Afinal de contas, os testes sistemáticos valem a pena ou não?
Publicado por soares7 em Outubro 31, 2009
Temos lido muitos trabalhos sobre os exagêros derivados dos testes sistemáticos de detecção, sobretudo o PSA. Um PSA alto estaria levando a biópsias desnecessárias, a cirurgias desnecessárias a tratamentos desnecessários. Agora aparecem novos dados europeus demonstrando que os testes valem a pena sim senhor. Um grupo do Erasmus University Medical Centre resolveu verificar se os testes realmente reduziam a mortalidade por câncer da próstata. Entre 1997 e 1999 quase doze mil homens entre 55 e 74 formaram o grupo experimental. O grupo controle foram mais de 133 mil homens da mesma idade observados entre 1998 e 1999 na Irlanda do Norte. Todos foram acompanhados até o fim de 2006. A mediana da idade era igual para os dois grupos – 63 anos. No grupo de Rotterdam, 94% fizeram o PSA, ao passo que na Irlanda do Norte foram apenas 6%.
Quais os resultados? Em Rotterdam, os homens foram diagnosticados com câncer mais cedo – o PSA mediano era de 5.1, ao passo que na Irlanda do Norte, as detecções foram muito mais tardias – o PSA mediano era de 18,0.
Aí começa o período de observação. O risco relativo da população testada de ter metástase durante o acompanhamento era de 0,47, muito menor. E a mortalidade específica por câncer de próstata também era menor: 0,63. Acompanhando os em situação de risco durante 8,5 anos, redução nessa mortalidade era de 1,8 mortes por cada mil homens.
Talvez o que deva ser modificado não é o teste sistemático, mas a reação a ele. Afinal, reduzir o risco de metástase em 53% e a mortalidade específica em 37% certamente vale a pena. O problema não é o teste, mas a reação a ele, os tratamentos invasivos desnecessários.
Artigo de van Leeuwen PJ, Connolly D, Gavin A, Roobol MJ, Black A, Bangma CH, Schröder FH.
Em Eur J Cancer. 2009 Oct 3.
