PEQUENA MOLÉCULA REDUZ A METÁSTASE ÓSSEA

Raymond Bergan é um pesquisador de renome, associado com a Northwestern University em Illinois. Ele acaba de nos lembrar que “não é o câncer original que é letal, mas …a metástase.” Aproveitando a maior experiência do câncer da mama, estão desenvolvendo um medicamento que impede – ou, pelo menos, dificulta muito a metástase. Com isso, permite aos médicos que tratem melhor a doença ainda  localizada. O medicamento não escapou aos nomes estranhos característicos desta fase: KBU2046. 
O que é o KBU2046? 
É uma pequena molécula que gruda nas proteínas que estão no tumor e que promovem a metástase. Gruda e neutraliza. Com isso, as células não podem se movimentar e atingir órgãos distantes como o pulmão ou o cérebro. Bergan diz que é como desligar o interruptor do mecanismo que manda a célula passear pelo corpo humano e se instalar em outro lugar.  
Ainda estão na Fase que lida com camundongos. Primeiro, injetaram células cancerosas humanas altamente agressivas, depois submeteram os camundongos a cinco semanas de tratamento com o medicamento. Depois, abriram o pulmão dos camundongos e verificaram que não havia metástase. O pulmão é um dos lugares favoritos da metástase desse tipo de câncer. 
O medicamento parece seguro, sem os pesados efeitos colaterais de outros medicamentos, como o Lupron, que inibe temporariamente a produção de testosterona (é o medicamento que tomo atualmente e os efeitos colaterais são desagradáveis). O KBU2046 quase não afeta as células normais – daí os efeitos colaterais serem mínimos. 
Bergan acha que o KBU2046 poderá ser usado em outros cânceres. A grande dúvida é se um medicamento que funciona com animais, funciona com humanos. Muitas vezes a resposta foi negativa; em outros casos, foi positiva. 
A próxima etapa será um teste na Fase I e II, com um pequeno número de pacientes para ver se funciona mesmo, quais as doses recomendáveis e os efeitos colaterais. São testes mais baratos. Somente depois virá um teste Fase III, com muitos pacientes, grupos controle e tudo o mais. São caríssimos.
Se um inibidor EFICIENTE de circulação for criado, o câncer da próstata será uma doença chata, localizada, mas não letal.
GLÁUCIO SOARES                       IESP/UERJ

ALPHARADIN: menos dor e mais vida

Duas empresas, uma alemã (Bayer) e outra norueguesa (Algeta) receberam notícias de que haverá facilidades para demonstrar e registrar um medicamento anti-câncer chamado Alpharadin.

Por quê?

Porque dados de pesquisa recente mostram que o medicamento aumenta a sobrevivência de pacientes com câncer da próstata avançado, que já tenham sintomas de metástase óssea. Os resultados foram tão bons que pararam a pesquisa para que os membros do grupo controle pudesse ser tratados também. É um tratamento na base de radium-223. Essa notícia estimulou investidores e as ações das duas empresas subiram no mercado.

O mercado não é burro, usa técnicos, cientistas e analistas. Quando reage bem, em certo sentido é bom para nós. Significa que a probabilidade de que venha um bom produto é grande.

Porém, não esqueçam de que aumentar a sobrevivência e reduzir a dor, alvos mais do que desejáveis, não significa cura. Ainda não há cura.

Resumo por GLÁUCIO SOARES, IESP-UERJ

Novo avanço contra a metástase

Há um projeto chamado TASQ que apresentou seus resultados (Fase II) na ASCO (Annual Meeting of the American Society of Clinical Oncology). Foi devidamente randomizado com um grupo placebo de controle.

O que pretende?

Ser um agente antiangiogênico oral. O que é isso? Impede a alimentação das células cancerosas usualmente precedidas pela angiogênese, a ampliação da rede alimentar dessas células malignas. Tem um alvo, o S100A9, que é molecular.

