Vale a pena fazer a cirurgia da próstata?

 

Uma pesquisa feita na Suécia começou antes do advento do PSA. Ela se chama  Scandinavian Prostate Cancer Group Study Number 4 e continua a produzir importantes conhecimentos. A amostra de quase setecentos pacientes foi aleatoriamente dividida em dois grupos: um foi acompanhado, mas não foi tratado; o outro foi operado. A presença do câncer foi detectada através do toque retal. Como o critério para incluir os pacientes em um ou outro grupo foi aleatório, podemos hipotetizar que os grupos eram semelhantes no início do estudo.

Durante o estudo, morreram 200 dos 347 operados e 247 dos 348 que nào foram tratados – somente acompanhados. Essas diferenças são muito significativas: o valor do  chi-quadrado, 13,473 com um grau de liberdade,  é significativo no nível de 0,0002. Não foi por acaso…

Outra conclusão dessa pesquisa é que pacientes com um cãncer inicial também se beneficiam com a cirurgia. Há um risco menor de morrer do câncer, particularmente se eles tiverem menos de 65 anos.

A pesquisadora  Anna Bill-Axelson, da Universidade de Uppsala, afirmou que dezoito anos mais tarde, a cirurgia cortou o risco de morte devida ao câncer em 44%! Os mais jovens (menos de 65 anos) foram os grandes beneficiados: um risco de morte 55% menor.

Computando tudo, o risco de morte por qualquer causa foi 29% menor no grupo que fez a cirurgia. Essa foi a mortalidade geral. Por que não apenas a específica? Porque a cirurgia tem efeitos colaterais, além de seus próprios riscos. NÃO seria uma grande vantagem se morressem menos do câncer da próstata e mais de outras causas, de maneira que as mortes se compensariam. Não se compensam.

Os passos que revelam o avanço da doença também foram diferentes nos dois grupos: o risco de metástase distante foi 43% menor no grupo que fez a prostatectomia e a diferença, mais uma vez, foi maior entre os mais jovens (51% vs 32%). Mesmo os pacientes com risco pequeno ou intermediário se beneficiaram com a cirurgia, cortando o risco em 60% e 51%, respectivamente. Os pacientes com tumores avançados também tiveram uma redução no risco de metástases distantes (menos 19%), que não é estatisticamente significativo.

Outra diferença é se o câncer avançou a ponto de exigir o tratamento hormonal (ADT): 51% menos, com mais benefícios para os pacientes mais jovens.

Esses resultados mostram os ganhos em vida com a cirurgia, além das etapas intermediárias (uso de terapia hormonal, metástases distantes) e também mostram que os ganhos são maiores entre os pacientes mais jovens. Esses resultados se referem à sobrevivência e marcadores do avanço da doença dezoito anos depois (é, coincidentemente, o tempo que me separa da cirurgia).

GLÁUCIO SOARES     IESP-UERJ

Saiba mais:  The New England Journal of Medicine(2014;370:932-942).

 

Câncer e cultura cívica

Karen e Earl Crabtree são jornalistas. Num maio, há vários anos, ficaram deprimidos e tristes com a história que tiveram que contar, de um casal que se suicidou. Semearam um realismo triste entre os leitores. Muitas pessoas se matam. Decidiram, então, compensar o teor negativo dos seus artigos, contando uma experiência positiva sua própria experiência na luta pela vida, contra o câncer da próstata.

Em janeiro de 1998, Earl teve que enfrentar o diagnóstico de um câncer de próstata muito avançado. O médico que o diagnosticou lhe deu três meses de vida. Earl não morreu no período previsto. Depois de 24 meses, o mesmo médico desistiu. Disse que não explicava o que acontecia. Ele deveria estar morto. Hora de mudar de médico. O segundo médico, depois de 18 meses (totalizando 42 meses depois do diagnóstico) também achou que Earl chegara ao fim da linha: “vá para casa e curta o resto de vida que tem.” Claro que Karen e Earl ficaram abalados, tristes, mas são lutadores. Buscaram mais um médico, o terceiro. Esse durou mais: quatro anos, perfazendo um total de sete anos e meio depois do diagnóstico inicial. Depois dos quatro anos, a situação estava tão ruim, que ele recomendou que Earl fosse para um hospice. Hospices não são hospícios, onde pessoas com sérias doenças mentais são internadas. Hospices são lugares onde se espera a morte confortavelmente e com bons cuidados paliativos. Earl não foi para um hospice, não morreu e continua lutando, ajudado por viver numa sociedade onde conta com o apoio de um grande número de organizações voluntárias.

Essa estória nos dá muitas lições. Uma, importante e específica, ensina que o paciente sempre deve buscar mais de uma opinião médica, inclusive quando o diagnóstico e/ou prognóstico são favoráveis. Medicina não é ciência exata e diagnósticos e prognósticos incluem uma parcela de opinião e chute. É bom ter mais de um médico. Mas a estória também nos transmite uma lição mais ampla, mais política, mais profunda, que tem a ver com a cultura cívica e com a iniciativa individual – das pessoas. Nos Estados Unidos, a combinação de iniciativa e responsabilidade individuais com cultura cívica produziu instituições contra os interesses corporativos, tão acachapantes no Brasil. Em São Francisco há um grupo de médicos que se chama “The Second Opinion” que examinará o seu caso e dará uma opinião sobre o melhor caminho. O telefone é publico (mas não grátis) e o idioma é o Inglês: 415-775-9956. Há um programa de informação e de ajuda com alguns gastos de pacientes de câncer, na The American Cancer Society, que qualquer um pode chamar: 1-866-444-7672. Há grupos de apoio e grupos de discussão em quase todas as cidades importantes sobre vários tipos de doença. Alguns hospitais organizam discussões, debates e reuniões. Um exemplo é o grupo que se encontra uma vez por mês no Davis Cancer Center e Mercy San Juan Hospital. Há centenas desses grupos. Os americanos em situação difícil não buscam apenas o serviço público, buscam, também, outras pessoas, mais experientes, e organizações voluntárias.

