Câncer na próstata: papel da idade, do fumo, da dieta e do exercício

WebMD é uma excelente fonte de informações a respeito de doenças, medicamentos e pesquisas médicas para pessoas com pouco conhecimento na área. NÃO é um site para especialistas. É um site informativo, pedagógico e responsável.   Em um artigo recente, o articulista nos lembra da relação essencial entre idade e câncer da próstata: 80% dos diagnósticos são em pessoas com mais de 65 anos e menos de um por cento em homens com menos de 50 anos. Os cânceres em homens jovens, adolescentes e crianças são raríssimos, mas existem.

O site lembra que há fatores comportamentais que aumentam o risco deste câncer, como a dieta. Quem consome muita gordura de carne vermelha aumenta o risco. Outro fator consensual é a obesidade, que aumenta o risco. Finalmente, um terceiro fator comportamental reduz o risco: os exercícios sistemáticos.

Isso, claro, sem falar no fumo que contribui muito para aumentar o risco de muitos tipos de cânceres.

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

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Câncer da próstata: quando o tratamento falha


Há consenso entre os três especialistas que consultei a respeito de alguns itens, mas não outros.

O primeiro consenso é que quando o tratamento “primário” falha, não há mais cura, o que está longe de significar que o paciente vai morrer desse câncer. Tratamentos primários: prostatectomia, radiação, braquiterapia etc.

Esses tratamentos primários podem ser ajudados ou complementados com uma das várias formas de tratamento hormonal.

A “volta do PSA” é o indicador mais comum de que o câncer não foi curado. Usualmente, a literatura técnica se refere a ele como o fracasso bioquímico.

O tratamento seguinte mais comum é hormonal. O Dr. Charles “Snuffy” Myers insiste numa preparação para o tratamento hormonal que pode ser longa se as condições permitirem. O tratamento hormonal tem muitos efeitos colaterais e a preocupação de Myers é com alguns pacientes que já estão com níveis indesejados antes do tratamento e seus efeitos. Recebi medicamento para baixar a pressão, colesterol, todo tipo de informação para exercícios, etc. Outros acham que é pouco o que se pode fazer na maioria desses efeitos.

  • Os três começariam com Lupron, que é precedido e acompanhado por medicamentos preparatórios. O Lupron frequentemente produz inicialmente uma explosão do PSA, me informaram, que pode ser prejudicial e deve ser evitada. No Sloan Kettering a preparação começa duas semanas antes e continua durante outras duas depois da injeção;
  • Os três usariam o tratamento intermitente, estando plenamente conscientes de que há uma pequena vantagem (na sobrevivência) em começá-lo cedo, particularmente se for bem cedo, mas tentam postergá-lo ao máximo devido aos efeitos colaterais. Essa preocupação é clara da parte de meu médico no Sloan Kettering;
  • Há consenso em que os efeitos benéficos do tratamento hormonal não duram para sempre. Quanto tempo dura varia muito de pessoa para pessoa. A discordância é grande em relação ao tempo até a cessação dos benefícios. Myers diz que o período mais citado na literatura, mediana de 18 meses, é errado. Seria (felizmente para nós) bem maior. Outros autores também dizem que há casos nos que o efeito do Lupron se extende por oito, dez anos; Myers enfatiza que análises posteriores demonstram que metade dos cânceres voltam na próstata. Quem fez prostatectomia tem alguma vantagem nessa área;
  • Myers insiste em que há uma segunda e uma terceira linha de tratamento hormonal, usando outros medicamentos, como ketoconazole, que podem se usados antes da químio;
  • Todos enfatizaram a necessidade de acompanhar o tratamento hormonal com outros tratamentos. Uns, sobretudo Myers, para preparar o paciente; outros para aumentar o efeito terapêutico e todos para minorar os efeitos colaterais;
  • Há muita discordância sobre o efeito de finasteride e de dutasteride (Avodart). Myers é a favor, outros acham que reduz a expressão do PSA (à metade) e não o câncer.


