Vírus da pólio contra o câncer

De acordo com artigo que acabo de ler, da American Cancer Society somente 28% daqueles pacientes cujo câncer já metastizou e é avançado viverão cinco anos. Os outros morrerão antes, uns muito antes, outros um pouco antes. Ainda que, comparativamente com outros canceres, os números sejam superiores, todos, com qualquer tipo de câncer, gostaríamos de que encontrassem a cura.

Ainda não foi dessa vez, mas há promessas de melhorar os números mencionados acima. Pesquisadores da Duke University usaram um vírus amortecido da pólio e aumentaram muito a sobrevivência de pacientes com um câncer muito pesado no cérebro. A terapia se chama PVSRIPO.

Agora estão tentando modificar a PVSRIPO para aplica-la ao câncer da próstata.

O que faz a PVSRIPO?

O vírus da pólio modificado ataca as células cancerosas, mas não as células sãs. Além disso, estimula o sistema imune a combater o câncer.

E nós?

Certamente vamos torcer e orar para que dê muito certo.

Mas não só. Vamos tratar da dieta, exercitar, viver a vida, ajudar o próximo. Sobretudo, viver a vida.

GLÁUCIO SOARES

IESP UERJ

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Avanços na sobrevivência de cânceres

As notícias vindas do Reino Unido são boas, mas não ótimas. Houve um avanço considerável na sobrevivência (dez anos depois do diagnóstico) dos adultos em alguns cânceres nos quarenta anos de 1971-2 a 2010-11, melhorias em outros e quase estagnação em alguns nos quais a ciência ainda não encontrou o caminho, particularmente os do pulmão e do pâncreas. Houve pouco progresso no tratamento de cânceres do esôfago, do estomago e do cérebro. Do lado bom da escala, a sobrevivência do câncer dos testículos está próxima de cem por cento (98%), um avanço bem-vindo desde os 69% de quatro décadas atrás. O temível melanoma está sendo domado: a sobrevivência aos dez anos deu um salto, de 46% para 89%.

No conjunto, metade dos cancerosos sobrevive dez anos ou mais. Dez anos depois do diagnóstico, metade está viva. É um avanço: na média, entre os que foram diagnosticados no início da década de 70, somente um quarto estava viva depois. Um câncer que obteve um aumento substancial na sobrevivência foi o de mama, graças em parte considerável à mobilização e à politização das mulheres: de 40% para 78%. Aliás, as mulheres se beneficiaram mais das melhorias do que os homens: das diagnosticadas (de todos os cânceres) recentemente, 54% devem sobreviver, pelo menos, dez anos, bem mais do que os 46% dos homens. Parte da diferença se explica pelo fato de que os homens continuam a fumar e beber mais do que as mulheres. Em 1974, 51% dos homens adultos britânicos fumavam, dez por cento a mais do que as mulheres adultas. Em 2012, essas percentagens eram de 22 e 19, respectivamente (Fonte: http://www.ash.org.uk). Não tenho dúvidas de que a redução no fumo contribuiu muito para a redução da mortalidade por câncer. Infelizmente, o quadro do consumo de bebidas alcoólicas não é positivo: aumentou de 1974 a 2013, a despeito de uma redução a partir de 2004. Tomando a Inglaterra em separado, pesquisa feita em 2011 revelou que 39% dos homens e 28% das mulheres tinham bebido mais do que o nível máximo recomendado. Esse nível é mais alto no caso dos homens, o que significa que as diferenças absolutas no consumo de álcool entre os sexos é ainda maior. Há vários cânceres com relações com o consumo excessivo de álcool.

E o câncer da próstata? Os dados mostram que 94% estavam vivos um ano depois do diagnóstico, 85% cinco anos depois e 84% dez anos depois. Avançou muito em relação a outros cânceres: entre os diagnosticados no início da década de setenta, havia seis cânceres com melhor sobrevivência (entre os individualizados no gráfico abaixo), mas a projeção a respeito dos diagnosticados quarenta anos depois é que somente os diagnosticados com câncer testicular e com melanoma terão sobrevivência maior aos dez anos.
Esses são os dados britânicos. A sobrevivência é mais alta nos Estados Unidos e deve
[i] ser muito mais baixa no Brasil. Nossa saúde pública deixa muitíssimo a desejar.

O objetivo de todo departamento da ciência médica é, claro, a cura. Até agora, temos tido avanços graduais e cumulativos, como é o caso do câncer da próstata, ou grandes avanços devido a inovações no tratamento.

