Uma pesquisa localizada sobre suicídios na Hungria revela deficiências no treinamento dos médicos

Jegesy, Harsányi e Angyal estudaram os suicídios num condado na Hungria, chamado Baranya. Os resultados estão publicados no International Journal of Legal Medicine. Se o leitor quiser ler na íntegra pagará 34.95 euros a uma empresa, chamada Springer, o que eu considero um absurdo. Aliás, se você tiver publicado um artigo e não tiver mais cópias dele, deverá pagar aos que eu considero abutres da ciência para ler seu próprio artigo! Por isso apoio um movimento internacional chamado SPARC, que luta pelo livre acesso a artigos científicos através da internet.

Os autores estudaram pouco mais de mil suicídios que ocorreram entre 1983 e 1987. Chegaram a alguns resultados confirmatórios das conclusões de pesquisas anteriores em diferentes lugares:

  • ·       Os suicídios são mais frequentes no campo e em vilas do que em cidades;
  • ·       Há mais homens do que mulheres suicidas (no caso, três homens para cada mulher – essa razão varia muito entre países e regiões);
  • ·       As taxas aumentam com a idade.

Tentaram fazer uma necrópsia psicológica parcial de 375 casos, entrevistando parentes dos suicidas. O número de necrópsias foi razoável, 375. Essas entrevistas sugeriram que um em cada cinco idosos que se suicidaram não conseguiram lidar com os problemas da idade, inclusive doenças e mortes de pessoas queridas. Outras conclusões:

  • ·       Em 83% dos 1.056 suicídios, havia algum tipo de patologia mental;
  • ·       Em 18% havia um problema sério com drogas ou alcoolismo;
  • ·       O suicídio era menor entre intelectuais e pessoas que não viviam do trabalho braçal;
  • ·       A maioria havia buscado um médico antes do suicídio e receberam algum tipo de tratamento logo antes da morte – o que indica que médicos comuns não estão equipados para a prevenção de suicídios.

Talvez essa seja a conclusão que mais preocupa e o problema cuja solução salvará mais vidas: os médicos não foram treinados para lidar com os problemas da idade que podem levar ao suicídio, particularmente os dos idosos. Muitos suicidas buscaram ajuda médica e não foram competentemente auxiliados.

Acredito que podemos aprender com essa pesquisa e que várias conclusões são aplicáveis ao Brasil.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ  

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