Quanto avançamos depois do teste de PSA?

Nossas melhorias foram várias, mas pequenas: três meses a mais de vida com esse medicamento, cinco com aquele, etc. E não é tão simples como somar os benefícios e concluir que adicionamos vários anos à sobrevivência mediana.

Não obstante, se olharmos a evolução hoje em relação a que existia antes do uso generalizado do PSA, vemos que a sobrevivência hoje é ao redor de 97% dez anos depois do diagnóstico; quando eu fui diagnosticado, a meados da década de noventa, a percentagem semelhante era 50%.
Ser diagnosticado mais cedo na evolução da doença tem salvado muitas vidas e somado muitos, muitos anos de vida à maioria.
É preciso melhorar os testes, mas não podemos abolir o de PSA enquanto outros, muito melhores, não o substituírem.
GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ

Anúncios

Quanto custa a hegemonia militar?

A hegemonia militar tem preço. Não sai barato. Os Estados Unidos gastaram, em 2010, 698 bilhões de dólares com os militares, a preços constantes de 2009.

Isso é muito ou pouco? O leitor pode responder a essa pergunta, de posse de alguns dados. Quem levanta, confere e organiza esses dados? Várias agências, mas talvez a mais confiável seja a SIPRI, localizada em Estocolmo. De acordo com o SIPRI, o segundo colocado nos gastos é a China, com 114 bilhões. Ou seja, menos de seis vezes. Mesmo assim, a China também gasta muito, em cifras absolutas: aproximadamente o dobro da França, o terceiro país mais gastador, exatamente o dobro do Reino Unido e mais do dobro da Rússia, outrora parte central da poderosa, ameaçadora e, comparativamente, pobre União Soviética.

Depois dos Estados Unidos, os dez países que mais gastam, em termos absolutos (sempre em dólares constantes de 2009), são a China, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Japão, a Alemanha, a Itália, a Arábia Saudita, a Índia e…o nosso Brasil. Gastamos mais do que a Coréia do Sul, o Canadá, a Espanha…

Pois bem, esses dez países (inclusive a China), somados, representam 523 bilhões de dólares, menos do que os Estados Unidos. Gastam 75% do que os Estados Unidos gastam. 

Como se paga a hegemonia militar? Todos os anos ela custa quase 5% do PIB. Noutros países desenvolvidos ela pesa menos: de 1% no Japão a 2,7% no Reino Unido.

Ela se paga, parcialmente, aumentando a dívida pública e, também parcialmente, reduzindo outros gastos, alguns considerados mais importantes. Mas isso tem custos.

Dia 5, o crédito do governo dos Estados Unidos baixou, pela primeira vez na história, de AAA para AA+. É um sistema usado pela Standard & Poor’s e a baixa não quer dizer que os Estados Unidos não pagarão suas dívidas. Em parte o problema é político, porque a rolagem, que era quase automática, só foi aprovada na última hora, numa jogada claramente política. Mas o problema existe.

A dívida pública não nasceu com Obama; ela aumentou nas guerras mundiais e foi gradualmente reduzida depois. Como percentagem do PIB, a dívida cresceu aceleradamente nas décadas de 80 e 90: triplicou entre 1980 e 1990. A Guerra Fria foi um das causas. Diminuiu quando ela terminou e voltou a crescer. Em 2008, a dívida pública tinha chegado a US $ 10, 3trilhões, ou dez vezes o nível de 1980. O crescimento da dívida fez com que um teto fosse aprovado, mas passou a ser mudado de acordo com as conveniências – todos os anos e sem problemas. Esse ano foi negociado e renegociado, com intenções que, para mim, são claramente eleitoreiras.

Há outros custos, no meu entender, muito maiores, medidos em anos de vida perdidos e em sofrimento.

O NIH é, de longe, a maior financiadora de pesquisas na área da saúde. Podemos ler no site do NIH: “o NIH investe… US $32,2 bilhões anualmente na pesquisa médica para o povo americano.” Menos de sete por cento do que gastam anualmente com as Forças Armadas.

A sobrevivência tem aumentado gradualmente


Tomemos o câncer, o segundo maior assassino da população americana, como exemplo: nos Estados Unidos, o National Cancer Institute (NCI), parte dos National Institutes of Health and the Department of Health and Human Services coordena muitas pesquisas sobre o câncer e uma das instituições que, no setor público, financiam pesquisas sobre o câncer.

O NCI gasta pouco menos de cinco bilhões por ano com pesquisas sobre o câncer, ou 0,7% dos gastos militares. Isso significa que os gastos militares de um ano equivalem aos gastos com pesquisas sobre câncer do NCI durante 170 anos. O orçamento anual do NCI é da mesma ordem de grandeza da construção de um porta-aviões, o Ronald Reagan.
Nos Estados Unidos, aproximadamente mil e quinhentas pessoas morrem de câncer todos os dias; por ano são perto de 570 mil pessoas – mais de meio milhão. Em toda a guerra do Iraque até o dia 18 de julho recente, morreram em combate 3.529 soldados americanos. O equivalente a pouco mais de dois dias do número de mortes de cancerosos nos Estados Unidos, onde uma em cada quatro pessoas deverá morrer de câncer.

