Avanços na sobrevivência de cânceres

As notícias vindas do Reino Unido são boas, mas não ótimas. Houve um avanço considerável na sobrevivência (dez anos depois do diagnóstico) dos adultos em alguns cânceres nos quarenta anos de 1971-2 a 2010-11, melhorias em outros e quase estagnação em alguns nos quais a ciência ainda não encontrou o caminho, particularmente os do pulmão e do pâncreas. Houve pouco progresso no tratamento de cânceres do esôfago, do estomago e do cérebro. Do lado bom da escala, a sobrevivência do câncer dos testículos está próxima de cem por cento (98%), um avanço bem-vindo desde os 69% de quatro décadas atrás. O temível melanoma está sendo domado: a sobrevivência aos dez anos deu um salto, de 46% para 89%.

No conjunto, metade dos cancerosos sobrevive dez anos ou mais. Dez anos depois do diagnóstico, metade está viva. É um avanço: na média, entre os que foram diagnosticados no início da década de 70, somente um quarto estava viva depois. Um câncer que obteve um aumento substancial na sobrevivência foi o de mama, graças em parte considerável à mobilização e à politização das mulheres: de 40% para 78%. Aliás, as mulheres se beneficiaram mais das melhorias do que os homens: das diagnosticadas (de todos os cânceres) recentemente, 54% devem sobreviver, pelo menos, dez anos, bem mais do que os 46% dos homens. Parte da diferença se explica pelo fato de que os homens continuam a fumar e beber mais do que as mulheres. Em 1974, 51% dos homens adultos britânicos fumavam, dez por cento a mais do que as mulheres adultas. Em 2012, essas percentagens eram de 22 e 19, respectivamente (Fonte: http://www.ash.org.uk). Não tenho dúvidas de que a redução no fumo contribuiu muito para a redução da mortalidade por câncer. Infelizmente, o quadro do consumo de bebidas alcoólicas não é positivo: aumentou de 1974 a 2013, a despeito de uma redução a partir de 2004. Tomando a Inglaterra em separado, pesquisa feita em 2011 revelou que 39% dos homens e 28% das mulheres tinham bebido mais do que o nível máximo recomendado. Esse nível é mais alto no caso dos homens, o que significa que as diferenças absolutas no consumo de álcool entre os sexos é ainda maior. Há vários cânceres com relações com o consumo excessivo de álcool.

E o câncer da próstata? Os dados mostram que 94% estavam vivos um ano depois do diagnóstico, 85% cinco anos depois e 84% dez anos depois. Avançou muito em relação a outros cânceres: entre os diagnosticados no início da década de setenta, havia seis cânceres com melhor sobrevivência (entre os individualizados no gráfico abaixo), mas a projeção a respeito dos diagnosticados quarenta anos depois é que somente os diagnosticados com câncer testicular e com melanoma terão sobrevivência maior aos dez anos.
Esses são os dados britânicos. A sobrevivência é mais alta nos Estados Unidos e deve
[i] ser muito mais baixa no Brasil. Nossa saúde pública deixa muitíssimo a desejar.

O objetivo de todo departamento da ciência médica é, claro, a cura. Até agora, temos tido avanços graduais e cumulativos, como é o caso do câncer da próstata, ou grandes avanços devido a inovações no tratamento.

 

 

 

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Ver: Adult 10-year net survival, England & Wales Credit: Cancer Research UK


[i] Os dados brasileiros são pouco confiáveis.

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Sem medo de morrer

Conversei com Amaury de Souza poucos dias antes da sua morte. Conversamos, sobretudo, sobre câncer, tema no qual sou veterano. Amaury enfrentava um dos cânceres mais agressivos que há, o do pâncreas. Influenciado pela minha história de convivência com um câncer de progressão mais lenta, que já completou 17 anos (desde o diagnóstico), resolveu que tentaria transformar o mal que o afligia numa doença crônica. Já tinha mudado a dieta, entrado num programa de exercícios. Iria consultar meus blogs sobre o câncer da próstata e ver o que poderia acrescentar ao seu tratamento e ao seu estilo de vida para transformar um câncer letalíssimo em uma doença crônica. Sua voz bonita e firme revelava seu caráter decidido. Poucos dias depois, li no e-mail notícia sobre a sua morte.