Quero deixar claro que esse artigo não é uma defesa da organização da medicina nos Estados Unidos. Longe disso. Seu foco é a medicina curativa (e nisso são os melhores) e não na preventiva. A medicina é cara e os médicos, em boa parte, venderam a alma ao demônio por dinheiro. Nem é uma defesa da cultura política americana, caracterizada por baixa participação e uma alta dependência da mídia.

O cerne desse artigo tem que ver com iniciativa individual, com a capacidade de organização da sociedade e com a cultura cívica. Há organizações importantes entre o individuo e o estado nas sociedades com uma cultura cívica participativa. O espaço entre o individuo e o estado é densamente povoado. Ironicamente, é um espaço povoado por laços interpessoais fracos e laços institucionais fortes.

Contudo, em nosso Brasil, ficamos esperando as iniciativas do Estado. Mas, francamente, …o Estado Brasileiro? É um estado moralmente falido, com impostos suecos e benefícios africanos. Há poucas iniciativas e responsabilidade individuais. Transferimos todas as iniciativas e decisões pessoais importantes para “o governo”. A começar pela Constituição, que define a saúde como direito de todos e responsabilidade do Estado. Essa definição populista e demagógica levou a que uma parte gigantesca dos gastos públicos com a saúde derive de processos judiciais para cobrir gastos com remédios e tratamentos caríssimos que, em muitos casos, aumentam em somente semanas ou alguns meses a sobrevivência do paciente. É um recurso usado pela classe média e pelos ricos. Os mais pobres ficam sentados, esperando o que “o Lula dê”. Não nos organizamos, somos passivos. Ironicamente, somos bagunceiros civis que obedecem cegamente ao autoritarismo em todas as muitas instâncias em que ele nos toca, inclusive nas relações com os médicos. Se Earl fosse brasileiro, teria acreditado no primeiro médico e estaria morto. Ou pior: teria morrido sentado, de tédio, esperando que “o governo” resolvesse seus problemas de saúde.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Publicado no Jornal do Brasil. Junho, 2, 2009.

TRATAMENTO COMBINADO VS ADT EM METÁSTASES AVANÇADAS

 

Comecemos com pacientes com câncer da próstata que descobrem que já têm metástases extensas.

Como definiram metástases extensas? Quem são esses pacientes?

São aqueles nos que o câncer já invadiu órgãos importantes, como o fígado, e/ou apresentam quatro ou mais lesões ósseas. É importante lembrar que os ossos são o lugar preferido para a invasão do câncer da próstata quando se metastizar.

Como tratar esse grupo? Para responder a essa importante – vital mesmo – pergunta, a pesquisa (chamada E3805) dividiu 790 homens com canceres nesse nível em dois grupos. O recrutamento começou em 2006. Um grupo recebeu terapia antihormonal (ADT) e outro recebeu terapia antihormonal mais quimioterapia (docetaxel) que foi aplicada cada três semanas durante 18 semanas.

Qual o resultado? Houve diferenças entre os dois grupos? Aos três anos depois do tratamento, 69% do grupo com docetaxel estava vivo, em comparação com 52,5% do grupo que só recebeu ADT.

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Examinando mais os dados, concluíram que a terapia combinada era tanto mais eficiente quanto mais avançado estivesse o câncer. Entre os pacientes com metástases extensas, os que fizeram o tratamento combinado tinham uma sobrevivência de 63% contra 44% dos que só receberam ADT.

Acompanharam esses grupos durante dois anos – na mediana – o que significa que metade foi acompanhada mais de dois anos e metade menos.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Até um copo de vinho aumenta o risco de morte de mulheres com câncer da mama.

Uma parcela significativa dos esforços de prevenção, tratamento e assistência aos pacientes com câncer da próstata é levada a cabo por filhas, esposas, irmãs, sobrinhas, netas…

Por mulheres.

É uma questão de decência que nós, homens, reciproquemos esse carinho e esse amor, dando força a nossas amigas, companheiras, às mulheres da nossa vida e a todas as mulheres em geral.

Como?

Do jeito que pudermos, sem economizar esforços.

Eu estou permanentemente entristecido pela notícia de falecimento de mulheres, sobretudo jovens que ainda teriam muita vida pela frente. Dói, dói muito, dizer adeus a mulheres vitimadas por canceres femininos, particularmente pelo câncer da mama. Tem acontecido repetidas vezes, em todas as idades.

Uma condição que piora todas as estatísticas é o alcoolismo. Uma empresa de seguros médicos, a Kaiser Pemanente Research em parceria com pesquisadores da University de Utah analisaram a relação entre o consumo de álcool e o risco de morte entre mulheres já diagnosticadas com câncer da mama.

É sabido e muitas vezes demonstrado que o consumo de álcool é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer da mama. Essa pesquisa detalha mais: entre mulheres que já foram diagnosticadas, qual o efeito do álcool?

Os resultados mostram que o consumo de álcool tem que ser controlado. O descontrole tem efeitos que podem ser fatais. Essa pesquisa demonstrou que, infelizmente, até o consumo moderado de álcool aumenta o risco de morte entre pacientes com câncer da mama.

A pesquisa foi feita com duas mil mulheres recém-diagnosticadas com câncer da mama incipiente, o estágio que permite que, em cinco anos, 98% das pacientes estejam vivas.

Metade dessas mulheres bebiam mais do que o limite de 0,5 gramas de álcool por dia.

Quanto é isso? Um copo de vinho contém 8 gramas de álcool. Ou seja, a divisão foi um copo de vinho ou mais cada 16 dias. Limite baixo, baixíssimo. Na população estudada, de classe média americana, 90% bebiam vinho; 43% consumiam bebidas mais fortes (como uísque, vodca, gin etc.) e 36% bebiam cerveja.   

