EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA EM SALVADOR

 

A Bahia é candidata ao indesejável título de estado mais violento do Brasil e a região metropolitana de Salvador também está se transformando numa das mais violentas do Brasil. Não é uma questão do partido que governa: a maioria dos estados do Nordeste tem governos que, independentemente do partido (ex.: PT na Bahia; PSDB em Alagoas; PSB na Paraíba etc.), não estão preparados para enfrentar os novos problemas. Predominam governos tradicionais e políticos, correligionários, amigos e parentes lotam as secretarías de segurança e as delegacias.

A polícia, comparativamente com as mais treinadas do país, é pouco ágil, pouco técnica e muito violenta. Não obstante, ruim com ela, pior sem ela.

Há uma greve da PM iniciada em 31 passado. Nesse curtíssimo prazo, de cinco dias, houve 78 homicídios na RM de Salvador. Nesse rítmo, chegariam ao triste recorde de 5.694 homicídios em 365 dias.

É interessante notar que os homicídios foram muito mais altos na sexta do que na quinta e na quarta. Acontece com ou sem polícia: relativamente ao total dos dias da semana, os dias do fim da semana são violentos e, em cada dia, o horário da morte começa às 18hs. Durante o dia, a vasta maioria da população está protegida das balas, do álcool e das drogas nos seus escritórios e residências. Fora desse período, as condições são propícias à violência.

As implicações políticas seriam graves, sem ajuda de ninguém, mas o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), decidiu jogar lenha na fogueira, afirmando que os policiais militares em greve cometeram o excedente de crimes que estão acontecendo em Salvador, aduzindo que os policiais em greve promove um “banho de sangue” para amedrontar a população, para que pressione para atender às reivindicações salariais da categoria.

É irônico ver um governador do PT em claro conflito com os representantes de uma categoria profissional. Porém, nos últimos dez anos, as diferenças ideológicas entre os partidos que, na prática de governar, já não eram grandes, ficaram mínimas. Os partidos contam ainda menos…

Repetindo, há outra lição, mais importante: ruim com a polícia, pior sem ela.

 

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

 

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