Mais quatro meses sem metástases

Quatro meses! Esse período, quatro meses, está se transformando no período mágico de tantos medicamentos para o câncer da próstata e suas conseqüências e efeitos colaterais. Um novo teste com o denosumab, já descrito neste blog, como promissor no combate ah osteoporose, acaba de produzir bons resultados para a prevenção de metástases ósseas e de fraturas resultantes da invasão de tumores sólidos. Parece que protela a metástase, na mediana, por quatro meses.

Como? Inibe as células que causam a reabsorção óssea. A metástase óssea causa muita dor e por si só piora o prognóstico do paciente.     

Esses são os resultados de uma pesquisa com mais de mil e quatrocentos participantes localizados em trinta países, divididos em dois grupos: um recebia denosumab, outro recebia um placebo (que parece um medicamento, mas não causa benefício  nem malefício) mensalmente, durante dois anos e eram submetidos a scans ósseos e outros exames do esqueleto para detectar as metástases ósseas.

Esses pacientes – todos – sofriam de câncer da próstata avançado e não tinham uma resposta ah terapia (anti)hormonal, mas não tinham metástase. Denosumab aumentou o período sem metástase em quatro meses – metade mais, metade menos de quatro meses. Não aumentou a sobrevivência. Não obstante, quatro meses sem metástase óssea quase sempre significa quatro meses sem pesadas dores.

Como assim? A pesquisa zerava em cima da metástase e não da sobrevivência e quando apareciam os sinais da metástase o tratamento era interrompido. Não sabemos se não fosse interrompido teria aumentado ou não a sobrevivência.

Não esqueçam que o número dos pacientes é muito maior do que os que chegam a ter metástases, nem de que os que morrem são, em grande maioria, os que tiveram essas metástases e em conseqüência delas.

Mesmo que não  aumente a sobrevivência, o denosumab tem a importante função de protelar a metástase – e a dor que ela acarreta. O bem-estar e a qualidade da vida são importantes também, e não apenas quanto tempo ganhamos da morte.

 

GLAUCIO SOARES   IESP/UERJ

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