Foi testado com pacientes que já não respondem à qualquer terapia hormonal, mas que são assintomáticos.

Quais os ganhos? A percentagem dos pacientes cujos cânceres voltaram a crescer num período de seis meses foi 31%, menos da metade dos 66% do grupo placebo (p < 0.0001). A mediana do tempo ganho, sem avanço do câncer, foi de 7,6 meses, bem melhor do que os 3,2 meses do grupo placebo (p=0.0009). Mais de quatro meses ganhos sem avanço do câncer.

Segundo a apresentação, TASQ teve efeito relevante em outros marcadores do câncer. Os efeitos colaterais foram moderados.

O efeito do TASQ é anti-metastático. Agora virão pesquisas combinando tratamentos e pesquisas de Fase III (muitos pacientes e grupos controle).

É um ganho significativo por duas razões:

  • Segue um caminho terapêutico diferente da maioria – é anti-metastático e
  • Adiciona mais de quatro meses durante os quais a doença não progride. Dada a idade de nossa população de pacientes, não é um tempo desprezível.

Boas notícias contra a metástase óssea

Como anunciado neste blog, há novidades no que concerne a metástase óssea, suas dores, seu tratamento.
É possível protelar a perda de minerais e é possível protelar o esfarelamento dos ossos. Protelar não significa curar nem impedir para sempre.

Mas esses processos estão entre os que mais dores e sofrimento causam aos cancerosos com metástase óssea. E levam a muitas mortes.

Qual a novidade?

A substância se chama denosumab e o nome nas prateleiras será Prolia. Como noticiei, acaba de ser aprovada pela FDA. Prolia foi pensada para combater a osteoporose pós-menopausa, mas a osteoporose tem múltiplas causas possíveis e Prolia parece eficiente contra osteoporose de diversas origens, inclusive a provocada pelo câncer.

A que custo? Não sai barato. A empresa, AMGEN, quer recuperar o investimento e ganhar o máximo. Está pressionada porque o seu maior ganha pão, chamado erythropoietin, está vendendo menos. Prolia será injetável, 60 mg cada seis meses, a um custo de US$ 825 por injeção. Mais de mil e seiscentos dólares por ano!

Talvez o preço fique mais baixo porque há competidores. Os bisfosfonatos são mais baratos: um, chamado Reclast (ácido zoledrônico), que também é injetável, custa a metade, mas tem que ser injetado freqüentemente – semanalmente ou mensalmente. Bisfosfonatos orais como Boniva e Actonel também são competidores. Os ingredientes ativos são ibandronato e risendronato, respectivamente. Há expectativa de que as vendas de Prolia cheguem a um bilhão de dólares no primeiro ano. No meio desses cálculos, imprensados por todos os lados, estamos nós, os pacientes.

Prolia se aplicará a cancerosos também? Parece, mas não sabemos. A União Européia aprovou a droga para ser usada contra a perda de minerais nos ossos devida à terapia anti-hormonal; a FDA, sempre mais prudente, quer prova com pesquisa clinica Tipo III.

Felizmente, a área de prevenção da perda de minerais nos ossos devido a tratamentos anti-câncer está em aberto e há competição, assim como avanços, mas é um número relativamente pequeno de pacientes em relação ao total de pessoas, particularmente mulheres, que sofrem com a osteoporose. É esse grupo maior que vai determinar o preço. Depois de vários anos, termina a exclusividade derivada da patente, aparecem os genéricos e os preços caem verticalmente. Mas há muito espaço para novos remédios no caso dos problemas causados pelo câncer e seu tratamento. O tratamento mais usado, no momento, é Zometa, fabricado pela Novartis e baseado no ácido zoledrônico.

Prolia é mais eficiente do que Zometa em postergar os problemas ósseos, como demonstrou uma pesquisa com quase dois mil pacientes. Os detalhes dessa pesquisa serão divulgados nos meetings da American Society of Clinical Oncology (ASCO) que começam essa semana em Chicago.

