Câncer e mensalão: diagnósticos e julgamentos

Estou cansado da previsibilidade das reações publicadas na mídia eletrônica sobre o mensalão e seu julgamento. As pessoas que defenderam candidatos e partidos, de um lado e do outro, publicam opiniões dentro da linha política anterior. Não há lugar para mudança, para fato novo, análises criativas, nada. Os intelectuais e acadêmicos talvez sejam os mais previsíveis. O que isso me ensina? Que dados e fatos não contam no mundo da política brasileira. Muito parecido com o que enfrentei após o diagnóstico de câncer: o especialista que era cirurgião recomendava a cirurgia, ao passo que os que eram radioterapistas recomendavam a radiação. Li, posteriormente, que perto de nove em cada dez cirurgiões recomendavam a cirurgia e os radioterapistas, em proporção semelhante, recomendavam a radioterapia. Isso me diz que os pacientes não contam, que eu não conto. Eles estavam destinados a recomendar o que recomendaram, nada mais importa. Os pacientes, entre eles eu, e nossas características tinham peso zero. Não contavam. Como agora: os dados não contam!

GLÁUCIO SOARES

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