Racionamento depois das eleições

Enquanto o Estado da Califórnia, com uma seca menos séria do que a que assola partes do Brasil, implementa o necessário racionamento, no Brasil esperamos as eleições para implementar medidas impopulares. O que fizeram na Califórnia?

  • Estabeleceram um consumo de 50 galões (189 litros) diários por pessoa;

  • Quanto é isso? Uma chuveirada usa entre 2 e 2,5 galões por minuto. Uma chuveirada de vinte minutos acaba com a cota diária de um californiano;

  • É igual para todos. Bilionários tem esse limite; favelados também;

  • Se o limite for ultrapassado, 500 dólares de multa. Sai caro até para as recém-chamadas classes B e C.

  • A jurisdição principal do abastecimento de água é local e não estadual. Há restrições esperadas, como a proibição de esvaziar e encher piscinas, usar água para limpar a calçada, a entrada da garagem e da casa, a obrigação de usar bicas e mangueiras que fecham automaticamente após pouco tempo, proibição de molhar as plantas e as plantações em dias consecutivos etc. Como o desperdício é menor, calculam que reduzirão o consumo em 20%.

A Califórnia está longe de ser o melhor exemplo.  Veja essa comparação entre a Califórnia e a Austrália (onde a seca anda pesadíssima) : se a California tivesse as mesmas taxas de uso  residencial de água que a Austrália, reduziria o consumo urbano de água  em 2,600 GL (2.1 million acre-feet) só em 2009, uma economia de 1,800 GL que poderiam ser consumidos por outros.

O que acontecerá no Brasl? Uma possibilidade é a de que as medidas, necessárias e impopulares, serão adotadas pouco tempo depois das eleições. Noto que um programa educacional pode evitar que um número grande de pessoas fique sem acesso à agua durante meses – a despeito da nossa cultura cívica ser o que é.

O desperdício no Brasil é muito grande. Uma redução importante e improvável no desperdício pode evitar que milhões fiquem sem água para o funcionamento elementar dos domicílios.

Há, infelizmente, a possibilidade de que o problema não seja enfrentado com competência e que a conjunção da irresponsabilidade política e a incompetência administrativa impeça que medidas racionais sejam tomadas. Nesse caso, as bicas, simplesmente, secarão.

 

Gláucio Soares                                   IESP-UERJ

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