Bons resultados da prostatectomia cinco anos depois

Um trabalho apresentado no congresso da American Urological Association (AUA) dá novo alento aos que fizeram prostatectomia. As técnicas evoluíram muito nos últimos quinze ou vinte anos, com claros resultados. O seu problema, meu leitor, consiste em saber se o seu cirurgião e o seu hospital acompanharam essa evolução ou se ainda usam técnicas e recursos ultrapassados. Se ele não lê Inglês, não acompanha a evolução da profissão pela internet e não vai a conferências internacionais, na minha opinião, está na hora de trocar. Talvez você tenha que viajar, provavelmente custará mais, mas o que este em jogo é a sua vida, a sua continência e a sua potência.

Elie Antebi, da University of Miami Miller School of Medicine, informou que 60% dos operados não apresentavam indicadores de que não estavam curados cinco anos depois da cirurgia.

Pesquisaram 831 pacientes: depois de 5 anos, 61% não tinham indicações de que o câncer havia voltado, não tinham incontinência e não tinham impotência.

A equipe definiu a volta do cancer, a demonstração de que não estava curado, à volta do PSA a um nível <=0.2 ng/mL. Incontinentes eram todos os que necessitavam de toalhinhas ou cuecas especiais e impotentes os que não conseguiam fazer sexo com ou sem remédios.

Na média os pacientes tinham quase sessenta anos, 68% tinham um escore Gleason igual ou menor do que seis, um em quatro tinha um escore de sete e 6% um escore igual ou maior do que oito. Não eram pacientes avançados, no seu conjunto: 85% tinham um estágio clínico igual ou melhor do que T2a. Pouco mais da metade eram de baixo risco. Na cirurgia, o nível médio do PSA era de 6,9 ng/mL.

A técnica mais avançada se verifica na percentagem que usou algum tipo de preservação de nervos (para manter a potência): 64%.

Cinco anos depois a resposta dos pacientes estava associada ao seu risco: 65% dos de baixo risco continuavam sem sintomas, sem incontinência e sem impotência; 57% dos com risco intermediário estavam nessa situação favorável e metade dos pacientes com alto risco também estavam bem. O risco fazia uma diferença, mas não era uma diferença muito grande, e metade dos de alto risco estavam bem em todos os sentidos. As características associadas aos melhores resultados eram: menor idade, usar técnicas avançadas de preservação dos nervos, ter um baixo peso da próstata, um escore Gleason favorável e estar num estágio patológico menos perigoso.


Palestra sobre a cirurgia do câncer da próstata pela internet

Está disponível pela internet uma palestra acompanhada de slides Powerpoint de Peter Scardino, um dos expoentes na área do câncer da próstata. Está em Inglês, mas vale a pena o esforço…Clique em

http://www.urotoday.com/media/presentations/auany2009/scardino_long_term_outcomes_11_10_2009/player.html

 

Carta sobre sexualidade dos pacientes

Oi Gláucio,
primeiramente parabéns pelo seu trabalho de estudo e conforto aos pacientes com
CA.
Gostaria de um esclarecimento:
Pacientes que realizaram cirurgia de próstata radical (1 ano) sentem algum prazer se estimulados? tem desejo sexual (mesmo não tendo ereção)?

Conseguem ter orgasmo?

Grata

Luciana

Oi, Luciana:

durante um tempo literalmente dói toda e qualquer pressão no abdômen. Por isso, é preciso cuidado. A partir de certo tempo problema é a cuca, ter vergonha, achar que não pode, não consegue etc. Normalmente, os nervos da sensibilidade não são afetados, mas o orgasmo muda porque a parte mais explosiva dele é quando o esperma passa pelas partes mais sensíveis. Passa a ser diferente, mas certamente ainda é orgasmo. Sentem prazer, a menos que não se permitam e “segurem” o orgasmo; sentem tesão, têm desejo e muito mais. É importante separar o que é decorrência da prostatectomia ou da radiação e o que é decorrência do envelhecimento. Não obstante, o corpo humano tem muitas áreas erógenas, mas nem todas são usadas e rejeitamos outras por razões variáveis. Acho importante que o que fazes esteja em sincronia com o que tua religião aceita. Uma advertência necessária, particularmente se fizeres sexo oral nele e ele ainda estiver sofrendo com a incontinência, é que pode sobrar um pouco para ti. Não obstante, estuda e verás que, em pessoas que não estejam doentes, o xixi é estéril. Luciana é importante para muitos homens sentir que ainda podem dar prazer a suas companheiras; em muitos casos, nós, homens, precisamos ser educados a respeito das mulheres, do que sentem, como sentem e onde sentem.
Se me permitires colocarei tua carta e minha resposta no blog, mas mudarei o teu nome por medida de prudência.
um abraço

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