APRENDENDO COM OS ERROS: COM OS NOSSOS E OS DOS OUTROS

Durante a campanha os institutos de opinião pública foram avaliados e acusados a partir dos resultados que publicavam e não a partir de um exame detalhado dos métodos usados. Aprovação, se o resultado divulgado apoiava os preconceitos e as preferências, algo que não muitos estão qualificados para fazer; rejeição e acusações de corrupção e de manipulação dos dados, se os resultados favorecessem os candidatos e partidos adversários.  Essas acusações desapareceram com o resultado das eleições. Ninguém parece querer se lembrar do que disse ou escreveu antes das eleições. Não obstante, a autocritica é tão necessária quanto a crítica a outros. O que prejulgamos bate com os dados?

Os institutos estabelecidos de pesquisa são sérios. Não existem para fraudar. Seu êxito comercial depende de sua capacidade de prever, de acertar.

O que divulgaram os principais institutos de pesquisa e como esses resultados se encaixaram com a votação de fato, com os dados oficiais do TSE?

 

  VOX POPULI IBOPE DATAFOLHA TSE (RESULTADOS)
DILMA 47 46 44 42
AÉCIO 26 27 26 34
MARINA 23 24 24 21

 

A primeira observação nos informa que a concordância entre os institutos de pesquisa foi grande. As pesquisas feitas logo antes das eleições pelo Vox Populi, pelo IBOPE e pelo DATAFOLHA projetaram resultados muito semelhantes. A percentagem dos votos que seriam dados a Dilma variou três pontos percentuais, de 44% no Datafolha a 47% no Vox Populi; a percentagem propensa a votar em Marina variou apenas um por cento, assim como a propensa a votar em Aécio. As diferenças não estão entre os institutos de pesquisa, mas entre eles e os resultados oficiais. Todos sobrestimaram a votação de Dilma (de dois a cinco pontos percentuais) e, também, a de Marina (de dois a três pontos percentuais). O grande afastamento foi dado em relação à votação que Aécio obteve, que foi de sete a oito por cento mais alta do que a prevista. Essa votação, que surpreendeu muitos, foi a grande diferença entre o esperado e o observado.  Creio que dos comentaristas que li, o mais se aproximou do alvo foi o Bruno Reis, com uma afirmação genérica, no sentido de que subestimar o Aécio é um grave erro.

Esse é um bom momento para aprender. Se você escreveu criticando os institutos de pesquisa ou acusando um ou outro de má fé, ou se, verbalmente expressou esse sentimento, ou se simplesmente pensou em erro derivado da incompetência ou da má fé, acreditando no erro e na desonestidade alheia, errou e errou feio. Aproveite para aprender com o erro. Há algumas explicações consistentes com os dados, sendo uma a de transferência de votos à última hora, principalmente dos candidatos menores, dos que não pretendiam votar, dos indecisos etc. Outra possibilidade parte de que, em pesquisas de campo não podemos descartar a possibilidade de que, intencionalmente ou não, os entrevistadores intimidem os entrevistados.  Erros de amostragem não podem ser descartados, particularmente em pesquisas com amostragem por cotas.

Hoje, 8 de outubro, foi divulgada pela revista Época, uma previsão do segundo turno na qual venceria Aécio. Já li várias insinuações e acusações de má fé.  É necessário, antes de fazer acusações apressadas, perguntar se o veículo que divulga tem a ganhar ou a perder publicando dados falsificados. Vejamos a situação da revista Época. Segundo o IVC, a circulação da revista Época caiu de 4,5% 2010 a 2012, de 408 mil para 389 mil; mesmo assim é das maiores do país. A Veja, por exemplo, anda perto de um milhão (há dois anos andava um pouco mais). Publicar resultados obviamente errados ou falsificados custa caro: baixa a circulação, baixam os anúncios.  

Os erros moderados são comuns e, como vimos, as pesquisas feitas logo antes das eleições superestimaram ligeiramente a votação de Dilma e de Marina e subestimaram bastante a do Aécio.  Mara Telles me lembrou de que houve erros grandes no nível estadual. Erros maiores são esperados, mas alguns erraram por muitos pontos percentuais.

Um procedimento mais inteligente é buscar e avaliar os métodos usados. Um dos blogs que citam esse resultado informa que a pesquisa foi feita apenas em 19 estados. Não sei se é verdade.  

Precisamos de mais informações. Antes de cairmos no poço fácil do pensamento conspiratório e das acusações infundadas que, frequentemente, ele estimula, de a si mesmo uma chance melhorar. Pesquise. Investigue.

Se quisermos evoluir como pessoas devemos aprender com os erros ou estaremos propensos a repeti-los.

 

GLÁUCIO SOARES    IESP-UERJ

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