Durante os seis anos que durou a pesquisa, o câncer voltou em 349 mulheres e 332 faleceram (uma em cada seis), a despeito da excelência do tratamento. Beber mais do que a média de seis gramas de álcool por dia (na média dois copos de vinho cada três dias – menos do que um copo de vinho por dia) aumentava a chance de que o câncer voltasse ou que a paciente morresse dele em 30%, tomando como base as que praticamente não bebiam ou bebiam muito pouco. O risco era ainda maior em mulheres pós-menopausa e em mulheres com excesso de peso, que era o caso da maioria.

Os pesquisadores concluem, sem deixar espaço para dúvidas: mulheres que foram diagnosticas com câncer da mama, especialmente as pós-menopausa e as “gordinhas” ou obesas, devem beber pouco, muito pouco, quase nada.

Ajudemos as mulheres a fazer exames periódicos e a limitar o consumo de álcool, mesmo que tenhamos necessidade da companhia delas para uma balada com muita bebida.

É o mínimo que podemos fazer.

 

GLÁUCIO SOARES        IESP-UERJ

A Grã Bretanha aprova o uso da enzalutamide

 

Publicamos notícias esparsas sobre um novo medicamento adicionado ao arsenal contra o câncer da próstata, chamado enzalutamide. Era muito, muito caro… Perto de 25 mil libras. O preço baixou e resultados de pesquisa com perto de mil e duzentos pacientes mostraram que aumenta a sobrevivência em casos extremos deste câncer – de 13,6 para 18,4 meses. Foi aprovado pelo NHS, na Inglaterra.

 

 

É pouco? Se o paciente tiver sessenta anos para viver, é; mas estamos falando de uma população cuja esperança de vida é inferior a dois anos.

Tem mais: metade dos usuários que participaram do experimento declararam que a qualidade da vida melhorou.

É um tratamento que estará disponível para todos os britânicos já em 2014.

 

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ


 .

Como orientar as pesquisas contra o câncer da próstata?

Há uma corrida entre o câncer e a pesquisa: por um lado, milhões de pessoas com canceres diferentes, umas em estágio inicial, outras em estágio avançado; pelo outro pesquisadores espalhados pelo mundo (mas concentrados em alguns países) desenvolvendo medicamentos para a prevenção e o tratamento desses canceres.

Onde concentrar recursos humanos e materiais nessas pesquisas é uma questão crucial. A pesquisa médica enveredou, muitas vezes, por caminhos que não levaram a avanços significativos.

Agora, um grupo assinala um caminho que parece promissor. Há genes que suprimem as metástases, que impedem que o câncer se espalhe. Se pudermos eliminar as metástases salvaremos milhões; se pudermos retardá-las, podemos evitar que milhões de anos de vida sejam perdidos.

Na Universidade de Michigan, um caminho está sendo desbravado: E-cadherin é um importante inibidor da metástase. Se aprendermos mais a respeito de como se liga e se desliga o E-cadherin daremos vários passos para conter os canceres. Pal e associados usaram células modificadas geneticamente, assinalando que um fator chamado SPDEF é um “interruptor molecular” que liga a expressão do E-cadherin, regulando a virulência do câncer. Os pesquisadores concluíram que essa é uma direção promissora para as pesquisas.  

Saiba mais:

SPDEF: a molecular switch for E-cadherin expression that promotes prostate cancer metastasis. Asian Journal of Andrology, 2013;15(5):584-585.

GLÁUCIO SOARES                 IESP-UERJ

 

 

Sobrevivência com Radioterapia e com Cirurgia

Uma pesquisa (feita por Shao YH, Kim S, Moore DF, Shih W, Lin Y, Stein M, Kim IY, Lu-Yao GL.acompanhou uma ampla base de pacientes, durante 14 anos. Compararam a sobrevivência específica de câncer da próstata (mortes por outras causas não entram no cômputo). O objetivo era comparar tratamentos diferentes (radiação vs cirurgia) em casos com canceres indolentes e agressivos. Para definir a agressividade, usaram o escore Gleason e o estágio em que se encontrava o câncer. Com base nesses dois critérios, subdividiram a população em dois grupos, um com baixo risco e outro com risco médio e alto (juntos).

 

Analisaram o tempo do início da metástase até a morte pelo câncer. É um escore de propensão.

Foram mais de 66 mil homens, 51 mil receberam radiação e 15 mil receberam cirurgia retropúbica até um ano depois do diagnóstico. Durante todo o período, 2.802 homens foram diagnosticados com metástase de um tipo ou outro. Perto de mil foram estudados em detalhe.

Entre os com baixo risco, 86% dos que fizeram cirurgia não haviam morrido do câncer até o encerramento da pesquisa; entre os que fizeram radioterapia, a percentagem era 79%. Uma modesta, mas significativa, vantagem para a cirurgia. No grupo de mais alto risco, as percentagens eram, respectivamente, 76% e 63%, uma diferença maior.

Cabem duas observações:

 

1.         A maioria (de 2/3 a ¾) continuava viva mesmo no grupo de risco médio e alto;

2.         Nos dois grupos, a cirurgia produziu resultados melhores – no que tange a mortalidade por câncer da próstata.

 

Esses resultados devem ser avaliados juntamente com os efeitos colaterais e a mortalidade geral, incluindo todas as causas, antes de optar por um tratamento, pelo outro, ou pela junção dos dois.

 

 

GLÁUCIO SOARES    IESP/UERJ

CÚRCUMA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

A curcumina (curcumin), condimento derivado da cúrcuma (turmeric), muito usada na Índia, já foi objeto de pesquisas que sublinhavam suas virtudes medicinais. Ela tem um efeito anti-inflamatório e antioxidante. Uma de suas características positivas é dificultar a criação de novas células sanguíneas em tumores cancerosos. Num estudo recente, a cúrcuma dificulta a metástase.

