Tratar ou não tratar o câncer?
Publicado por soares7 em Setembro 29, 2009
Tratar ou não tratar o câncer da próstata é uma das decisões mais importantes que podemos tomar. Não tratar um câncer agressivo pode nos condenar a morrer dele; tratar agressivamente cânceres indolentes pode significar uma tremenda baixa na qualidade da vida - para nada.
É possível que a decisão de tratar ou não tratar um câncer da próstata dependa da presença de uma proteína chamada Hsp-27. O que ela faz? Em condições normais ajuda células sadias durante períodos difíceis, como doenças ou períodos que geram estresse, a sobreviver e se regenerar.
O que ela faz nas células cancerosas? A mesma coisa. Se encontrada em células cancerosas através das biópsias, significa que o câncer é agressivo e vai avançar. Se não estiver presente, o câncer avançará muito lentamente.
Pesquisadores da University of Liverpool examinaram mais de 500 pacientes com câncer da próstata, concluindo que 2/3 deles não precisavam de tratamento – pelo menos não de tratamento urgente. Poderiam esperar e observar o progresso do câncer. Uma ampla pesquisa, com mais de quatro mil pacientes estudados durante 15 anos aumentou muito nosso conhecimento sobre a progressão deste câncer. O problema fundamental, uma vez descoberto o câncer, é saber se ele é agressivo ou não. O escore Gleason fornece uma indicação imperfeita da agressividade do câncer. Certamente, saber, desde o início, se o câncer é agressivo ou não é um dos itens mais importantes da agenda das pesquisas. Esse câncer não é brincadeira, pois mata 13% dos homens na Grã Bretanha. Mas muitas pesquisas demonstraram que muitas pessoas, com formas menos agressivas do câncer poderiam ficar sem tratamento – umas até morrer de outras causas e outras até que o câncer ameaçasse se tornar perigoso. Como o tratamento usualmente é feito pouco depois do diagnostico – algumas semanas ou meses – muita gente que não precisa ser tratada é tratada. Qual o problema?
Os tratamentos têm conseqüências e efeitos colaterais pesados que diminuem a qualidade da vida. Se pudéssemos identificar e separar os cânceres não ameaçadores desde o inicio, muita gente que é tratada (e sofre por causa disso) poderia ser deixada em paz e simplesmente acompanhada. Essa possibilidade pode se transformar em realidade em alguns anos. Se, efetivamente, se confirmar a relação entre essa proteína, a Hsp-27, e os cânceres agressivos se confirmar, a agenda se orientará para o desenvolvimento de testes que revelem sua presença e sua importância nas células cancerosas.
A boa ciência médica caminha na direção de uma terapia mais individualizada, melhor ajustada a cada pessoa. A Patologia, como parte integrante dessa nova medicina, caminha na mesma direção. Distinguir entre cânceres da próstata agressivos e indolentes é um passo importante nessa agenda.
