Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Viver ou morrer também depende do hospital

Publicado por soares7 em Outubro 18, 2009

Muita,muita gente não sabe o que é estatística, ainda menos o que ela pode fazer pela gente. Tome, por exemplo, o tratamento do câncer. Não temos, no Brasil, estatísticas sobre s taxas de sobrevivência. Pensem bem: operar num hospital no qual 25% dos pacientes morrem é muito melhor do que morrer num hospital no qual 60% dos pacientes morrem da mesma coisa no mesmo período. Precisamos dessas estatísticas porque elas influenciam nossas chances de sobrevivência, mas não as temos. Os Estados Unidos têm. Vejam a diferença que faz:
Nos hospitais de ponta, cinco anos depois da cirurgia 72% dos operados estão vivos – isso de todos os cânceres. E nos outros? 62% estão vivos. Operando num hospital menor, com menos prestígio e menos recursos você aumenta sua chance de morrer em dez por cento.
Essa é uma das diferenças pequenas.
Mas essas são diferenças entre tipos de hospitais. Quando examinamos os hospitais um a um as diferenças ficam muito grandes. O Fox Chase é um dos hospitais com mais reputação no tratamento do câncer de próstata. 71% dos pacientes graves, com cânceres muito avançados (estágio IV), estão vivos cinco anos depois. A média nacional é de 38%. É muita diferença!
Para cânceres da mama também muito avançados, estágio IV, as taxas equivalentes são de 28% e de 19%. Ou seja, suas chances de sobreviver cinco anos são 68% mais altas no Fox Chase. Onde você preferiria ser tratada?
Falando do câncer cervical muito avançado, estágio IV, o centro é a Clínica de Cleveland. Cinco anos depois, 33% estão vivas. A média nacional é de 16%.
Na análise das diferenças, o equipamento não é o mais importante. Aqui no Brasil, as clínicas anunciam orgulhosamente: equipamento de última geração! É mais importante ter médicos de última geração. As diferenças se explicam mais por outros fatores, como experiência com aquela doença específica, diagnóstico correto, se os médicos conseguem arregimentar pacientes e suas famílias para um tratamento integral, que inclui dieta, exercício, saúde psicológica, tomar os remédios recomendados no tempo e na hora, assim como se os médicos usam rotineiramente testes importantes como marcadores moleculares de tumores, se o acompanhamento dos pacientes é regular e sistemático ou esporádico de maneira a pegar cedo o câncer se ele reaparecer.
Os médicos que não se mantém ligados à internet nem participam de seminários e conferências podem estar muitos anos atrasados em relação aos tratamentos mais recentes e mais eficientes.
Uma segunda opinião é essencial: no Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle, 15% das segundas opiniões que eles emitem provam que a primeira estava errada.
A especialização e a experiência contam e diferenciam entre hospitais de ponta. Como exemplo: o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova Iorque tem uma ganho de dez por cento em relação aos demais centros na mesma cidade no que concerne a percentagem dos pacientes do esôfago que sobrevivem cinco anos na mesma cidade.
É por isso que as estatísticas contam. Conhecê-las pode significar a diferença entre a via e a morte.

Uma resposta para “Viver ou morrer também depende do hospital”

  1. Ótimas as observações. Eu não imaginava tanta diferença, ainda mais pelo fato de que esta, é maior ainda, pois de 62% por exemplo, para 72%, são dez pontos percentuais e não apenas 10%. (62%+10% = 68,2% e no caso vai pra 72%)
    Agradeço muito pelas informações.
    Força pra todos nós.
    Eduardo Cesar Elias de Amorim

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