 

A estória de Amaury é a de um jovem brilhante e criativo, com mais do que uma ponta de cinismo, que viveu num período em que o mundo mudou. Parte de um privilegiado grupo de estudantes mineiros que transformaram a Ciência Política no Brasil, Amaury iniciou sua carreira combinando os estudos com o ativismo político. Foi, se bem me lembro, um dos fundadores da POLOP (Política Operária). Amaury não era imune às voltas e reviravoltas de um mundo que mudava aceleradamente.

Amaury era um ativista, sim, mas essencialmente era um acadêmico. Tive o prazer de ter Amaury como um dos alunos de um seminário que ofereci em MIT. Era um de três alunos mineiros que tiveram um impacto claro sobre a Ciência Política no Brasil.  Completando o trio, lá estavam Fabio Wanderley Reis e Antônio Octávio Cintra.

Também tive a satisfação de ver Amaury usar dados que eu coletara nas eleições de 1960 e demonstrar que a cor influenciava a preferencia partidária e a intenção de voto além do status socioeconômico e da classe social. A significação dessa demonstração só se aquilata quando se considera que o pensamento político brasileiro era dominado pela “escola paulista”, que reduzia a influência da raça à classe social. Pensar diferente era enfrentar a ira da esquerda intelectual brasileira. Amaury enfrentou.[i]

Títulos? Não faltam. Doutor em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), foi professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e de diversas universidades norte-americanas. Foi, também, bolsista do Woodrow Wilson International Center for Scholars. Seus últimos livros foram recentes: A Agenda Internacional do Brasil: A Política Externa Brasileira de FHC a Lula, em 2009, e A Classe Média Brasileira: Ambições, Valores e Novos Projetos de Sociedade, em 2010, escrito com outro mineiro da “safra de ouro”, Bolívar Lamounier.

Como ressalta Margolis, “Amaury era politicamente incorreto, às vezes ao ponto de provocar arrepios.” Quando o Brasil político era conservador, ele era líder radical de esquerda; quando a direita militar já não estava no poder, e, ideologicamente, a academia brasileira voltava às décadas de 60 e 70, e, teoricamente, se dedicava ao pós-modernismo “de esquerda”, Amaury era um dissonante, um liberal de carteirinha, que apresentava dados e números para alicerçar suas ideias.

Dada a minha história pessoal, é importante ressaltar a coragem de Amaury frente a morte. Mac Margolis nos relata que, mesmo em etapa adiantada da doença, fazia questão de viver como sempre viveu: “nos encontramos na Urca no bar a poucos passos da sua casa. Magro e fragilizado pela doença, Amaury fazia questão de estar ali, tomar chope, falar de livros … comentar o julgamento do mensalão e decifrar os rumos da política brasileira.”

Quando muitos vegetam, amedrontados, esperando a morte, Amaury viveu intensamente e inteligentemente até o fim. Seu último artigo foi publicado dois dias antes da sua morte.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ   

 

 

