Pesquisas clínicas de interesse: o custo de saber quais são

 

Os chamados “clinical trials” podem interessar a pacientes avançados que tenham poucas opções de tratamento padrão. Alguns se inscrevem nessas pesquisas como medida extrema, porque a maioria tem grupo experimental, e o paciente recebe o medicamento que está sendo testado, e também tem grupo controle, no qual o paciente não recebe o medicamento e sim uma pílula que não é medicamento.

Para fazer isso é complicado: é necessário se inscrever e, frequentemente, o médico aqui no Brasil tem que ter excelentes contatos profissionais nos países onde essas pesquisas clínicas são realizadas.

Eu gostaria de ajudar os pacientes que estão nessa categoria, mas não dá. O custo da informação é altíssimo, como podem ver no anúncio abaixo:

 

Metastatic Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014

Published by GlobalData on Apr 15, 2014 – 177 pages
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License Options Question

$2,500.00 – Single User License

$7,500.00 – Enterprise License

Tem dó…

 

GLÁUCIO SOARES              IESP-UERJ

Relatório Caríssimo–não dá para comprar

A RESEARCH AND MARKETS. empresa especializada em obter informações, organizá-las e vendê-las, anuncia um extenso relatório sobre todos os testes clínicos em andamento em vários continentes. Foi escrito para instituições e não para pessoas. Talvez uma clínica ou um hospital se interesse.

 

Abaixo o anúncio do relatório e se eu conseguir colar, o preço – 1845 EUROS….

 

  • SINGLE USER Electronic (PDF)

  • EUR 1845

 

 

Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014

  • Published: March 2014
  • Region: Global
  • 229 pages
  • GlobalData

Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014
Summary
Our clinical trial report, “Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014″ provides data on the Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate clinical trial scenario. This report provides elemental information and data relating to the clinical trials on Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate. It includes an overview of the trial numbers and their recruitment status as per the site of trial conduction across the globe. The databook offers a preliminary coverage of disease clinical trials by their phase, trial status, prominence of the sponsors and also provides briefing pertaining to the number of trials for the key drugs for treating Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate. This report is built using data and information sourced from proprietary databases, primary and secondary research and in-house analysis by Our team of industry experts.

Outro teste do câncer da próstata que promete reduzir os erros

É possível que tenhamos um teste não invasivo que possa separar cânceres agressivos de cânceres indolentes. Ironicamente, graças a estudante de graduação, Casey Burton, que estuda Química, na Missouri University of Science and Technology. O teste detecta metabolitos na urina dos cancerosos. O teste de PSA não consegue separar os cânceres pelo seu grau de periculosidade. Na minha visão, caso se demonstre que esse teste adiciona informações para melhorar os diagnósticos (aos obtidos com os testes de PSA e de toque retal), poderemos tratar adequadamente (e quanto mais cedo melhor) os cânceres agressivos e acompanhar os indolentes, reduzindo o número de mortes, assim como os custos e o sofrimento imposto pelos tratamentos desnecessários. 
GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Qual sua experiência com o tratamento (anti) hormonal?

 

Vou mudar de tratamento e a sua experiência pode ser útil. Com um PSA avançando rapidamente, dobrando cada seis meses, e já tendo alcançado 22ng/ml, meu médico, no Sloan Kettering, sugeriu que a maioria dos urólogos já iniciaria o tratamento anti-hormonal (erroneamente chamado de hormonal). Até seis meses atrás o câncer não aparecia nos lugares comuns, seja no scan dos ossos, seja na tomografia computerizada. Decidí iniciar essa terapia, como todos os possíveis efeitos coletarais porque a expansão do câncer é acelerada e eu já retirei a próstata há muito tempo. A terapia consiste em tomar Casodex (pílulas) durante duas semanas; uma injeção de Lupron; mais uma série de duas semanas de Casodex. Tenho muita preocupação com os efeitos colaterais.

Você pode me ajudar, caso já tenha passado por essa fase ou esteja passando por ela, me dando dicas e informações. Dê todas as dicas que quiser e puder, e preencha a curta tabela abaixo, enviando tudo de volta para mim em

soares.glaucio@gmail.com

Pode colar no e-mail

Há quanto tempo iniciou o Lupron (aproximadamente) …..anos e …..meses

Continua tomando? Se não, há quanto tempo parou? Não parou…..  Parou há …..anos e …..meses

O sue tratamento era fixo ou variava com o PSA e/ou outros indicadores e sintomas?