 

E você? Por favor, entenda que o câncer é uma especialização que requer muito estudo por parte do médico. Clínicos gerais não dispõem, na grande maioria dos casos, desse conhecimento. O que eles não sabem podem matar você. Busque um bom oncólogo, se possível um especialista em Oncologia Urológica. Se o médico não souber ler em Inglês dificilmente estará atualizado. Busque outro. Se não houver um na sua cidade, vá aos grandes centros. Se tiver dinheiro, lembre-se de que sua vida está em risco e de que, iniciado o tratamento terá que consultar seu médico cada dois, três, quatro ou mais meses.

Além disso, informe-se. Se não souber, aprenda a ler em Inglês e a surfar a internet. Só assim você não será vítima fácil de um dos muitos pseudo-médicos que as faculdades caça-níqueis jogam no mercado.

Câncer da próstata: quando o tratamento falha


Há consenso entre os três especialistas que consultei a respeito de alguns itens, mas não outros.

O primeiro consenso é que quando o tratamento “primário” falha, não há mais cura, o que está longe de significar que o paciente vai morrer desse câncer. Tratamentos primários: prostatectomia, radiação, braquiterapia etc.

Esses tratamentos primários podem ser ajudados ou complementados com uma das várias formas de tratamento hormonal.

A “volta do PSA” é o indicador mais comum de que o câncer não foi curado. Usualmente, a literatura técnica se refere a ele como o fracasso bioquímico.

O tratamento seguinte mais comum é hormonal. O Dr. Charles “Snuffy” Myers insiste numa preparação para o tratamento hormonal que pode ser longa se as condições permitirem. O tratamento hormonal tem muitos efeitos colaterais e a preocupação de Myers é com alguns pacientes que já estão com níveis indesejados antes do tratamento e seus efeitos. Recebi medicamento para baixar a pressão, colesterol, todo tipo de informação para exercícios, etc. Outros acham que é pouco o que se pode fazer na maioria desses efeitos.

  • Os três começariam com Lupron, que é precedido e acompanhado por medicamentos preparatórios. O Lupron frequentemente produz inicialmente uma explosão do PSA, me informaram, que pode ser prejudicial e deve ser evitada. No Sloan Kettering a preparação começa duas semanas antes e continua durante outras duas depois da injeção;
  • Os três usariam o tratamento intermitente, estando plenamente conscientes de que há uma pequena vantagem (na sobrevivência) em começá-lo cedo, particularmente se for bem cedo, mas tentam postergá-lo ao máximo devido aos efeitos colaterais. Essa preocupação é clara da parte de meu médico no Sloan Kettering;
  • Há consenso em que os efeitos benéficos do tratamento hormonal não duram para sempre. Quanto tempo dura varia muito de pessoa para pessoa. A discordância é grande em relação ao tempo até a cessação dos benefícios. Myers diz que o período mais citado na literatura, mediana de 18 meses, é errado. Seria (felizmente para nós) bem maior. Outros autores também dizem que há casos nos que o efeito do Lupron se extende por oito, dez anos; Myers enfatiza que análises posteriores demonstram que metade dos cânceres voltam na próstata. Quem fez prostatectomia tem alguma vantagem nessa área;
  • Myers insiste em que há uma segunda e uma terceira linha de tratamento hormonal, usando outros medicamentos, como ketoconazole, que podem se usados antes da químio;
  • Todos enfatizaram a necessidade de acompanhar o tratamento hormonal com outros tratamentos. Uns, sobretudo Myers, para preparar o paciente; outros para aumentar o efeito terapêutico e todos para minorar os efeitos colaterais;
  • Há muita discordância sobre o efeito de finasteride e de dutasteride (Avodart). Myers é a favor, outros acham que reduz a expressão do PSA (à metade) e não o câncer.


 

E você? Por favor, entenda que o câncer é uma especialização que requer muito estudo por parte do médico. Clínicos gerais não dispõem, na grande maioria dos casos, desse conhecimento. O que eles não sabem podem matar você. Busque um bom oncólogo, se possível um especialista em Oncologia Urológica. Se o médico não souber ler em Inglês dificilmente estará atualizado. Busque outro. Se não houver um na sua cidade, vá aos grandes centros. Se tiver dinheiro, lembre-se de que sua vida está em risco e de que, iniciado o tratamento terá que consultar seu médico cada dois, três, quatro ou mais meses.

