TERAPIA HORMONAL INTERMITENTE SÓ PARA OS CÂNCERES MUITO AVANÇADOS?

Uma pesquisa recém publicada coloca em dúvida os resultados de várias pequisas anteriores que propuseram que a terapia hormonal intermitente seria tão eficiente quanto a contínua, com efeitos colaterais menores – uma grande vantagem. Essa nova pesquisa confirma esses resultados somente para os cânceres muito avançados, mas não para os cânceres que ainda respondem ao tratamento hormonal e têm poucos outros sintomas.
Trata-se de pesquisa Fase III, com muitos pacientes. 
O que as pesquisas demonstram? Que a grande maioria dos pacientes reagirá bem ao tratamento hormonal(poucos são os que não respondem), mas que essa resposta é temporária. As pesquisas davam aos pacientes que seguiam esse tipo de tratamento uma esperança mediana de vida de dois anos e meio a três anos. Esses pacientes têm metástase e respondem a esse tratamento. Nesse tratamento, como em outros, a mediana (metade sobrevive menos, metade mais) da sobrevivência se situa entre dois anos e meio e três anos.
Em modelos experimentais, a estratégia intermitente prolongou o tempo até que o paciente não respondia mais a esse tratamento, chegando a um estágio conhecido como “resistente à castração”. Durante o tratamento, por que a quantidade de hormônios é menor no grupo intermitente, os efeitos colaterais também eram menores e a qualidade da vida mais alta.    
A pesquisa dirigida por Hussain analisou mais de três mil pacientes que respondiam ao tratamento hormonal. Todos foram submetidos a sete meses de terapia contínua. Os que baixaram o PSA a 4 ng/ml ou menos em seis ou sete meses foram distribuídos em dois grupos, um com terapia contínua e outro com terapia intermitente. Como a terapia hormonal intermitente era periódica, esses pacientes receberam metade dos hormônios que os que foram destinados ao braço contínuo. 
Os problemas colaterais foram ligeiramente mais elevados no braço contínuo (32,6% vs 30,3%). Nada parecia interagir com o tipo de terapia que produzia os mesmos resultados em brancos e negros etc. EXCETO quão avançada estava a doença. No grupo mais avançado não foram constatadas diferenças entre os que estavam no braço contínuo e os que estavam no braço intermitente. PORÉM, houve diferenças no grupo sem metástase visível ou com mínima metástase. Nesse grupo, a razão de risco favorecendo a terapia contínua era de 1,23 (P=0,035). O câncer da próstata foi a causa da morte de 56% dos pacientes da terapia continua e de 64% da intermitente. Nos estágios mais avançados da doença não houve diferenças entre os dois braços. Citando o autor da pesquisa:   

“in secondary analysis, intermittent therapy was found not to be inferior to continuous therapy in patients who had extensive disease; yet intermittent hormone therapy was significantly inferior to continuous therapy in patients with minimal disease.”

E agora?
Estamos, mais uma vez, no limbo.


Saiba mais: 


Hussain M. Abstract #4. Presented at: the 2012 American Society of Clinical Oncology Annual Meeting; June 1-5, 2012; Chicago.


GLÁUCIO SOARES                  IESP/UERJ

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