É interessante ver esse choque de lógicas. Como pacientes, queremos tratamentos logo, eficientes e baratos. Nossas vidas e nossos sofrimentos dependem disso. As empresas querem lucro e, para alcançá-lo, precisam demonstrar uma vantagem competitiva de tal maneira que a diferença em custo/benefício favoreça o seu produto.

Felizmente, a exclusividade obtida pelas patentes expira. Os genéricos barateiam muito. Mas o câncer não espera…

Boas notícias contra a metástase óssea


Como anunciado neste blog, há novidades no que concerne a metástase óssea, suas dores, seu tratamento.
É possível protelar a perda de minerais e é possível protelar o esfarelamento dos ossos. Protelar não significa curar nem impedir para sempre.

Mas esses processos estão entre os que mais dores e sofrimento causam aos cancerosos com metástase óssea. E levam a muitas mortes.

Qual a novidade?

A substância se chama denosumab e o nome nas prateleiras será Prolia. Como noticiei, acaba de ser aprovada pela FDA. Prolia foi pensada para combater a osteoporose pós-menopausa, mas a osteoporose tem múltiplas causas possíveis e Prolia parece eficiente contra osteoporose de diversas origens, inclusive a provocada pelo câncer.

A que custo? Não sai barato. A empresa, AMGEN, quer recuperar o investimento e ganhar o máximo. Está pressionada porque o seu maior ganha pão, chamado erythropoietin, está vendendo menos. Prolia será injetável, 60 mg cada seis meses, a um custo de US$ 825 por injeção. Mais de mil e seiscentos dólares por ano!

Talvez o preço fique mais baixo porque há competidores. Os bisfosfonatos são mais baratos: um, chamado Reclast (ácido zoledrônico), que também é injetável, custa a metade, mas tem que ser injetado freqüentemente – semanalmente ou mensalmente. Bisfosfonatos orais como Boniva e Actonel também são competidores. Os ingredientes ativos são ibandronato e risendronato, respectivamente. Há expectativa de que as vendas de Prolia cheguem a um bilhão de dólares no primeiro ano. No meio desses cálculos, imprensados por todos os lados, estamos nós, os pacientes.

Prolia se aplicará a cancerosos também? Parece, mas não sabemos. A União Européia aprovou a droga para ser usada contra a perda de minerais nos ossos devida à terapia anti-hormonal; a FDA, sempre mais prudente, quer prova com pesquisa clinica Tipo III.

Felizmente, a área de prevenção da perda de minerais nos ossos devido a tratamentos anti-câncer está em aberto e há competição, assim como avanços, mas é um número relativamente pequeno de pacientes em relação ao total de pessoas, particularmente mulheres, que sofrem com a osteoporose. É esse grupo maior que vai determinar o preço. Depois de vários anos, termina a exclusividade derivada da patente, aparecem os genéricos e os preços caem verticalmente. Mas há muito espaço para novos remédios no caso dos problemas causados pelo câncer e seu tratamento. O tratamento mais usado, no momento, é Zometa, fabricado pela Novartis e baseado no ácido zoledrônico.

Prolia é mais eficiente do que Zometa em postergar os problemas ósseos, como demonstrou uma pesquisa com quase dois mil pacientes. Os detalhes dessa pesquisa serão divulgados nos meetings da American Society of Clinical Oncology (ASCO) que começam essa semana em Chicago.

É interessante ver esse choque de lógicas. Como pacientes, queremos tratamentos logo, eficientes e baratos. Nossas vidas e nossos sofrimentos dependem disso. As empresas querem lucro e, para alcançá-lo, precisam demonstrar uma vantagem competitiva de tal maneira que a diferença em custo/benefício favoreça o seu produto.

