Os benefícios da abiraterona são maiores do que se pensava

 

 

Quando, num experimento em andamento, os dados provisórios permitem ver que há um benefício claro para os que estão no grupo experimental, por razões humanitárias se permite que os membros do grupo placebo passem para o experimental. Essa passagem é chamada de cross-over.

Uma equipe capitaneada por Wayne Kuznar reanalisou os dados de uma pesquisa que, a partir de um ponto, permitiu o cross-over.

A pesquisa lidava com mais de mil pacientes adiantados, que tinham metástases crescentes e que já não respondiam ao tratamento hormonal, chamados de pacientes mCRPC, mas que não tinham sintomas ou tinham sintomas leves. Quando foram diagnosticados, metade dos pacientes nos dois grupos tinham um Gleason ≥8 (esse sinal significa igual ou mais alto do que 8).

Foram dois grupos iguais, um, placebo mais prednisona, e outro acetato de abiraterona (1.000mg. diariamente) mais prednisona.

Por mais frio que pareça, os pesquisadores calculam as mortes, além de registrarem quando elas acontecem. Depois de pouco mais do que quatro anos, 741 pacientes tinham morrido.

Quarenta e quatro porcento dos pacientes do grupo placebo passaram para o grupo experimental e começaram o tratamento com abiraterona. É o cross-over.

Porém, esses pacientes passaram um tempo, grande para alguns, sem esse tratamento, o que prejudicou seu resultado. Os ganhos com o uso da abiraterona

Inicialmente, se calculou que a mediana (metade mais, metade menos) de sobrevivência geral, considerando todas as causas de morte, era de 30,3 meses no grupo placebo e de 34,7 meses no grupo abiraterona. O risco de morte no grupo abiraterona era 19% menor. Porém, quando foram levados em consideração os efeitos da mudança de grupo, a diferença aumentou para 26%.

Já sabemos que alguns pacientes não respondem ao tratamento com abiraterona (ou enzalutamida) e já sabemos o porquê. Esses tratamentos aumentam a vida dos pacientes em alguns meses, na mediana. Metade vive mais do que isso e alguns pacientes vivem muito mais. É o que temos, mas há algumas promessas sendo pesquisadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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