Quanto tempo até que o câncer volte a avançar?


Lawrence Klotz, um médico pesquisador do Departamento de Urologia da Universidade de Toronto e sua equipe tratavam pacientes que, como eu, como muitos, tinham feito a cirurgia e/ou a radioterapia para tratar o câncer da próstata, mas o câncer tinha “voltado”, mas que não tinham sinais óbvios de metástase. Eles faziam um experimento comparando um grupo, que recebia tratamento hormonal contínuo, sem interrupções, e outro que recebia o tratamento até que alguns indicadores, sobretudo o PSA, demonstrassem melhora, atingindo níveis muito baixos. Não obstante, coletavam dados sobre outros indicadores, como a testosterona.

Resolveram, então, perguntar se a baixa da testosterona teria algo que ver com a sobrevivência. Concentraram os esforços nos 626 pacientes que recebiam o tratamento hormonal continuo.

Uns desses pacientes atingiam o indesejável “castration-resistant prostate cancer” (CRPC), ou seja, não respondiam ao tratamento hormonal, o PSA subia, apareciam indicadores de metástase e mais. Embora muitos chegassem nesse nível, alguns chegavam depois de pouco tempo e outros depois de muito tempo. Como saber qual o destino de um paciente que está sendo tratado? Quanto tempo até aparecerem sintomas de metástase e avanço da doença?


Os dados não são tão ruins quanto o nosso medo.


Enquanto a pesquisa durou, 226 dos 626 desenvolveram resistência ao tratamento e entraram naquela nova categoria, mencionada acima, a dos que tinham um câncer que era castration-resistant (CRPC). Trinta e seis por cento tiveram essa piora; 64% não tiveram – durante a duração da pesquisa ou a partir das projeções estatísticas depois que a coleta primária de dados parou. Um em cada três teria que, eventualmente, enfrentar novos medicamentos, com piores efeitos colaterais e menores benefícios. Aos cinco anos depois de iniciado o tratamento, o câncer não avançara em 69%. Outra medida de tempo: dez anos. Aos dez anos de tratamento, metade dos pacientes passou a não responder bem ao tratamento hormonal e o PSA voltou a crescer. DEZ ANOS! A outra metade continuou respondendo bem.

Se você ainda está respondendo bem ao tratamento hormonal, é provável que queira saber quanto tempo tem até que o tratamento não evite mais o avanço do câncer. É possível ter uma ideia, fazer uma estimativa (sujeita a erros, claro).

A resposta está no nível mais baixo da testosterona durante o seu tratamento. Quando há uma série de medidas, o nível mais baixo atingido é chamado de nadir.

No grupo sendo tratado, 78% atingiram o nível de 0,7 nmol/L ou menor; outros 21% não baixaram tanto, ficando entre 0,7 nmol/L e 1,7 nmol/L e um terceiro grupo respondeu pouco, ficando no nível de 1,7 nmol/L

ou mais.

Aqui pode surgir um problema: os seus dados seguiram métrica diferente: aparecem números seguidos de ng/dl. E aí?

É como medir a distância em quilômetros ou léguas. Há tabelas que permitem comparar. 0,7 nmol/L equivalem a 20,17 ng/dL (menos que isso é ótimo) e 1,7 nmol/L equivalem a, aproximadamente, 49 ng/dL.


Se quiser usar a tabelinha escreva a URL:

http://www.endmemo.com/medical/unitconvert/Testosterone.php


Os pacientes com os níveis mais baixos eram mais idosos (idade média de 74,3 anos vs 69,6 anos).


E qual a influência do tal do nadir da testosterona?

Os pacientes na faixa de 0,7 nmol/L a 1,7 nmol/L tinham o risco mais alto (um risco 62% maior em comparação com os que tinham menos de 0,7) e os que tinham 1,7 nmol/L ou mais tinham um risco relativo 90% mais alto do que os com nadir igual ou menor do que 0,7 nmol/L.

O risco de morte era claramente mais alto entre os pacientes com um mínimo – o nadir – entre 0,7 e 1,7 (HR = 2.08; 95% CI, 1.28-3.38) e, sobretudo, entre os com um nível mínimo de testosterona mínimo (o nadir) superior a 1,7 (HR = 2.93; 95% CI, 0.7-12.3). Comparando os com um nadir alto, de 1,7 ou mais, e os com nadir baixo, menos de 0,7, o risco de morte era três vezes maior no primeiro grupo.

GLÁUCIO SOARES                                      IESP/UERJ

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