Explicando o Gleason

O escore Gleason indica quão agressivo é um câncer da próstata. Quanto mais alto, mais agressivo, pior. Descoberto o câncer através de biópsia, o Gleason contribui para orientar o médico na recomendação de um tratamento. Qual tratamento usar? O Gleason, o PSA, o PSADT e outros indicadores ajudam. Há muitas opções e uma delas é não fazer cirurgia, radiação nem terapia hormonal. Simplesmente acompanhar o paciente. Quem entra nessa categoria? Usualmente pacientes com Gleason baixo e PSA também baixo e crescendo lentamente. Feitos os cálculos, se for provável que o paciente morra antes de outra causa, tratamentos invasivos e/ou com efeitos colaterais pesados são temporariamente descartados. Não obstante, o acompanhamento é necessário porque os canceres mudam, alguns ficam mais agressivos, o que pode levar o médico a recomendar um tratamento mais radical. Quando o Gleason tem um valor de 8, 9 ou 10 (que é o mais alto possível), usualmente o médico recomenda um tratamento mais pesado. Como sempre, as organizações de defesa dos pacientes recomendam ter mais de uma opinião medica, sendo importante que os dois sejam competentes, independentes um do outro, e de consultórios ou clinicas diferentes.

Como apareceu o Gleason? Foi desenvolvido por um patologista na década de 60 e meio século mais tarde continua a ser usado.  Continua a ajudar a prever como o câncer vai se comportar. O patologista olha a amostra do tecido canceroso através de um microscópio de baixa magnificação. Ele observa o padrão das células cancerosas.  Usualmente elas recebem uma nota, um valor, de 3 a 5. O padrão maior, que ocupa mais espaço na amostra examinada, recebe o primeiro valor. O segundo mais frequente recebe o segundo valor.  Um Gleason, usualmente, sete pode ser 4+3 (pior) ou 3+4 (melhor).  E se só houver um padrão? O patologista dobra o valor do padrão (exemplos: 3+3; 4+4 ou 5+5).

Gleason 2+2:

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Usualmente, o patologista usa várias amostras do tecido canceroso. Quando eu fiz a primeira biópsia, eram quatro agulhas, mas na segunda eram seis e o número recomendado aumentou. É uma questão de probabilidade: quanto mais agulhas, maior a probabilidade de encontrar o câncer, se ele existir.  Não é só o número, mas também a distribuição. Há áreas mais fáceis e mais difíceis de fazer a biópsia. Agora, há biópsias “guiadas” com o auxílio de uma técnica de imagem.  Buscam garantir que as áreas suspeitas entrarão nas amostras.  

Gleason 5:

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A biópsia pode revelar a extensão do câncer.  Quanto mais tecido canceroso nas amostras, pior.

Encontrado o câncer, o médico pode sugerir outros exames, como o MTI, tomografias computarizadas ou escanear os ossos. Há considerações de custo. Outros dados são levados em consideração. A idade e a saúde do paciente contam. Talvez não faça sentido propor um tratamento pesado, invasivo, num paciente muito idoso (80 ou 90) e/ou com outra doença grave. O efeito do tratamento sobre o paciente é levado em consideração, assim como a probabilidade de que ele morra por outra causa antes que os piores efeitos do câncer da próstata se façam sentir.

Qualquer decisão sua deve ser tomada a partir das informações e conselhos de seu médico, preferivelmente urólogo ou oncólogo, idealmente os dois.

GLÁUCIO SOARES                                        IESP-UERJ

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