Além disso, informe-se. Se não souber, aprenda a ler em Inglês e a surfar a internet. Só assim você não será vítima fácil de um dos muitos pseudo-médicos que as faculdades caça-níqueis jogam no mercado.

Aspirina contra o câncer da próstata

Um interessante comentário do Fox Chase Cancer Center, uma instituição de referência mundial, mostra a relevância da aspirina para o câncer da próstata. Começa afirmando que muitos estudos demonstraram que o uso sistemático de pequenas doses diárias de aspirina reduzem a “volta do PSA”, o fracasso bioquímico. Agora, uma pesquisa com Mark Buyyounouski à cabeça, examinou o que aconteceu com dois mil pacientes que fizeram radioterapia no Fox Chase entre 1989 e 2006, descobrindo que os que usaram aspirina tinham um risco mais baixo de que o câncer voltasse. Entre os 761 que tomaram regularmente aspirina um número menor apresentou o fracasso bioquímico, a “volta” do PSA em relação aos 1380 que não tomaram aspirina. Dez anos depois da radioterapia 31% dos que tomaram aspirina tiveram o fracasso bioquímico, menos do que os 39% dos que não usaram aspirina. A diferença parece pequena, mas é estatisticamente significante (p: 0,0005). Se os que não tomaram tivessem tomado, 110 pacientes não teriam experimentado a desagradável volta do PSA, pelo menos até aquela data.

Há outros benefícios, cruciais: aos dez anos, 2% de mortes a menos devidas ao câncer. Vinte e oito vidas salvas até dez anos. Como muitas das mortes por este câncer ocorrem depois de dez anos, o período de observação tem que ser ampliado.

Como pequenas doses de aspirina também reduzem a chance de problemas cardio-vasculares, muitos a consideram um medicamento desejável, de baixo custo e pequenos efeitos positivos em muitas áreas da saúde.

Para falar com as pessoas associadas com essa pesquisa e com a própria instituição, telefonar para Diana Quattrone
Diana.Quattrone@fccc.edu     1-215-728-7784 begin_of_the_skype_highlighting            1-215-728-7784      end_of_the_skype_highlighting
ou, institucionalmente, com

1-888-FOX-CHASE begin_of_the_skype_highlighting            1-888-FOX-CHASE      end_of_the_skype_highlighting ou –1-888-369-2427 begin_of_the_skype_highlighting            1-888-369-2427      end_of_the_skype_highlighting

GLÁUCIO SOARES, com base em informações divulgadas pela própria instituição.

O RISCO DE NAO ESTAR CURADO DIMINUI SEMPRE MAS NUNCA CHEGA A ZERO


Em muitos cânceres, o consenso é que, após cinco anos sem sintomas nem qualquer indicador, inclusive nos exames, o paciente é considerado curado. Infelizmente, não é o caso do câncer da próstata.

A pesquisa foi realizada em Viena e incluiu quase seis mil pacientes que foram tratados com a prostatectomia radical entre 1985 e 2010. Desses, 728 foram acompanhados por mais de dez anos.

Aos 10 e 15 anos após a prostatectomia, 61% e 52% não tinham tido o fracasso bioquímico, a ”volta” do PSA. Isso significa que 9% receberam a desagradável notícia de que não estavam curados depois de dez anos de exames que resultaram em PSA’s não detectáveis. Esse grupo representava, aproximadamente, a mesma percentagem em cada grupo de risco – baixo, intermediário ou alto – contrariando a hipótese intuitiva de que eram ”restos” de cânceres pouco agressivos que, dado o longo tempo transcorrido, apareceram nos exames de PSA.

Em síntese, como bem disse meu urológo há 16 anos, o tempo transcorrido reduz o risco que nunca atinge zero.


 

GLÁUCIO SOARES, IESP-UERJ


Se quiser saber mais sobre suicídios e a prevenção de suicídios, visite os seguintes blogs:

Afinal, quanto tempo de vida você tem?

Uma pesquisa levantou a esperança de vida dos pacientes de câncer da próstata. Ela varia com o tratamento e com o tempo.

