Viver a vida, sempre de sobreaviso

 

Conrad Fink foi um homem com uma carreira invejável no jornalismo. Foi professor na Universidade da Geórgia, foi correspondente e também um dos diretores da The Associated Press. Infelizmente, também foi um exemplo extremo da perversidade do câncer que nos aflige. Acaba de morrer, aos 80 anos, de câncer da próstata. Essa morte passaria desapercebida, se não fosse o fato de que o câncer voltou vinte anos após uma cirurgia que, por todos os critérios, foi exitosa.

É raro? É, raríssimo, que tenha passado vinte anos sem qualquer indicação, clínica ou sintomática, de que o câncer não fora curado. Confirma o que o meu próprio cirurgião, dr. Zev Wajsman, disse uns meses depois que me operou, quando o PSA se tornou indetectável: “o risco de que o câncer volte, diminuiu com o tempo, mas nunca chega a zero.”

Não é para ficar neurótico com essa informação. Pense probabilisticamente: a grande maioria dos pacientes morre de outra causa. E se os exemplos individuais servem para alguma coisa, o meu PSA voltou a ser detectável há onze anos, o “meu”câncer não pode mais ser curado com o que a medicina sabe hoje, e eu estou aqui escrevendo para vocês.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ

 

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