Redução nas células cancerosas em circulação e sobrevivência[i]

Redução nas células cancerosas em circulação e sobrevivência[i]

Todos queremos saber o que nos espera, no câncer como em qualquer outro futuro. As perspectivas se reduzem em vários endpoints – situações que servem como marcadores do progresso do câncer. Uma condição que é um endpoint avançado é quando nos tornamos resistentes ao tratamento hormonal. Se ler trabalhos em Inglês, a expressão é castration-resistant prostate cancer (CRPC). Os que nos tratam também precisam saber se e como o câncer está avançando, se e como os medicamentos estão dando certo. O câncer nos mostra que somos muito diferentes e respondemos de maneira que pode ser muito diferente ao mesmo tratamento.

Um marcador é o número de células cancerosas em circulação, uma contagem que deve ser feita antes do tratamento e depois também, para poder avaliar seus efeitos e o que fazer em seguida. Contagens ≥5 células/7.5 ml aumentam o risco estatístico de resultados ruins, de avanço do câncer.

MUDANÇAS nesse valor indicam alguma coisa?

Indicam.

Pesquisadores reuniram pacientes com uma contagem ≥5 células/7.5 ml antes do tratamento pós-hormonal, que tinham essa informação disponível. Eles usaram dados de outras pesquisas, com pacientes que foram tratados com abiraterona depois da quimioterapia e os que tinham sido tratados somente com quimioterapia.

Os pesquisadores queriam saber se reduções de 30% ou mais nas células cancerosas em circulação indicavam êxito no tratamento ou não.

A conclusão é simples: um declínio de 30% ou mais indica uma vantagem na sobrevivência em relação aos pacientes que fizeram o mesmo tratamento mas cuja redução no número de células cancerosas em circulação foi inferior a 30%. Essa redução tinha um bem-vindo efeito sobre a sobrevivência independente de outras condições.

A pesquisa usou 486 pacientes (122 tratados com abiraterona e químio e 364 tratados somente com químio). Fizeram coleta e avaliações depois de 4, 8 e 12 semanas. Após quatro semanas, a relação estava presente e a razão de risco era 0,45 – dividindo o risco dos pacientes com maior redução nas células cancerosas em circulação pelo risco dos com menor redução, vemos que o risco dos primeiros de morrer era 45% do risco, maior, do segundo grupo. Nesse caso, quanto menor a percentagem, maior a sobrevivência. Após oito semanas, era 41% e após doze semanas era 39%. Esse benefício, essa maior sobrevivência, valia para todos os níveis de CTC no ponto de partida. Alto, médio ou baixo, se reduzissem significativamente as células cancerosas em circulação reduziriam o risco de morte.

Marcadores não servem, apenas, para saber como a gente está; servem, também, para reorientar o tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[i] Ver o artigo “Decline in Circulating Tumor Cell Count and Treatment Outcome in Advanced Prostate Cancer” em European Urology, June 2016.

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