Mais uma esperança

Há uma esperança para os que lutam contra o câncer da próstata. Trata-se de pesquisa nas etapas iniciais. O que está acontecendo no laboratório?

Estão experimentando uma nova droga que afeta os inibidores de Hsp90 cujo efeito seria reduzir as defesas das células cancerosas contra alguns tratamentos hormonais. A pesquisa inda está na fase inicial, com camundongos.

Esse efeito a torna muito importante para aquelas pessoas cujo câncer já não responde aos tratamentos hormonais. Não respondem porque criaram mecanismos de defesa. São esses mecanismos que são afetados pelo novo medicamento.

Paul Workman, o Pesquisador Responsável, explica que os inibidores Hsp90 funcionam “em rede”, porque afetam vários sinais com o mesmo tratamento. É um grande avanço em relação aos medicamentos que so atuam sobre um tipo de sinal.

A pesquisa é levada a cabo no Institute of Cancer Research. A relevância é imensa: na Grã Bretanha, um em cada oito homens será diagnosticado com esse câncer.

As pesquisas exitosas, nessa área, levam vários anos até chegar às farmácias. Dada o número de pessoas que seriam beneficiadas, e o interesse comercial que esses números representam, é possível que empresas do ramo invistam e acelerem o processo.

 

Gláucio Soares IESP/UERJ

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Mais uma esperança

Há uma esperança para os que lutam contra o câncer da próstata. Trata-se de pesquisa nas etapas iniciais. O que está acontecendo no laboratório?

Estão experimentando uma nova droga que afeta os inibidores de Hsp90 cujo efeito seria reduzir as defesas das células cancerosas contra alguns tratamentos hormonais. A pesquisa inda está na fase inicial, com camundongos.

Esse efeito a torna muito importante para aquelas pessoas cujo câncer já não responde aos tratamentos hormonais. Não respondem porque criaram mecanismos de defesa. São esses mecanismos que são afetados pelo novo medicamento.

Paul Workman, o Pesquisador Responsável, explica que os inibidores Hsp90 funcionam “em rede”, porque afetam vários sinais com o mesmo tratamento. É um grande avanço em relação aos medicamentos que so atuam sobre um tipo de sinal.

A pesquisa é levada a cabo no Institute of Cancer Research. A relevância é imensa: na Grã Bretanha, um em cada oito homens será diagnosticado com esse câncer.

As pesquisas exitosas, nessa área, levam vários anos até chegar às farmácias. Dada o número de pessoas que seriam beneficiadas, e o interesse comercial que esses números representam, é possível que empresas do ramo invistam e acelerem o processo.

 

Gláucio Soares IESP/UERJ

Mais 8,5 meses de vida?

Há novidade, sim! Vários tipos de câncer testemunharam o avanço recente de imunoterapias. A única que atingiu o mercado do câncer da próstata foi a Provenge, que produziu alguns resultados positivos, mas perdeu a competição para outros medicamentos menos caros e de mais fácil aplicação. Agora surgiram resultados promissores com uma “vacina”, chamada de PROSTVAC®. Há duas décadas estão trabalhando nela. Está sendo orientada para pacientes com cânceres avançados, com metástases e que já não respondem ao tratamento hormonal. Ela usa um vírus (poxvirus) e faz a mira usando o PSA. Produziu uma resposta das células T. O PROSTVAC® ajuda o sistema imune a identificar e matar as células cancerosas.

Numa pesquisa Fase 2 esse tratamento aumentou a mediana da sobrevivência em oito meses e meio, reduzindo a taxa de mortalidade em 44%. Numa população com idade relativamente avançada e um câncer avançado, esse é um ganho significativo. Sem o tratamento, a sobrevivência mediana foi de 16,6 meses; com o tratamento foi de 25,1 meses, pouco mais de dois anos. Quando o Provenge foi aprovado, a elevação na sobrevivência mediana foi, aproximadamente, a metade (4,1 meses). O ganho com abiraterona (Zytiga) foi de 4,6 meses e o ganho com a enzalutamida (Xtandi) foi de 2,2 meses apenas, segundo o autor citado.

