Relatório Caríssimo–não dá para comprar

A RESEARCH AND MARKETS. empresa especializada em obter informações, organizá-las e vendê-las, anuncia um extenso relatório sobre todos os testes clínicos em andamento em vários continentes. Foi escrito para instituições e não para pessoas. Talvez uma clínica ou um hospital se interesse.

 

Abaixo o anúncio do relatório e se eu conseguir colar, o preço – 1845 EUROS….

 

  • SINGLE USER Electronic (PDF)

  • EUR 1845

 

 

Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014

  • Published: March 2014
  • Region: Global
  • 229 pages
  • GlobalData

Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014
Summary
Our clinical trial report, “Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate Cancer Global Clinical Trials Review, H1, 2014″ provides data on the Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate clinical trial scenario. This report provides elemental information and data relating to the clinical trials on Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate. It includes an overview of the trial numbers and their recruitment status as per the site of trial conduction across the globe. The databook offers a preliminary coverage of disease clinical trials by their phase, trial status, prominence of the sponsors and also provides briefing pertaining to the number of trials for the key drugs for treating Hormone Refractory (Castration Resistant, Androgen-Independent) Prostate. This report is built using data and information sourced from proprietary databases, primary and secondary research and in-house analysis by Our team of industry experts.

Outro teste do câncer da próstata que promete reduzir os erros

É possível que tenhamos um teste não invasivo que possa separar cânceres agressivos de cânceres indolentes. Ironicamente, graças a estudante de graduação, Casey Burton, que estuda Química, na Missouri University of Science and Technology. O teste detecta metabolitos na urina dos cancerosos. O teste de PSA não consegue separar os cânceres pelo seu grau de periculosidade. Na minha visão, caso se demonstre que esse teste adiciona informações para melhorar os diagnósticos (aos obtidos com os testes de PSA e de toque retal), poderemos tratar adequadamente (e quanto mais cedo melhor) os cânceres agressivos e acompanhar os indolentes, reduzindo o número de mortes, assim como os custos e o sofrimento imposto pelos tratamentos desnecessários. 
GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Qual sua experiência com o tratamento (anti) hormonal?

 

Vou mudar de tratamento e a sua experiência pode ser útil. Com um PSA avançando rapidamente, dobrando cada seis meses, e já tendo alcançado 22ng/ml, meu médico, no Sloan Kettering, sugeriu que a maioria dos urólogos já iniciaria o tratamento anti-hormonal (erroneamente chamado de hormonal). Até seis meses atrás o câncer não aparecia nos lugares comuns, seja no scan dos ossos, seja na tomografia computerizada. Decidí iniciar essa terapia, como todos os possíveis efeitos coletarais porque a expansão do câncer é acelerada e eu já retirei a próstata há muito tempo. A terapia consiste em tomar Casodex (pílulas) durante duas semanas; uma injeção de Lupron; mais uma série de duas semanas de Casodex. Tenho muita preocupação com os efeitos colaterais.

Você pode me ajudar, caso já tenha passado por essa fase ou esteja passando por ela, me dando dicas e informações. Dê todas as dicas que quiser e puder, e preencha a curta tabela abaixo, enviando tudo de volta para mim em

soares.glaucio@gmail.com

Pode colar no e-mail

Há quanto tempo iniciou o Lupron (aproximadamente) …..anos e …..meses

Continua tomando? Se não, há quanto tempo parou? Não parou…..  Parou há …..anos e …..meses

O sue tratamento era fixo ou variava com o PSA e/ou outros indicadores e sintomas?

Fixo: de ……..meses em ………….meses; ou variava quando o PSA atingia……. (mudou o valor do PSA para tomar nova injeção ou foi sempre o mesmo?) Mudou, de………..para…….   Foi sempre o mesmo (qual o valor do PSA? ……………..)

De quanto em quanto tempo tomava as injeções?…………………………….

Para cada efeito colateral, diga como se sentiu no pior momento

Efeito

Não senti nada

Algum(a)

Bastante

Muito(a)

Fadiga

 

 

 

 

Dor de cabeça

 

 

 

 

Náuseas

 

 

 

 

Dores (onde)

 

 

 

 

Aumento do açucar no sangue

 

 

 

 

Desânimo

 

 

 

 

Depressão

 

 

 

 

Fraqueza

 

 

 

 

Dor nos ossos

 

 

 

 

Fibrilação cardíaca

 

 

 

 

Outros problemas cardíaco

 

 

 

 

Problemas respiratórios

 

 

 

 

Enfraquecimento

 

 

 

 

Insônia

 

 

 

 

Outros (acrescente)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto tempo até que o tratamento não surtisse mais efeito? …………..

E seu PSA no início do tratamento?………………….ng/ml

E o mais baixo a que chegou?…………………….ng/ml

E, se parou, quanto era o PSA quando parou?…………………ng/ml

Há quanto tempo parou?………………………

Por onde anda o seu PSA na medida mais recente (data:          ……….ng/ml)

Sente algum dos sintomas acima ou outros? Quais e com que gravidade (use a mesma escala – nada, algum, bastante, muito?)

Você fez essa terapia de modo contínuo  ou intermitente?…………………

Você faria esse tratamento de tivesse que começar de novo? Faça um círculo

1.    Faria muito antes 

2.    Faria um pouco antes  

3.    Faria no mesmo tempo 

4.    Faria um pouco depois         

5.    Faria muito depois   

 

Quanto tempo você acha que você tem de vida?……………………..