Pesquisa e tratamento ajudam! Em 1975/77, de cada cem pessoas diagnosticadas com câncer, cinqüenta estavam vivas cinco anos mais tarde; mas entre os diagnosticados entre 1998 e 2005, 68% estavam vivos cinco anos depois. Um ganho de 13% em um quarto de século. Milhões de vidas. Quantos sobreviveriam se houvesse um corte de dez por cento nos gastos militares, e esses recursos (quase 70 bilhões de dólares anuais) fossem transferidos para a pesquisa, prevenção e tratamento do câncer? Afinal, estaríamos gastando quatorze vezes mais, todos os anos. O meu chute: em dez anos, vários cânceres estariam na categoria de doenças crônicas e muitos outros teriam uma cura bem mais fácil do que agora. Milhões de vidas americanas seriam salvas em uma década. É, ser potência custa caro! Em vidas humanas também.



GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Aspirina contra o câncer da próstata

Um interessante comentário do Fox Chase Cancer Center, uma instituição de referência mundial, mostra a relevância da aspirina para o câncer da próstata. Começa afirmando que muitos estudos demonstraram que o uso sistemático de pequenas doses diárias de aspirina reduzem a “volta do PSA”, o fracasso bioquímico. Agora, uma pesquisa com Mark Buyyounouski à cabeça, examinou o que aconteceu com dois mil pacientes que fizeram radioterapia no Fox Chase entre 1989 e 2006, descobrindo que os que usaram aspirina tinham um risco mais baixo de que o câncer voltasse. Entre os 761 que tomaram regularmente aspirina um número menor apresentou o fracasso bioquímico, a “volta” do PSA em relação aos 1380 que não tomaram aspirina. Dez anos depois da radioterapia 31% dos que tomaram aspirina tiveram o fracasso bioquímico, menos do que os 39% dos que não usaram aspirina. A diferença parece pequena, mas é estatisticamente significante (p: 0,0005). Se os que não tomaram tivessem tomado, 110 pacientes não teriam experimentado a desagradável volta do PSA, pelo menos até aquela data.

Há outros benefícios, cruciais: aos dez anos, 2% de mortes a menos devidas ao câncer. Vinte e oito vidas salvas até dez anos. Como muitas das mortes por este câncer ocorrem depois de dez anos, o período de observação tem que ser ampliado.

Como pequenas doses de aspirina também reduzem a chance de problemas cardio-vasculares, muitos a consideram um medicamento desejável, de baixo custo e pequenos efeitos positivos em muitas áreas da saúde.

Para falar com as pessoas associadas com essa pesquisa e com a própria instituição, telefonar para Diana Quattrone
Diana.Quattrone@fccc.edu     1-215-728-7784 begin_of_the_skype_highlighting            1-215-728-7784      end_of_the_skype_highlighting
ou, institucionalmente, com

1-888-FOX-CHASE begin_of_the_skype_highlighting            1-888-FOX-CHASE      end_of_the_skype_highlighting ou –1-888-369-2427 begin_of_the_skype_highlighting            1-888-369-2427      end_of_the_skype_highlighting

GLÁUCIO SOARES, com base em informações divulgadas pela própria instituição.

O que significam as extensões da vida e a cura do câncer

Quando lemos, por exemplo, que a abiraterona aumenta em oito meses – na mediana (lembrar que mediana divide os pacientes em duas metades iguais, os que viveriam menos e os que viveriam mais), com freqüência esquecemos que estamos comparando com o que viveriam os pacientes com câncer, mas sem abiraterona. Não estamos comparando a expectativa de vida dos pacientes se fossem homens sem este câncer.

Saber isso, tem, pelo menos, duas conseqüências:

  • A importância da cura reside nessa diferença;
  • A importância da cura será maior quanto mais jovem for o paciente.

Um homem brasileiro de 65 anos tem uma esperança estatística de vida de 16,2 anos, ou 194,4 meses. Esse tempo diminui com a idade.

IDADE

ANOS POR VIVER

MESES POR VIVER

AUMENTO DE OITO MESES

SOBRE O TOTAL

65

16,2

194,4

4%

70

13,3

159,6

5%

75

10,9

130,8

6%

79

9,3

111,6

7%

80 E MAIS

8,9

Em relação ao que viveriam os pacientes sem o tratamento, o efeito do novo medicamento (seja a terapia hormonal, a quimioterapia, ou a abiraterona) representa uma importante contribuição porque a esperança de vida sem ele é muito pequena. Oito meses de vida a mais para quem só tem 20 para viver, significa um aumento de 40%! Porém, os mesmos oito meses numa pessoa normal, sem câncer, de 65 anos somente significam 4% da esperança de vida naquele momento. Essa percentagem aumenta um pouco com a idade porque a esperança de vida diminui.

A importância da cura, fora os importantes ganhos em paz, tranqüilidade, redução do estresse e do medo, é o salto no tempo de vida, na esperança de vida.

Uma parte importante dos recursos na luta contra o câncer da próstata deve ser orientada para a cura ou, pelo menos, para transformá-lo, a exemplo do HIV, numa doença crônica com a qual muitos vivem, mas da qual poucos morrem. Essa é a lógica desse remanejamento.

Gláucio Soares


O câncer de próstata também mata homens jovens e famosos

O câncer de próstata também mata homens jovens e famosos. Em 2004, o cantor e compositor Dan Fogelberg descobriu que tinha um câncer muito avançado, já com metástase. Em tempos passados, ou se fosse pessoa sem recursos, teria falecido pouco tempo após o diagnóstico. Com acesso a recursos modernos resistiu 3 anos.
A própria experiência levou-o a um certo ativismo, sugerindo que todos homens de 50 ou mais façam os testes de câncer de próstata. É provável que vocês conheçam a pessoa e/ou algumas das músicas. Vejam o site pessoal:
http://www.danfogelberg.com/

Powered by ScribeFire.