Felizmente, a exclusividade obtida pelas patentes expira. Os genéricos barateiam muito. Mas o câncer não espera…

Uma boa notícia para nossos ossos


Uma boa notícia: Prolia um medicamento contra a osteoporose, foi aprovado pela FDA. Prolia é fabricada pela AMGEN que espera que ela auxilie em varias doenças, inclusive cânceres que metastizam para os ossos, como freqüentemente acontece com o câncer da próstata.

Há uma questão de conveniência – de muita conveniência – para as mulheres com câncer da mama ou com osteoporose de outra origem: as mulheres vão preferir tomar duas injeções por ano ou pílulas semanais ou mensais dos medicamentos genéricos que competem com a Prolia?

    Do nosso ponto de vista, como pacientes do câncer da próstata, essa esperança é muito importante. Tanto o câncer, quanto alguns tratamentos, enfraquecem os ossos, provocando dores e fraturas. Com certa freqüência, essas fraturas levam a situações das quais decorre a morte do paciente.

    O experimento para verificar se Prolia pode diminuir a expansão do câncer da próstata começará ainda este ano.

    No nosso mundo capitalista, a bolsa acompanha as descobertas e os fracassos. As ações da AMGEN subiram 2,4%…

A consulta com o Dr. Meyers

A van, Ford 1993, equipada para acampar é confortável e agradável. É fácil de dirigir, exceto inicialmente, nos momentos em que tive que dar marcha à ré.
Entre a beleza do inverno e a preocupação da almaAs estradas pequenas, no inverno são bonitas. Infelizmente, a comida de beira de estrada é…a comida de beira de estrada. O estomago e o intestino sofrem durante a viagem e a dieta vai para o brejo.</span>
O estado de espírito de quem tem uma doença incurável e está indo a um médico deve variar muito. Eu consegui curtir parcialmente a viagem, mas ia com esperança. Na clínica, durante todo o tempo que passei lá (umas três horas) vi apenas um ou dois pacientes. Já deu para ver o grau de apreensão em um deles, fiel e importantemente acompanhado pela esposa ou companheira.
Mas não dá para para não curtir (um pouquinho, pelo menos) o visual de estradas pequenas, cercadas de árvores, no meio da neve.

Estrada e mais estrada

A chegada mostra uma casinha simpática, simples, com estacionamento para poucos carros. Não é uma operação industrial. Feita, como tantas casas (e universidades) americanas, de tijolinho aparente.


A chegada é marcada por uma placa simples. Depois de quase três dias na van (rebatizada de school bus) pelo meu filho, foi um alívio chegar ao lugar certo.

As estradas pequenas são mais bonitas

Aqui dentro vi um tipo de atendimento ao paciente muito diferente do usado nos Estados Unidos onde somos primeiro recebidos por uma enfermeira, que pesa, tira a pressão, temperatura etcx. Um primeiro e importante cuidado – a pressão é tirada duas vezes, além do que a enfermeira pergunta se essa é a pressão habitual. Ela mostra consciência da chamada “white coat syndrome”: a pressão aumenta na presença de médicos etc. Estava lá por 180, na segunda por 160 e eu aduzi que poderia reduzí-la em outros vinte pontos.
Visitei o AIDP no dia anterior, turbinado pela insegurança de não me perder, chegar atrazado, essas coisas. Uma das secretárias estava preparando o meu dossier. Quando cheguei no dia seguinte vi um senhor baixo, sem gordura para mostrar, de cabelos brancos estudando uns records que eu sabia serem os meus.

Perto, estradas menores, mais curvas e mais beleza

O Dr. Meyers é simpático, agradável. Me tratou com o respeito de quem tem uma doença grave, considerada incurável, que ele também teve ou tem.
Muitos dos suplementos que eu usava ele desaconselhou porque não confiava no fabricante. Traçou um plano de ação que consistia em me preparar para uma terapia hormonal(que deveria ser chamada de anti-hormonal) porque ela tem muitos efeitos colaterais. Há uma diferença em relação ao procedimento habitual, que consiste em iniciar a terapia e aconselhar o paciente a tomar essas e aquelas medidas: ela prepara o paciente e depois inicia a terapia – nos casos em que é possível esperar um pouco. É onde estou e é minha responsabilidade atingir as metas marcadas, ajudado por muitos remédios, mas com compromisso com uma dieta mediterrânea e muito exercício.

