Duas violências e uma lógica

Khalil Dale era um voluntário da Cruz Vermelha. Foi assassinado no Paquistão e seu corpo (separado da cabeça, segundo uma fonte) foi deixado em um pomar. 
Havia uma exigência de resgate que não foi atendida e ele foi executado aos 60 anos de idade. Foi encontrada uma nota justificando a execução pelo não pagamento do resgate. Ele tinha sido sequestrado por um grupo armado.
Por que o resgate não foi pago? Porque é uma política da Cruz Vermelha Internacional, que proporciona ajuda humanitária em muitos países onde houve e há sequestros de pessoas com pedidos de resgate. Os dados mostram que o pagamento de resgate não garante a vida nem o regresso do sequestrado. Khalil foi sequestrado e retirado de um veículo da Cruz Vermelha, em janeiro, em Quetta. Ficou esses meses em poder dos sequestradores.
Khalil vivia em Dumfries, na Escócia, e nasceu em York, segundo o Herald Scotland e no Yemen, segundo o Muslim Times. Tinha se convertido há um ano ao islamismo mas, a despeito disso, não foi poupado numa região separatista com forte atuação de islâmicos radicais.


Segundo a polícia local, os talibãs divulgaram nota assumindo a responsabilidade pelo crime.
Antes de ontem, na Tijuca, minha mulher foi vítima de outro tipo de sequestro, um arrastão de um edifício de apartamentos na Tijuca (e não em Vila Isabel, como foi noticiado). Perdeu o celular, dinheiro, relógio e uma relíquia, medalha da Virgem Maria que pertencera a minha mãe. Havia cerca de vinte reféns, inclusive crianças, e os cinco ou seis assaltantes trataram os reféns com brutalidade. Levaram um policial rodoviário como garantia. O preguiçoso repórter que cobria a área ficou na polícia, não entrevistou as vítimas e o jornal deu um show de incompetência. Errou, errou e errou.  
O que penso, nesse momento confuso, a respeito desses acontecimentos tão distantes no espaço e tão perto na animalidade? 
Há uma crise de valores, na qual a vida humana vale pouco ou nada. É a Lei de Gerson em escala mundial. A vida “dos outros” é trocada por bens materiais; é trocada por poder, é trocada por prazer. Há um consumerismo do espírito. A religião não é garantia de proteção e, às vezes, promove a violência nas Jihads iniciadas por religiões e culturas diferentes. Não é exclusividade de radicais islâmicos. 
O amor pelas pessoas deu lugar à adoração pelas coisas.  

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ  
Fontes:
The Muslim Times, 4 de maio de 2012
Herald Scotland , 4 de maio de 2012 

 

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