Os crimes crescem no Nordeste e no Norte

Estados da região têm mais de 30 assassinatos/100 mil habitantes e taxas recordes de outros crimes, segundo Anuário da Segurança

O Estado de S.Paulo

 

O aumento da renda e o desenvolvimento da economia nordestina na última década vieram acompanhados do aumento generalizado da violência na região. Além de liderar o ranking dos assassinatos, Estados do Nordeste passaram a ocupar a dianteira também nos casos de roubos. Os resultados estão no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem, feito em parceria com o Ministério da Justiça com base nas informações de 2010 das Secretarias Estaduais de Segurança.

Dos dez Estados brasileiros com taxas de homicídio acima de 30 casos por 100 mil habitantes, seis estão no Nordeste. Nos três primeiros lugares estão Alagoas (68,2), Paraíba (38,2) e Pernambuco (36,4). A quinta posição fica com Sergipe (33,8), a sétima com a Bahia (31,7) e a nona com o Ceará (31,2).

“Os jovens são as maiores vítimas dos homicídios porque entram cada vez mais cedo no mundo das drogas, não têm dinheiro para sustentar o vício e pagam com a vida”, afirma o secretário estadual de Defesa Social de Alagoas, coronel Dário César. Para ele, a violência em Alagoas é reflexo do avanço do consumo e da venda de drogas no Estado.

Em relação aos crimes contra o patrimônio, pela primeira vez a Bahia registrou mais roubos a instituições financeiras do que São Paulo, centro econômico do País. Foram 249 casos em 2010, aumento de 186% em relação ao ano anterior. Paraíba, com 45 casos, fica em 6.º lugar, empatado com Rio Grande do Sul e Minas.

Nos casos de roubos em geral, outra surpresa. Considerando casos por 100 mil habitantes, Sergipe (988) ocupa a segunda posição, atrás apenas do Distrito Federal (1.032). “É roubo de celular, de carteira, um assalto a ônibus em que o bandido leva R$ 30, por exemplo”, afirma Everton dos Santos, coordenador do Centro de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil de Sergipe.

Para ele, a maioria dessas ocorrências está relacionada ao tráfico de drogas, principalmente o crack. Ele acredita que com a extinção das “bocas de fumo” e com uma melhor finalidade do Estatuto do Desarmamento os roubos tendem a diminuir em todo o País. Para o professor José Maria Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, a migração de criminosos do Sudeste é uma das hipóteses. “O endurecimento das políticas contra o crime no Sudeste incentivaram a vinda de integrantes de quadrilhas para cá, onde existe uma frágil estrutura de segurança pública.”

BRUNO PAES MANSO, RICARDO RODRIGUES E ANTÔNIO CARLOS GARCIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

O José Maria Nóbrega é um dos poucos criminólogos que estudam a explosão de crimes violentos no Nordeste. O Estatuto do Desarmamento foi sabotado quando tornaram a posse ilegal de armas de fogo um crime afiançável. Os criminosos pagam a fiança e será difícil localizá-los, prendê-los, julgá-los, condená-los e colocá-los onde devem estar, na prisão.

Os dados sobre crime são pouco confiáveis. Esse conhecimento nos chegou através das pesquisas de vitimização, em resposta à pergunta sobre o que fez o entrevistado quando foi vítima de um crime. Na sua quase totalidade, alguns crimes não são levados ao conhecimento das autoridades. Até hoje, os pesquisadores mais conscientes dessa séria limitação evitam trabalhar com dados referentes a crimes com alta percentagem de sub-enumeração, limitando-se aos homicídios e as furtos e roubos de veículos.

GLÁUCIO SOARES    IESP-UERJ

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