A sua religiosidade mudou?

·       Não tinha e não tenho

·       Diminuiu muito
Diminuiu um pouco

·       Ficou igual

·       Aumentou um pouco

·       Aumentou muito

 

Que conselhos e sugestões você daria a quem estivesse pensando em começar a terapia (anti)hormonal (com Lupron etc)? Escreva livremente. Aqui ajudamos uns aos outros e sua impressão pura e simples, informada e educada ou não, é importante. Obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gláucio Soares

 

PSA: testar ou não testar?

A última cisão na política médica se refere a testar ou não o PSA. Um PSA alto não é um indicador de um câncer agressivo e
muitos pacientes fazem tratamentos agressivos que têm efeitos colaterais sérios desnecessariamente. Em verdade, o pêndulo oscilou para mais vigilância e menos tratamento.

Os resultados de uma ampla pesquisa na Suécia colocam em dúvida a sabedoria dessa política. Foi feita uma pesquisa em Göteburg com uma população ampla, de 20 mil. Dois grupos foram selecionados aleatoriamente: um seria testado cada dois anos e os demais somente se houvesse sintomas. Foram acompanhados durante quatorze anos.

Os resultados são fortes: a mortalidade específica por câncer da próstata dos que foram testados
sistematicamente foi aproximadamente a metade do grupo controle. David E. Neal, da University de Cambridge, escreveu um editorial definindo-se como cautelosamente otimista, no sentido de que “dependendo das circunstâncias, o teste de PSA e o diagnóstico precoce salvam vidas, reduzindo as mortes por câncer da próstata.

Se o PSA do grupo testado fosse alto, o paciente decidia se queria ou não realizar testes adicionais. Do grupo
experimental, 76% foram testados pelo menos uma vez; desses (e não do total), 33% tiveram um PSA alto em pelo menos um teste.

Depois de 14 anos, 11% dos testados receberam um diagnóstico de câncer da próstata; do grupo controle, apenas 7%. Como os grupos foram selecionados aleatoriamente, fica demonstrado que o teste aumenta a percentagem
diagnosticada. No grupo controle, 0,9% morreram do câncer durante o período do estudo; no grupo experimental, apenas 0,5%.

O leitor tirará suas conclusões sobre se vale a pena ou não ser testado sistematicamente.

Fonte: Hugosson J. Lancet Oncol. 2010;doi:10.1016/S1470-2045(10)70146-7.

Resumo escrito por Gláucio Soares.

Uma chance para pacientes com metástase

Uma empresa chamada ALGETA está selecionando pacientes com cânceres da próstata muito avançados, com metástase. Essa pesquisa, que é de Fase III, pretende recrutar pacientes no mundo inteiro. Quem a dirige é um conhecido oncólogo, Dr. Oliver Sartor, e a pesquisa é baseada na Universidade de Tulane, em Nova Orleans, onde eu obtive meu mestrado. Pretende pesquisar 750 pacientes em perto de 150 centros espalhados pelo mundo. É nessa hora em que um médico com conexões, que fala (ou pelo menos lê) Inglês, faz muita diferença. Ele pode tentar colocar seus pacientes avançados na pesquisa. Se você, ou um parente ou amigo, estiver nessa situação difícil e frequentemente dolorosa, fale com seu médico. Se seu médico não for oncólogo ou urólogo e oncólogo, busque um que seja. Se não tiver essas características, busque um que tenha. É possível que não haja nenhum na sua cidade; se não houver, busque nos grandes centros. A sua qualidade da vida e a sua expectativa de vida podem depender disso. O produto sendo testado se chama Alpharadin e atua sobre as células cancerosas, sobretudo nos ossos. Saiba que em clinical trials você pode ser sorteado para o grupo experimental (recebe Alpharadin), para o grupo placebo ou para um grupo que recebe, apenas, tratamento convencional.

Seu médico deve entrar no site da ALGETA para se informar e para tentar inserir seus pacientes na pesquisa clínica, no chamado clinical trial. Os detalhes da pesquisa estão abaixo.

O site da ALGETA: http://www.algeta.com

Algeta Announces First US Patient Randomized in ALSYMPCA Phase III Study at Tulane Cancer Center, New Orleans

OSLO, December 11 /PRNewswire-FirstCall/ — Algeta ASA (OSE: ALGETA), the cancer therapeutics company, announces that the first clinical center in the US, the Tulane Cancer Center, New Orleans, has started randomizing patients in the phase III clinical study of Alpharadin in men with castration-resistant (also known as hormone-refractory) prostate cancer (CRPC) that has metastasized to the skeleton.

The ALSYMPCA (ALpharadin in SYMptomatic Prostate CAncer) study is a double-blind, randomized, controlled trial that enrols patients with CRPC and symptomatic bone metastases who will be randomized to receive Alpharadin (radium-223 chloride) plus best standard of care or placebo plus best standard of care. Approximately 750 patients are expected to be enrolled at more than 125 medical centers worldwide. Algeta expects to enroll patients across up to 15 sites in the US. Global recruitment remains on schedule and is expected to be complete by the second half of 2010.

The Principal Investigator of the ALSYMPCA study in the US is Dr. Oliver Sartor, Piltz Professor of Cancer Research in the Departments of Medicine and Urology at Tulane University School of Medicine at the Tulane Cancer Center in New Orleans. The Tulane Cancer Center is one of the top cancer-focused medical centers in the US.