O AIDP - uma casinha desprentensiosa com estacionamento para poucos carros

Dr. Meyers me convenceu de algumas coisas, particularmente de que a relação custo/benefício da terapia hormonal pode ser menor e precisa de especificação. A duração do efeito dos tratamentos varia muito e varia de acordo com a doença do paciente e os procedimentos adotados anteriormente.
Os famosos 18 meses de atuação se referem com a próstata, metástase generalizada e que ainda tem a próstata. Análise patológica mostra que metade do crescimento do câncer depois da terapia se inicia na próstata. Nos casos em que houve metástase para os nódulos linfáticos e houve prostatectomia o efeito dura dez anos em 50% a 95% dos casos, dependendo do estudo e da publicação. No caso dos que preservaram a próstata em metade dos casos a terapia hormonal fracassa aos 7-8 anos.
Nos pacientes com metástase generalizada e com sintomas, o efeito é reduzido: em metade dos casos a doença volta a crescer em 8 a 9 meses.
A lição: dependendo do paciente, a duração dos benefícios da terapia hormonal varia de menos de oito a nove meses a mais de dez anos.
Continuarei relatando essa experiência para beneficiar o leitor. Porém, estou preocupado com um grande número de  leitores com acesso à internet mas sem capacidade analítica e com um nível educacional muito baixo. Pediria a cada um dos pacientes mais informados e seus familiares que divulgassem o conhecimento que adquiriram (rão) aqui e em outras fontes entre os que não conseguem entender o que escrevemos.

A placa que garante que chegamos ao lugar certo

Ir ao Dr. Meyers não sai barato. Ele não aceita o seguro tradicional do Medicare (tem um contrato de não aceitação) e custa 350 dólares por cada meia hora. Minha entrevista durou duas horas e o custo total foi de mil e quatrocentos dólares. Uma viagem que eu planejava foi para o espaço. Valeu a pena.


Denosumab reduz o dano aos ossos

Um dos sérios problemas do câncer da próstata é o dano aos ossos. Foi desenvolvido um anticorpo monoclonal chamado denosumab que limita os efeitos negativos  (e pesados) da terapia hormonal.

O medicamento, denosumab (Prolia), é fabricado pela Amgen Inc. e o principal objetivo é evitar fraturas – deve ser aplicado a homens com câncer da próstrata e a mulheres que passaram pela menopausa. Denosumab bloqueia a atividade de uma molécula que causa a destruição de células nos ossos.

É conveniente, dada uma vez cada seis meses, na veia.

E a pesquisa?

Foram mais de 900 pacientes. Em dois anos, a densidade óssea aumentou em 5,6% e diminuiu em 1% no grupo controle (placebo). As perigosas fraturas na coluna no prazo de três anos foi de 1,5, menos do que os 3,9% no grupo controle. A promessa é grande, mas a droga precisa ser aperfeiçoada e mais testada. Atualmente, os pacientes tomam ácido zoledrônico (Zometa).

Teremos problemas com o custo. De acordo com o Dr. Khosla custaria cem dólares por ano, ao passo que o preço no atacado do ácido zoledrônico é de US$ 1.300,00 por ano. Teoricamente, denosumab poderia ser aplicado pelo próprio paciente. Vai haver guerra entre as companhias, uma vez que Zometa domina o mercado. Como há efeitos sobre o sistema imune, faltam muitos testes.

Carbohidratos contra o câncer? E agora?

