Proteínas da malária contra o câncer

Há muitas surpresas no transcorrer de uma pesquisa. Algumas são imprevisíveis. Na Universidade de Copenhagen um grupo trabalha sobre como proteger mulheres gravidas e seus fetos se contraírem malária. Na University of British Columbia outro grupo trabalha sobre câncer – prevenção e tratamento. Os dois grupos publicaram resultados preliminares no mesmo número da revista Cancer Cell. Ficou clara a possibilidade de juntarem seus saberes e conseguirem tratamentos mais eficientes para diferentes tipos de câncer. Se comunicaram e formaram um grupo que possivelmente se transformará em um sólido grupo interinstitucional de pesquisas. Fizeram alguns rápidos experimentos com células em cultura e em camundongos e os resultados são animadores. Proteínas da malária, armadas com uma toxina, “buscaram” as células cancerosas, soltaram a toxina e destruíram as células.

Há algumas semelhanças entre o crescimento das placentas e dos tumores. Ambos, placenta e tumores, crescem rapidamente em ambientes hostis. A placenta começa como umas poucas células e em poucos meses atinge um quilo. Há semelhanças com os canceres.

Aí entram os primeiros testes, com um pequeno número de camundongos. Implantaram neles três tipos de canceres humanos: o non-Hodgkin’s linfoma, o câncer da próstata e o câncer ósseo metastizado. Dividiram os camundongos em dois grupos. Um não teve tratamento e outro foi tratado com a toxina do parasita da malária. No caso dos inoculados com o linfoma os tumores foram reduzidos a um quarto do tamanho dos não inoculados (o grupo controle); nos seis camundongos inoculados com câncer da próstata, em dois os canceres desapareceram (mas não no grupo controle) e no caso das metástases ósseas, cinco dos seis sobreviveram por um tempo definido – em contraste com nenhum do grupo controle. Esses resultados são tão promissores que muitas empresas e centros acadêmicos de pesquisa vão examinar e, possivelmente, realizar suas próprias pesquisas até, quem sabe? chegar à Fase III.

Esperança, sempre esperança.

 

Gláucio Soares IESP-UERJ

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