Dr. Sartor is an internationally recognized medical oncologist with an interest in prostate cancer from both a basic research and clinical perspective. He is chair-elect of the US Department of Defense Prostate Cancer Integration Panel and is co-editor-in-chief of the peer-reviewed journal Clinical Genitourinary Cancer. He is also the current medical oncology chair of the Genitourinary Cancer Committee of the Radiation Oncology Treatment Group, a leading US multicenter research organization testing novel radiotherapy approaches against cancer.

Dr Sartor commented: “Alpharadin works by targeting and destroying cancer cells in the bone while sparing healthy bone marrow tissue. If successful in clinical trials, this compound could make a significant difference for the large number of men whose cancer has spread to the bones. Patients most often die as a consequence of the metastases – not the primary cancer – so preventing cancer from spreading and controlling cancer that has spread is a major clinical challenge.”

Physicians interested in referring a qualified patient may go to http://www.algeta.com for further information about this study.

Andrew Kay, Algeta’s President and CEO said: “We are pleased to begin the ALSYMPCA phase III study in the US and especially excited to be working with Dr. Sartor, an internationally recognized prostate cancer expert at the Tulane Cancer Center, one of the world’s leading cancer hospitals. The enrolment of patients into US clinical centers is an important step in the overall clinical development of Alpharadin and we expect further US clinical centers to come online in the coming months.”

In September, Algeta signed a USD 800 million agreement with Bayer Schering Pharma AG for the development and global commercialization of Alpharadin.

About Algeta

Algeta ASA is a cancer therapeutics company built on world-leading, proprietary technology. Algeta is developing a new generation of targeted cancer therapeutics (alpha-pharmaceuticals) that harness the unique characteristics of alpha particle emitters and are potent, well-tolerated and convenient to use.

Algeta’s lead alpha-pharmaceutical candidate, Alpharadin (based on radium-223), has blockbuster potential for treating bone metastases arising from multiple major cancer types, owing to its bone-targeting nature, potent efficacy (therapeutic and palliative) and benign safety profile. Development of Alpharadin is most advanced targeting bone metastases resulting from hormone-refractory prostate cancer (HRPC), and it entered an international phase III clinical trial (ALSYMPCA) in mid-2008 based on compelling clinical results from a comprehensive phase II program. This trial is currently open for recruitment.

In September 2009, Algeta entered into a global agreement with Bayer Healthcare AG for the development and commercialization of Alpharadin. As part of the agreement, Algeta retains an option to co-promote Alpharadin in the United States and to share profits from future sales.

Algeta is also developing other technologies for delivering alpha-pharmaceuticals. These include methods to enhance the potency of therapeutic antibodies and other tumor-targeting molecules by linking them to the alpha particle emitter thorium-227. The Company is headquartered in Oslo, Norway, and was founded in 1997. Algeta listed on the Oslo Stock Exchange in March 2007 (Ticker: ALGETA).

Alpharadin and Algeta are trademarks of Algeta ASA.

Forward-looking Statement

This news release contains forward-looking statements and forecasts based on uncertainty, since they relate to events and depend on circumstances that will occur in the future and which, by their nature, will have an impact on results of operations and the financial condition of Algeta. There are a number of factors that could cause actual results and developments to differ materially from those expressed or implied by these forward-looking statements. Theses factors include, among other things, risks associated with technological development, the risk that research & development will not yield new products that achieve commercial success, the impact of competition, the ability to close viable and profitable business deals, the risk of non-approval of patents not yet granted and difficulties of obtaining relevant governmental approvals for new products.

Vida sedentária e muita gordura na comida aumentam o crescimento do câncer da próstata

 

          Vida sedentária e muita gordura na comida aumentam o risco de câncer da próstata. É o resultado de uma pesquisa que distribuiu aleatoriamente pacientes em dois grupos com dietas diferentes: uma com pouca gordura (15%kcal), muita fibra, soja e a outra uma dieta ocidental comum (40% kcal) para verificar o efeito sobre o crescimento de células cancerosas – durante apenas quatro semanas. O serum sanguíneo foi coletado de todos antes da pesquisa e depois de quatro semanas seguindo as dietas diferentes. Foram medidos o PSA, os hormônios sexuais, a insulina, os temíveis ILGF I e II, lipídios etc. Células cancerosas (LNCaP) foram cultivadas nos dois tipos de serum antes e depois das quatro semanas de dieta. O grupo com dieta com pouca gordura apresentou um crescimento das células cancerosas menor do que o grupo com a dieta ocidental comum. A diferença era significativa no nível de 0,03. Os triglicerídios e o ácido linoleico (omega-6) baixaram no grupo com dieta aconselhável. Houve correlações entre o aumento dos Omega 3 e o declínio dos Omega 6, por um lado, e o crescimento das células cancerosas, pelo outro.

          Conclusão? As dietas adequadas reduzem a taxa de crescimento do câncer e as dietas gordurosas (que são as mais comuns) a aumentam. Dieta e exercício são partes integrais do tratamento do câncer da próstata.