Sublinho que todos esses resultados se referem à totalidade da população testada, mas que há uma percentagem significativa dos pacientes que não responderam ao tratamento com cada um desses medicamentos. No caso da abiraterona e da enzalutamida há testes em desenvolvimento que permitirão saber quem responderá. Tomando, apenas, os que responderam, a sobrevivência média é bem maior.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Cabazitaxel funciona mesmo em AR-V7-positivos

Há poucos meses foi descoberta a importância de uma variante de um receptor de andrógenos chamada (AR-V7). A presença desse receptor em células cancerosas (CTCs) circulando no paciente desestimula o uso de abiraterona e da enzalutamida, medicamentos recentes aos que recorremos nos casos de canceres muito avançados. Esses pacientes ficavam quase sem opções. Não obstante, um estudo recente mostrou que um medicamento chamado Cabazitaxel (nome comercial Jevtana, mas não sei se já chegou no Brasil) é eficaz mesmo em pacientes que são AR-V7-positivos. Uma esperança de meses a mais de vida, com qualidade melhor dessa vida.

Como foi feita a pesquisa: Quais os dados?

Todos os pacientes portavam canceres avançados que não respondiam mais à terapia hormonal, chamados de mCRPC. É uma pesquisa Fase II, com poucos pacientes, que deve preceder a pesquisa maior, Fase III. Dividiram os pacientes de acordo com o número de células cancerosas (CTCs).

O primeiro objetivo da pesquisa foi ver se havia uma associação entre o status do AR-V7 e o efeito sobre as células cancerosas (CTCs) – redução para menos de cinco em 7,5ml de sangue.

Outros objetivos eram o tempo até que a doença voltasse a avançar e a sobrevivência total.

A resposta ao cabazitaxel, segundo a pesquisa, é independente do paciente ser AR-V7-positivo, o que alivia o sufoco em que se encontravam esses pacientes – com poucas alternativas.

Converse com seu urólogo ou oncólogo.

Saiba mais: “Efficacy of Cabazitaxel in Castration-resistant Prostate Cancer Is Independent of the Presence of AR-V7 in Circulating Tumor Cells.” Em European urology. 2015 Jul 15 [Epub ahead of print].

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

QUANDO A ENZALUTAMIDA E A ABIRATERONA FALHAM, O QUE FAZER?

Os tratamentos contra o câncer da próstata mudam com o estágio do câncer. Não só os canceres adiantados diferem dos iniciais, mas variam muito entre as pessoas. Há aceitação de que cada paciente tem suas singularidades. Por isso, alguns respondem bem a esse ou aquele tratamento, mas outros não.

Quando os pacientes não respondem mais à terapia hormonal (de fato, uma terapia antihormonal, que suprime a testosterona), são chamados de pacientes com castration-resistant prostate cancer (CRPC). O tratamento hormonal equivale à castração.

Nesse nível, há algumas alternativas, sendo que duas cresceram nos últimos anos, devido à sua eficácia e conveniência: enzalutamida e abiraterona. Mas, desde os primeiros testes com essas drogas, se observa que um grupo não respondia a elas. Não se sabia o porquê. Pesquisaram, pesquisaram e descobriram que uma variante do receptor de andrógenos, a AR-V7, estava associada a esses dois medicamentos. Esse receptor é detectável nas células cancerosas que circulam no sangue. Como esses medicamentos aumentam a sobrevivência nos que respondem bem a eles, a questão é importante: são meses de vida que os pacientes deixam de ganhar. Em verdade, há pesquisas ainda recentes que sugerem que o uso conjunto de um deles e do docetaxel aumenta substancialmente a sobrevivência.

Quem carrega a AR-V7 não se beneficia dessa possível sinergia.

Outro possível combatente é a Galeterona. Será que funciona mesmo entre os que carregam o AR-V7?

Ainda é cedo, mas parece que sim, de acordo com uma pesquisa exploratória, clínica, chamada de ARMOR2.

Essa pesquisa, Fase II, trabalhou com diferentes grupos: 22 homens no nível de CRPC, mas sem metástase nem outro tratamento, 39 de nível CRPC com metástase, mas sem outro tratamento, 37 CRPCs com metástase, mas que não responderam a abiraterona e 9 em condições semelhantes que não responderam à enzalutamida. Todos receberam 2.250 mgs de Galeterona uma vez por dia.

A Galeterona reduziu o PSA nos pacientes CRPC com metástase. Além disso, exames de imagem mostraram que a doença parou de avançar ou regrediu.

Em sete pacientes com alta probabilidade de terem a variante AR-V7, seis responderam bem ao tratamento e o PSA diminuiu.

Nos sem metástase ou nos com metástase, mas que não haviam recebido abiraterona ou enzalutamida, em 70% o PSA baixou de 50% ou mais. Em 83% (mais de quatro em cinco) a baixa foi de 30% ou mais. Esses dados indicam que, nessa população, a Galeterona funciona.

Entre os que não responderam à abiraterona, 35% tiveram uma baixa no PSA e entre os que não responderam à enzalutamida, 56% não responderam.

