Quanto tempo de vida temos depois do uso de Lupron?

Quanto tempo de vida temos depois do uso de Lupron? Em pacientes nos quais já há sinal de metástase, quando o poder do Lupron termina, a mediana da expectativa de vida varia entre 18 e 24 meses, na maioria das pesquisas. Porém, quando o Lupron é usado mais cedo, em função de um crescimento isolado do PSA, que é chamado de “uso adjuvante”, esse período pode chegar a cinco anos ou mais.

Por que tanta diferença entre duas estimativas do período de funcionalidade do medicamento? Uma explicação é a de que há um viés, chamado de “lead-time bias”, que sugere que parte da explicação reside em quão avançada estava a doença quando o tratamento foi iniciado. Nessa visão, o Lupron simplesmente interromperia o avanço da doença e, interrompendo, postergaria a morte. A maior diferença não seria devida ao efeito maior do Lupron se iniciado cedo, mas a que a doença estaria em níveis diferentes quando iniciado cedo e quando iniciado tarde.

Há dúvida sobre se vale a pena combinar o Lupron com antiandrógenos de longa duração, como Casodex ou Eulexin. Os dados demonstram uma pequena melhoria de 2% a 3% na sobrevivência depois de cinco anos.

A previsão da sobrevivência de indivíduos usando a terapia (anti)hormonal é quase impossível. Catalona, conhecido pesquisador e clinico, nos fala do caso de mais sucesso que tratou, um paciente que quando foi diagnosticado o câncer já invadira os ossos e boa parte do corpo, o que excluiu cirurgia e radiação. Catalona iniciou o tratamento anti-hormonal e o PSA sumiu e permaneceu não detectável durante 19 anos. Alguns pacientes ficam em remissão durante muito tempo: 10, 12, 15 anos, mas outros quase não respondem a esse tratamento. Ainda não há como prever como reagirá um paciente a esse tratamento.

Quando um tratamento antihormonal de primeira linha (acima, o exemplo foi o do Lupron) perde sua eficiência, muitos médicos usam outro tratamento, chamado de segunda linha (segunda, porque vem depois) e um dos mais comuns é o ketoconazole. Aqui também se aplica a regra: é impossível saber durante quanto tempo o paciente responderá.

Nos últimos anos, vários tratamentos foram acrescentados, mas sua eficiência usualmente é medida em meses e não em anos. Em parte, isso se explica porque os pacientes estão ainda mais velhos e, claro, as medidas que começam quando os pacientes estão mais velhos carregam um viés que aponta para uma sobrevivência menor.

GLÁUCIO SOARES                       IESP-UERJ

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