 

Fonte: J Urol. 2009 Nov 13

As associações profissionais de pesquisadores do câncer

Os encontros e as conferências das associações profissionais são o lugar e o momento em que muitos resultados de pesquisas são relatados. A American Association for Cancer Research é a maior e mais antiga associação profissional. São mais de 28 mil pesquisadores americanos e de outros noventa países. Muitas idéias são geradas lá e levadas para os laboratórios. A AACR publica seis revistas do mais alto nível, todas dedicadas à pesquisa, prevenção e tratamento do câncer: Cancer Research; Clinical Cancer Research; Molecular Cancer Therapeutics; Molecular Cancer Research; Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention; e Cancer Prevention Research. Além desses, a AACR publica uma revista dedicada a nós, pacientes, nossos familiares e amigos (que seguram uma barra pesada, a do nosso câncer). A revista se chama CR. São, também, momentos de esperança para todos nós.

As doenças que afetam os habitantes dos paises mais ricos estão sendo bastante pesquisadas, mas as endemias dos paises pobres não estão. Temos nossas endemias e precisamos formar pesquisadores que se dediquem a estudá-las, a encontrar meios eficientes de preveni-las e de curá-las.
Fonte: http://www.aacr.org

Gláucio Ary Dillon Soares

Obama e o câncer

O apoio à ciência, exceto a com objetivos militares e de aplicação tecnológica imediata, encolheu durante a era Bush. A mudança de Presidentes pode já estar dando frutos. O diretor do National Cancer Institute (NCI), anunciou um plano para dobrar o número de projetos apoiados pela instituição. A nova política dará prioridade a pesquisadores jovens e enfatizará as perspectivas genômicas à detecção e tratamento do câncer. É por aí que eles vão.
Por que isso está acontecendo? Porque Obama aumentou o orçamento do NCI e porque foram abertos fundos para estimular novas linhas de pesquisa e jovens pesquisadores. O NCI apoiará 16% das solicitações em 2009, contra 12% no ano passado. Parte dos fundos necessários serão repassados dos National Institutes of Health, que receberam dez bilhões de dólares a mais.
Além de prestigiar jovens pesquisadores, a linha mudou na direção da prevenção e do diagnóstico precoce. Se quizerem salvar mais vidas, é por aí; se quizerem salvar a minha vida, seria bom dar mais recursos para as pesquisas sobre cânceres avançados.
Há muito acontecendo: um projeto chamado de The Cancer Genome Atlas (TCGA) tem três anos de idade e tenta identificar os genes associados, positiva ou negativamente, direta ou indiretamente, com os cânceres. É feito em colaboração com o National Human Genome Research Institute. O projeto já identificou novos genes associados com o glioblastoma, o câncer do cérebro mais comum e mais letal, que diferenciam quatro subtipos desse câncer. As aspirações desse projeto são ambiciosas: identificar os genes associados com mais de vinte tumores diferentes. A população do mundo agradece.

O vigarista do século com câncer de próstata?

Bernie Madoff é chamado de The Swindler of the Century, o vigarista do século. Se estima que as fraudes cometidas por ele ultrapassam 65 bilhões de dólares. Sentado, andando ou dormindo, recebe mais de 150 mil dólares por minuto, frutos de suas vigarices com o dinheiro dos outros. A vida boa com o dinheiro roubado vai acabar. Ele foi condenado e em junho será sentenciado.

O que tem isso a ver com o câncer de próstata? Parece que Madoff foi diagnosticado com este câncer. Há um exemplo anterior: Mike Milken,  também foi condenado e preso por fraude e foi diagnosticado. Tinha metástase, um PSA de 24, e um Escore Gleason de 9 (dez é o mais alto possivel). O câncer estava nos nódulos linfáticos. Naquele tempo (e já avançamos muito desde então) esse quadro permitia prenunciar a morte em um ano ou pouco mais. Hoje o paciente duraria bem mais. Milken fundou uma organização, inicialmente chamada de “CaP CURE”, atualmente denominada Prostate Cancer Foundation. Essa organização financia pesquisas de ponta sobre câncer de próstata, usualmente de pesquisadores jovens. Criou um sistema de bolsas, o Milken Family Foundation Cancer Research Awards com o objetivo de manter pesquisadores pesquisando e não fazendo trabalhos de rotina médica.

Milken fez mais: embarcou numa dieta rigorosíssima que deu certo. Ela está no fim desse artigo, em Inglês. Ela foi extraída do livro supervisionado por Milken. A atuação de Milken resultou em dois benefícios: pessoalmente, o câncer dele estacionou; para todos nós, inúmeros avanços foram devidos às dotações da Fundação.

Em comparação com Madoff, Milken é peixe pequeno. Se seguir o caminho de Milken, Madoff poderá se transformar no maior incentivador privado de pesquisas, prevenção e cura do câncer de próstata. Vai ter muita gente torcendo para que o vigarista do século tenha câncer de próstata, mas não morra…

A dieta de Milken:
 

  1. Keep your body at an optimum weight…loose weight (in a safe manner—consult your doctor) if you are obese
  2. Eat 5 to 9 servings a day of fruits and vegetables without sauce or dressing. Eating at least 5 servings each week of cruciferous vegetables, particularly broccoli, might
    help you decrease your risk of developing prostate cancer. Size-wise, this translates into
    about a half cup of cooked vegetables per serving
  3. Eat at least two servings a week of tomato sauce roughly a half cup per serving.
  4. Drinking 8 oz of pomegranate juice daily might slow the rate at which prostate cancer progresses
  5. Any anti-cancer effects of green tea requires drinking six or more cups per day
  6. Reduce eating red meat….don’t grill food
  7. Increased consumption of soy-based foods would seem to be beneficial in slowing the disease process. However, because not all soy-based foods are high in isoflavones and some preparations can be high in fat and low in nutritious value, be sure to discuss the value of adding different types of soy-based foods into your diet with your doctor and/or qualified nutritional consultant.
  8. Eat more fish, but take care not to over eat fish considered high in mercury.  Consult your fish monger and dietician for advice.
  9. Exercise regularly, at least 30 minutes a day at least 3 days each week. Include stretching exercises and resistance exercises and weight training.