Fixo: de ……..meses em ………….meses; ou variava quando o PSA atingia……. (mudou o valor do PSA para tomar nova injeção ou foi sempre o mesmo?) Mudou, de………..para…….   Foi sempre o mesmo (qual o valor do PSA? ……………..)

De quanto em quanto tempo tomava as injeções?…………………………….

Para cada efeito colateral, diga como se sentiu no pior momento

Efeito

Não senti nada

Algum(a)

Bastante

Muito(a)

Fadiga

 

 

 

 

Dor de cabeça

 

 

 

 

Náuseas

 

 

 

 

Dores (onde)

 

 

 

 

Aumento do açucar no sangue

 

 

 

 

Desânimo

 

 

 

 

Depressão

 

 

 

 

Fraqueza

 

 

 

 

Dor nos ossos

 

 

 

 

Fibrilação cardíaca

 

 

 

 

Outros problemas cardíaco

 

 

 

 

Problemas respiratórios

 

 

 

 

Enfraquecimento

 

 

 

 

Insônia

 

 

 

 

Outros (acrescente)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto tempo até que o tratamento não surtisse mais efeito? …………..

E seu PSA no início do tratamento?………………….ng/ml

E o mais baixo a que chegou?…………………….ng/ml

E, se parou, quanto era o PSA quando parou?…………………ng/ml

Há quanto tempo parou?………………………

Por onde anda o seu PSA na medida mais recente (data:          ……….ng/ml)

Sente algum dos sintomas acima ou outros? Quais e com que gravidade (use a mesma escala – nada, algum, bastante, muito?)

Você fez essa terapia de modo contínuo  ou intermitente?…………………

Você faria esse tratamento de tivesse que começar de novo? Faça um círculo

1.    Faria muito antes 

2.    Faria um pouco antes  

3.    Faria no mesmo tempo 

4.    Faria um pouco depois         

5.    Faria muito depois   

 

Quanto tempo você acha que você tem de vida?……………………..

A sua religiosidade mudou?

·       Não tinha e não tenho

·       Diminuiu muito
Diminuiu um pouco

·       Ficou igual

·       Aumentou um pouco

·       Aumentou muito

 

Que conselhos e sugestões você daria a quem estivesse pensando em começar a terapia (anti)hormonal (com Lupron etc)? Escreva livremente. Aqui ajudamos uns aos outros e sua impressão pura e simples, informada e educada ou não, é importante. Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gláucio Soares

 

PSA: testar ou não testar?

A última cisão na política médica se refere a testar ou não o PSA. Um PSA alto não é um indicador de um câncer agressivo e
muitos pacientes fazem tratamentos agressivos que têm efeitos colaterais sérios desnecessariamente. Em verdade, o pêndulo oscilou para mais vigilância e menos tratamento.

Os resultados de uma ampla pesquisa na Suécia colocam em dúvida a sabedoria dessa política. Foi feita uma pesquisa em Göteburg com uma população ampla, de 20 mil. Dois grupos foram selecionados aleatoriamente: um seria testado cada dois anos e os demais somente se houvesse sintomas. Foram acompanhados durante quatorze anos.

Os resultados são fortes: a mortalidade específica por câncer da próstata dos que foram testados
sistematicamente foi aproximadamente a metade do grupo controle. David E. Neal, da University de Cambridge, escreveu um editorial definindo-se como cautelosamente otimista, no sentido de que “dependendo das circunstâncias, o teste de PSA e o diagnóstico precoce salvam vidas, reduzindo as mortes por câncer da próstata.

Se o PSA do grupo testado fosse alto, o paciente decidia se queria ou não realizar testes adicionais. Do grupo
experimental, 76% foram testados pelo menos uma vez; desses (e não do total), 33% tiveram um PSA alto em pelo menos um teste.

Depois de 14 anos, 11% dos testados receberam um diagnóstico de câncer da próstata; do grupo controle, apenas 7%. Como os grupos foram selecionados aleatoriamente, fica demonstrado que o teste aumenta a percentagem
diagnosticada. No grupo controle, 0,9% morreram do câncer durante o período do estudo; no grupo experimental, apenas 0,5%.

