A volta de um antigo medicamento?

 

Um remédio antigo, com um nome impossível para nós, leigos, (Diethylstilbestrol – DES) talvez volte a ser usado. O progresso no tratamento não se  limita à produção de novos medicamentos; há muitos ganhos com o aperfeiçoamento dos medicamentos existentes.

Porém, o DES tinha pesados efeitos colaterais, mas eles variavam com a dose. Era usado em pacientes com metástases. A dose usada por muitos, 5-mg, era altamente tóxica.   

Em 1941, Huggins estava pesquisando os efeitos tóxicos do DES e sua relação com a dosagem. Uma pesquisa chamada VACURG mostrou um aumento de 36% na mortalidade com essa dose.

Não obstante, num nível mais baixo, de 3-mg diários, os eventos tromboembólicos atingiram cerca de 10% dos pacientes, bem mais do que os 2,7% do outro grupo, que incluía duas substâncias (cyproterone acetate e

medroxyprogesterone acetate) numa pesquisa chamada de EORTC, feita na Europa. Um resultado consideravelmente melhor do que o obtido com 5-mg.

O risco de um evento tromboembólico aumentou com a idade, o peso e um histórico de doenças cardiovasculares, como seria de esperar.

Alguns pesquisadores começam a levantar a hipótese de que com doses baixas, de 1-mg a 3-mg, o DES poderia voltar a ser usado.

Quais os benefícios do DES?

Em cinco pesquisas houve uma resposta entre 39% e 79% do PSA. Como vários outros medicamentos dados a pacientes com câncer avançado, o ganho na esperança de vida foi modesto. Comecemos com o tempo até o câncer voltar a crescer: essa cifra está disponível em três pesquisas: 6,7; 7 e 7,5 meses (na média), uma variação limitada. Dentro de cada pesquisa também houve variação: duas proporcionaram essa informação. Uma entre dois e 36 meses; outra entre 4,8 e 15,2 meses. É importante notar que esses pacientes já haviam passado por outro tratamento hormonal e não respondiam mais a ele. Ou seja, o DES estava sendo usado em pacientes como um tratamento hormonal de segunda linha.

Uma pesquisa de Klotz e associados revelou que, dois anos depois, 63% dos pacientes que usaram DES como tratamento continuavam vivos. A sobrevivência média ou mediana deve ser aquilatada em relação à mesma sobrevivência da população masculina total com a mesma idade. No Brasil, homens com 75 anos têm uma esperança de vida de dez anos, ou 120 meses.

O DES é barato, raramente foi usado nos Estados Unidos mas foi amplamente usado na Europa. Pode ser melhorado e seus efeitos colaterais podem ser reduzidos. É um forte candidato a um tratamento hormonal de segunda ou terceira linha.

 

 

GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ   

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