O vigarista do século com câncer de próstata?

Bernie Madoff é chamado de The Swindler of the Century, o vigarista do século. Se estima que as fraudes cometidas por ele ultrapassam 65 bilhões de dólares. Sentado, andando ou dormindo, recebe mais de 150 mil dólares por minuto, frutos de suas vigarices com o dinheiro dos outros. A vida boa com o dinheiro roubado vai acabar. Ele foi condenado e em junho será sentenciado.

O que tem isso a ver com o câncer de próstata? Parece que Madoff foi diagnosticado com este câncer. Há um exemplo anterior: Mike Milken,  também foi condenado e preso por fraude e foi diagnosticado. Tinha metástase, um PSA de 24, e um Escore Gleason de 9 (dez é o mais alto possivel). O câncer estava nos nódulos linfáticos. Naquele tempo (e já avançamos muito desde então) esse quadro permitia prenunciar a morte em um ano ou pouco mais. Hoje o paciente duraria bem mais. Milken fundou uma organização, inicialmente chamada de “CaP CURE”, atualmente denominada Prostate Cancer Foundation. Essa organização financia pesquisas de ponta sobre câncer de próstata, usualmente de pesquisadores jovens. Criou um sistema de bolsas, o Milken Family Foundation Cancer Research Awards com o objetivo de manter pesquisadores pesquisando e não fazendo trabalhos de rotina médica.

Milken fez mais: embarcou numa dieta rigorosíssima que deu certo. Ela está no fim desse artigo, em Inglês. Ela foi extraída do livro supervisionado por Milken. A atuação de Milken resultou em dois benefícios: pessoalmente, o câncer dele estacionou; para todos nós, inúmeros avanços foram devidos às dotações da Fundação.

Em comparação com Madoff, Milken é peixe pequeno. Se seguir o caminho de Milken, Madoff poderá se transformar no maior incentivador privado de pesquisas, prevenção e cura do câncer de próstata. Vai ter muita gente torcendo para que o vigarista do século tenha câncer de próstata, mas não morra…

A dieta de Milken:
 

  1. Keep your body at an optimum weight…loose weight (in a safe manner—consult your doctor) if you are obese
  2. Eat 5 to 9 servings a day of fruits and vegetables without sauce or dressing. Eating at least 5 servings each week of cruciferous vegetables, particularly broccoli, might
    help you decrease your risk of developing prostate cancer. Size-wise, this translates into
    about a half cup of cooked vegetables per serving
  3. Eat at least two servings a week of tomato sauce roughly a half cup per serving.
  4. Drinking 8 oz of pomegranate juice daily might slow the rate at which prostate cancer progresses
  5. Any anti-cancer effects of green tea requires drinking six or more cups per day
  6. Reduce eating red meat….don’t grill food
  7. Increased consumption of soy-based foods would seem to be beneficial in slowing the disease process. However, because not all soy-based foods are high in isoflavones and some preparations can be high in fat and low in nutritious value, be sure to discuss the value of adding different types of soy-based foods into your diet with your doctor and/or qualified nutritional consultant.
  8. Eat more fish, but take care not to over eat fish considered high in mercury.  Consult your fish monger and dietician for advice.
  9. Exercise regularly, at least 30 minutes a day at least 3 days each week. Include stretching exercises and resistance exercises and weight training.

Quando parar de testar o PSA

Pesquisadores da  Johns Hopkins University School of Medicine e do National Institute on Aging’s Baltimore Longitudinal Study of Aging (BLSA) concluíram que idosos (>75 ou >80) não precisam continuar com seus exames preventivos de rotina – os exames do PSA – se o PSA estiver abaixo de 3ng/ml. Analisando dados de 849 homens, 122 deles com câncer de próstata e 727 sem câncer, verificaram que entre os que tinham PSA’s abaixo de 3 nenhum morreu de câncer e somente um desenvolveu um câncer agressivo.
Qual o objetivo dessa recomendação. De saída, cortar os custos. Os exames são baratos, mas as idas e vindas aos laboratórios consomem tempo e dinheiro. Além disso, a ansiedade. Fazer exames de laboratórios para ver se há câncer e esperar os resultados provocam ansiedade em muitos homens. No caso de 121 de 122, desnecessariamente.
Onde encontrar? http://www.hopkinsmedicine.org/

Nova esperança vem da Austrália

Foi realizada uma pesquisa no Burnet Institute em Melbourne que abre nova linha de combate ao câncer de próstata.
De que se trata?
De um anticorpo monoclonal que busca uma molécula chamada PIM-1, que tem a função de manter a célula de câncer de próstata viva e pela sua multiplicação. Excesso de PIM-1 significa que câncer de próstata e leucemia também. É essencial para o aparecimento, o avanço e a metástase do câncer.
O anticorpo gruda na PIM-1 e inicia uma série de disfunções que levam à morte da célula, segundo o pesquisador Pei Xiang Xing. A junção desse anticorpo com outros tratamentos do câncer aumenta o efeito dos anticorpos. Todos os anos há 18 mil novos casos de câncer de próstata na Austrália; desses, um em cada seis morre da doença. Na Austrália, como em tantos lugares, o câncer de próstata mata muitos homens e há maior interesse dos pesquisadores em curá-lo ou em parar o seu avanço.
A seguir virão novos experimentos, com camundongos, depois clinical trials, com alguns pacientes voluntários e depois mais clinical trials com um número maior de pacientes. Falta muito, mas a esperança é paciente.
Fonte: l The Journal of Clinical Investigation.