O leitor tirará suas conclusões sobre se vale a pena ou não ser testado sistematicamente.

Fonte: Hugosson J. Lancet Oncol. 2010;doi:10.1016/S1470-2045(10)70146-7.

Resumo escrito por Gláucio Soares.

Uma chance para pacientes com metástase

Uma empresa chamada ALGETA está selecionando pacientes com cânceres da próstata muito avançados, com metástase. Essa pesquisa, que é de Fase III, pretende recrutar pacientes no mundo inteiro. Quem a dirige é um conhecido oncólogo, Dr. Oliver Sartor, e a pesquisa é baseada na Universidade de Tulane, em Nova Orleans, onde eu obtive meu mestrado. Pretende pesquisar 750 pacientes em perto de 150 centros espalhados pelo mundo. É nessa hora em que um médico com conexões, que fala (ou pelo menos lê) Inglês, faz muita diferença. Ele pode tentar colocar seus pacientes avançados na pesquisa. Se você, ou um parente ou amigo, estiver nessa situação difícil e frequentemente dolorosa, fale com seu médico. Se seu médico não for oncólogo ou urólogo e oncólogo, busque um que seja. Se não tiver essas características, busque um que tenha. É possível que não haja nenhum na sua cidade; se não houver, busque nos grandes centros. A sua qualidade da vida e a sua expectativa de vida podem depender disso. O produto sendo testado se chama Alpharadin e atua sobre as células cancerosas, sobretudo nos ossos. Saiba que em clinical trials você pode ser sorteado para o grupo experimental (recebe Alpharadin), para o grupo placebo ou para um grupo que recebe, apenas, tratamento convencional.

Seu médico deve entrar no site da ALGETA para se informar e para tentar inserir seus pacientes na pesquisa clínica, no chamado clinical trial. Os detalhes da pesquisa estão abaixo.

O site da ALGETA: http://www.algeta.com

Algeta Announces First US Patient Randomized in ALSYMPCA Phase III Study at Tulane Cancer Center, New Orleans

OSLO, December 11 /PRNewswire-FirstCall/ — Algeta ASA (OSE: ALGETA), the cancer therapeutics company, announces that the first clinical center in the US, the Tulane Cancer Center, New Orleans, has started randomizing patients in the phase III clinical study of Alpharadin in men with castration-resistant (also known as hormone-refractory) prostate cancer (CRPC) that has metastasized to the skeleton.

The ALSYMPCA (ALpharadin in SYMptomatic Prostate CAncer) study is a double-blind, randomized, controlled trial that enrols patients with CRPC and symptomatic bone metastases who will be randomized to receive Alpharadin (radium-223 chloride) plus best standard of care or placebo plus best standard of care. Approximately 750 patients are expected to be enrolled at more than 125 medical centers worldwide. Algeta expects to enroll patients across up to 15 sites in the US. Global recruitment remains on schedule and is expected to be complete by the second half of 2010.

The Principal Investigator of the ALSYMPCA study in the US is Dr. Oliver Sartor, Piltz Professor of Cancer Research in the Departments of Medicine and Urology at Tulane University School of Medicine at the Tulane Cancer Center in New Orleans. The Tulane Cancer Center is one of the top cancer-focused medical centers in the US.

Dr. Sartor is an internationally recognized medical oncologist with an interest in prostate cancer from both a basic research and clinical perspective. He is chair-elect of the US Department of Defense Prostate Cancer Integration Panel and is co-editor-in-chief of the peer-reviewed journal Clinical Genitourinary Cancer. He is also the current medical oncology chair of the Genitourinary Cancer Committee of the Radiation Oncology Treatment Group, a leading US multicenter research organization testing novel radiotherapy approaches against cancer.

Dr Sartor commented: “Alpharadin works by targeting and destroying cancer cells in the bone while sparing healthy bone marrow tissue. If successful in clinical trials, this compound could make a significant difference for the large number of men whose cancer has spread to the bones. Patients most often die as a consequence of the metastases – not the primary cancer – so preventing cancer from spreading and controlling cancer that has spread is a major clinical challenge.”

