Quanto tempo até a metástase?

O grupo da Johns Hopkins, em Baltimore, fortaleceu uma série de análises estatísticas a respeito dos fatores de risco até tres marcadores:

  1. a “volta” do PSA, também conhecida como “fracasso bioquímico”;
  2. o aparecimento de metástases e
  3. a morte

Produziram vários papers interessantes, que causaram impacto. Desde o primeiro, no fim da década de 90, até agora transcorreram mais dez anos para observação. O trabalho de Antonarakis e outros atualiza os resultados. A média do tempo da cirurgia até a “volta do PSA” foi de 4,2 anos, mas a média, nesses casos, é muito influenciada por valores extremos. Esse cálculo se aplica aos pacientes que tiveram a “volta do PSA”. Esses pacientes, em número de 774, a mediana do tempo até que desenvolvessem metástase foi de dez anos. Isso significa que aproximadamente metade desses 774 deve metástase antes de dez anos e metade depois. O PSA pode voltar depois de muitos anos. Em um dos pacientes voltou depois de 19 anos.
Porém, a volta do PSA é uma coisa e metástase é outra. Pouco mais de um terço (38%) chegou a esse nível pior. Nesse grupo o tempo até a “volta do PSA” foi menor: na média, 3,1 anos depois da cirurgia. A mediana era de 2 anos entre os que desenvolveram metástase. Quando a metástase foi constatada, a média dos PSAs era de 120 ng/mL. Esse número também pode ser muito alterado por valores extremos. Por isso a mediana era bem mais baixa, 35,4 ng/ml. Mas o PSA é de valor muito relativo como previsor da metástase. Apareceu metástase com PSA de 0,5 e com PSA de mais de dois mil. Com o passar do tempo, alguns dos que não tinham metástase terão, ao passo que outros morrerão de outras causas. A metástase também pode aparecer muito tempo depois da volta do PSA.
Há tres fatores que influenciam o tempo até a metástase (nos casos em que houve metástase).

  1. o Escore Gleason;
  2. quanto tempo levou da prostatectomia até que o PSA voltasse a ser detectável e
  3. o PSADT, o tempo que o PSA leva para dobrar.

Essas variáveis são contínuas, ou seja desde o valor mais baixo até o valor mais alto pode haver valor em qualquer ponto, mas os autores preferiram usar pontos de corte. Os pontos de corte usualmente são escolhidos pela sua capacidade preditiva.
No Escore Gleason, separaram os com 8 e mais dos com menos de 8. Muitos usam 7, mas os autores preferiram o 8. O Gleason de 8 ou mais é um fator de risco porque dobra a probabilidade de que a metástase ocorra. Reitero que isso não quer dizer que todos abaixo de 8 tenham o mesmo risco, nem que todos os com 8 ou mais tenham o mesmo risco.
O tempo até a “volta do PSA” também foi dicotomizado em antes e depois de tres anos. A relação aí é negativa: quanto mais tempo, melhor. Nos casos em que o PSA voltou depois de tres anos, o risco de metástase é um terço do risco referente ao grupo no qual o PSA voltou mais cedo (incluíndo os que nunca obtiveram um resultado não detectável);
O PSADT, não obstante, é o fator que mais diferencia. Os pesquisadores usaram 3 meses ou menos (altíssima velocidade e um prognóstico muito negativo); de 3 a 8,9; de 9 a 14,9 e 15 ou mais. No caso do PSADT, mais tempo, melhor. No primeiro grupo, a mediana foi de 3 anos; no segundo (3-8,9 meses) a mediana foi de 7 anos; no grupo cujo PSA levava de 9 a 14,9 meses, a metástase aparecia depois de 16 anos, e no grupo com 15 meses ou mais, a metástase aparecia 21 anos depois.
Evidentemente, a combinação de resultados favoráveis altera os resultados individuais para melhor, o oposto se observando com resultados desfavoráveis (como Gleason 8 ou mais; pouco ou nenhum tempo até a volta do PSA, PSADT de tres meses ou menos). É isso o que a equipe pretende fazer para que os pacientes façam as suas decisões de tratamento baseados nas informações melhores e mais exatas.

A equipe que trabalhou nessa pesquisa está repleta de nomes conhecidos: E. S. Antonarakis, B. J. Trock, E. B. Humphreys, M. A. Carducci, P. C. Walsh, A. W. Partin e M. A. Eisenberger.

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Uma opinião sobre “Quanto tempo até a metástase?

  1. Uma coisa dgo qdo a doença (metastase óssea) chega a um nivel avançado, ficamos sem saber se depende dos medicos, pacientes ou familiar, pque é dor mas dor mesmo, perdi meu irmao amado faz um ano dia (12.4.2008)começou no estomago, depois sentindo dores fortes nos ossos, foi triste e esta sendo ainda, principalmente para minha mãe, (89) anos. Apenas para desabafar. É triste, poderia aver uma medicação para que o paciente nao sofresse tanto, foi rapido muito rapido a doença, infelizmente perdemos.
    Agradeço. Tenho medo pque familia, avos, tios a maioria morreram, tenho artrose no femo (perna E e D)e ainda por cima descobri o ano passado que tenho Anemia Falsiforme, estou em tratamento, se Deus quiser ficarei boa… meu ossos dueram muito semana passada lembrei do meu irmão.

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