Volta o debate sobre o selênio

A discussão sobre o efeito do selênio sobre o câncer da próstata passou por diversas etapas. Estudos epidemiológicos mostravam que as áreas pobres em selênio tinham taxas mais altas. Várias pequenas pesquisas confirmaram essa associação. Porém, em todas havia problemas metodológicos. Dada a importância que essa associação teria para a prevenção do câncer da próstata, iniciou-se uma pesquisa chamada SELECT que inquiria sobre os hábitos alimentares dos entrevistados e os acompanhava para ver se havia associação do selênio com o câncer da próstata e a vitamina E, de um lado, e o câncer da próstata, do outro. Os resultados não mostraram associação e algumas análises parciais até sugeriam um efeito indesejável.

A questão parecia ter encontrado uma situação cognitiva aceitável, mas nas quais as primeiras pesquisas eram contraditadas pela SELECT.
Quando a questão parecia enterrada, Susan J Fairweather-Tait, da Norwich Medical School faz uma meta-análise de várias pesquisas, seleciona as doze melhores, e trata de investigar essa associação numa população total de mais de treze mil homens, incluíno perto de cinco mil casos do câncer. Artigo publicado no .American Journal of Clinical Nutrition.
Novo choque: os resultados indicam que ter níveis satisfatórios de selênio reduz o risco de câncer da próstata em 70%, uma redução raramente alcançada.
E agora?
Independente das diretrizes que venhamos  a adotar, níveis de selênio (retirados do sangue) até 170 ng/mL, reduziam o risco. Três estudos cuidadosamente realizados mostram que uma concentração entre 0,85 e 0,94 ug/g (usando material retirado das unhas) tinham um risco 71% menor.
Como o selênio é um veneno e em quantidades substanciais pode matar, minha conclusão – para meu próprio uso – é que a insuficiência de selênio aumenta o risco. Trabalhamos com limites: ter mais do que 170 ng/mL no plasma sanguíneo não é bom; os níveis considerados adequados quando medimos o selênio nas unhas se situa entre 0,85 e 0,94 ug/g. Os dois métodos (sangue e unhas) são muito mais seguros do que perguntas sobre a dieta. Corrigir a insuficiência do selênio, usando os limites encontrados, reduz o risco. Antes de formular qualquer política para uso pessoal temos que saber quanto selênio temos no corpo.
Ainda não temos dados consistentes que permitam uma política com alta credibilidade.
GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ

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