Sem medo de morrer

Sem medo de morrer
Conversei com Amaury de Souza poucos dias antes da sua morte. Conversamos, sobretudo, sobre câncer, tema no qual sou veterano. Amaury enfrentava um dos cânceres mais agressivos que há, o do pâncreas. Influenciado pela minha história de convivência com um câncer de progressão mais lenta, que já completou 17 anos (desde o diagnóstico), resolveu que tentaria transformar o mal que o afligia numa doença crônica. Já tinha mudado a dieta, entrado num programa de exercícios. Iria consultar meus blogs sobre o câncer da próstata e ver o que poderia acrescentar ao seu tratamento e ao seu estilo de vida para transformar um câncer letalíssimo em uma doença crônica. Sua voz bonita e firme revelava seu caráter decidido. Poucos dias depois, li no e-mail notícia sobre a sua morte.
A estória de Amaury é a de um jovem brilhante e criativo, com mais do que uma ponta de cinismo, que viveu num período em que o mundo mudou. Parte de um privilegiado grupo de estudantes mineiros que transformaram a Ciência Política no Brasil, Amaury iniciou sua carreira combinando os estudos com o ativismo político. Foi, se bem me lembro, um dos fundadores da POLOP (Política Operária). Amaury não era imune às voltas e reviravoltas de um mundo que mudava aceleradamente.
Amaury era um ativista, sim, mas essencialmente era um acadêmico. Tive o prazer de ter Amaury como um dos alunos de um seminário que ofereci em MIT. Era um de três alunos mineiros que tiveram um impacto claro sobre a Ciência Política no Brasil.  Completando o trio, lá estavam Fabio Wanderley Reis e Antônio Octávio Cintra.
Também tive a satisfação de ver Amaury usar dados que eu coletara nas eleições de 1960 e demonstrar que a cor influenciava a preferencia partidária e a intenção de voto além do status socioeconômico e da classe social. A significação dessa demonstração só se aquilata quando se considera que o pensamento político brasileiro era dominado pela “escola paulista”, que reduzia a influência da raça à classe social. Pensar diferente era enfrentar a ira da esquerda intelectual brasileira. Amaury enfrentou.[i]
Títulos? Não faltam. Doutor em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), foi professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e de diversas universidades norte-americanas. Foi, também, bolsista do Woodrow Wilson International Center for Scholars. Seus últimos livros foram recentes: A Agenda Internacional do Brasil: A Política Externa Brasileira de FHC a Lula, em 2009, e A Classe Média Brasileira: Ambições, Valores e Novos Projetos de Sociedade, em 2010, escrito com outro mineiro da “safra de ouro”, Bolívar Lamounier.
Como ressalta Margolis, “Amaury era politicamente incorreto, às vezes ao ponto de provocar arrepios.” Quando o Brasil político era conservador, ele era líder radical de esquerda; quando a direita militar já não estava no poder, e, ideologicamente, a academia brasileira voltava às décadas de 60 e 70, e, teoricamente, se dedicava ao pós-modernismo “de esquerda”, Amaury era um dissonante, um liberal de carteirinha, que apresentava dados e números para alicerçar suas ideias.
Dada a minha história pessoal, é importante ressaltar a coragem de Amaury frente a morte. Mac Margolis nos relata que, mesmo em etapa adiantada da doença, fazia questão de viver como sempre viveu: “nos encontramos na Urca no bar a poucos passos da sua casa. Magro e fragilizado pela doença, Amaury fazia questão de estar ali, tomar chope, falar de livros … comentar o julgamento do mensalão e decifrar os rumos da política brasileira.”
Quando muitos vegetam, amedrontados, esperando a morte, Amaury viveu intensamente e inteligentemente até o fim. Seu último artigo foi publicado dois dias antes da sua morte.
GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ   

Pesquisas clínicas sobre o câncer. Como receber as informações em casa.

Participar de pesquisas clínicas é um dos recursos usados por pacientes  com cânceres avançados. Mas, onde encontrá-los? Como saber quais estão em curso e quais são planejados?
Há um blog com essas informações. Você pode se cadastrar (muito mais simples do que no Brasil) e receber as notícias como RSS ou no Facebook. Infelizmente, está tudo em Inglês, mas após o cadastramento você recebe as noticias no conforto do seu computador, em casa ou no trabalho.
Abaixo a URL e as instruções:

http://www.cancer-clinical-trials.com/2012/01/cancer-clinical-trials-how-to-follow.html?spref=fb

Não vacile. Há clinical trials que salvaram muitas vidas e continuarão a fazê-lo. Uma delas pode ser a sua, de um amigo, de um familiar.

