezamos um Pai Nosso, uma Ave Maria, e um Glória.

Me levaram para a sala de operações. Me deram oxigênio e começaram a injetar o anestésico. Colocaram os monitores em funcionamento. Alguém olhou para os monitores e disse: “ele está com o sinus normal”. Esperaram uns minutos e começaram a retirar tudo. E me mandaram para casa. O procedimento que não aconteceu, a cardioversão através de um choque no coração, era para restaurar o sinus normal…

Fui tomar um brunch. Era depois das onze. À tarde aproveitei para andar vinte minutos no Westside Park, onde corri (e depois andei) durante tantos anos.

No dia seguinte, entrei no Kia emprestado pelo meu amigo,o Pastor Earl Lawson e dirigi duas horas e pouco até Lake Mary. Com mais energia, com visão clara e pensamento lúcido – como não tinha há vários anos.

E agora?

Vai saber…

Terapia Hormonal e Osteoporose

Uma pesquisa modesta, feita na Espanha, traz algum alento aos que fazem terapia hormonal: Ojeda e colaboradores descobriram que é modesta a perda de massa óssea e relativamente baixo o risco de fraturas.

Examinaram 150 pacientes com a idade média de 67 anos e cujas terapias duraram, na média, 24 meses. Coletaram dados demográficos e examinaram a densidade mineral óssea e fraturas clinicas antes da terapia e até um ano após a terapia.

Antes do tratamento, 41% dos pacientes já tinham osteoporose ou massa óssea insuficiente.

Um ano depois de iniciado o tratamento, a densidade mineral óssea diminuiu 3,7% na espinha lombar e 2,1% no pescoço do fêmur.

Porém – e essa é a boa notícia – durante o segundo e o terceiro ano a taxa de perda foi menor. No total, somente 2,7% dos pacientes sofreram uma fratura. Os pesquisadores entrevistaram, telefonicamente, oitenta pacientes numa etapa seguinte da pesquisa e somente um paciente teve algum tipo de fratura. Não sei qual a incidência de fraturas entre não pacientes da mesma idade, mas é em comparação com idosos da mesma idade que não fazem terapia hormonal que esses dados devem ser avaliados.

Bem melhor do que eu pensava….

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

Saiba mais:  Ojeda S., Lloret M., Naranjo A., Déniz F., Chesa N., Domínguez C. e Lara P.C., Androgen deprivation in prostate cancer and the long-term risk of fracture, em Actas Urol Esp. 2017 Mar 1. pii: S0210-4806(17)30012-8. doi: 10.1016/j.acuro.2017.01.005.

UMA CAMPANHA CONTRA O FUMO

Em 2014 foi iniciada uma campanha de esclarecimento, conscientização e prevenção a respeito dos danos causados pelo fumo chamada Tips. Boa parte da campanha se baseou em relatos de fumantes e antigos fumantes. Os organizadores estimam que, devido à campanha, nada menos do que 1,83 milhões de fumantes tentaram deixar o vício, um número substancial, mas apenas 104 mil conseguiram abandoná-lo definitivamente.

Eu aprendi três coisas com esses resultados:

1. É muito difícil abandonar o vício: menos de seis por cento conseguiram como resultado dessa campanha;

2. Não obstante, os resultados valeram o esforço da campanha: mais de cem mil deixaram. Muitas, muitas vidas foram salvas.

3. Essas estimativas são frágeis porque não sabemos quantos deixariam de fumar sem a campanha.

Dados epidemiológicos estimam que quase meio milhão de americanos morrem anualmente devido às consequências, diretas e indiretas, do fumo.

Pior: para cada um que morre, há trinta vivendo com sérios problemas e restrições. Vidas encolhidas, irremediavelmente comprometidas.

Seria bom se, na vida de cada um, essa luta começasse mais cedo. Lembro-me de Yul Brinner, ainda relativamente jovem, no leito de morte, respondendo à pergunta (se me lembro bem…): “há algo que queira dizer?”

Respondeu: “don’t smoke”. Não fumem.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

MORRER DE INDIGNAÇÃO

Li que um padre morreu vítima da própria indignação contra a usura. Isso aconteceu durante um sermão em 20 de março de 1286, em Sena. Se chamava Ambrósio de Sansedoni. Morreu em pleno sermão, de indignação.

Penso quantos de nós adoecem vitimados pela sensação de impotência e indignação de estarmos à mercê de um estamento político que coloca o amor pelo dinheiro e pelo poder acima, muito acima dos interesses e da vida da cidadania, da sua vida e da minha vida.

Eleitos para servir ao povo, se servem do povo para servir a si mesmos.

Há, dentro de cada um de nós, um Ambrósio de Sansedoni.

Gláucio Soares IESP/UERJ