Virus do Sarampo contra o Câncer de Próstata

Sarampo contra o câncer

Variantes suaves do vírus do sarampo foram usadas em pesquisas com camundongos, demonstrando que elas infectam células cancerosas e se multiplicam dentro delas, matando-as. Essa pesquisa é parte de uma linha de pesquisas que vem crescendo, o uso de vírus contra cânceres.  A  pesquisa foi feita pela equipe dirigida pela Dra. Evanthia Galanis, da Mayo Clinic, em Rochester, Minnesota.

O vírus atenuado, chamado de MV-Edm, foi injetado diretamente nos tumores, postergando o seu crescimento (p = 0.004) e esticando a sobrevivência  (p = 0.001). Os camundongos tinham sido enxertados subcutaneamente com uma forma avançada de câncer de próstata, que já não respondia ao tratamento hormonal. A sobrevivência média dos injetados com o vírus foi aproximadamente o dobro da observada no grupo controle. Para aumentar nossa esperança, um quinto dos camundongos tratados tiveram completa regressão dos tumores.

O próximo passo é um teste com alguns pacientes avançados que se apresentarão como voluntários. Ver Prostate 2009;69:82-91.

uM HOMEM QUE DEVERIA ESTAR MORTO

Li, numa publicação de Oregon, chamada The Register-Guard, a estória de Jack Walker. Segundo o autor, ele deveria estar morto. Há dois anos ele foi diagnosticado com um câncer da próstata muito agressivo e já metastizado. Mesmo depois de iniciar a radioterapia o PSA estava na casa dos quatrocentos (400)… E continuava crescendo. O prognóstico era de morte em um ano ou menos e seria um ano muito difícil, podendo ser doloroso. Foi o que ele ouviu do oncólogo. Nos Estados Unidos, os médicos são obrigados por lei a dar o diagnóstico e prognóstico diretamente ao paciente, sem dourar a pílula. Perguntou, porém, se Jack queria entrar num experimento como cobaia, por assim dizer. O experimento era uma tentativa inicial com um medicamento, chamado AT 101. Além disso, faria a quimioterapia padrão, com Taxotere. Jack topou: não tinha nada a perder e, mesmo morrendo, ajudaria a ciência e o conhecimento, eventualmente até outros pacientes.
O experimento tinha um grupo controle, que só recebia quimioterapia, e o experimental, que recebia quimioterapia mais o medicamento novo sendo testado.
Deu certo. Há seis meses Jack recebeu sua última dose e o PSA anda em 8 (lembrem que era mais de 400).
Evidente que não se sabe quanto tempo durará a remissão do câncer, mas Jack já ganhou muito tempo de vida.
Lendo essa estória me dei conta de outra coisa. Há alguns anos, pacientes como Jack teriam que sair da sua cidade, Eugene, que não é um centro médico de fama mundial, para participar de um experimento, de um clinical trial. Não obstante, agora os pacientes do Willamette Valley Cancer Institute and Research Center podem participar deles e continuar vivendo na sua cidade. É a vantagem de ter um médico de ponta, ativo, na equipe do hospital. No caso, se trata de John Caton, que mudou para lá há três anos. Caton está a par dos experimentos e entra em contato com os pesquisadores, obtendo permissão para que seus pacientes participem deles. Hoje, os médicos do Centro tem pacientes participando em mais de trinta experimentos. Com a ida de Caton, o número de pacientes participando em clinical trials foi multiplicado por três.
Quando, neste blog, enfatizo a qualidade dos médicos e dos hospitais como um dos fatores que contam para decidir se você vai viver menos de um ano ou muitos anos, tenho em mente casos semelhantes. Infelizmente, no Brasil, são poucos os médicos que conseguem sair da rotina hospitalar, estudar, participar de pesquisas, obter vagas para seus pacientes sem esperança em experimentos. Não tem que ser assim. Mesmo em paises do Terceiro Mundo, há médicos e hospitais participando ativamente do que acontece nos principais centros mundiais.

O tratamento combinado salva vidas

Os Europeus oferecem mais resistência a tratamentos fortes. Nos Estados Unidos, combinar radiação e tratamento hormonal é um procedimento comum há mais de dez anos, mas não na Europa, onde muitos médicos se limitam a aplicar o tratamento hormonal aos cânceres avançados. Uma pesquisa feita na Escandinávia nos diz que os americanos têm razão. O tratamento combinado cortou a mortalidade pela metade. A pesquisa foi feita com 875 pacientes na Dinamarca, Noruega e Suécia. Como sempre, dividiram os pacientes em dois grupos (neste caso, quase iguais), aplicaram terapia hormonal a um e a combinada a outro. Oito anos depois, 79 homens no grupo hormonal tinham morrido de câncer de próstata, em contraste com 37 no grupo da terapia combinada. Dez anos depois do início dos programas, 24% do grupo hormonal haviam morrido de câncer de próstata, em comparação com 12% do grupo da terapia combinada. O dado mais importante foi o do retorno do câncer: no período observado, 75% dos que só fizeram tratamento hormonal tiveram que lidar com esse problema, em contraste com 26% dos que fizeram terapia combinada.