Algumas pesquisas indicaram que reduzir o peso e os carbohidratos ajuda a combater o câncer. São pesquisas epidemiológicas que mostram que, considerando constantes outras variáveis o maior consumo de “carbs” favorece o câncer.
Agora, ScienceDaily divulga pesquisa realizada em outro nível, Tipo I ainda com células, no
Burnham Institute for Medical Research que umas moléculas de açúcar chamadas de “glycans” surprimem os cânceres da próstata e da mama. O que fariam os glycans? Afetam a adesividade das células. Um aumento na expressão dos enzimas que produz esses glycans, que tem o nome nada fácil de β3GnT1, reduz a atividade dos tumores e sua migração. Tumor que fica no seu lugar não gera metástase – e isso é bom para nós.
E agora? Pesquisas, em níveis diferentes, que dão resultados opostos… Acho, sem saber, que a solução da equação passará pela classificação dos carbohidratos e seus componentes em “bons” e “maus”, conforme favoreçam ou limitem o câncer.

Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences.

O que é que Zometa faz?


O câncer da próstata com freqüência produz metástases ósseas: se instala e cresce nos ossos. Muitos pacientes com metástases ósseas sentem dores, que podem chegar a ser muito fortes.
Zolendronato ou Zometa® pode ajudar nesse contexto. Em 2002 o Journal of the National Cancer Institute publicou artigo mostrando que os que tomaram esse medicamento tiveram menos complicações ósseas (fraturas etc.) do que um grupo controle. É bom que os pacientes se sintam melhor, mas os dados não mostram que os que fizeram esse tratamento viveram mais tempo, nem que o câncer avançou mais devagar.
Ajuda os ossos, reduz a dor, mas não afeta o avanço do câncer.

Parando a metástase

Sem metástase, muitos cânceres não matariam. Ficariam onde estavam, sem invadir outras áreas. Porém, sabemos pouco a respeito das metástases e de sua explicação. Por que os cânceres invadem outras áreas? Parte da resposta está contida numa molécula chamada PKD1. Ela não permitiria que as células cancerosas se modifiquem, migrem, invadam e se estabeleçam em novas áreas. Mas quando ela não está ativa, o tumor avança. O sistema parece bolado por uma inteligência maligna. Há sinais biológicos que ordenam às celulas cancerosas invasivas que saiam do tumor original e se estabeleçam em outras áreas. Se conseguirmos parar esse processo, a letalidade de muitos cânceres será muito menor. Para a metástase do tumor, a PKD1 tem que estar desligada. A estrutura celular do câncer tem que ser continuamente reorganizada. O próximo passo é bolar tratamentos que mantenham a PKD1 ativa, acesa, ligada. E, claro, os tratamentos precisam chegar às células cancerosas. O “chegar lá” é um dos grandes problemas e contribui para explicar porque tratamentos que dão resultado se efetuados diretamente sobre culturas de células cancerosas não produzem resultados compatíveis quando aplicados a pacientes. A relação é clara: quando reduziam a PKD1, o câncer metastizava; quando ativavam a PKD1, o avanço era detido. Essa pesquisa está sendo levada a cabo por uma equipe da Mayo Clinic na Florida, dirigida por Peter Storz.

Como é a metástase óssea

Um tipo de scan que é usado para ver se há metástase usa tracers, de materiais radioativos que produzem radiação gamma. Os raios gamma podem ser “fotografados” por equipamento especializado. Em certo sentido, é o oposto dos raios x. Nos raios x a fonte radioativa é externa ao corpo, atravessa o corpo e marca o filme que está do outro lado do seu corpo. No gamma a estratégia é a oposta: os raios vem de dentro e marcam o filme que está fora do corpo.

Usualmente, escanear os ossos é medida que só se pede a pessoas com cânceres avançados. Usualmente, nos Estados Unidos, urólogos e oncólogos não pedem qualquer tipo de scanning a pacientes com um Gleason de menos de 7 E um PSA de menos de 20 ng/mL.

Se o câncer se tornar sintomático, particularmente com dores, quase sempre se pede um scan.

