ARMAS DE FOGO, SUICÍDIOS E HOMICÍDIOS NO BRASIL

As armas de fogo são responsáveis pelo crescimento dos homicídios em vários períodos, regiões e unidades da federação. Os sinais de alarme sobre o importante papel atribuível às armas de fogo no crescimento dos homicídios não são de hoje. Temos tido muitos estudos localizados que demonstraram exatamente essa tendência. Um deles foi feito aqui, no DF: desde 1979, o número absoluto anual de homicídios cresceu no Distrito Federal. Até 1985, eram menos de 200 por ano; em 1987, já eram mais de 300; em 1990, mais de 400 e em 1993, mais de 500. Entre 1980 e 1991, a população cresceu 36% mas os homicídios cresceram 261%. Houve um rápido crescimento da violência. A taxa por cem mil habitantes que, em 1980, era de 13,7, passou a 36,3 onze anos depois.

A década de 80, chamada de “a década perdida”, foi marcada pelo crescimento da violência em vários pontos do Brasil e não somente no Distrito Federal. Foi a pior década da economia brasileira e latino-americana em muito tempo. A atual crise mundial é mais profunda e generalizada. Muitos afirmam que há relações entre crises econômicas e o crescimento dos homicídios. Não obstante, aquela década foi marcada, também, por um grande aumento no uso de drogas fortes, particularmente o crack e a cocaína e por um crescimento no uso de armas de fogo nos homicídios. Quaisquer que sejam as causas – drogas, recessão, quebra dos valores familiares etc. – os instrumentos da morte foram as armas de fogo, que passaram de 1,5 por cem mil, em 1980, a 36,3, em 1991. A taxa dos homicídios que usaram outros meios permaneceu estável: era 10,8 por cem mil em 1980 e 11,1 por cem mil em 1991. Quase todo o aumento brutal nos homicídios ocorrido entre 1980 e 1991 foi com armas de fogo. No DF, entre 1979 e 1995, os homicídios com armas de fogo aumentaram, aproximadamente, 25 por ano, durante o período.

Antes de 1981, os homicídios com armas de fogo representavam aproximadamente um sexto do total; a partir da década de noventa, passaram a representar mais do dobro dos homicídios com outros meios.

Também cresceram rapidamente os suicídios com armas de fogo: de 1979 a 1984, 18% dos suicídios no Distrito Federal foram com armas de fogo; de 1985 a 1989, saltaram para 28%, e entre 1990 e 1995, atingiram 37%.



Os acidentes também revelam um aumento de mortes devidas às armas de fogo. Estes dados justificaram as campanhas preventivas, contra a proliferação de armas, empreendidas por diferentes secretarias estaduais de segurança.

Há problemas estatísticos no calculo da violência no caso do Distrito Federal: um grande complicador é o Entorno, com um alto número de pessoas residentes que estudam, trabalham e se divertem no Distrito Federal. Muitos morrem no Distrito Federal e muitos matam no Distrito Federal. Por não serem residentes, aparecem nas estatísticas de mortalidade do Distrito Federal, mas não nas de população. Além disso, muitas pessoas são feridas no Entorno e trazidas para os hospitais do Distrito Federal, onde morrem.

Qualquer análise séria dos homicídios e dos suicídios tem que levar em conta as armas de fogo. Elas são o principal instrumento dos homicídios dolosos e sua importância não para de crescer. Foi somente a partir de 2003, ano em que foi promulgado o Estatuto do Desarmamento, que a taxa dos homicídios começou a baixar, mas esse efeito (e continua) estava espacialmente concentrado.

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