Cancer Clinical Trials: how to follow our blog
If you are a seasoned blog reader, you may wish to skip this post.  If you are new to the world of blogging, you may be just discovering how to follow the blog.  Here are your options:
1.    Email.  The simplest way.  Just register your email in the subscribe by email box.  You will get an email with each new post.  We will never use your email for any other purpose.
2.    Join the blog and become a follower.  New posts will appear in your Google Reader and Blogger Reading List.  You will not get an email.  This is a great option if you are a regular user of the Reader or Reading List, but you will get left out if you rely on email for reminders.
3.    Subscribe by RSS.  Many email programs have an RSS option.  New blog posts will appear in your RSS inbox.  This is similar to subscribing by email, but instead of mixing the blog posts with your regular email, it segregates them into a separate RSS inbox.  You can subscribe by RSS by clicking the subscribe in a reader icon or you can do it from your email program.  In your email program, look for the add RSS feeds tool and paste in the following URL:  http://feeds.feedburner.com/cancer-clinical-trials.
4.    Follow us on Facebook.  Go to our Facebook page at Cancer Clinical Trials on Facebook.  Once you are on our page, click the “Like” button.  Our posts will appear in your Facebook newsfeed.

We plan to post new articles once or twice a week, so whatever option you choose, we hope to  inform you but not overwhelm you.

Quanto custa a hegemonia militar?

A hegemonia militar tem preço. Não sai barato. Os Estados Unidos gastaram, em 2010, 698 bilhões de dólares com os militares, a preços constantes de 2009.

Isso é muito ou pouco? O leitor pode responder a essa pergunta, de posse de alguns dados. Quem levanta, confere e organiza esses dados? Várias agências, mas talvez a mais confiável seja a SIPRI, localizada em Estocolmo. De acordo com o SIPRI, o segundo colocado nos gastos é a China, com 114 bilhões. Ou seja, menos de seis vezes. Mesmo assim, a China também gasta muito, em cifras absolutas: aproximadamente o dobro da França, o terceiro país mais gastador, exatamente o dobro do Reino Unido e mais do dobro da Rússia, outrora parte central da poderosa, ameaçadora e, comparativamente, pobre União Soviética.

Depois dos Estados Unidos, os dez países que mais gastam, em termos absolutos (sempre em dólares constantes de 2009), são a China, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Japão, a Alemanha, a Itália, a Arábia Saudita, a Índia e…o nosso Brasil. Gastamos mais do que a Coréia do Sul, o Canadá, a Espanha…

Pois bem, esses dez países (inclusive a China), somados, representam 523 bilhões de dólares, menos do que os Estados Unidos. Gastam 75% do que os Estados Unidos gastam. 

Como se paga a hegemonia militar? Todos os anos ela custa quase 5% do PIB. Noutros países desenvolvidos ela pesa menos: de 1% no Japão a 2,7% no Reino Unido.

Ela se paga, parcialmente, aumentando a dívida pública e, também parcialmente, reduzindo outros gastos, alguns considerados mais importantes. Mas isso tem custos.

Dia 5, o crédito do governo dos Estados Unidos baixou, pela primeira vez na história, de AAA para AA+. É um sistema usado pela Standard & Poor’s e a baixa não quer dizer que os Estados Unidos não pagarão suas dívidas. Em parte o problema é político, porque a rolagem, que era quase automática, só foi aprovada na última hora, numa jogada claramente política. Mas o problema existe.

A dívida pública não nasceu com Obama; ela aumentou nas guerras mundiais e foi gradualmente reduzida depois. Como percentagem do PIB, a dívida cresceu aceleradamente nas décadas de 80 e 90: triplicou entre 1980 e 1990. A Guerra Fria foi um das causas. Diminuiu quando ela terminou e voltou a crescer. Em 2008, a dívida pública tinha chegado a US $ 10, 3trilhões, ou dez vezes o nível de 1980. O crescimento da dívida fez com que um teto fosse aprovado, mas passou a ser mudado de acordo com as conveniências – todos os anos e sem problemas. Esse ano foi negociado e renegociado, com intenções que, para mim, são claramente eleitoreiras.

Há outros custos, no meu entender, muito maiores, medidos em anos de vida perdidos e em sofrimento.

O NIH é, de longe, a maior financiadora de pesquisas na área da saúde. Podemos ler no site do NIH: “o NIH investe… US $32,2 bilhões anualmente na pesquisa médica para o povo americano.” Menos de sete por cento do que gastam anualmente com as Forças Armadas.

A sobrevivência tem aumentado gradualmente


Tomemos o câncer, o segundo maior assassino da população americana, como exemplo: nos Estados Unidos, o National Cancer Institute (NCI), parte dos National Institutes of Health and the Department of Health and Human Services coordena muitas pesquisas sobre o câncer e uma das instituições que, no setor público, financiam pesquisas sobre o câncer.