 

 

 

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Ver: Adult 10-year net survival, England & Wales Credit: Cancer Research UK


[i] Os dados brasileiros são pouco confiáveis.

A vez e a hora do mamão?

Pesquisadores da Universidade da Flórida e no Japão, publicaram um artigo no Journal of Ethnopharmacology que documenta as propriedades anti-câncer do mamão. Não obstante, não é exatamente o mamão que foi estudado, mas a papaya que, nos supermercados americanos, se refere a uma fruta com volume bem menor do que o mamão; além disso, eram as folhas e não a fruta que provocaram esse efeito desejado. Os pesquisadores testaram as propriedades de um chá de folhas de papaya sobre células de diversos cânceres – mama, fígado, pulmão, pâncreas etc. – e os efeitos foram maiores quando essas células receberam quantidades maiores do chá. Nam Dang e associados argumentaram que o chá estimula a produção de moléculas sinalizadoras chamadas de citokinos Th-1 que regulam o sistema imune.

A música cura, ajuda, ou não surte efeito?

Acredito que a pergunta tenha sido feita inúmeras vezes: existe uma Terapia Musical? A música ajuda? É algo demonstrado ou é chute?

A resposta é ajuda, sim! Pesquisas feitas na Alemanha, nos Estados Unidos e na Inglaterra produziram resultados que demonstram isso, mas o efeito varia de acordo com a aplicação. Nesses estudos, a variável dependente era a velocidade com que os pacientes se recuperavam. Havia clara diferença em favor do grupo que fora tratado também com música. Os benefícios foram além da rapidez: os que ouviam música sentiam menos ansiedade e desconforto, inclusive, com o tratamento.

Outro grupo de pesquisas tratava dos efeitos sobre veteranos de guerras. Muitos estavam deprimidos e com problemas mentais. A taxa de suicídios era alta. Como outros tipos de terapia, a terapia musical foi sistematizada para lidar com os efeitos das guerras. No caso, para tratar e ajudar soldados que voltavam das  guerras. Em alguns  casos, os hospitais da época empregaram músicos.

Uma pesquisa feita na Alemanha revelou excelentes resultados com pacientes com pressão alta. Alguns ritmos (mas não todos) reduziam a pressão, as batidas cardíacas, o estresse, observandose, também, melhorias do sistema respiratório.

Em 1989, o Italian Journal Pediatrics também revelou benefícios para as mães de bebês prematuros. Porém, o estudo diferiu dos anteriores porque o fator cujo efeito se desejava conhecer era produzido por fitas de relaxamento e visualização, que incluíam música. As que participaram do programa produziram 63% mais leite do que as que não participaram.

A música pode aumentar a melatonina, como demonstrado por  Frederick Tims da Michigan State University em Novembro de 1999 na revista Alternative Therapies. Os pacientes tinham o mal de Alzheimer e os que participaram de um programa de quatro semanas de terapia musical tiveram aumentos significativos da melatonina, um hormônio associado com o sono.

Crianças doentes respondem bem à terapia musical. Estudo realizado no National Jewish Hospital mostrou melhorias físicas – resistência física, força muscular e controle sobre a respiração – de um grupo que participou de atividades musicais regulares, em comparação com o grupo controle.

Não é panacéia. É um tratamento auxiliar fácil e barato que pode minorar os efeitos negativos de muitas condições médicas.

Por Gláucio Soares, com base em releases de divulgação médica.

Câncer da próstata aos sete meses de idade!

O risco de câncer da próstata aumenta com a idade. O PSA, um teste para detectá-lo, raramente é recomendado para pessoas com menos de quarenta anos, inclusive as que têm fatores de risco – casos na família, fumam, obesidade etc. Imaginem o que é ser a mãe ou o pai de uma criança de sete meses e descobrir que o filho tem câncer da próstata! Aconteceu.  Ruddi Waterworth-Jones tinha apenas sete meses quando foi diagnosticado. Sofreu prostatectomia radical e foi levado para a Universidade da Flórida onde foi tratado adicionalmente com protons, no University of Florida Proton Therapy Institute. Ficou dois meses nessa instituição que conheço tão bem – fui pesquisador e professor na UF durante mais de um quarto de século.

Ruddi parece curado. Só o tempo e exames periódicos dirão. Não obstante, há uma lição nessa estória para todos nós. Quando nos sentimos vítimas de injustiça aos 60 ou 70 porque temos câncer ou porque alguém que amamos o tem, pensemos em Ruddi e sua família. Abaixo, Ruddi numa foto com a mãe, tomada por Ross Party.

