TERAPIA HORMONAL E DEMÊNCIA

Uma notícia adiciona mais uma preocupação às dezenas já codificadas pelos pacientes de câncer da próstata que se tratam com o tratamento hormonal (Androgen deprivation therapy – ADT) acaba de ser publicada na revista JAMA Oncology.

Do lado muito positivo, a terapia hormonal aplicada às pessoas certas no momento certo aumenta consideravelmente a sobrevivência. Mas traz consigo um elenco indesejável de efeitos colaterais (o que eu mais sinto é a fadiga que às vezes parece exaustão e que me impede de fazer muitas coisas).

Como chegaram a essa conclusão?

Analisaram dados relativos a 9.272 homens com câncer da próstata tratados em um centro universitário de 1994 a 2013. Quando foram diagnosticados não tinham nenhum sinal de demência. Os que tinham, não foram incluídos no estudo. Desses 9.272, 1.826 receberam algum tipo de tratamento hormonal como parte do combate ao câncer.

Acompanharam esses pacientes, na mediana, durante 3,4 anos, período durante o qual 314 foram diagnosticados com demência. Lembrem que essa é uma população onde predominam os idosos e que a taxa de demência, incluindo Alzheimer, aumenta rapidamente com a velhice.

Não obstante, tanto os que receberam o tratamento hormonal, quanto os que não o receberam, eram, predominantemente idosos.

Os pesquisadores compararam os dois grupos e descobriram uma associação estatisticamente significativa entre o uso de ADT e o risco de demência. A razão de risco era de 2,17 P < 0,001). Ou seja, mais do dobro.

A mediana do tempo até o diagnóstico foi de quatro anos (mediana: metade antes de quatro anos; metade depois).

Podemos e devemos perguntar: OK, um risco é maior do que o outro, mas qual o risco? Entre os que usaram ADT, o risco era de 7,9%; entre os que não usaram, o risco era menor: 3,5%.

Isso significa que, entre os que fizeram o tratamento hormonal, um em cada treze desenvolveu a demência no prazo de cinco anos.

Ainda não se sabe muito sobre demência e Alzheimer, mas o conhecimento cresce rapidamente e já permite saber que é possível postergar o início desses males e reduzir a sua gravidade.

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A evidência sugere que o tratamento hormonal aumenta o risco de demência e de Alzheimer, mas é, mais uma vez, um caso de contrapor efeitos colaterais e benefícios.

GLÁUCIO SOARES     IESP-UERJ

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