A próxima pesquisa é ambiciosa, Fase III. Querem pacientes CRPC, com metástase, a variante AR-V7, para comparar com os que recebem enzalutamida.

Quanto tempo durarão os efeitos? Não sei. Funcionará melhor aplicada isoladamente, antes ou depois de outros tratamentos, ou conjuntamente? Também não obtive informação (creio que não há).

Então, o que há? Uma boa esperança, particularmente onde não havia quase nenhuma.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

EFEITOS COLATERAIS DA ENZALUTAMIDA

 

Uma pesquisa recente analisou as respostas de 507 pacientes com metástase. Eles receberam 160 mg/dia até que a doença avançasse, os efeitos colaterais fossem intoleráveis ou se o medicamento fosse aprovado para esse grupo e, portanto, disponível nas farmácias. A pesquisa foi feita em 54 lugares. O objetivo era avaliar os efeitos colaterais. A avaliação foi feita no primeiro dia, após 4 e 12 semanas, e de doze em doze semanas a partir daí.

Desses pacientes, 76% tinham recebido Zytiga (abiraterona) e 29% tinham recebido Jevtana (cabazitaxel). Um em quatro recebera os dois.

Os sintomas colaterais mais frequentes foram fadiga (39%); náusea (23%); anorexia (15%), anemia (12%); edema periférico (11%); dor nas costas (10%), vômitos (10%) e dor nas juntas (10%). Os pacientes podiam, claro, ter mais de um sintoma que fosse efeito colateral.

Quatro por cento dos pacientes sofreram efeitos colaterais tão severos que abandonaram o programa.

Esses resultados são de uma só pesquisa e pretendem, apenas, informar.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Tratamentos do câncer da próstata (conversa)

Enviado em 16/06/2014 as 9:41 pm

Boa noite Glaucio,acompanho seu blog já algum tempo, mas apesar de ter lido todas as suas postagens durante todo esse tempo, uma dúvida não me foi esclarecida, dúvida esta que tenho sempre e não consigo saná-la com ninguém.. talvez você possa me ajudar: já entendi que o tratamento do cancer de próstata passa por diversas etapas, (falo especialmente no caso do indivíduo que não foi castrado). Faz-se radio, depois hormônio terapia e depois quimio. Minha dúvida é: o que vem após a quimio?
Eu sei que isso deve variar muito conforme o paciente, mas você consegue me dizer se existe um período máximo para realização de quimio? Meu pai faz há 1 ano, eu sempre digo a ele que isso vai passar, que será por 2 anos apenas, mas não sei mesmo quanto tempo. Uma vez ele perguntou entre os dentes à médica e ele entendeu que seria “enquanto ele sobrevivesse”. Será isso? Sabe me ajudar?
Mais uma vez agradeço sua atenção.

Quanto à Irene, sua amiga de longa data, farei minha oração para que sua família seja confortada.

Deus abençoe você também.

Obrigada por toda ajuda sempre!

Rose: começo, previsivelmente, com o conselho de buscar mais de uma opinião qualificada, de urólogos e oncólogos – a minha não conta, pois não é de médico e sim de paciente. Outra sugestão: te oriento a melhorar a informação recebida dos médicos de teu pai. Leva um caderninho, laptop, ou algo mais onde possas registrar o que te diz o médico, pensando, compilando e levando uma lista de perguntas e de informações sobre o paciente. Tendo enfatizado essas precauções, te transmito o que li e assimilei. Vejo o processo como constituído por uma série de decisões em níveis cada vez mais focados.

A primeira é tratar/não tratar. É uma polêmica atualíssima em função das decisões tomadas por um comitê do governo americano do qual não participou um só biólogo, que recomendou não incluir os testes de PSA nos cobertos pela Medicare, exceto quando há condições que aumentam o risco de um câncer agressivo, como um histórico de câncer na família. Deixaram de subsidiar um teste anual após os 50. Do lado positivo, a medida é econômica, mas não muito: o PSA é um teste barato, também evita as biópsias desnecessárias, que são caras e aumentam a ansiedade dos pacientes, afastam também os riscos de infecção. Há tratamentos que poderiam ser evitados, mas que aumentam modestamente o risco de uma situação mais grave no futuro. Essa decisão deve ser do paciente, aconselhado pelos médicos. 