O câncer da próstata pode passar desapercebido até já estar metastizado, quando as chances de cura vão para o espaço. Embora a metástase não signifique uma sentença de morte, as mortes provocada por esse câncer quase sempre passam pela metástase. Pesquisadores da Ludwig-Maximilians University em Munique, demonstraram que inflamações crônicas são um sério fator de risco no desenvolvimento do câncer da próstata. Uma pesquisa, liderada por Beatrice Bachmeier, PhD, estuda como a cúrcuma e a curcumina dificultam a formação de metástases. A curcumina dá ao curry a sua cor característica.

Ela conclui que a curcumina é útil para a prevenção primaria (ajuda a impedir o aparecimento da doença) e, mesmo quando o câncer já está estabelecido, dificulta a metástase, processo que ela chama de prevenção secundária. Os benefícios talvez sejam mais amplos, porque pesquisa anterior com camundongos (Fase I) mostraram que uma dieta que incluía esta espécie reduzia a metástase para os pulmões do câncer da mama.

Parece que ela dificulta a formação de dois citokinos (CXCL1 e CXCL2) que estimulam as inflamações.

Uma dieta que inclua oito gramas de curcumina por dia é considerada segura, sem efeitos secundários. Há problemas de absorção com a curcumina e parte do seu potencial é perdido.

Pesquisadores do Jefferson’s Kimmel Cancer Center sugerem que pacientes que, como eu, estão seguindo uma terapia antihormonal (no meu caso, com Lupron) a curcumina aumenta o efeito do tratamento e, quando o efeito desaparece, continua reduzindo o avanço do câncer. Essa pesquisa está em estado inicial.

 

GLÁUCIO ARY DILLON SOARES    IESP-UERJ

CÚRCUMA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

A curcumina (curcumin), condimento derivado da cúrcuma (turmeric), muito usada na Índia, já foi objeto de pesquisas que sublinhavam suas virtudes medicinais. Ela tem um efeito anti-inflamatório e antioxidante. Uma de suas características positivas é dificultar a criação de novas células sanguíneas em tumores cancerosos. Num estudo recente, a cúrcuma dificulta a metástase.

O câncer da próstata pode passar desapercebido até já estar metastizado, quando as chances de cura vão para o espaço. Embora a metástase não signifique uma sentença de morte, as mortes provocada por esse câncer quase sempre passam pela metástase. Pesquisadores da Ludwig-Maximilians University em Munique, demonstraram que inflamações crônicas são um sério fator de risco no desenvolvimento do câncer da próstata. Uma pesquisa, liderada por Beatrice Bachmeier, PhD, estuda como a cúrcuma e a curcumina dificultam a formação de metástases. A curcumina dá ao curry a sua cor característica.

Ela conclui que a curcumina é útil para a prevenção primaria (ajuda a impedir o aparecimento da doença) e, mesmo quando o câncer já está estabelecido, dificulta a metástase, processo que ela chama de prevenção secundária. Os benefícios talvez sejam mais amplos, porque pesquisa anterior com camundongos (Fase I) mostraram que uma dieta que incluía esta espécie reduzia a metástase para os pulmões do câncer da mama.

Parece que ela dificulta a formação de dois citokinos (CXCL1 e CXCL2) que estimulam as inflamações.

Uma dieta que inclua oito gramas de curcumina por dia é considerada segura, sem efeitos secundários. Há problemas de absorção com a curcumina e parte do seu potencial é perdido.

Pesquisadores do Jefferson’s Kimmel Cancer Center sugerem que pacientes que, como eu, estão seguindo uma terapia antihormonal (no meu caso, com Lupron) a curcumina aumenta o efeito do tratamento e, quando o efeito desaparece, continua reduzindo o avanço do câncer. Essa pesquisa está em estado inicial.

 

GLÁUCIO ARY DILLON SOARES    IESP-UERJ

CÚRCUMA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

A curcumina (curcumin), condimento derivado da cúrcuma (turmeric), muito usada na Índia, já foi objeto de pesquisas que sublinhavam suas virtudes medicinais. Ela tem um efeito anti-inflamatório e antioxidante. Uma de suas características positivas é dificultar a criação de novas células sanguíneas em tumores cancerosos. Num estudo recente, a cúrcuma dificulta a metástase.

O câncer da próstata pode passar desapercebido até já estar metastizado, quando as chances de cura vão para o espaço. Embora a metástase não signifique uma sentença de morte, as mortes provocada por esse câncer quase sempre passam pela metástase. Pesquisadores da Ludwig-Maximilians University em Munique, demonstraram que inflamações crônicas são um sério fator de risco no desenvolvimento do câncer da próstata. Uma pesquisa, liderada por Beatrice Bachmeier, PhD, estuda como a cúrcuma e a curcumina dificultam a formação de metástases. A curcumina dá ao curry a sua cor característica.

Ela conclui que a curcumina é útil para a prevenção primaria (ajuda a impedir o aparecimento da doença) e, mesmo quando o câncer já está estabelecido, dificulta a metástase, processo que ela chama de prevenção secundária. Os benefícios talvez sejam mais amplos, porque pesquisa anterior com camundongos (Fase I) mostraram que uma dieta que incluía esta espécie reduzia a metástase para os pulmões do câncer da mama.

Parece que ela dificulta a formação de dois citokinos (CXCL1 e CXCL2) que estimulam as inflamações.

Uma dieta que inclua oito gramas de curcumina por dia é considerada segura, sem efeitos secundários. Há problemas de absorção com a curcumina e parte do seu potencial é perdido.

Pesquisadores do Jefferson’s Kimmel Cancer Center sugerem que pacientes que, como eu, estão seguindo uma terapia antihormonal (no meu caso, com Lupron) a curcumina aumenta o efeito do tratamento e, quando o efeito desaparece, continua reduzindo o avanço do câncer. Essa pesquisa está em estado inicial.