E as mortes totais, incluindo as mortes por outras causas? A radiação não aumentou as mortes totais: morreram 39% dos pacientes do grupo da terapia hormonal e 30% do grupo da terapia combinada. Fica difícil defender a terapia hormonal como tratamento exclusivo. Os pesquisadores consultados pelos articulistas afirmaram que é inaceitável usar apenas a terapia hormonal nos casos de câncer localizado avançado.

Porém, nem tudo é positivo. O grupo combinado apresenta mais efeitos colaterais, como fadiga, insônia, disfunções sexuais. O release não informou quantas mortes por outras causas ocorreram nos dois grupos. Os pesquisadores sugeriram que os pacientes que nunca fizeram radioterapia e que estão apenas com terapia hormonal discutam o tratamento com seus médicos.

Fonte: Lancet: http://www.lancet.com

O que esperar de Docetaxel mais prednisone

Um grupo canadense, o Canadian Uro-Oncology Group Multicentre Phase II Study of Docetaxel, estudou o efeito de docetaxel mais prednisona em pacientes com cânceres muito avançados (com metástase, refratários ao tratamento hormonal e que avançava mesmo depois do uso de Mitoxantrone/Prednisona. Aplicaram docetaxel (75 mg/m(2) na veia) de 3 em 3 semanas e 5 mg de prednisona via oral duas vezes por dia. Queriam ver durante quanto tempo conseguiam “parar” o avanço do câncer, a sobrevivência, o controle do PSA, o controle da dor, a toxicidade e a qualidade da vida. Fase II usualmente significa poucos pacientes com cânceres muito avançados. Trinta pacientes participaram desse estudo. A mediana da idade era de 69 anos (metade mais, metade menos), a média do PSA era nada menos do que 324 ng/dL, e 86% tinham dor. Houve uma redução do PSA em 57% e uma redução da dor de quase dois terços.
Quanto tempo conseguiram parar o câncer? A mediana (metade mais, metade menos) foi de cinco meses e a mediana da sobrevivência foi de 15 meses. A aplicação de Docetaxel foi exitosa sobretudo para reduzir o PSA e a dor. Era parte do que queriam saber – se o Docetaxel provocava melhores além das obtidas com prednisona. Como sempre, houve efeitos colaterais, mas de menor impacto em comparação com o que se ganhou de tempo de vida e de qualidade de vida. Confirma outros estudos que mostram ganhos com o uso da combinação em pacientes em estágio avançado.

Fonte: BJU Int. 2008 May 26.

Fase II da abiraterone – mais um aumento na sobrevivência

Há uns meses, notícias exageradas a respeito da abiraterone causaram reboliço e uma onda de otimismo entre nós, pacientes. Em três dias, vários desmentidos. Era tudo um grande exagêro.

Agora, mais resultados da pesquisa, que continuou. O acetato de abiraterone produziu dois bons resultados: os pacientes toleraram bem o remédio e o remédio deu os resultados esperados, ainda que não o boa-oba da mídia daqueles meses. Trabalharam dois grupos de pacientes, ambos já não respondiam ao tratamento hormonal. Qual a diferença? Um não tinha tomado quimo e outro já tinha sido tratado com docetaxel. Os pesquisadores inibiram um enzima, CYP17, que parece estimular o câncer. A abiraterone, afirmam, é dez vezes mais potente que o ketoconazole, que é um inibidor-padrão de CYP17. A dose administrada foi de mil mg diariamente – nos dois grupos.

Trataram 54 pacientes que não tinham feito quimo e 34 que tinham sido tratados. Nos dois grupos a doença voltara a avançar. O PSA médio no primeiro era 75 e 536 no segundo, variando de 9 a 964 e de 26 a 10.325 ng/mL. Cânceres muito avançados, portanto.

Como sempre, uma das medidas do sucesso era uma redução no PSA. Usaram 50%, no mínimo, juntamente com outros critérios, como mudanças visuais (raios-x etc.) e o número das células cancerosas circulando no sangue, chamadas de CTC. Depois de três meses, os resultados foram os seguintes:

  • em 67% dos que não tinham passado pela quimo (casos um pouco menos avançados), o PSA declinou, como desejado;
  • no grupo que já tomara docetaxel, a resposta foi de apenas 38%, bem menor do que no grupo anterior;
  • A pesquisa foi inteligente e interdisciplinar;
  • Os pacientes com níveis mais altos de DHEA (dehidroepiandrosterona), de sulfato de DHEA e de estradiol no sangue responderam muito melhor (RRs de 4,84; 3,6 e 4,6, respectivamente).

Na minha leitura não-autorizada, elevar os níveis dessas substâncias no sangue maximiza o efeito da abiraterone.

A sobrevivência também variou muito, pois foi muito maior entre os com baixo CTC no sangue (<5/7.5 mL) do que entre os com nível médio (5 a 49/7.5 mL) e do que entre os com nível alto (>=50/7.5 mL). No primeiro grupo não foi possível calcular a mediana porque a metade ou mais ainda não morrera; nos outros grupos a mediana foi de 496 e de 308 dias (10 meses). Metade morreu até essas datas e a outra morreu depois, ou continuava viva. A importância das CTC`s é evidente quando comparamos com os com muitas CTCs. A mediana da sobrevivência nos com baixo foi de 551 dias, contra 195 dias do segundo, que é pouco mais de seis meses, sugerindo a inteligência de tomar a abiraterone mais cedo, antes de que a necessidade de tomar o docetaxel seja premente. Agora os pesquisadores avançarão para uma pesquisa Fase III.