Ainda temos o direito de reclamar?

Pesquisa acende esperança num dos cânceres mais letais

No último ano perdi dois colegas e amigos que morreram devido à forma mais letal e mais comum de câncer  no cérebro, o glioblastoma. Um professor de Sociologia da Universidade da Flórida e uma professora de Ciência Política da USP faleceram devido a esse tumor. Um colega, Hernan Vera, comentou que esse era um um dos cânceres contra os quais não houve progresso significativo nos últimos vinte anos. Mata tanto quanto antes. A maioria dos pacientes morre em ano e meio depois do diagnóstico.

Pesquisadores da Universidade de Duke descobriram que um receptor chamado de neurokinin 1 (NK1R), que parece estar presente em todos as células de glioblastoma talvez seja um alvo apropriado de terapias futuras. Duke tem um centro dedicado à pesquisa e tratamento de tumores cerebrais, o Preston Robert Tisch Brain Tumor Center.

Estamos, ainda, nos experimentos in vitro, com os pratinhos Petri. Neles, quando o  receptor NK1R foi ativado, uma proteína chamada Akt também era ativada. A Akt impede o processo natural que leva à morte das células. Para quem não sabe, nossas células normalmente morrem sendo substituídas por outras, novas e saudáveis. Sem esse processo, as células se reproduzem, não morrem e seu número cresce e cresce – é o câncer.

Qual a esperança? É que bloqueando a atividade do NK1R não se ativa a proteína celular Akt, que impede a saudável morte das células mais velhas.

O que os pesquisadores acharam? Em estudo anterior, demonstraram que em dez glioblastomas havia atividade do NK1R (e em nove de 12 astrocitomas, outra forma de câncer do cérebro, menos letal). Agora demonstraram que bloqueando o NK1R dificultavam que se ativasse as proteínas Akt. Sem que essas últimas fossem ativadas, as células continuaram a morrer e a se renovar naturalmente.

É uma esperança. Como sempre acontece, pesquisadores em diferentes partes do mundo realizarão pesquisas sobre o tema, aumentando a probabilidade de novas descobertas. Empresas podem começar a a investir recursos nessa linha, aumentando as chances de encontrar uma cura ou, pelo menos, de algo que retarde esse câncer.

Fonte: Journal of Neurochemistry, edição online de 30 de março.

Substâncias extraídas da árvore de Magnolia podem ajudar na luta contra o câncer de próstata

É a vez da magnolia, que contem uma substância, chamada de honokiol, extraída da raiz e da crostra da árvore. É a conclusão a que chegaram pesquisadores da Universidade de Pittsburgh. Honokiol há muito tempo compõe o arsenal da medicina tradicional japonesa e chinesa. Tem propriedades anti-inflamatórias, anti-bacterianas e anti-alérgicas. Pelo visto, honokiol atua contra o câncer de muitas maneiras. Sobretudo, parece impedir as células cancerosas de se multiplicarem e metastizarem.

Há vários tipos de células de câncer de próstata, entre elas as chamadas de PC-3 e C4-2, que não dependem de hormônios masculinos para crescer. São muito perigosas. Há outro tipo de célula que depende, a LNCaP, que responde aos andrógenos.

Os camundongos foram alimentados com 1, 2 e 3 miligramas de honokiol oralmente, três vezes por semanas. As células PC-3 foram implantadas e os pesquisadores mediram o crescimento do tumor. Os tumores eram menores nos camundongos alimentados com 2 miligramas de honokiol do que no grupo controle, que não recebeu nada.

O honokiol parou o crescimento das células cancerosas em mais de uma maneira: reduziu a reprodução celular, conduziu a uma forma de morte programada das células que se chama apoptose, e parou a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam os tumores. Finalmente, não houve efeitos colaterais dignos de nota.

E as células PC-3 e C4-2? O honokiol inibiu a multiplicação e aumentou a morte programada, a apoptose.

É mais uma esperança. O honokiol age de diversas maneiras e ataca o câncer de vários modos. Muitos dos produtos naturais que vimos nesse blog atuam apenas em uma direção. Pesquisas com outros tipos de câncer estão começando.

Fonte: Hahm ER, Arlotti JA, Marynowski SW, Singh SV. Honokiol, a constituent of oriental medicinal herb Magnolia officinalis, inhibits growth of PC-3 xenografts in vivo in association with apoptosis induction. Clin Cancer Res. 2008;14:1248-1257.