A prostatectomia (cirurgia) e a radiação são os dois tratamentos iniciais mais comuns. Raramente se opera o paciente quando há evidência de metástase: retirar a próstata não tem como curar um câncer que já espalhou, que já está em outros lugares. Mas não é fácil saber onde está o câncer, se já se metastizou ou não. Na dúvida, usam cirurgia. Muitas vezes combinam o cirurgia e a radiação.

O primeiro grande marcador negativo, de que a coisa não está bem, é a “volta do PSA”, quando o PSA reaparece no sangue. Isso significa que há células cancerosas vivas. O câncer não foi curado e, agora, é incurável. O que não quer dizer que o paciente morrerá dele: a maioria não morre deste câncer mesmo depois do fracasso bioquímico (a volta do PSA). Depende de quê? De várias coisas, entre as quais o tempo e o tipo de tratamento – isso entre as que sofreram a volta do PSA. As outras estão livres, curadas. Quando morrerem não será de câncer da próstata. Uma pesquisa com mais de 600 veteranos de guerra mostra quais as probabilidades, quais os riscos.

A volta do PSA – o temido fracasso bioquímico – ocorreu em 34% a 48% dos pacientes, dependendo do tempo e do tratamento. Uma percentagem maior dos submetidos a radiação (onde havia mais casos avançados) teve o desprazer de lidar com a volta do PSA no sangue.

A tabela abaixo mostra os vários riscos por tempo e por tipo de tratamento:

Fracasso bioquímico e morte devida ao câncer da próstata aos 5-, 10- e 15- anos depois do tratamento inicial.

Tempo
% acumulada em que o PSA voltou depois da cirurgia
Mortalidade por câncer depois da volta do PSA entre os que fizeram cirurgia
% acumulada em que o PSA voltou depois da radiação
Mortalidade por câncer depois da volta do PSA entre os que fizeram radiação
5 anos
34%
3%
35%
11%
10 anos
37%
11%
46%
20%
15anos
37%
21%
48%
42%

Dados tirados dos Archives of Internal Medicine.

O que esses dados nos dizem? Que 5 anos depois da cirurgia, 34% dos operados sofrem o fracasso bioquímico, a volta do PSA nos exames de sangue. Cinco anos depois (dez depois da cirurgia) a percentagem sobe um pouco, para 37%. E parece que não aumenta a partir daí. Olhando a terceira coluna vemos os dados relativos aos que fizeram radiação. São mais altos, ainda que não muito mais altos. Aos cinco anos, 35% (praticamente o mesmo que a cirurgia) sofrem o fracasso bioquímico; dez anos depois da radiação, a percentagem aumenta significativamente, para 46% e quinze anos depois parece estabilizar, com 48%, quase a metade.

Não obstante, nem todos os que enfrentam o fracasso bioquímico morrem do câncer. Em verdade, a maioria morre de outra coisa. Comparem a segunda e a quarta colunas. Cinco anos depois da volta do PSA, somente 3% dos que fizeram cirurgia morreram do câncer. Mais cinco anos e a percentagem aumenta para 11%. Mais cinco anos e a percentagem dobra para 21%. Ou seja, quinze anos depois da volta do PSA entre os que fizeram cirurgia, um em cada cinco morreu do câncer.

Tudo indica que essa percentagem continua crescendo depois dos 15 anos, mas as mortes por outras causas também passam a crescer mais rapidamente em função da idade. Lembrem-se de que falamos de 15 anos depois da volta do PSA, do fracasso bioquímico, e não da cirurgia. A maioria está com 80 ou mais.

No grupo que fez radiação os dados são piores – em parte porque muitos fizeram radiação porque havia evidência de metástase e de que a cirurgia não poderia curá-los. As percentagens dos que morrem da doença – depois da volta do PSA – parece dobrar cada cinco anos: 11%, 20% e 42%.

