REACENDENDO O DEBATE SOBRE A RELAÇÃO ENTRE SELÊNIO E CÂNCER DA PRÓSTATA

A história das pesquisas sobre as relações entre o consumo de selênio e o risco de câncer da próstata é um ziguezague. Primeiro, estudos que incluíram pesquisas de Fase I e II sugeriram um papel protetivo; estudos epidemiológicos também detectaram uma relação entre áreas pobres em selênio e risco deste câncer. Algumas pesquisas com números maiores também concluíram que o selênio tem uma função de proteção.

Não obstante, vieram à tona os resultados da pesquisa chamada SELECT, concluindo que o consumo de selênio (e da vitamina E também) não reduziam o risco de câncer da próstata, podendo até aumenta-lo. Durante um tempo, vivemos um período com a tristeza causada pela perda de um importante elemento no arsenal auxiliar contra o câncer. Porém, recentemente, surgiram novos dados que reacenderam as esperanças. Milan S. Geybels, um estudante de doutorado na Holanda, analisou dados de um amplo estudo, usando como medida do selênio no nosso corpo a quantidade existentes nas unhas do pé. Essa medida não reflete altos e baixos de curta duração na quantidade de selênio no corpo. É medida sobre quanto selênio temos no corpo, mais estável, e não de quanto selênio ingerimos a curto prazo. O Netherlands Cohort Study se concentrou nas relações entre a dieta e diferentes canceres, é muito grande (mais de 58 mil homens de 55 a 69 anos quando entraram no programa em setembro de 1986), um fator positivo. Estudos de uma faixa de idade são chamados de estudos de uma coorte etária. Geybels e colegas analisaram os dados de quase novecentos homens que foram diagnosticados com câncer da próstata durante os 17,3 anos de acompanhamento.

Comparando os homens com níveis mais altos de selênio com os com níveis mais baixos, os primeiros tinham um risco 60% menor de diagnóstico de câncer da próstata.

É muito importante saber que a Holanda é um espaço com níveis relativamente baixos de selênio. Ou seja: nesses níveis a suplementação com selênio faz sentido. Porém, em regiões com altos níveis naturais de selênio no solo, como amplas partes da região amazonense, há poucas pessoas com nível baixo de selênio e a suplementação preventiva não faz sentido.

Esses dados foram apresentados há alguns meses. Agora (fins de julho) foi publicado um artigo de Piet van den Brandt no Journal of the National Câncer Institute, que re-afirma as conclusões anteriores dessa pesquisa, mas aplicável aos canceres avançados: os com mais altas doses de selênio nas unhas do pé tinham um risco 63% de serem diagnosticados com canceres avançados.

Obviamente, temos necessidade de uma pesquisa que permita comparar os vários estudos diferentes, removendo os obstáculos metodológicos, entre eles medindo a quantidade de selênio no corpo da mesma maneira que diferentes pesquisas.

Até lá, o conhecimento será muito incompleto. Da minha parte, consultarei meu oncólogo sobre a conveniência de comer uma castanha do Pará diariamente…

 

GLÁUCIO SOARES    IESP/UERJ

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