 

GLÁUCIO ARY DILLON SOARES    IESP-UERJ

ODM-201 e tasquinimod, dois aanços sobre o câncer da próstata

Realmente, pesquisadores e a indústria farmacêutica entraram firme no desenvolvimento de novos medicamentos contra o câncer da próstata durante os últimos anos. No congresso anual da European Society for Medical Oncology (ESMO) foram apresentados trabalhos provando que dois novos agentes atuam contra o câncer da próstata, o ODM-201 e tasquinimod, sobre o qual já escrevi um pôster.

Uma das duas pesquisas foi de Fase I/II. Tentava verificar qual a dosagem adequada do ODM-201, que é um antagonista de receptores de andrógenos. Foi testado em pacientes que já não respondiam à terapia antihormonal e cujos canceres mostravam avanços perigosos. Esses canceres são chamados de “progressive metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC)”. Em 12 semanas houve redução significativa (>50%) em 13 dos 15 pacientes, ou 87% – inclusive seis que já haviam passado pela químio (docetaxel). Todos os pacientes tiveram uma resposta positiva, seja ausência de avanço do câncer, seja redução do câncer indicada pela diminuição do PSA. ODM-201 é um medicamento oral, tomado duas vezes por dia. Em junho começaram a Fase II desse projeto, cujo objetivo é testar o medicamento em cem pacientes avançados.

Baseados em testes com animais, concluíram que o ODM-201 não entra no cérebro, uma vantagem. Fica a importante pergunta sobre a utilidade do medicamento em pacientes sem metástase.

Já demos notícia, nesse blog, sobre outro medicamento em desenvolvimento, o Tasquinimod.

Os resultados mostram que o Tasquinimod também apresenta algumas promessas. Uma análise da angiogênese e de marcadores do sistema imune, mas os pacientes são diferentes.

Diferentes como?

Não haviam feito químio e eram assintomáticos.     

Os resultados são positivos, mas sem entusiasmar. A sobrevivência total, que era de 30,4 meses no grupo placebo, era três meses maior no grupo experimental (33,4 meses). Esse resultado não é estatisticamente significativo. Não obstante o benefício é maior entre os pacientes que tinham metástase óssea: 27,1 meses vs 34,2 meses. Os melhores resultados foram aos seis meses: 37% do grupo controle não tinha avanço no câncer, bem menos do que os 69% no grupo experimental. Esse resultado, sim, era estatisticamente significativo (P < 0,0001).

Qual a vantagem no tempo até o câncer  voltar a avançar? A mediana (metade dos pacientes menos, metade mais) no grupo controle era de 3,3 meses, bem menos do que no grupo experimental, 7,6 meses, diferença que também é significativa (P = 0,0042).

Há uma pesquisa maior em andamento. Querem chegar a 1.200 pacientes. Já conseguiram mil.

Um famoso especialista afirmou que, se os resultados forem iguais ou melhores, que muitos pacientes tentarão evitar a químio usando o tasquinimod.   

São vários os medicamentos já aprovados pela FDA, em vias de aprovação e os que iniciam as pesquisas. Todos ajudam, aumentam a sobrevivência, retardam o avanço do câncer, reduzem os efeitos negativos, inclusive a dor, mas ainda não temos promessa de cura.

 

GLÁUCIO SOARES        IESP-UERJ 

ODM-201 e tasquinimod, dois aanços sobre o câncer da próstata

Realmente, pesquisadores e a indústria farmacêutica entraram firme no desenvolvimento de novos medicamentos contra o câncer da próstata durante os últimos anos. No congresso anual da European Society for Medical Oncology (ESMO) foram apresentados trabalhos provando que dois novos agentes atuam contra o câncer da próstata, o ODM-201 e tasquinimod, sobre o qual já escrevi um pôster.

Uma das duas pesquisas foi de Fase I/II. Tentava verificar qual a dosagem adequada do ODM-201, que é um antagonista de receptores de andrógenos. Foi testado em pacientes que já não respondiam à terapia antihormonal e cujos canceres mostravam avanços perigosos. Esses canceres são chamados de “progressive metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC)”. Em 12 semanas houve redução significativa (>50%) em 13 dos 15 pacientes, ou 87% – inclusive seis que já haviam passado pela químio (docetaxel). Todos os pacientes tiveram uma resposta positiva, seja ausência de avanço do câncer, seja redução do câncer indicada pela diminuição do PSA. ODM-201 é um medicamento oral, tomado duas vezes por dia. Em junho começaram a Fase II desse projeto, cujo objetivo é testar o medicamento em cem pacientes avançados.

Baseados em testes com animais, concluíram que o ODM-201 não entra no cérebro, uma vantagem. Fica a importante pergunta sobre a utilidade do medicamento em pacientes sem metástase.

Já demos notícia, nesse blog, sobre outro medicamento em desenvolvimento, o Tasquinimod.

Os resultados mostram que o Tasquinimod também apresenta algumas promessas. Uma análise da angiogênese e de marcadores do sistema imune, mas os pacientes são diferentes.

Diferentes como?

Não haviam feito químio e eram assintomáticos.     

Os resultados são positivos, mas sem entusiasmar. A sobrevivência total, que era de 30,4 meses no grupo placebo, era três meses maior no grupo experimental (33,4 meses). Esse resultado não é estatisticamente significativo. Não obstante o benefício é maior entre os pacientes que tinham metástase óssea: 27,1 meses vs 34,2 meses. Os melhores resultados foram aos seis meses: 37% do grupo controle não tinha avanço no câncer, bem menos do que os 69% no grupo experimental. Esse resultado, sim, era estatisticamente significativo (P < 0,0001).

Qual a vantagem no tempo até o câncer  voltar a avançar? A mediana (metade dos pacientes menos, metade mais) no grupo controle era de 3,3 meses, bem menos do que no grupo experimental, 7,6 meses, diferença que também é significativa (P = 0,0042).

