COMO INFORMAR O PÚBLICO LEITOR SOBRE O CÂNCER DA PRÓSTATA?

Testes educacionais mostram que nada menos do que noventa milhões de adultos americanos estão abaixo do nível esperado de alguém com educação secundária (2º grau). Negros e outras minorias étnicas estão super-representados entre as pessoas com essa dificuldade em ler e entender.

Essa deficiência gera dificuldades que podem ter consequências sérias para os deficientes com problemas de saúde.

Nos Estados Unidos, boa parte dessa população tem acesso à internet. Há duas perguntas que saltam aos olhos: quantos efetivamente buscam informações sobre problemas de saúde na internet? Quantos, entre os que buscam, entendem o que está escrito? São duas perguntas que exigem pesquisas de campo, que são caras, para poderem ser respondidas.

Em função desses altos custos, Ellimoottil, Polcari, Kadlec e Gupta optaram por analisar a informação disponível na internet e ver quão fácil, ou difícil, de ler era essa informação.

Começaram com 270 websites[i] e as palavras-chave mais usadas sobre o câncer da próstata. Havia 513 usadas em referência aos tratamentos do câncer da próstata. Dessas 513, escolheram as três mais comuns. Excluíram as que não eram essencialmente em palavras, em texto (como. por exemplo, as técnicas, as cheias de gráficos e tabelas etc.), e se limitaram ao material em língua inglesa. Afunilaram, portanto, chegando a 62 websites.

 

Usaram medidas padronizadas de facilidade de leitura (chamada de Flesch-Kincaid, uma, e Flesch, a outra).

O resultado assusta: somente 5% dos websites produzem materiais que possam ser entendidos por pessoas com menos do que o segundo grau completo.

Esse é um problema para quem quer aumentar o seu conhecimento sobre o câncer da próstata, usualmente pacientes, seus familiares e amigos, e operadores do sistema de saúde de nível mais baixo.   

Admitindo, como é forçoso, que há muitos conceitos e informações extremamente difíceis de transmitir para um público com um nível elementar de conhecimento e com dificuldades de leitura, esses dados nos falam da importância de ter, idealmente, sites especializados, dedicados à transmissão de conhecimento para um público que lê mal.

Se essa é a magnitude do problema nos Estados Unidos, creio que podemos hipotetizar que o problema é muito, muito sério no Brasil.

 

Saiba mais: J Urol. 2012 Oct 17

 

GLÁUCIO SOARES            IESP-UERJ




[i] Usaram os três programas de busca mais usados.

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