A FADIGA, A QUALIDADE DA VIDA E A SOBREVIVÊNCIA

Um dos inimigos formidáveis que nós, pacientes de câncer, devemos enfrentar é a fadiga, o cansaço extremo. Pacientes de diferentes canceres identificam a fadiga como um dos piores efeitos colaterais da quimioterapia. Não obstante, a terapia hormonal também provoca fadiga. E muita.

Não obstante, analisando relatórios de vários tipos, desde pesquisas sistemáticas até informações nada sistemáticas dadas por outros pacientes, fica claro que a intensidade e tipo da fadiga, do cansaço extremo, varia de paciente para paciente. Há vários anos, pensávamos no câncer como algo tão poderoso que eliminava as diferenças entre os pacientes. Hoje sabemos que não é assim: o paciente individual, suas características, e o que ele faz ou deixa de fazer contam – e muito – para a sua qualidade de vida e a sua sobrevivência.

Quero ressaltar, nesta conversa, que a fadiga é muito, muito importante e temos que aprender a lidar com ela. Estou longe de fazê-lo, embora saiba como.

A fadiga afeta a qualidade da vida. Mudanças na qualidade da vida não são, apenas, consequências do câncer, mas influenciam o câncer também. Os pacientes que relatam que sua qualidade da vida é satisfatória vivem mais do que os que relatam que ela não é satisfatória.

Uma pesquisa com 148 pacientes usou vários indicadores, medidas e escalas, inclusive a Cancer Fatigue Scale, além de entrevistas qualitativas estruturadas, chegando à conclusão de que essa fadiga afeta, e muito, a qualidade da vida (que, por sua vez, afeta, e muito, a sobrevivência). Os pacientes que enfrentavam um nível mais elevado de fadiga, aumentavam a dependência em relação aos outros, perdiam poder de decidir (inclusive sobre coisas da sua própria vida) e enfrentavam problemas e interrupções negativas no que era normal na sua vida. Essas são áreas que conheço bem, vividas e sofridas.

Você pode ajudar pessoas que sofrem com a fadiga derivada do câncer e do seu tratamento. Se essas pessoas, de acordo com o médico, tiverem condições de ter uma vida mais ativa, ajude-as a sair da inatividade, da solidão e da prisão doméstica. Se tiverem condições de andar, caminhar, fazer exercícios, ajude-as a incorporar essas atividades ao cotidiano delas. Você estará ajudando a que vivam mais e melhor.

Leia mais: Cancer Related Fatigue and Quality of Life in Patients with Advanced Prostate Cancer Undergoing Chemotherapy, em BioMed research international. 2016 Fev 14.

 

Gláucio Soares IESP-UERJ

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