A abiraterone não é a cura do câncer de próstata. Ela é mais um medicamento que estica ainda mais a vida dos pacientes nos que o tratamento hormonal não dava mais resultado e até entre aqueles em que o docetaxel também tinha perdido eficácia.

Selênio no sangue e câncer da próstata

Uma pesquisa, ainda limitada, sugere que os pacientes com câncer na próstata têm níveis mais baixos do que pacientes com Hiperplasia Benigna e do que um grupo controle. É o que demonstram os pesquisadores da Bavária do Norte. Eles complementaram a pesquisa verificando qual o nível de selênio no tecido humano.

Os números são pequenos: 24 pacientes com câncer; 21 com hiperplasia e 21 controles. Tomando o selênio no sangue em primeiro lugar, a pesquisa mostra que os níveis são significativamente mais baixos entre os cancerosos (p=0.04), mas os que sofrem de hiperplasia não diferem dos não pacientes. Há um valor recomendado, de 85 – 162 microg/l (p< 0.01). Os valores dos três grupos estavam abaixo do recomendado.

Porém, não há correlação estatisticamente significativa entre o selênio no sangue dos pacientes de câncer, por um lado, e o PSA, o escore Gleason e o estágio T.

Precisamos saber mais sobre as relações entre o selênio e o câncer de próstata:

  • Se a deficiência no selênio aumenta o risco de ter o câncer e nada mais;
  • Se o selênio combate o câncer e até que nível de selênio as vantagens superam as desvantagens;
  • Se há interações entre o selênio e outros elementos e substâncias que alteram o risco de ter câncer de próstata.

No primeiro caso, a única preocupação seria manter os níveis mínimos para reduzir o risco de ter o câncer, mas no seguinte poderia ser ultrapassar esses níveis para combater o câncer. O limite é dado pelo fato de que, em alta quantidade, o selênio é um veneno mortal.

Uma pesquisa que faz pensar

Um trabalho de Hsing AW, Chu LW e Stanczyk FZ coloca em dúvida um dos pilares de análise do câncer de próstata: os andrógenos no plasma. Se, por um lado, dados de estudos com animais, estudos clínicos e de prevenção apóiam a hipótese de que os andrógenos têm um papel importante no crescimento do câncer de próstata, no seu avanço e na proliferação das células, pelo outro lado, os estudos epidemiológicos com base no sangue não permitem as mesmas conclusões. Os dados de pesquisa que juntou 18 pesquisas anteriores (com 3.886 casos e 6.438 controles) não mostram associação entre andrógenos no serum e o risco de câncer de próstata. Os autores não foram surpreendidos porque poucos desses estudos tinham mostrado uma associação significativa.

E agora? Onde ficamos?

Os autores afirmam que os níveis de testosterona em circulação não indicam adequadamente a ação de andrógenos na próstata. Querem dados sobre o tecido da próstata. Querem dados, em particular, sobre diidrotestosterona, o receptor de andrógenos e seus co-reguladores. A informação necessária seria, portanto, mais complexa e mais completa.

A mensagem que eu vejo como principal é a necessidade de pensar de maneira sistêmica, integrando diferentes conhecimentos e diferentes disciplinas. O nível dos estudos e pesquisas atuais seria precário porque muitos são realizados por pesquisadores que funcionam dentro da sua especialidade e a solução do problema requer interdisciplinaridade.

Fonte: Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2008 Oct;17(10):2525-30.

Bons resultados com o Degarelix na Fase II

Há algum tempo fiz uma postagem a respeito do degarelix, que está em etapa experimental (Fase II). Agora chegaram os primeiros resultados da Fase II e eles são bons. Fase II é para ver que dose usar na Fase III. Degarelix bloqueia gonadotropinas, testosterona e PSA.

Começaram com uma dose forte, de 200mg, que foi seguida por injeções mensais de 60 mg ou 80 mg durante um ano. Experimentaram em 127 pacientes, com a mediana de idade de 76 anos (metade mais de 76, metade menos). Tinha paciente de 47 e tinha paciente de 93. Todos tinham câncer de próstata, confirmado por biópsias. Além de saber se o remédio era tolerado, era importante saber se essas doses tinham ou não efeito. O efeito foi medido pela quantidade de testosterona no sangue e pelo PSA. A mediana de testosterona era 4,13 ng/ml e a do PSA era de 13,4 ng/ml (variando de 6,8 a 25,7). A dose inicial reduziu a testosterona a um nível muito baixo (0.5 ng/ml ou menos) em um mês ou menos. O PSA baixou 96% em um ano, e baixou rapidamente: a mediana de 56 dias separou os que atingiram uma redução de 90%.

Esse tratamento experimental, que durou um ano, mostrou que o remédio atua rapidamente. Muitos tratamentos hormonais mantêm resultados durante um ano ou mais, de maneira que a duração do efeito não é o que distingue o Degarelix até agora, mas a rapidez das respostas que provocou.

Agora, esperamos a Fase III, com muitos pacientes e grupo controle. E teremos que esperar bem mais, para ver até quando dura o efeito do Degarelix.