Os que decidem se tratar nesse momento, usualmente o fazem com objetivo e esperança de cura (with curative intent). Há vários tratamentos radiativos, diferentes modalidades cirúrgicas (sendo a retropúbica com preservação de nervos a mais popular hoje em dia), o implante de sementes radioativas, HIFU e outras. Pelo que li, com muita produção contraditória, a prostatectomia radical é a que mais reduz o risco de morte específico – deste câncer. É um tratamento muito invasivo que usualmente deixa pesadas sequelas (incontinência, ainda que temporária; impotência em muitos casos e mais). Alguns cirurgiões checam primeiro os nódulos linfáticos e, caso estejam contaminados, não retiram a próstata; outros retiram mesmo assim, sem ter garantia de cura porque acreditam que o procedimento aumenta a sobrevivência. Além disso, numa última tentativa de cura, podem recomendar a irradiação da área (meu caso), na esperança de ainda conseguir a cura. Recebe o nome de “salvage radiation”. Após cirurgia e/ou radiação, o PSA deve tornar-se indetectável. Porém, o equipamento para detecção melhorou, e o que era indetectável há dez anos é facilmente detectável hoje. Quando comecei essa caminhada recomendavam 0,1 ou 0,2 ng/ml. Hoje, no Sloan Kettering, usam 0,05 e aqui no Brasil alguns laboratórios usam 0,003 e até menos. O PSA pode não desaparecer e outros tratamentos entram em consideração, ou pode desaparecer e reaparecer. Há pesquisas que mostram que quanto mais tempo o PSA levar até “voltar” a ser detectável, melhor. Após a volta do PSA o comum é fazer um acompanhamento e usar cálculos sobre esse marcador (velocidade do PSA, PSADT etc.) para decidir se iniciar a terapia hormonal ou não. O que li mostra um pequeno ganho marginal em iniciá-la cedo. Há várias terapias hormonais e todas têm efeitos colaterais. A mais usada nos Estados Unidos é o acetato de luprolídeo (Lupron), que pode ser dado na forma de depósito, com uma injeção cada 3, 4 ou 6 meses. É caríssima. Sem seguro, o paciente pagará perto de seis mil dólares por injeção. Pode ser contínuo ou intermitente. A maioria dos médicos – e dos pacientes também – aqui e lá preferem a forma intermitente porque dá uma aliviada nos efeitos colaterais.

Mais cedo ou mais tarde os tratamentos hormonais perdem seu efeito e o câncer volta a avançar. Esse período varia muito, entre alguns meses e vários anos. É possível usar outros tratamentos anti-hormonais de segunda e de terceira linhas, como preconiza Snuffy Meyers. A químio vinha depois e o ingrediente tradicional é o taxotere. Um estudo recente pode, se confirmado por outros, mudar a prática clínica, porque mostrou um ganho de um ano na sobrevivência geral quando o taxotere é usado cedo, junto com o início do tratamento hormonal. Porém, há boas notícias que confundem muito a ordem dos tratamentos. Nos últimos anos passaram a ser usados outros medicamentos como o Provenge (também caríssimo, perto de 90 mil dólares por tratamento) que estimula e usa o sistema imune treinando suas células para depois recolocá-las no corpo dos pacientes, a abiraterona, a enzalutamida e alguns mais. A ordem desses tratamentos ainda não está bem pesquisada, entre outras razões porque ela precisa averiguar a sobrevivência de longo prazo o que requer um acompanhamento de longo prazo até produzir conhecimento válido. Taxotere é a químio mais usada, mas há outras além do Docetaxel (Taxotere®): Cabazitaxel (Jevtana®); Mitoxantrone (Novantrone®); Estramustine (Emcyt®); Doxorubicin (Adriamycin®); Etoposide (VP-16); Vinblastine (Velban®); Paclitaxel (Taxol®); Carboplatin (Paraplatin®); Vinorelbine (Navelbine®).

Usualmente, a primeira a ser usada é a docetaxel, quase sempre com prednisona. Quando já não funciona, entram outras e a mais usada nos Estados Unidos é cabazitaxel. Há dados mostrando que elas aumentam a sobrevivência, mas seus efeitos e duração variam muito entre os pacientes de maneira que medidas de tendência centrao (média, mediana) perdem utilidade. É raro algum médico afirmar que conseguiu curar pacientes com esses medicamentos. O mais comum é que reduzam o crescimento do câncer e melhorem a qualidade de vida, durante um tempo limitado – alguns meses a poucos anos.

Com relação à duração do tratamento, há um problema ético no país que me preocupa. Às vezes, médicos e familiares se outorgam o direito de não informar totalmente o paciente. Em muitos países o conhecimento é um direito inalienável do paciente, independentemente dos seus efeitos. Aqui muitos decidem bancar Deus, determinando o que o paciente deve e não deve saber.

Espero ter ajudado.

Gláucio Soares