Physicians interested in referring a qualified patient may go to http://www.algeta.com for further information about this study.

Andrew Kay, Algeta’s President and CEO said: “We are pleased to begin the ALSYMPCA phase III study in the US and especially excited to be working with Dr. Sartor, an internationally recognized prostate cancer expert at the Tulane Cancer Center, one of the world’s leading cancer hospitals. The enrolment of patients into US clinical centers is an important step in the overall clinical development of Alpharadin and we expect further US clinical centers to come online in the coming months.”

In September, Algeta signed a USD 800 million agreement with Bayer Schering Pharma AG for the development and global commercialization of Alpharadin.

About Algeta

Algeta ASA is a cancer therapeutics company built on world-leading, proprietary technology. Algeta is developing a new generation of targeted cancer therapeutics (alpha-pharmaceuticals) that harness the unique characteristics of alpha particle emitters and are potent, well-tolerated and convenient to use.

Algeta’s lead alpha-pharmaceutical candidate, Alpharadin (based on radium-223), has blockbuster potential for treating bone metastases arising from multiple major cancer types, owing to its bone-targeting nature, potent efficacy (therapeutic and palliative) and benign safety profile. Development of Alpharadin is most advanced targeting bone metastases resulting from hormone-refractory prostate cancer (HRPC), and it entered an international phase III clinical trial (ALSYMPCA) in mid-2008 based on compelling clinical results from a comprehensive phase II program. This trial is currently open for recruitment.

In September 2009, Algeta entered into a global agreement with Bayer Healthcare AG for the development and commercialization of Alpharadin. As part of the agreement, Algeta retains an option to co-promote Alpharadin in the United States and to share profits from future sales.

Algeta is also developing other technologies for delivering alpha-pharmaceuticals. These include methods to enhance the potency of therapeutic antibodies and other tumor-targeting molecules by linking them to the alpha particle emitter thorium-227. The Company is headquartered in Oslo, Norway, and was founded in 1997. Algeta listed on the Oslo Stock Exchange in March 2007 (Ticker: ALGETA).

Alpharadin and Algeta are trademarks of Algeta ASA.

Forward-looking Statement

This news release contains forward-looking statements and forecasts based on uncertainty, since they relate to events and depend on circumstances that will occur in the future and which, by their nature, will have an impact on results of operations and the financial condition of Algeta. There are a number of factors that could cause actual results and developments to differ materially from those expressed or implied by these forward-looking statements. Theses factors include, among other things, risks associated with technological development, the risk that research & development will not yield new products that achieve commercial success, the impact of competition, the ability to close viable and profitable business deals, the risk of non-approval of patents not yet granted and difficulties of obtaining relevant governmental approvals for new products.

Vida sedentária e muita gordura na comida aumentam o crescimento do câncer da próstata

 

          Vida sedentária e muita gordura na comida aumentam o risco de câncer da próstata. É o resultado de uma pesquisa que distribuiu aleatoriamente pacientes em dois grupos com dietas diferentes: uma com pouca gordura (15%kcal), muita fibra, soja e a outra uma dieta ocidental comum (40% kcal) para verificar o efeito sobre o crescimento de células cancerosas – durante apenas quatro semanas. O serum sanguíneo foi coletado de todos antes da pesquisa e depois de quatro semanas seguindo as dietas diferentes. Foram medidos o PSA, os hormônios sexuais, a insulina, os temíveis ILGF I e II, lipídios etc. Células cancerosas (LNCaP) foram cultivadas nos dois tipos de serum antes e depois das quatro semanas de dieta. O grupo com dieta com pouca gordura apresentou um crescimento das células cancerosas menor do que o grupo com a dieta ocidental comum. A diferença era significativa no nível de 0,03. Os triglicerídios e o ácido linoleico (omega-6) baixaram no grupo com dieta aconselhável. Houve correlações entre o aumento dos Omega 3 e o declínio dos Omega 6, por um lado, e o crescimento das células cancerosas, pelo outro.

          Conclusão? As dietas adequadas reduzem a taxa de crescimento do câncer e as dietas gordurosas (que são as mais comuns) a aumentam. Dieta e exercício são partes integrais do tratamento do câncer da próstata.

 

Fonte: J Urol. 2009 Nov 13