As micrometástases não aparecem no scan; raramente aparecem antes de cinco anos delas existirem. Um scan negativo não quer dizer, com certeza, que não há metástase. Ela pode ser pequena demais para ser detectada. Se a micrometástase estiver abaixo do nível de detecção do equipamento usado, ela não aparecerá.

Abaixo vemos um scan de um paciente com câncer já metastizado e muito avançado.

Um scan que parece positivo não significa automaticamente câncer. Outras doenças também aparecem nos scans, como algumas artrites.

Os scans mostram que há problemas, mas nem sempre podem dizer quais os problemas.
Há tratamentos que impedem o avanço do câncer temporariamente, como os tratamentos hormonais. Há outros que ajudam os ossos. Há outros, muito usados, que reduzem a dor. Não obstante, continuamos aguardando progressos que permitam curar o câncer ou, pelo menos, impedir a metástase.

Os exames preventivos de câncer de mama salvaram Hilary

O conhecimento por parte de pacientes salva muitas vidas. A história de Hilary Howard mostra isso. A família de Hilary tinha uma história de câncer de mama e, por isso, Hilary fazia seus testes regularmente. Esses testes precisam se transformar numa rotina das mulheres brasileiras.
O seio esquerdo de Hilary estava com câncer, mas os exames periódicos fizeram com que fosse descoberto antes da metástase. O câncer de mama é um dos cânceres que são fáceis de curar se forem descobertos cedo. A mamografia revelou o câncer, que estava localizado nos dutos de leite.
Casada e com três filhos, o câncer de Hilary faria vítimas secundárias, as vítimas ocultas do câncer, parentes e amigos do paciente. A intenção e o conhecimento de Hilary foram essenciais. Um programa em RVI buscam todas as mulheres entre 50 e 70 para um exame preventivo, um mamograma.
Foi feita uma lumpectomia, que é uma biópsia. Mostrou que o câncer estava nos estágios intermediários, quando a taxa de cura ainda é alta. Fizeram uma cirurgia e, em exame posterior, descobriram mais células cancerosas. Mais cirurgia para tirá-las. Mesmo depois dessa cirurgia foram encontradas células cancerosas mais difíceis de retirar. A solução foi uma mastectomia, retirar o seio inteiro, algo que causa muito dano a mulheres, como é humano e seria de esperar. Depois da mastectomia os médicos não encontraram mais células cancerosas e não fizeram tratamento de radiação nem quimioterápico. Alguns médicos fazem um, outro, ou os dois para não reduzir ao mínimo a probabilidade de volta do câncer.
É uma situação muito diferente da de uma amiga, aluna de pós-graduação na Universidade de Brasília, que somente descobriu o câncer quando estava no seu estágio mais avançado, chamado de Estágio 4. Ela não tinha a preocupação de realizar testes e exames regulares e morreu depois de dois anos, durante os quais aprendeu muitíssimo sobre câncer de mama, passou a ser uma ativista e possivelmente salvou outras vidas.
Mas não a dela.
Uma em cada nove mulheres terá câncer de mama na vida. No Brasil, significa que, das mulheres atualmente vivas, cerca de dez milhões ou têm ou terão câncer de mama. Quantas delas morrerão depende de quão cedo ou tarde o câncer fôr detectado. Por isso campanhas de detecção são muito importantes. Mesmo pessoas sem instrução podem aprender a fazer auto-exames, o primeiro passo no be-a-bá da prevenção. Precisamos, também, O dinheiro que se perde na corrupção do setor público poderia financiar mamogramas regulares de mihões de mulheres brasileiras e salvar dezenas de milhares de vida. E os machões, maridos, companheiros, filhos, parentes e amigos de mulheres também podem salvar dezenas de milhares de vidas, inclusive a mais importante para eles, incentivando-as a realizar exames preventivos e facilitando sua realização, assumindo as tarefas domésticas necessárias para que elas possam de fato fazer os exames.
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