TERAPIA GENÉTICA SUICIDA

Há uma terapia contra o câncer da próstata que promete. Está nos estágios iniciais de desenvolvimento. Está recebendo nomes provisórios, alguns estranhos, como terapia genética suicida… o que ela faria seria conduzir as células cancerosas ao suicídio, à autodestruição.

Essa terapia modifica as células cancerosas, tornando-as “visíveis” ao nosso sistema imune que, normalmente, não as vê como agressoras ou ameaçadoras. Daí o nome de terapia genética suicida. É como se as células, sendo gente, se vestissem de vermelho e provocassem um touro.

Nosso sistema imune enfrenta muitas doenças infecciosas durante a vida; está, constantemente, em luta e é um sistema poderoso. Mesmo as pessoas debilitadas pela idade e/ou as doenças, possuem um sistema imune que é relevante na defesa do corpo.

O sistema, porém, precisa identificar o inimigo como tal. E poucos são os seus soldados que identificam as células cancerosas do mesmo corpo como invasoras a serem combatidas.

Essa técnica modifica as células cancerosas de tal maneira que elas passam a ser identificadas como invasoras. E o sistema imune lança suas tropas contra elas.

Os resultados são promissores, mas não são fabulosos. Cinco anos depois do tratamento, os pacientes sobreviventes eram 20% a mais do que seria esperado com os tratamentos convencionais. Vinte por cento é bom.

Essas pesquisas estão sendo feitas no Houston Methodist Hospital no Texas. Ela vem combinada com a radioterapia e promete. Até agora, só isso: promete. A técnica modifica geneticamente as células cancerosas, de maneira a fazer com que elas sinalizem que não são células normais. O grande problema do câncer é que nosso corpo não identifica as células cancerosas como invasoras porque elas evoluíram a partir das células normais, saudáveis.

Os pesquisadores usam um vírus que leva a terapia genética para dentro das células cancerosas, tornando-as “visíveis” aos métodos de detecção do nosso sistema imune que manda suas tropas contra elas.

A conversa está boa, mas o que mostram os dados?

Os pesquisadores construíram dois grupos de 62 pacientes cada. Eram pacientes com canceres agressivos. Um grupo recebeu a terapia genética duas vezes e o outro recebeu três vezes. Os dois grupos receberam radioterapia.

A sobrevivência nos dois grupos foi 97% e 94%, mas não havia grupo controle. A comparação foi feita com outros estudos que tinham um grupo semelhante que recebeu, apenas, radioterapia. Comparando com a média desses estudos, os pesquisadores afirmam que houve um ganho na sobrevivência entre 5% e 20%.

Dois anos depois, foram realizadas biopsias nos grupos que deram resultados negativos em 83% e 79% nos dois grupos. A julgar pelas biópsias, estavam curados, ainda que saibamos que as biopsias apresentam muitos falsos negativos – casos em que há câncer que a biópsia não detecta.

Claro, estão trabalhando na melhoria do tratamento. Uma das ideias é injetar o agente viral diretamente no tumor.

Os vírus que foram usados não podem se reproduzir. Nem devem, devido ao perigo de mutações que criem doenças autoimunes.

Não é para já. Serão mais alguns anos até que aperfeiçoem o tratamento e o testem numa pesquisa Fase III e possam ser usados no tratamento dos pacientes.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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