Há uma pesquisa maior em andamento. Querem chegar a 1.200 pacientes. Já conseguiram mil.

Um famoso especialista afirmou que, se os resultados forem iguais ou melhores, que muitos pacientes tentarão evitar a químio usando o tasquinimod.   

São vários os medicamentos já aprovados pela FDA, em vias de aprovação e os que iniciam as pesquisas. Todos ajudam, aumentam a sobrevivência, retardam o avanço do câncer, reduzem os efeitos negativos, inclusive a dor, mas ainda não temos promessa de cura.

 

GLÁUCIO SOARES        IESP-UERJ 

ODM-201 e tasquinimod, dois aanços sobre o câncer da próstata

Realmente, pesquisadores e a indústria farmacêutica entraram firme no desenvolvimento de novos medicamentos contra o câncer da próstata durante os últimos anos. No congresso anual da European Society for Medical Oncology (ESMO) foram apresentados trabalhos provando que dois novos agentes atuam contra o câncer da próstata, o ODM-201 e tasquinimod, sobre o qual já escrevi um pôster.

Uma das duas pesquisas foi de Fase I/II. Tentava verificar qual a dosagem adequada do ODM-201, que é um antagonista de receptores de andrógenos. Foi testado em pacientes que já não respondiam à terapia antihormonal e cujos canceres mostravam avanços perigosos. Esses canceres são chamados de “progressive metastatic castration-resistant prostate cancer (mCRPC)”. Em 12 semanas houve redução significativa (>50%) em 13 dos 15 pacientes, ou 87% – inclusive seis que já haviam passado pela químio (docetaxel). Todos os pacientes tiveram uma resposta positiva, seja ausência de avanço do câncer, seja redução do câncer indicada pela diminuição do PSA. ODM-201 é um medicamento oral, tomado duas vezes por dia. Em junho começaram a Fase II desse projeto, cujo objetivo é testar o medicamento em cem pacientes avançados.

Baseados em testes com animais, concluíram que o ODM-201 não entra no cérebro, uma vantagem. Fica a importante pergunta sobre a utilidade do medicamento em pacientes sem metástase.

Já demos notícia, nesse blog, sobre outro medicamento em desenvolvimento, o Tasquinimod.

Os resultados mostram que o Tasquinimod também apresenta algumas promessas. Uma análise da angiogênese e de marcadores do sistema imune, mas os pacientes são diferentes.

Diferentes como?

Não haviam feito químio e eram assintomáticos.     

Os resultados são positivos, mas sem entusiasmar. A sobrevivência total, que era de 30,4 meses no grupo placebo, era três meses maior no grupo experimental (33,4 meses). Esse resultado não é estatisticamente significativo. Não obstante o benefício é maior entre os pacientes que tinham metástase óssea: 27,1 meses vs 34,2 meses. Os melhores resultados foram aos seis meses: 37% do grupo controle não tinha avanço no câncer, bem menos do que os 69% no grupo experimental. Esse resultado, sim, era estatisticamente significativo (P < 0,0001).

Qual a vantagem no tempo até o câncer  voltar a avançar? A mediana (metade dos pacientes menos, metade mais) no grupo controle era de 3,3 meses, bem menos do que no grupo experimental, 7,6 meses, diferença que também é significativa (P = 0,0042).

Há uma pesquisa maior em andamento. Querem chegar a 1.200 pacientes. Já conseguiram mil.

Um famoso especialista afirmou que, se os resultados forem iguais ou melhores, que muitos pacientes tentarão evitar a químio usando o tasquinimod.   

São vários os medicamentos já aprovados pela FDA, em vias de aprovação e os que iniciam as pesquisas. Todos ajudam, aumentam a sobrevivência, retardam o avanço do câncer, reduzem os efeitos negativos, inclusive a dor, mas ainda não temos promessa de cura.

 

GLÁUCIO SOARES        IESP-UERJ 

A preocupação com o câncer da próstata e com o câncer da mama nas últimas décadas

Dados que retirei do Google Books mostram um incremento na percentagem do bigrama “câncer da próstata” (em Inglês), que interpreto como maior atenção dada a este câncer.  Não se intimide com a expressão “bigrama”. Significa duas palavras: câncer e próstata. As pessoas estão escrevendo mais ou menos sobre o câncer da próstata. É sobre isso que pesquisei o Google Books.

O que é o projeto Google Books?

Até agosto de 2010 quase 130 milhões de livros haviam sido publicados no mundo de acordo com um engenheiro do projeto chamado Google Books. A Google se lançou, então, à tarefa de escanear esses livros (que foram escritos em 480 idiomas). Até junho daquele ano, tinha escaneado cerca de doze milhões de livros. A despeito do cuidado que tiveram em definir bem, obter e escanear os livros, é claro que não são universos dos livros publicados neste ou naquele idioma. Ainda falta muito. Não obstante, tanto mais central o idioma, maior a facilidade em encontrar os livros. A codificação desses livros em alguns idiomas constituem os corpora que alguns analistas estão usando. Infelizmente, ainda não foi criado um corpus em português. Corpus é o conjunto de palavras usadas para fazer a pesquisa. Cada idioma tem um. Por isso, usei o maior nessa pesquisa – o corpus dos livros em Inglês.

 

O que significa isso?

Significa que a percentagem de todas as palavras usadas em vários milhões de livros de todo tipo. Proponho  que a frequência relativa com que a expressão prostate cancer  foi usada em livros escritos em Inglês é um indicador útil da preocupação da humanidade com essa doença.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há dois outros dados relevantes: observa-se uma crescente distância entre a atenção dada ao câncer da mama (maior) e a dada ao câncer da próstata (menor). É um dado esperado, dado o ativismo positivo das mulheres e a vergonha machista dos homens de falar “desses problemas” e até de fazer os exames quando necessários. A diferença entre a importância dada por quem escreve livros ao câncer da mama e ao câncer da próstata é a diferença entre as duas linhas. A de cima se refere ao câncer da mama e a de baixo ao câncer da próstata. A diferença cresceu muito durante as décadas de 70 e de 80.