As pesquisas têm se concentrado nesse grupo mais doente, com doença mais avançada. E terapia hormonal, usualmente seguida de quimio e, mais recentemente, da caríssima vacina Provenge e, em final de desenvolvimento, da abiraterona, vão aumentando a sobrevivência específica do câncer da próstata (mas não de outras mortes): uns estimam em 14 a 18 meses o efeito da terapia hormonal (mais há casos de muitos anos em que o efeito funciona – cinco e mais anos), quatro meses de vida na mediana agregados pela quimio; outros quatro pela Provenge e um tempo mais variável, que pode chegar a mais de oito meses com a abiraterona. E haja dinheiro…

Poucos morrem aos cinco anos. A barra começa a ficar mais pesada aos dez e, principalmente, aos quinze e mais anos, depois da volta do PSA.

Fonte: Uchio EM, Aslan M, Wells CK, Calderone J, John Concato. “Impact of Biochemical Recurrence in Prostate Cancer Among US Veterans.” Archives of Internal Medicine. 2010;170:1390-1395.

Resumo por Gláucio Soares (IESP-UERJ) de fontes publicadas na internet.

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Novidades na luta contra o câncer da próstata

Noticiei que a Johnson & Johnson “abriu” uma pesquisa Fase III com a abiraterona para dar uma chance às pessoas que estavam tomando um placebo a tomarem o medicamento, uma vez que, com os dados coletados até então os benefícios eram claros. Não obstante, essa foi também (ou principalmente) uma decisão comercial porque permitirá – talvez – que a abiraterona possa ser vendida antes de passar pelo longo e exigente processo de aprovação pela FDA. Se isso acontecer “por razões humanitárias”, o medicamento poderia estar disponível em nove meses.

Há outra razão comercial: assustar os competidores, fazê-los desistir.

Há um mercado grande, que se renova sempre, de pacientes avançados, chamados de “metastáticos resistentes à castração”. O termo não tem que ser tomado literalmente – a castração é química e anti-hormonal. Essa é a população que, literalmente, está próxima da morte. Alguns anos, no máximo.

Além desses pacientes avançados, mais de duzentos mil casos são diagnosticados todos os anos somente nos Estados Unido e mais trinta mil morrerão dessa doença. Todos os anos. É intuitivo que antes de morrer tentarão dar uma esticada de que pode ir de quase nada, passando por poucos meses, até vários anos.

Até agora, depois da tentativa inicial (com prostatectomia, radiação etc.) não há cura. A maioria dos pacientes acaba morrendo de outras causas, mas um número razoável (cerca de um em cada seis ou sete) dos doentes acaba morrendo deste câncer. Todos os medicamentos existentes ou são paliativos – diminuem as conseqüências e as pessoas se sentem melhor – ou esticam a vida.

A bola da vez é fabricada pela Dendreon, cujo medicamento. Provenge, já foi aprovado. Provenge é complicado para fabricar e aumenta na média, a esperança de vida em apenas quatro meses. É custosíssimo. No dia em que foi aprovado, as ações da empresa subiram 27%. Curas, tratamentos e curas estão muito relacionados no mundo em que vivemos. E não adianta reclamar, porque dos países socialistas não saíram curas nem bons remédios.

O nosso corpo não reconhece nosso câncer como inimigo. Provenge ataca por esse lado, mas os resultados são muito modestos e custam mais de noventa mil dólares.

Há outra droga que poderá vir a ser uma competidora, chamada de

MDV3100. Como a abiraterona é uma pílula. Seus fabricantes, Medivation, estão trabalhando em rítmo acelerado em pesquisas nas três fases.

O jogo da J&J talvez seja prejudicar essas pesquisas. Os pacientes teriam à disposição um tratamento (abiraterona) garantido e com bom ampliação da vida – para que continuar numa pesquisa na qual podem estar tomando um placebo???? E, pior, um placebo de uma droga ainda em testes?

 

O sucesso da abiraterona e da MDV3100 podem arrasar a Provenge porque são muito mais convenientes e porque custam muito menos. Mas Provenge reabriu um conceito que poderá levar à cura dos cânceres avançados. Poder, pode, mas falta muita criatividade e muita pesquisa.

Outra consideração é começar a usar essas drogas antes. A experiência diz que, com algumas exceções, os tratamentos iniciados antes produzem melhores resultados.

Outra consideração é a combinação de drogas. Pode ampliar bastante a expectativa de vida.

No fundo, o mesmo desejo. Birra ou não birra, racional ou irracional, nós, pacientes, queremos mesmo é morrer de outra causa.