Viajar de avião: o que você pode fazer para reduzir o desconforto

Estou certo de que entre as pessoas que leem os meus blogs ou as poucas que me visitam no Facebook, há muitas que viajam por avião uma, duas ou mais vezes por ano. Todos com quem conversei reclamam da falta de espaço entre as cadeiras. Li um artigo com várias informações úteis e achei que o tema merecia um pôster, particularmente considerando que uma fatia importante dos que leem o que escrevo são idosos e/ou pessoas que enfrentam doenças sérias.

De que se trata?

Numa pesquisa sobre a satisfação dos consumidores e usuários em 43 tipos de prestadoras de serviços, as empresas aéreas estavam em quadragésimo lugar – entre 43! O aspecto mais criticado é o conforto, os assentos no avião. E há razão para isso: os assentos estão ficando mais apertados, e com menos material para conforto, para reduzir o consumo de combustível.

Está mal, mas há margem para escolhas inteligentes. E há sites informativos. Um deles se chama AirfareWatchdog.com, cujo Presidente, George Hobica, acertadamente nos diz que fizeram a classe sardinha, digo econômica, tão desconfortável que estão empurrando muitos para a classe atum, digo “economy plus”, ou para a classe executiva. E haja dinheiro para pagar a executiva. Em verdade, as pessoas que eu conheço que viajam sistematicamente pela classe executiva são altos funcionários do governo brasileiro, parte dessa crescente burguesia do estado. Não é assim em todos os países: há uns dois anos, viajei de Lima ao Rio ao lado da então pré-candidata à Presidência do Chile, Michele Bachelet, que também reclamava dos preços da classe executiva e que só viajava se convidada porque já não conseguia pagar as passagens. A Presidente Bachelet tem um pouco de sobrepeso e problemas de circulação. Aprendi duas coisas: a mais importante, que a elite política de um país pode ser honesta e, também, que a insatisfação com as empresas aéreas é generalizada.

Quatro em dez passageiros dizem que o principal problema durante os voos é a falta de espaço (dados da TripAdvisor.com). O espaço varia de empresa para empresa e, claro, de modelo para modelo de avião. Nos Estados Unidos, a JetBlue oferece 34 polegadas na classe econômica (mas não em todos os voos) em contraste com, por exemplo, a Spirit, que oferece seis polegadas a menos.                                                       

A largura varia menos, entre 17,2 e 18 polegadas. Em algumas companhias, o maior diferencial entre as classes é que a executiva tem poltronas mais largas, mas estão longe de proporcionar o conforto de um assento que se inclina até quase a horizontal. É possível saber, com antecipação e pela internet, quais as dimensões dos diferentes assentos nas diferentes empresas, nos modelos e nas classes. A SeatGuru.com proporciona essa informação e é grátis. Os voos nacionais usualmente oferecem menos espaço que os internacionais. É razoável, dada a duração menor dos voos nacionais. Nos aviões, a primeira fila (chamada de bulkhead) oferece mais espaço para as pernas, mas frequentemente é reservada para famílias com crianças. As situadas nas filas das saídas de emergência também tem mais espaço para as pernas, mas muitas não reclinam e a maioria das empresas cobra um adicional pela fila das saídas de emergência. Convém examinar a disponibilidade de assentos para não ficar apertado, no meio, quando poderia ter espaço de um ou dos dois lados. Além da ExpertFlyer.com, a SeatGuru.com proporciona esse tipo de informações.

E se tiver que pagar? Em voos menores, até três ou quatro horas, passar da classe sardinha para a atum custa entre quinze e trinta dólares; nos voos longos, prepare-se para pagar mais de cem dólares.

E se você tiver grana? A escolha passa a ser entre empresas aéreas. Segundo Hobica, a melhor classe executiva é a da Singapore Airlines e a melhor primeira classe é a da Emirates Air. Se você não tiver muita grana, mas quiser mesmo viajar em pleno conforto nessas empresas, prepare-se para zerar a sua poupança ou vender o seu carrinho.

Os aviões são lugares com alguns riscos adicionais para a saúde. Em várias rotas, a altitude de cruzeiro varia entre 11 e 12 quilômetros, e a pressão dentro da cabina é equivalente à pressão fora de 1.800 a 2.400 metros (Bogotá está a 2.625 e Quito a 2.800) acima do nível do mar. Nessas altitudes a absorção de oxigênio é menor (hipoxia) e os gases dentro do corpo se expandem. A pressão mais reduzida (em comparação com onde vive a maioria da população) nas cabinas não apresenta problemas graves para passageiros saudáveis, mas há riscos para passageiros com problemas cardíacos, pulmonares e sanguíneos, como a anemia, podem ter problemas. Os aviões devem carregar oxigênio para uso por passageiros. Sei que uma empresa não decola sem ter quatro deles porque raramente cinco passageiros sentem necessidade no mesmo voo. Se você quiser ler um pouco mais, em linguagem não técnica, mas em inglês, sobre os perigos das viagens de avião para a saúde, consulte

http://whqlibdoc.who.int/publications/2005/9241580364_chap2.pdf

Espero que essas informações sejam uteis.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

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