O NCI gasta pouco menos de cinco bilhões por ano com pesquisas sobre o câncer, ou 0,7% dos gastos militares. Isso significa que os gastos militares de um ano equivalem aos gastos com pesquisas sobre câncer do NCI durante 170 anos. O orçamento anual do NCI é da mesma ordem de grandeza da construção de um porta-aviões, o Ronald Reagan.
Nos Estados Unidos, aproximadamente mil e quinhentas pessoas morrem de câncer todos os dias; por ano são perto de 570 mil pessoas – mais de meio milhão. Em toda a guerra do Iraque até o dia 18 de julho recente, morreram em combate 3.529 soldados americanos. O equivalente a pouco mais de dois dias do número de mortes de cancerosos nos Estados Unidos, onde uma em cada quatro pessoas deverá morrer de câncer.

Pesquisa e tratamento ajudam! Em 1975/77, de cada cem pessoas diagnosticadas com câncer, cinqüenta estavam vivas cinco anos mais tarde; mas entre os diagnosticados entre 1998 e 2005, 68% estavam vivos cinco anos depois. Um ganho de 13% em um quarto de século. Milhões de vidas. Quantos sobreviveriam se houvesse um corte de dez por cento nos gastos militares, e esses recursos (quase 70 bilhões de dólares anuais) fossem transferidos para a pesquisa, prevenção e tratamento do câncer? Afinal, estaríamos gastando quatorze vezes mais, todos os anos. O meu chute: em dez anos, vários cânceres estariam na categoria de doenças crônicas e muitos outros teriam uma cura bem mais fácil do que agora. Milhões de vidas americanas seriam salvas em uma década. É, ser potência custa caro! Em vidas humanas também.



GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Vírus contra o câncer

Um vírus que destrói células cancerosas é a notícia do dia. O nome dele é reovirus e quase todos nós já fomos infectados por ele, às vezes sem notar. Produz sintomas de gripe moderados. Ele ataca linfomas, e as células de cânceres do cólon, da mama, dos ovários, do pulmão etc.

Seis pacientes de câncer da próstata no Tom Baker Cancer Center no Canadá foram as primeiras cobaias humanas. Injetaram o vírus neles, diretamente nos tumores. O vírus está sendo desenvolvido e multiplicado por uma empresa canadense, a Oncolytics Biotech Inc., com o nome de Reolysin. Como parte da pesquisa, a próstata desses pacientes foi removida três semanas mais tarde. O vírus ligou o mecanismo de autodestruição das células cancerosas, mas não das células saudáveis.

Infelizmente esse efeito destrutivo só funcionou no local em que o vírus foi injetado – células cancerosas que estavam fora da área da injeção não foram afetadas. O vírus pode ser injetado diretamente no sistema sangüíneo; com isso poderia “viajar” pelo sistema e atacar células cancerosas distantes. Mas há outro problema: depois da primeira injeção, as defesas do corpo são acionadas e o vírus, visto como agressor, é destruído pelo sistema imune. É um problema, mas os pesquisadores, inteligentemente, conseguiram grudar o vírus nas células cancerosas que foram atacadas pelo sistema imune graças à presença do vírus.

Justificadamente, um especialista em câncer, Rameen Beroukhim, MD, PhD., adverte que ainda falta muito, até que o reovirus possa ser usado eficientemente. Mas é mais uma esperança.

Chá verde: onde ajuda e onde talvez não ajude

A notícia vem de Londres. É estudo do tipo que revê as pesquisas. Ficaram concentrados em 51 pesquisas com um mínimo e qualidade, feitas entre 1985 e 2008. Muitas delas foram feitas em países asiáticos, onde é alto o consumo de chá.
O que descobriram?
Há algum benefício para o câncer do fígado, do pulmão e da próstata. mas os resultados não são consistentes quando se trata de cólon, pâncreas e esôfago.
Pode até ser que aumente o risco de câncer da bexiga.
O trabalho foi publicado em The Cochrane Library, que divulga trabalhos muito bem selecionados e examinados.