Há outro dado preocupante, que é o fim do crescimento dessa presença nos livros, tanto no que se refere ao câncer da próstata, quanto ao que se refere ao  câncer da mama. A percentagem parou de crescer em 2002. Não quer isso dizer que diminuiu o número de referências a estes cânceres, mas que há novas fontes de interesse para as pessoas que escrevem livros. 

Por isso, todos os que sofremos de câncer – de qualquer câncer – temos que exercer a cidadania e exigir a devida atenção do setor público para esse assassino de massas, o câncer. Assassino de massas? É: perto de oito milhões de pessoas morrem anualmente vitimadas pelo câncer.

 

 

GLÁUCIO SOARES                                                 IESP/UERJ 

 

A preocupação com o câncer da próstata e com o câncer da mama nas últimas décadas

Dados que retirei do Google Books mostram um incremento na percentagem do bigrama “câncer da próstata” (em Inglês), que interpreto como maior atenção dada a este câncer.  Não se intimide com a expressão “bigrama”. Significa duas palavras: câncer e próstata. As pessoas estão escrevendo mais ou menos sobre o câncer da próstata. É sobre isso que pesquisei o Google Books.

O que é o projeto Google Books?

Até agosto de 2010 quase 130 milhões de livros haviam sido publicados no mundo de acordo com um engenheiro do projeto chamado Google Books. A Google se lançou, então, à tarefa de escanear esses livros (que foram escritos em 480 idiomas). Até junho daquele ano, tinha escaneado cerca de doze milhões de livros. A despeito do cuidado que tiveram em definir bem, obter e escanear os livros, é claro que não são universos dos livros publicados neste ou naquele idioma. Ainda falta muito. Não obstante, tanto mais central o idioma, maior a facilidade em encontrar os livros. A codificação desses livros em alguns idiomas constituem os corpora que alguns analistas estão usando. Infelizmente, ainda não foi criado um corpus em português. Corpus é o conjunto de palavras usadas para fazer a pesquisa. Cada idioma tem um. Por isso, usei o maior nessa pesquisa – o corpus dos livros em Inglês.

 

O que significa isso?

Significa que a percentagem de todas as palavras usadas em vários milhões de livros de todo tipo. Proponho  que a frequência relativa com que a expressão prostate cancer  foi usada em livros escritos em Inglês é um indicador útil da preocupação da humanidade com essa doença.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há dois outros dados relevantes: observa-se uma crescente distância entre a atenção dada ao câncer da mama (maior) e a dada ao câncer da próstata (menor). É um dado esperado, dado o ativismo positivo das mulheres e a vergonha machista dos homens de falar “desses problemas” e até de fazer os exames quando necessários. A diferença entre a importância dada por quem escreve livros ao câncer da mama e ao câncer da próstata é a diferença entre as duas linhas. A de cima se refere ao câncer da mama e a de baixo ao câncer da próstata. A diferença cresceu muito durante as décadas de 70 e de 80.

Há outro dado preocupante, que é o fim do crescimento dessa presença nos livros, tanto no que se refere ao câncer da próstata, quanto ao que se refere ao  câncer da mama. A percentagem parou de crescer em 2002. Não quer isso dizer que diminuiu o número de referências a estes cânceres, mas que há novas fontes de interesse para as pessoas que escrevem livros. 

Por isso, todos os que sofremos de câncer – de qualquer câncer – temos que exercer a cidadania e exigir a devida atenção do setor público para esse assassino de massas, o câncer. Assassino de massas? É: perto de oito milhões de pessoas morrem anualmente vitimadas pelo câncer.

 

 

GLÁUCIO SOARES                                                 IESP/UERJ 

 

MEDICAMENTO CONTRA A METÁSTASE ÓSSEA

A empresa norueguesa chamada Algeta abriu uma filial na cidade de Cambridge, one estão importantes universidades, como Harvard e MIT. Essa medida nos diz que a empresa quer entrar pesado no mercado norte-americano com a droga que está sendo testada, radium-223 dichloride. Nos diz, também, que esse produto está prestes a ser submetido aos testes oficiais americanos determinados pela U.S. Food and Drug Administration. Os testes começaram há mais de dez anos: o medicamento é injetado na veia do paciente cada seis meses. Os primeiros testes mostram um aumento de 44% na sobrevivência (total, não específica) em relação ao grupo controle. O grupo controle, por sua vez, recebia o tratamento padrão dado aos pacientes com metástase óssea. A metástase óssea é uma das principais vias pelas quais o câncer da próstata mata os seus pacientes, além de causar muita dor. Os analistas acreditam que o remédio esteja nas farmácias no fim de 2013.

 

Boa notícia para nós, pacientes.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ      

 

     

PEQUENAS DOSES DE ASPIRINA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Uma pesquisa confirma resultados anteriores: uma pequena dose de aspirina regularmente aumenta a sobrevivência de homens que fizeram cirurgia e/ou radiação para o câncer da próstata. Kevin Choe, em trabalho publicado no Journal of Clinical Oncology, revela que uma análise de seis mil pacientes que os subdividiu em dois grupos, os que tomavam regularmente um dos anticoagulantes comuns, encontrou diferenças significativas depois de dez anos: 3% no grupo que tomava anticoagulantes regularmente por prescrição médica, e 8% entre os que não tomavam. A diferença é estatisticamente significativa. O risco de “volta” do câncer e de metástase também era significativamente mais baixo. Esse benefício se deveu, principalmente, às pequenas doses de aspirina. Como a aspirina é anticoagulante e idosos frequentemente tomam outros anticoagulantes, como warfarina, a dose tem que ser calculada para não provocar hemorragia. Anticoagulantes tomados sem controle podem ser letais. Por isso, caro leitor, NÃO tome anticoagulantes sem que um bom cardiólogo os receite e FAÇA o acompanhamento que ele provavelmente recomendará.

    GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ    

PEQUENAS DOSES DE ASPIRINA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Uma pesquisa confirma resultados anteriores: uma pequena dose de aspirina regularmente aumenta a sobrevivência de homens que fizeram cirurgia e/ou radiação para o câncer da próstata. Kevin Choe, em trabalho publicado no Journal of Clinical Oncology, revela que uma análise de seis mil pacientes que os subdividiu em dois grupos, os que tomavam regularmente um dos anticoagulantes comuns, encontrou diferenças significativas depois de dez anos: 3% no grupo que tomava anticoagulantes regularmente por prescrição médica, e 8% entre os que não tomavam. A diferença é estatisticamente significativa. O risco de “volta” do câncer e de metástase também era significativamente mais baixo. Esse benefício se deveu, principalmente, às pequenas doses de aspirina. Como a aspirina é anticoagulante e idosos frequentemente tomam outros anticoagulantes, como warfarina, a dose tem que ser calculada para não provocar hemorragia.

 

 

    GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ    

ESCORE GLEASON: 3+4 E 4+3 SÃO IGUAIS?

O escore Gleason é simples: os patologistas olham amostra da próstata pelo microscópio e verificam qual é o tipo de célula mais frequente. As células normais são diferenciadas, exercem múltiplas funções. As cancerosas são menos diferenciadas e perdem funções. As mais agressivas só fazem reproduzir e parecem u’a massa sem formas, sem nada. As células podem ser classificadas até o valor 5, que são as mais violentas, indiferenciadas. Em qualquer amostra, há células mais diferenciadas e menos diferenciadas, há amostras de todos os valores. O primeiro valor no escore Gleason é o que aparece com mais frequência, o “que tem mais”. E o segundo valor? Ë o segundo  mais frequente. A soma dos dois é o valor do Gleason, mas é importante manter as parcelas separadas. Um 5+2 é muito mais agressivo do que um 3+4. Os autores de uma pesquisa publicada em 2009 perguntaram se fazia muita diferença se era 3+4 ou 4+3.

A resposta: faz, e muita.

Como foi feita a pesquisa (os pesquisadores foram Stark, Perner, Stampfer, Sinnott, Finn S, Eisenstein, Ma, Fiorentino, Kurth, Loda,  Giovannucci, Rubin e Mucci)?

Recorreram a três patologistas que examinaram e classificaram o Gleason primário (que aparece primeiro) e o secundário (o que vem depois) de material retirado de 693 pacientes de prostatectomia e 119 de biopsia. Elas foram retiradas de pacientes entre 1984 e 2004. Voltaram aos mesmos pacientes, tempos depois, para ver o que aconteceu.
    Definiram os processos como letais e não letais. Os letais, além dos que morreram, incluíam os que tinham metástases ósseas; os demais eram não letais. Em dez anos houve 53 cânceres letais (entre 7% e 8%). As amostras derivadas de prostatectomias mostraram que os Gleasons 4+3 apresentavam um risco três vezes maior de ter um câncer letal. As amostras obtidas via biópsias também revelaram fortes diferenças.

Não é sentença de morte; é risco maior. Meu escore Gleason na biópsia era 3+3, mas na prostatectomia era 4+3. Felizmente, dezessete anos mais tarde, estou aqui.

Porém, esses resultados mostram que confiar apenas na soma Gleason pode camuflar cânceres perigosos que requerem tratamento imediato e mais radical.

 

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ

ESCORE GLEASON: 3+4 E 4+3 SÃO IGUAIS?

O escore Gleason é simples: os patologistas olham amostra da próstata pelo microscópio e verificam qual é o tipo de célula mais frequente. As células normais são diferenciadas, exercem múltiplas funções. As cancerosas são menos diferenciadas e perdem funções. As mais agressivas só fazem reproduzir e parecem u’a massa sem formas, sem nada. As células podem ser classificadas até o valor 5, que são as mais violentas, indiferenciadas. Em qualquer amostra, há células mais diferenciadas e menos diferenciadas, há amostras de todos os valores. O primeiro valor no escore Gleason é o que aparece com mais frequência, o “que tem mais”. E o segundo valor? Ë o segundo  mais frequente. A soma dos dois é o valor do Gleason, mas é importante manter as parcelas separadas. Um 5+2 é muito mais agressivo do que um 3+4. Os autores de uma pesquisa publicada em 2009 perguntaram se fazia muita diferença se era 3+4 ou 4+3.

A resposta: faz, e muita.

Como foi feita a pesquisa (os pesquisadores foram Stark, Perner, Stampfer, Sinnott, Finn S, Eisenstein, Ma, Fiorentino, Kurth, Loda,  Giovannucci, Rubin e Mucci)?

Recorreram a três patologistas que examinaram e classificaram o Gleason primário (que aparece primeiro) e o secundário (o que vem depois) de material retirado de 693 pacientes de prostatectomia e 119 de biopsia. Elas foram retiradas de pacientes entre 1984 e 2004. Voltaram aos mesmos pacientes, tempos depois, para ver o que aconteceu.
    Definiram os processos como letais e não letais. Os letais, além dos que morreram, incluíam os que tinham metástases ósseas; os demais eram não letais. Em dez anos houve 53 cânceres letais (entre 7% e 8%). As amostras derivadas de prostatectomias mostraram que os Gleasons 4+3 apresentavam um risco três vezes maior de ter um câncer letal. As amostras obtidas via biópsias também revelaram fortes diferenças.

Não é sentença de morte; é risco maior. Meu escore Gleason na biópsia era 3+3, mas na prostatectomia era 4+3. Felizmente, dezessete anos mais tarde, estou aqui.

Porém, esses resultados mostram que confiar apenas na soma Gleason pode camuflar cânceres perigosos que requerem tratamento imediato e mais radical.

 

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